Mudança de Passarela

9 Troca de Cenário.


Narrativa- Colin.

Cheguei a minha casa naquele mesmo dia já para encontrar minha mãe sentada no sofá me esperando, ela me deu “oi” e já foi direto ao assunto que ela queria pautar, mas que eu não queria falar de jeito nenhum.

— Filho me escute, nós já demos grandes passos em todas as mudanças e já está quase tudo certo o seu pai vai passar hoje na sua escola para assinar a sua transferência para o Colégio Dourado e eu conversei com a Lola da agência Rainha para tentar te transferir para a agência Lírio. – comunica minha mãe.

Fiquei ainda mais irritado por ela ter tomado a dianteira e ter falado com a minha chefe, eu não era um pivete que precisava dela tomando os passos por mim.

É eu sabia que eu de fato seria modelo na mesma agência de Pietro Rossi, isso não ia ter jeito não é mesmo? Que Mickey, Thor, Flash me ajudem!

Bom ainda neste dia eu tive uma reunião com a Agência Rainha, a raiva começou a bater, eu não queria sair dali e muito menos ir para a Lírio, mas que droga! Mas não tinha jeito era isso ou ficar desempregado, já que a agência ia fechar.

Meu pai via tudo isso de um único jeito, vendo por todos aqueles anos em que eu trabalhei na “AR” pelo menos eu receberia uma boa quantia de dinheiro ao assinar a rescisão e sair de lá, mas eu sabia que estaria garantindo assim a falência dela, triste de mais isso. Mas não posso negar que seria perfeito para jogar tudo na minha poupança, investir de alguma forma, então eu comecei a ficar menos irritado porque o meu salario na “AL” seria quase o mesmo, com poucas variações a mais, bom pelo menos foi isso que a Lola disse, e eu esperava que fosse verdade, Victor deixaria de ser titular para ser primeiro reserva junto com Thiago Melo da “AL” ótimo isso, meu melhor amigo sendo rebaixado e o pior que isso me deixava em pé de igualdade na hierarquia de modelos da “AL” com Pietro, ou seja, nós sempre desfilaríamos juntos, tudo esta perfeito!

Olha não foi fácil dizer tchau para a “AR” eles foram minha segunda família dos 9 aos 18 anos, e isso é muito tempo, muito tempo mesmo, mas como diz Cassia Eller “O para sempre, sempre acaba”. O que me dava algum animo era que eu não perderia o meu irmão negro, Victor continuaria comigo e isso era muito reconfortante.

Minha irmã por outro lado, embora tenha parecido um pouco contrariada no colégio, agora estava lidando com tudo muito bem, ela estava cansada mesmo, e vivia viajando de qualquer forma para gravar suas cenas quando tinha, embora ela estivesse rejeitando tantos papeis o quanto podia, estava desistindo desse meio, queria se dedicar aos estudos e assim como eu ser medica, então talvez por isso mais uma mudança na vida dela não surtisse efeito algum.

Eu tentava ao máximo ignorar meu pai, porque se eu abrisse a boca para falar qualquer coisa não sei o que poderia dizer, ele sempre fazia merda na nossa vida desde que saiu do exercito e veio para casa, então assumiu o posto de vice-presidente da empresa multinacional da nossa família, a Engenharia Vargas, porém o dono real da empresa era o meu avô ele também havia servido ao exercito, e tinha uma patente mais alta que a do meu pai, então tudo que ele mandava meu pai fazer, meu pai batia continência e fazia e meu pai achava que com a gente tinha que ser igual, porém não era bem assim que as coisas funcionavam, não comigo, afinal eu não tinha servido ao exercito.

Para ser bem sincero este foi o meu maior alivio na vida, ter sido liberado do imenso e majestoso dever de servir ao exercito, o NÃO muito bem marcado na minha ficha de candidatura foi o bastante para que eu fosse liberado dessa majestosa obrigação, óbvio que meu pai odiou, alias, ele sempre odiava tudo que eu fazia.

Mas pelo jeito não tinha solução e eu ia ter mesmo que me mudar, então obvio que eu ia fazer disso o melhor evento que eu pudesse, afinal eu era assim, eu sempre me adaptava as mudanças fossem como fossem, eu jogava as coisas para o universo e com a ajuda dele fazia acontecer, sempre deu certo, então agora seria da mesma forma.

Fui com minha mãe ver casas, ou melhor, chácaras em um condomínio do outro lado da cidade, “por coincidência”, reviro os olhos, coincidência o caramba, tia Marcia morava lá também, logo Pietro também morava lá, era tudo planejado ela sempre quis mudar para perto da Tia Marcia.

Vimos umas quatro chácaras, e decidimos ficar com a segunda que vimos, era uma casa imensa, com um terreno mais imenso ainda e claro que eu fiz pé firme para ficar com ela porque isso deixava a nossa casa no lado oposto do condomínio de onde estava a casa da Tia Marcia.

Minha mãe é uma Designer de Interiores e de Jardim, era maravilhosa na profissão e já havia feito todo um projeto fantástico para as quatro possíveis chácaras que íamos visitar, e quando vi o projeto para a que nós escolhemos eu fiquei maravilhado, as únicas partes em que ela deixava livre para nossa escolha de decoração eram os nossos quartos, meu e da Sofia, mas sempre esteve lá aberta para caso quiséssemos pedir a sua opinião, mas era só isso que ela fazia, dar opiniões, e eu adorava isso, porque o meu quarto era meu refugio, um lugar onde eu encosto a cabeça e esqueço o mundo, ou o lugar em que eu encosto a cabeça para pensar no mundo. Mas é o meu lugar!

A casa ainda contava com piscina, quadra, bosque e etc. A gente era rico, muito rico, eu sei, mas não via necessidade de tudo aquilo, por mais que tivesse adorado aquela casa, na verdade acho que só queria mesmo o meu apartamento antigo.

Eu já estava quase ao final das minhas mini férias até que todas as documentações estivessem prontas, digo referente a casa, escola e emprego, quando finalmente nos mudamos eu já tinha perdido quase que agosto inteiro de aula, o que estava me irritando já por que eu estava perdendo matéria, e eu sabia que o Colégio Dourado era muito rígido quanto a isso, sem falar que a “AL” também enfrentava problemas com o meu contrato o que só servia para me irritar um pouco mais.

No dia em que nós nos mudamos eu me concentrei em organizar o meu quarto eu o decorei como eu gostava, eu tinha uma vantagem de que este quarto era o triplo do meu antigo, era uma suíte, com um closet, consegui arrumar todas as minhas roupas e ainda sobrar espaço, sai de lá e fui para o resto do quarto, arrumei as prateleiras de livros e funkos, e coloquei cortiça em outra parede para pendurar todas as minhas camisetas de todos os lugares que eu já fiz eventos e desfiles, eram ao todo 25 camisetas, os meus pufes estavam em um canto, uma televisão foi posta no meu quarto e todos os meus pertences também já estavam organizados, tudo isso graças a minha mãe ter antecedido a mudança e ter mandado pintar tudo antes de irmos para lá.

Eu já estava de saco cheio já de estar aqui em minha nova casa, não tinha mais nada para fazer, quarto arrumado, já tinha ajudado mamãe com o resto da casa e ainda eram 15 horas da tarde.

— Mãe, estou indo dar uma volta no condomínio, conhecer ele e ver o que tem de legal. – digo passando pela sala e vendo minha mãe arrumar os quadros na parede, que por sinal eu os havia posto.

— Tudo bem Colin, cuidado para não se perder. – diz minha mãe.

Pois bem, desço a rampa da chácara em que morava para poder sair para rua, passo pelo portão e sigo em direção a Portaria pela qual passamos de carro, se bem eu me lembro lá perto tinha um painel que tinham todos os programas da cidade e do condomínio.

O caminho não é longo e por tanto logo chego lá, não havia reparado antes quando cheguei o quanto esse lugar era bonito, no caminho para lá não haviam muitas paisagens, mas o caminho era cheio de arvores floridas, pássaros, e isso era tudo completamente diferente de tudo que eu vivia do outro lado da cidade, embora Jacareí seja uma cidade do interior ainda assim e muito urbanizada em alguns pontos da cidade e no lado onde eu morava não havia nada disso que tem aqui, essa quantidade de arvores e pássaros, eu não havia saído do condomínio hoje, porque não quis sair com meu pai, obvio que não, como poderia sair com aquele idiota que ultimamente arrumava qualquer pretexto para me importunar com suas lições valiosas sobre disciplina militar, com coisa que eu não fosse um garoto disciplinado.

Passei pela portaria sem realmente sair do condomínio, pois não era essa a intenção e ali sim começa a ter uma paisagem, havia um barranco cheio de árvores e lá embaixo havia uma represa, o sol brilhava intensamente no alto do céu mesmo ás 15 horas e isso deixava a água com um tom avermelhado e essa visão era simplesmente maravilhosa.

Subi um pouco a rua mais adiante, a placa dizia ”Trecho Perigoso”, e eu podia bem ver o porquê daquilo, as curvas eram tão acentuadas e íngremes que era bem provável que alguém morresse lá se houvesse um acidente de carro, então eu fiz o mais logico... eu subi.

Incrivelmente quando cheguei ao topo, eu fiquei maravilhado, de um lado havia um barranco que ia até lá embaixo onde eu estava, do outro lado da pista estava um morro com uma espécie de mata, olhando bem atentamente para ela, vi que em uma parte dela havia uma trilha não muito limpa, mas ainda assim era uma trilha, a roupa que eu estava não era muito aconselhável de se andar no meio do mato, mas eu não ia muito longe nessa trilha caso fosse muito longa, então atravessei a rua com o maior cuidado do mundo e comecei a subi-la, ela era bem curtinha na verdade e terminava em uma pedra imensa, em uma parte da pedra havia uma escadinha de madeira e concreto, provavelmente feita por alguém do condomínio, quando subi na pedra e olhei para frente não podia acreditar em tudo aquilo que estava vendo.

Era mais ou menos como a cena do Rei Leão, onde o Mufasa, pai do Simba diz para ele que tudo onde o sol tocar e dele e etc., ou seja, maravilhoso!

Naquele instante tudo que o sol tocava era meu, aquela imagem nunca mais sairia daminha mente, e eu estava realmente agradecido por isso.

Desci de lá já pensando em voltar em um dia breve para ver um por do sol e o nascer do sol inteiro daquela pedra.

Na volta olhei o mural de eventos, haveria uma festa na represa hoje, festa no ancoradouro, era isso que o papel dizia, então ótimo, já tinha para onde ir esta noite.

Mal cheguei a minha casa meu celular tocou, pelo que dizia o visor do celular era da “AL”.

Alô. – digo atendendo ao telefone.

— Colin Vargas? – perguntou uma mulher ao telefone.

— Ele mesmo. – quem diabos liga no celular de alguém e pergunta se é a pessoa que atendeu.pois não?

— Meu nome é Aline e eu falo em nome da Agencia Lírio, mas gostaria de saber se haveria a possibilidade de você vir hoje na central de Jacareí, às 17 horas, para fazermos nossa avaliação física com o senhor e realizamos a contratação? – disse ela.

— Consigo ir sim, sem o menor problema. – digo em resposta.

— Ótimo, quando chegar a nossa portaria peça para me chamar. – disse ela. – Tenha uma boa tarde, até mais.

Pelo menos essa funcionaria era educada. E finalmente meu contrato estava pronto.

Decidi já ir arrumado para a festa na represa que começarias às 20 horas, assim não perderia tempo.

Avisei minha mãe onde estava indo e eu usaria o GPS porque ainda não sabia como chegar a agência, já que o condomínio fica bem afastado da cidade propriamente dita e é de um lado da cidade que eu não conhecia.

No caminho mandei mensagem para minha irmã, falando para ela se arrumar que iriamos a uma festa na represa assim que eu voltasse, essa seria a segunda vez que eu iria a uma festa lá e eu só esperava que ela não fosse igual a primeira com Pietro estragando as coisas. Avisei minha irmã que eu avisaria a ela quando chegasse no condomínio para ela descer e me esperar no portão de casa.

Quando finalmente cheguei a “AL” depois de passar por boa parte da cidade, vi um cavalo em uma loja fiquem bem tentado a ver o preço para comprar um, eu amava cavalos e teria muito espaço para ele na minha casa, mas era provável que o selvagem do SR.º Rafael o matasse para assar caso a janta demorasse um pouco a ficar pronta.

Entrei na recepção.

— Boa tarde, eu gostaria de falar com a Aline. – digo. – meu nome é Colin Vargas.

— Só um segundo. – disse a menina na recepção pegando o telefone e fazendo uma ligação. – Line, o menino novo já esta aqui... tá ok... eu aviso sim... sem problemas.

Quando ela desligou o telefone olhou para mim e disse: Ela pediu para que você esperasse dois minutinhos enquanto ela termina de preencher uns papeis.

— Sem problemas! – respondo e sento-me em uma das poltronas da recepção.

Passando-se mais do que dois minutos outra garota vem de uma das portas lá de trás.

— Colin, vem comigo. – chamou ela.

Eu me levantei e a segui.

— Como você esta? – me perguntou ela. – Já se acostumou com a nova casa?

— Estou muito bem, bem... acostumar... isso vai levar um pouco mais de tempo, mas eu sou uma pessoa bem adaptável e mente aberta. – respondo deixando claro que esta mudança de agência também não seria um problema para minha pessoa. – e você como esta?

— Muito bem, obrigada. – disse ela em resposta. – teremos uma reunião agora com os diretores, o estilista, e o garoto que é o outro titular junto com você a partir de hoje.

O que, Pietro estaria aqui? Meu Mickey, alguém me salva, por favor. E por que Victor não estaria esqui?

Calma Colin, respira, é um trabalho como qualquer outro e se você parar bem para pensar, você não gosta do Pietro, mas não o odeia de verdade, talvez se passar a conviver aprenda a lidar com ele, é consciência ou a gente se mata de uma vez por todas.

Ótimo, eu penso assim, mas e ele? Provavelmente ele pensa só na parte da gente se matar. Afinal desde pequeno eu sempre tentei me aproximar dele, mas nunca consegui, na verdade ele nunca me deixou, então ele era um idiota.

Entrei em uma sala de reuniões, onde haviam cerca de três homens de terno e gravata, Pietro com roupa tranquila e um cara todo no estilo mais bizarro de todos, imaginava que ele fosse o estilista, e logo minhas conclusões se confirmaram quando ele começou a falar logo que eu adentrei na sala.

— Não precisarei tirar as medidas dele. – disse ele e eu me assustei como assim ele me mediu com os olhos. – ele veste o mesmo que Pietro, mesma altura mesmo corpo atlético apenas um pouco mais de calça, porque ele tem uma bunda maior, nada de mais!

Corei, tenho certeza disso, eu odiava que falassem da minha bunda, eu sabia que ela chamava a atenção, por ser um pouco maior que a da maioria dos meninos e principalmente dos modelos, mas não precisa ficar falando, saco, e como é que ele conseguiu deduzir que eu visto o mesmo que o Pietro só de olhar para mim, o que ele tem nos olhos, uma fita métrica?

— Seja bem vindo garoto, pode se sentar. – disse um dos homens de terno. – Eu sou Rogerio dono da Agencia Lírio. Estes são Sebastian, Diretor Administrativo e ele é Lucio Diretor de Marketing. Este que falou de suas medias é o nosso estilista Paulo. E este talvez você já o tenha visto...

— A gente já se conhece... – disse Pietro revirando os olhos. – desde a infância.

— Magnifico, então são amigos? – perguntou ele.

Há responde ai imbecil, ele não podia ficar calado como ficou agora, não claro que não, ele tinha que falar que a gente já se conhecia.

— Quase isso senhor, nossas mães são melhores amigas, e nós crescemos juntos, até fizemos nosso primeiro teste para modelos juntos. – digo esboçando um sorriso só para causar boa impressão, e eu já me prontifico a mudar de assunto antes que eles percebam que não tem nada de amizade entre nós. – por falar nisso, muito obrigado por me darem esta oportunidade, estou realmente muito grato, imagino que tenha sido surpresa um pedido desses vindo da “AR”, mas, muito obrigado.

Pude ver Pietro revirando os olhos, se ele tivesse ficado calado eu não precisaria ter dito nada.

— Foi uma surpresa a “AR” nos mandar os seus dois melhores modelos, mas mais surpresa ainda é que ela vá fechar, mas precisamos de modelos como você e Victor, às pessoas comentam senhor Vargas, as pessoas dizem coisas, você não é só um modelo técnico exemplar, é um ótimo aluno, vimos o seu histórico escolar, as pessoas dizem que você é muito educado, e a julgar por tudo isso, fizemos um bom negócio, assim quanto a Victor. – disse Lucio um dos diretores. – então você pode imaginar o quanto nós nos achamos sortudos por termos você aqui conosco.

— Nós tivemos que rebaixar um modelo e demitir outro para te contratar, mas isso não é problema, na verdade isso foi um bom negócio, isto aconteceria de um jeito ou de outro. – disse Sebastian, por algum motivo o rosto de Pietro se fechou em um semblante de raiva, provavelmente o modelo rebaixado era seu amigo Thiago, e talvez o modelo demitido fosse amigo dele também.

— Aqui esta seu contrato, você pode levar ele para casa ler com calma se preferir... – eu o interrompi.

— Eu leio agora mesmo se não se importarem, eu leio rápido. – digo e pego o contrato da mão dele. – Por que Victor não esta aqui?

— Nossa reunião com ele foi hoje mais cedo. – respondeu Sebastian.

Assenti ficando um pouco mais tranquilo e comecei a ler o contrato.

Tudo dentro dos conformes, a diferença é que meu salario aqui era o dobro do que eles haviam falado antes, e inclusive era o dobro do que eu ganhava na “AR”, o que quase me fez sorrir, eu era realmente valorizado no mercado a esse ponto, isso era muito bom, eu não fazia ideia de que eu era caro a este ponto. Além do salario tinha todos benefícios possíveis imaginários!

Olhei para eles, o dono da empresa sorriu, entendendo que eu havia chego nessa parte do contrato.

Assinei todas as vias do contrato e o entreguei.

— Aline vai tirar uma copia do contrato e te entregar assim que tiver todas as assinaturas. – disse Rogério. – Nossa agenda começa em setembro, mais ou menos na primeira semana que é quando fazemos os ensaios e temos conversas sobre os eventos futuros, e etc., depois começamos os eventos de final do ano.

— Sem problemas. – respondo.

— Você e Pietro vão formar uma dupla grandiosa e muito importante no meio dos modelos, claro que tudo depende do nosso amigo ai recuperar suas notas. – disse Rogério o que eu pude ver enfureceu a ele. – A Lírio se preocupa com a formação escolar dos jovens, se vocês não estudam não desfilam essa é a regra.

— Consigo viver bem com isso. – digo sorrindo, isso nunca foi um problema para mim, sempre tirei boas notas na escola então estava tudo certo.

— Ótimo, quem sabe assim seu colega não segue seu exemplo, você pode esperar na recepção que Aline vai levar a copia para você. – disse Lucio. – Pietro você pode ir também, e de as boas vindas ao seu amigo.

Nós dois saímos, mas e claro que Pietro não falou comigo, ele era idiota de mais para isso.

Esperei por uns 10 minutos até que Aline me entregasse a copia do contrato, e então voltei para o condomínio.

Peguei meu celular pouco antes de chegar ao condomínio e mandei mensagem para minha irmã, era 19h50min.

Quando cheguei lá e ela entrou no meu carro, contei para ela como havia sito a reunião e as reações de Pietro já que ela ficava com ele e era a melhor amiga dele quem sabe pudesse dar uma luz na vida dele.

— A mãe dele disse que ele está bem chateado na realidade, porque VOCÊ e o Victor pegaram o lugar do melhor amigo dele, bom na realidade é isso que ele diz, mas o amigo dele, já havia pedido para sair do cargo de titular da “AL”, porque se sentia muito pressionado e a mais de um mês ele vinha tentando isso, mas não tinha vaga para coloca-lo abaixo e não tinha ninguém para substituir ele no posto de titular, até que seu nome foi mencionado, e então a demissão de um dos reservas menos promissores foi prontamente adiantada para que Victor e Thiago assumissem o posto de primeiros reservas, acontece que ele não havia contado para ninguém, mas a mãe dele contou para a de Pietro e ela contou para mamãe e eu, se prepara viu, pois ele vai te culpar. – explicou minha irmã.

— Não é nenhuma novidade ele me culpar de algo que eu não tenho culpa. – retruquei.

Logo que cheguei a represa já encontrei Laura.

— Oi sumido. – disse ela. – ainda é meu namorado?

Nossa fazia uma semana ou mais que a gente não se falava, eu estava tão ocupado com minhas coisas que não havia nem se quer reparado nisso, o que eu estava fazendo da minha vida social, meu relacionamento estava parado, eu só sabia estar com raiva dessas mudanças toscas, depois decidi viver a mudança intensamente e esqueci que na verdade agora eu era vizinho de Laura, e esqueci que eu tinha uma namorada.

Nós nos afastamos um pouco e conversamos bastante sobre isso, eu me desculpei e ficamos bem, no decorrer da festa não vi Pietro em lugar nenhum o que para mim estava perfeito não queria outra cena como a da ultima festa, nem vi minha irmã o que queria dizer que muito provavelmente eles estavam juntos.

Foi bem depois quando estava indo embora que vi Pietro e minha irmã perto dos carros dando uns amaços, não me importei ela sabia se cuidar muito bem com ele, o problema foi que ele me viu.

— Olha só o menino de ouro, o menino que deveria ser o meu exemplo, alguém que eu devia me espelhar. – disse Pietro vindo em minha direção. – Um ladrão de cargo isso sim é o que você é.

— Cara eu não roubei nada, não tenho culpa de ser um modelo mil vezes melhor do que o seu amigo. – digo a ele tentando sair de perto, mas ele segura o meu braço.

— Fique sabendo que ninguém na agencia esta feliz com essa contratação. Perdemos um modelo e Thiago foi rebaixado. – disse Pietro. – Você vai viver um inferno.

— Bom, o dono da “AL” e os diretores estão bem satisfeitos comigo, na verdade diria que mais do que satisfeitos já que estão me pagando o dobro do que ganhava na “AR”. – digo a ele. – e outra, eu não me importo se nenhum modelo gostar de mim eu estou lá para trabalhar e não fazer amigos. E você devia conversar com o seu amigo sobre o que ele acha disso tudo, na verdade acho que ele deve estar é querendo me agradecer por ter pego o cargo dele.

E mais uma vez o idiota partiu para cima de mim e mais uma vez tediosa saímos na mão um com o outro, estas situações já estavam ficando bem ridículas.