Notas iniciais
Cheguei! Duas coisas que quero esclarecer: 1- Os personagens citados na história são todos pertencentes ao Tio Rick Riordan, exceto os irmãos Miller. 2- Eu escrevo a fic baseada na série Percy Jackson e os Olimpianos, não em Os Heróis do Olimpo!
Bem, agora quero agradecer de verdade por todos os comentários, como já disse, achei que escreveria a fic e ninguém iria ler, claro que não escrevo apenas por comentários, mas dividir essas aventuras e ver que tem gente curtindo e acompanhando é gratificante, esse capítulo saiu maior, mas também emocionante, confesso que em uma parte, escrevi chorando, porque achei simplesmente perfeito. Espero que gostem, dedico o capítulo de hoje, pra vocês que estão lendo e acompanhando!

Já era dia, o acampamento estava agitado, depois do café da manhã, Percy descobriu o porque. Havia chegado um campista, filho de Ares, chamado Louis. O garoto estava sentado na mesa do seu chalé, tinha cabelos castanhos claros, rebeldes e olhos verdes. Era alto, estilo inteligente e bem bonitinho pra um filho do deus da guerra! Ele viu que Annabeth olhava regularmente para a mesa de Ares, e se aborreceu logo! Após o café, ele resolveu passear pelo acampamento, encontrou Grover no caminho.

– Ei cara, qual o problema?

– O tal do Louis, ele é o problema!

– Ciúmes da Annabeth?

– Não enche Grover!

– Pois saiba você, que eles se conhecem faz tempo, Louis foi campista aqui na época em que Annabeth devia ter uns 10 anos. Foi pouco tempo antes de você chegar, ele havia saído, nunca passou para o lado do mal, e ás vezes visitava o acampamento, mas quase não era percebido, ele parece gostar de Annabeth!

Percy ficou analisando o que acabara de ouvir, saiu sem avisar, em direção ao chalé de Atena. Estava tudo calmo, Annabeth estava sentada em sua cama, fazendo anotações, na verdade, o chalé estava vazio, exceto pela garota de cabelos loiros, que escrevia freneticamente. Ela mal percebeu a entrada de Percy, que resolveu avançar, se sentou e fingiu uma tosse, ela ergueu os olhos do papel.

– Ah, oi Percy!

– Ocupada?

– Não, são só umas anotações de...

– Tanques de guerra! — Disse uma voz, que vinha da porta, Percy se virou e viu o tal do Louis, escorado no batente. Percy se sentiu incomodado, e saiu sem mais nem menos do quarto.

– Annie, o que deu nele?

– Nada Louis, ele é...

– Percy Jackson! Sim, eu sei.

– Bom, ele deve estar com pressa, ou algo assim.

– Espero que seja isso, mas, como vão os projetos?

Os olhos de Annie brilharam.

– Zeus sabe o quanto são maravilhosos! Os tanques são totalmente sincronizados, cada parte bem feita, mas para reconstruir do jeito que você quer, só os filhos de Hefesto, embora eu possa desenhar.

O garoto sorriu.

– Você é genial!

Annabeth corou.

– Filha de Atena, sabe...

O garoto sacudiu a cabeça fazendo que sim.

– Está muito bonita, desde que te vi...céus, olha como está linda!

Ela ficou mais vermelha ainda.

– Melhor parar de me deixar sem graça!

– Tudo bem, só por hoje.

Ele deu um beijo na bochecha dela e saiu. Na verdade ele era bem inteligente, Annabeth se perguntava se ele não havia sido colocado no chalé errado, eles eram conhecidos, talvez até amigos, o garoto era charmoso e tinha mais atitudes que certas pessoas...ou melhor, que certos Perseus! Enquanto isso, no lago...

– Sabe cara, não acredito, aquele garoto é intrometido, o pior é que, ela estava fazendo projetos pra ele, pode acreditar?

– Calma Percy, são apenas amigos. — Dizia Grover, enquanto olhava em volta — Me senti assim também, Juníper era muito amiguinha de outro sátiro, mas passa!

– Mas o problema é que ele tem segundas intenções, com ela, não tô com ciúmes, é só que.. sei lá!

– Heróis incompreendidos, sabe meu amigo, tudo é questão de tempo, e se eu fosse você me apressaria, fiquei sabendo que o Louis tem uma mala cheia de livros de arquitetura antiga!

Percy olhou indignado para Grover, saiu andando em direção ao pavilhão, que estava vazio. Caminhou mais um pouco e resolveu que seria melhor visitar a arena, foi pra lá que ele foi! Mas ela estava sendo ocupada, por uma garota de altura média, olhos negros como a noite e cabelos rebeldes castanhos claros. Ele ergueu uma das sobrancelhas, mas ela o viu, e disse:

– Perseu Jackson, ora, ora, que honra. Duelaria comigo?

Percy achou a garota interessante.

– Claro, mas antes acho que a dama deveria se apresentar!

– Luana Miller, filha de Ares também — Ela fungou — Irmã de Louis Miller, o garoto bonitinho que está aqui no acampamento. Viemos passar um tempo, mas Louis parece bem interessado em ficar.

"Sei bem o porque" pensou Percy.

– Muito bem, pronta? — Ele tirou a caneta do bolso, que logo se transformou em espada. — Mas acho que você deveria usar alguma proteção!

– Suponho que não, ambos estamos sem armadura, ou escudo, uma luta justa e se você se ferir, tem a água e eu... bem, sou filha do Deus da guerra, não iria ficar abalada com alguns cortes, fora que seria um prazer te matar, meu pai se orgulharia.

– Você conhece Clarisse?

– Ah sim, não nos damos bem, somos bem competitivas.

– Imaginei! — Ele sorriu ironicamente — Já!

Travaram um belo duelo, Percy conseguiu desarmar Luana, ambos estavam com pequenos cortes, Percy com um na bochecha, embora fosse causado por acidente, Luana com um corte no braço, não sangrava muito, ambos sentaram no chão sujo.

– Sabe, Perseu, nunca perdi um duelo, devo dizer que não vou deixar barato!

– Ahhh, claro que não, também, sendo filha de Ares, não imagino outra coisa!

A garota sorriu de lado, era fato que ela havia ouvido falar de Percy, mas achara ele bem mais bonito e desafiador pessoalmente, estava começando a ter uma queda.

– Bom, preciso ir Senhorita Miller, prazer em te conhecer, e te desarmar, devo dizer! — Ele pegou uma das mãos delas delicadamente, e a beijou, em sinal de cortesia. Não achava que fizera nada de mais, por isso, saiu sem olhar para trás. O dia transcorreu normalmente, no jantar eram só risinhos vindo da mesa de Afrodite, e a mesa de Atena comia silenciosamente, Annabeth olhou para Percy, que sustentou o olhar, que foi quebrado por ela, quando foi chamada por um de seus irmãos. Ele saiu, andando em direção ao seu lugar preferido, o lago, ela percebeu e saiu atrás, quando estava bem perto dele, o chamou.

– Percy!
– Ah, você… ei!
Ela percebeu o desapontamento na voz dele.
– Tá tudo bem?
– Claro Annabeth, por que não deveria? — Ele escondeu a mágoa na voz, ela perguntou:

- Por que saiu daquele jeito do chalé hoje mais cedo?
– Por nada, não quis atrapalhar o projeto que você estava criando, para o seu…anh…amigo! — Ele engoliu em seco.

- Ora, Percy! Não ficou com ciúmes né? Não vai perder seu posto de amigo! — ”De amigo não, mas posso muito bem perder o posto de seu futuro alguma coisa” pensou ele.

- Eu sei que não. — Ele forçou um sorriso — Agora volta lá, ok? Tá tudo bem, mesmo. — Ela o encarou, se ia falar algo não disse, pois caminhou de volta ao pavilhão. Percy continuou andando até o lago, ia fazer algo que não fazia há um tempinho…
– Pai? — Perguntou ele, sentando na grama, apoiado em uma árvore. — Olha, sei que pareço idiota, mas não sei o que fazer, nem sei se está me ouvindo, mas é que… — Ele fechou os olhos como se fosse falar algo doloroso, com os olhos fechados ele continuou — É só…
– Annabeth? — Percy se assustou, ao seu lado estava seu pai. Com o velho boné de pesca, rugas perto dos olhos indicando alguém que sorria, olhos verdes iguais aos seus. — Você me assustou, tá legal?
– Pelos deuses Perseu, você me chama e depois se assusta.
– Não estou acostumado a ser atendido prontamente, aliás, o senhor está ao meu lado, uau! Como vão as coisas lá no fundo?
– Bem meu filho, Tyson pediu pra eu lhe entregar isso, quando o visse! — Poseidon estendeu as mãos, nela havia uma correntinha dourada, com um pequeno tridente esculpido em ouro, era lindo. — É pra por no pulso ou no tornozelo, confesso que fiquei com uma invejinha porque ele não me deu presente algum! — Poseidon riu calmamente, o que acalmou Percy, era estranho sabe, ter seu pai ali, rindo, porque seu pai era um deus, enfim, era isso. Ele pegou o presente, amarrou no pulso, respirou fundo, mas seu pai se adiantou. — Eu aviso que você gostou e agradeceu, mas está incomodado por causa de seu primo?
– Aaahh, ele não é meu primo, ok, tecnicamente meio-primo, mas não quero pensar nisso!
– Percy, ele gosta de Annabeth!
– Puf, conte uma novidade! — Poseidon olhou firmemente para ele, que ficou sem graça — Me desculpe…pai, me desculpe…
– Tudo bem, mas se tem algo que sei sobre filhos de Atena, é que evitam se apaixonar ao máximo pois alegam que isso interfere nos estudos, principalmente pelos meus filhos, dizem que eles apenas seduzem as moças e as abandonam depois…como se fosse verdade!
Percy riu, ter seu pai falando sobre mulheres era engraçado.
– Sabe filho, na maioria das vezes precisamos apenas de coragem, e o resto é consequência, e consequência enfrentamos, o máximo que pode acontecer é você levar um tapa, fora isso…
– Oh que gratificante, o problema é que o tal do Louis é corajoso demais!
– Já percebeu que a irmã dele tá interessada em você?
– Como…? Ah claro, você é um deus!
– Confesso que me orgulho de você, além de ser um herói é lindo igual ao pai!
Percy piscou surpreso, achando a situação engraçada.
– Pai, essa tal de Luana, ela é legal, atraente, mas não acho que teríamos um caso, ela deve esperar para me matar quando estivermos nos beijando e sabe…
– Seu tio Ares não te ama muito, mas uma coisa eu digo: você lembrou de Annabeth quando se banhou no rio Estige, você daria a vida por ela, você fez parte de uma grande profecia, você ajudou a decidir o futuro do mundo, não deve ser tão difícil falar com uma garota.
Percy absorveu cada palavra, e viu que seu pai tinha razão, se virou para agradecer mas apenas viu pequenos vapores de água no ar, agradeceu mesmo assim, se levantou mas deu de cara com Luana!
– Olha onde anda!
– Digo o mesmo herói!
– O que faz aqui?
– O mesmo que você: penso!
– Tudo bem, eu já tô indo!
– Fique, não vou te matar.
Percy se sentou, dessa vez na beira do lago, Luana sentou-se ao lado dele.
– Então, como vão as coisas?
– Ah, Luana, sabe quando você quer fazer algo mas se sente impotente?
Ela bufou.
– Sei sim, me sinto sendo testada, exposta aos desafios…
– Você é filha de Ares, deveria gostar de desafios!
– Você é filho de Poseidon, e por isso gosta de pescar, ou surfar?
– Ok, você tem um ponto.
– Sempre tenho.
– Queria que as coisas não fossem complicadas, seu pai fala com você?
– Fala, nem sempre diretamente, mas nunca me deixou na mão, nunca desonrei o nome dele, talvez agora ele deixe, já que perdi o duelo pra você.
– Sinto muito..
– Não tenho medo dele.
Percy ficou chocado, ela era a primeira pessoa que não temia o pai, mesmo Poseidon sendo calmo, Percy o temia, então ele viu que havia uma coragem que se apoderava daquela garota, os olhos negros diziam que ela odiava a vida. Mas que lutaria por cada respiração, mesmo que odiasse viver, pois as coisas podem ser terríveis, mas cabe a nós mudarmos isso, e então ele viu que a admiraria!
– Uau!
Ela sorriu desconcertada.
– Poseidon se importa contigo?
– Acho que sim, não posso reclamar.
– Ares também se importa comigo, mas se algum dia eu fizer algo que desonre a imagem dele, pode apostar que ele me deserda. O que quero dizer é que os deuses podem amar os filhos, mas sempre colocarão o seu próprio ser, em primeiro lugar. Olhe Louis, é o orgulho do papai, bravo, corajoso, forte, ambicioso, rebelde e conquistador. Meu pai dá preferência à ele, por isso eu o sigo, não ousaria abandonar meu irmão, mesmo que ele fosse o mais desprezado dos filhos de Ares.
– Você é uma boa pessoa!
– Você também, sei que é confuso. Mas bem aqui… — Ela levou a mão ao peito de Percy — Sabe o que é certo.
Ele olhou para ela, expressou gratidão no olhar, delicadamente tirou a mão dela do seu peito, agora com as duas mãos ele segurava a mão dela.
– Você é legal, pra uma filha de Ares!
– Você é bonito demais pra ser filho de Poseidon, sabe, se fosse Apolo, com sorriso radiante e tudo mais… não que os filhos de Poseidon sejam feios, são bonitos…mas você é especial!
Ele ficou corado, mas como estava de noite, não apareceu muito. Soltou devagar a mão da garota.
– Preciso ir, foi bom falar com você.
– Vai pela sombra!
Ele saiu, ela suspirou, era isso, estava apaixonada por um garoto que mal conhecia. Percy dormiu bem aquela noite, acordou leve. Depois de tudo que havia ouvido, resolveu falar com Annabeth.
Enquanto isso, próximo ao lago, encostada em uma árvore estava Annabeth, ao lado dela estava Louis, que sorria facilmente para a loira.
– Você é bem corajosa, mas mudando de assunto, como é ser amiga do Jackson?
Annabeth sentiu o coração doer, quando estava com Louis mal lembrava de Percy, porque queria esquecê-lo. Louis era um cara legal, mas ela não usaria ele, ou usaria, se fosse preciso, o que ela sabia é que esqueceria Percy Jackson!
– Ele é legal Lou, bem legal!
Louis pareceu satisfeito, achou aquele o momento perfeito.
– Sabe — disse ele mordendo os lábios — hora de mostrar minha coragem!
Annabeth não entendeu, mas sentiu ser pressionada contra a árvore, no mesmo momento em que seus lábios foram tocados pelos de Louis, ele queria passagem. Mas ela estava totalmente congelada, colocou as mãos no peito dele tentando o empurrar, na mesma hora em que Percy avistou os dois, ele foi tomado pela raiva, tristeza, traição, fez a primeira coisa que veio em sua cabeça: correu até o lago e pulou. No momento em que Louis deixou Annabeth, ela viu Percy cair na água, olhou para Louis e percebeu que seu coração gritava de dor, ela empurrou Louis e saiu correndo para a floresta, ela chorava muito. Percy caiu na água, querendo se afogar, sabia que era impossível, então permitiu que uma bolha de ar o envolvesse, ele ficou afundando, sentindo o coração ser arrancado. Odiando cada minuto de sua maldita vida, por que ela tinha que beijar outro? Por que ela fez aquilo? Na verdade, ele sabia que era culpa dele. Ele não soube dizer como ficou tanto tempo embaixo da água, quando subiu já era noite. Ele estava molhado, havia permitido isso. Caminhou desorientado, até a floresta, onde quase tropeçou em algo duro. Ele baixou o olhar, era ela, Annabeth. Ela estava caída, machucada, com os olhos fechados e a respiração fraca, Percy acordou para a realidade, se ajoelhou, ela parecia pálida, fria. Ele chorou, como criança. Suas lágrimas molhavam o corpo dela, ele segurou as mãos delas, sussurrou:
– Me desculpa, fica comigo, eu te amo… eu te amo!
Mas ela não acordou, ele chorava, soluçava alto, se abaixou e fez algo que achou certo, beijou os lábios dela, lentamente, passou as mãos nos cabelos dela, podia sentir o coração lutando pra bater. Ele falou mais uma vez, bem baixo:
– Eu te amo! — E caiu deitado ao lado dela, no momento nem havia pensado em levá-la para a casa grande, mas quando pensou se apressou, gritou, pedindo ajuda, gritou o mais alto que conseguiu, pois a voz estava embargada. Alguns sátiros apareceram e entenderam tudo, ajudaram Percy a carregar Annabeth, até a enfermaria, deveriam ser nove da noite, a julgar pelo movimento de alguns campistas. Conforme eles iam passando carregando Annabeth, rodinhas de campistas iam se formando, Percy gritou:
– Agora não!
Ele deveria ter gritado muito alto e passado medo, pois os campistas se dispersaram, eles deixaram Annabeth na enfermaria, ela imediatamente começou a ser tratada, Percy explicou o que viu ao Quíron e depois puxou uma cadeira ao lado da cama de Annabeth, um dos filhos mais experientes de Apolo disse:
– Ela foi medicada, consegui fazer ela beber um pouco de néctar. Percy, não sei o que houve. Mas ela deve ter batido a cabeça, está mal, embora agora possa descansar. Pode demorar dias para acordar, providenciei o necessário para ela dormir bem. Acho melhor você descansar, tirar essas roupas molhadas…
Percy disse calmamente:
– Olha, agradeço o que fez por ela e sua preocupação comigo, mas só vou sair daqui quando ela acordar, e NADA vai me tirar dessa cadeira.
O garoto entendeu, pois saiu da enfermaria, que estava vazia por sinal, graças aos deuses. Percy pegou uma das mãos de Annabeth e acariciou, falou em um tom baixo:
– Eu estou aqui, estou exatamente onde deveria estar.
E dormiu, foi vencido pelo cansaço, mas nem por isso soltou a mão da garota ao seu lado.

Notas finais
E aí, acharam o que? Não esqueçam das reviews, por favor, tô amando ver vocês comentando!