Mudança
2 Capitulo 2 - Competição
Sinto alguém pegar minha mão,é Brandon,ele está rindo,igual Willy. Uma risada fraca,no canto dos lábios,aquela risada que damos quando achamos alguém bobo. — Surpresa?
— Peter nunca tinha me contado que era gay.
Lena ri também. — Peter não é gay. — Ela estende um copo pra Willy,que se estica todo pra buscar.
— Ah não? — Arqueio as sobrancelhas. — Então por que ele está beijando um cara?
— Não é qualquer cara. — Willy dá uma golada no whisky,fecha os olhos,e sorri,se encostando no tronco da árvore. — É David Hunt.
— E daí que é David Hunt? — Puxo minha mão da mão de Brandon. — Ele continua sendo um cara,e continua beijando meu melhor amigo!
— Algum problema com isso? — Willy pergunta. — Se sente incomodada?
— Não. — Coloco o cacho que escapou do coque atrás da orelha. — Não...mentira,eu estou incomodada sim! Porque Peter é meu melhor amigo,e na verdade,meu único amigo,e mentiu pra mim esse tempo todo. — Massageio as têmporas. — Por que ele não me contou?
Brandon,mais uma vez,coloca a mão em mim,dessa vez no meu ombro. — Calma Anna,ele não te deixou de contar nada...
— É que Dave tem um papo muito bom. — Willy completa.
— Então Peter é hétero,mas está beijando um cara,Dave,no caso,porque ele o convenceu?
Brandon aperta meu ombro,e volta a colocar a mão no colo. — Sim,ou talvez ele seja bi* e está descobrindo agora.
— Vocês já beijaram Dave?
Willy gargalha,Lena sorri,e Brandon me olha como se eu tivesse dito uma coisa absurda. — Não. — Os três respondem juntos.
— Mas ele não tem um papo muito bom?
— Tem. — Lena responde. — Mas somos amigos dele...aliás,acho que esses dois aí...— Ela indica com a cabeça Willy e Brandon. — ...gostam mais de garotas,feito nós duas.
Sinto meu rosto esquentar. É engraçado ser comparada a Lena,por ela mesma,porque me sinto como nas festas de ano novo,quando minha família me compara a Gabrielle. Pessoas extremamente bonitas,como elas duas,não podem ser comparadas a pessoas feito eu.
Gabrielle tem um longo cabelo louro e cacheado,que vai até a cintura e a pele dela é levemente bronzeada,não pálida igual a minha. Ela é alta,e tem um corpo escultural,fora seus olhos,azuis,são maravilhosos. Lena tem o cabelo do mesmo comprimento que de Gabrielle,só que liso e extremamente escuro,sua pele é negra,e seu corpo chega a ser mais bonito que o da minha irmã,seus olhos não são claros mas são hipnotizantes.
— Gostamos,gostamos muito. — Fito Brandon,ele me mede,e dá uma piscadela.
Olho para outro lado. — Dave é gay?
— Não,ele apenas se diverte com quem acha.
— Hm. — Volto a olhar para os dois,perto da casa. Dave soltou Peter,estão de mãos dadas,Dave está gargalhando,e Peter parece feliz.
— Você quer conversar sobre o que aconteceu? — Estendo o braço pelo sofá,em direção a Peter,deixando minha mão a poucos centímetros do seu ombro.
— Sobre sua irmã estar dormindo no meu quarto,agora? — Ele olha fixamente para a pequena lareira acesa. — E nós termos que dormir aqui na sala?
Sorrio. — Não. — Suspiro. — Sobre Dave.
Peter desvia o olhar do fogo,e olha pra mim,seu rosto está iluminado pelas chamas,e seus óculos refletem a luz. — Eu...
— Você não disse nada desde que saímos da festa.
— É,eu sei. — Peter se aproxima,colocando minhas pernas em cima das suas,e deixando que eu toque seu cabelo. — Eu não sei o que dizer. — Ele dá de ombros e volta a olhar pro fogo. — Eu sou gay?
Sorrio. — Acho que não.
— Então por que beijei um cara?
— Eles disseram que Dave é especial. Praticamente,consegue uma coisa,quando quer. — Deito a cabeça no meu próprio braço,enquanto ainda acaricio Peter. — Você gostou?
Peter olha pra mim,em seguida tomba a cabeça no sofá. — Ah Annabelle,não me faça perguntas difíceis.
Mexo a perna,bruscamente e sorrio. — Fala logo.
— Achei muito...agradável. — Ele coça os olhos. — Droga,é muito estranho falar isso.
— Tudo é estranho,quando fazemos pela primeira vez...eu acho.
— Está sugerindo que eu vá beijar mais caras,por aí?
— Não. — Meneio a cabeça. — Mas ele te deu algum telefone?
— Sim.
— Sim?
— É,ele quer que eu vá em um café com ele. — Peter coça a cabeça. — Será que eu vou?
Arregalo os olhos. — Só você e ele?
— Não,Brandon e Willy vão estar lá também. — Peter pega a minha mão,que estava no seu cabelo,e entrelaça os dedos nos meus. — Eu vou,se você vier.
— O quê? Mas só vão meninos!
— Por favor Anna,acho que...eu estou nervoso.
Suspiro. Droga,Peter aceitou ir na festa comigo. — Ta bom,quando vai ser?
— Segunda-feira,as cinco.
— Ta,eu vou. — Bocejo. — Mas vamos dormir agora.
Chego mais perto de Peter,e ele me aconchega em seus braços,como sempre visemos,desde pequenos. Meu corpo está,parcialmente,em cima do dele,e a coberta grossa e preta,está nos aquecendo. — Você acha que vou virar gay Anna?
Coloco meu braço em volta da sua cintura e fecho os olhos. — Acho que independente do que fizer,se você estiver feliz e não prejudicar ninguém inocente,está certo. Agora boa noite.
— Boa noite Anna,eu amo você.
Sorrio. — Eu também te amo Peter.
Não fizemos nada o fim de semana todo,eu apenas fiquei em casa,no meu quarto,assistindo seriados,junto com Peter. Também não se falou de Dave,nem os outros que conhecemos na festa,muito menos,do beijo.
Peter pega a minha mão. — Eles estão ali.
Procuro com o olhar,e vejo três garotos sentados em uma mesa de quatro lugares,dois riem,Willy e Brandon,o outro,sério,é Dave. — Que nome ridículo para um café. — Indico com a cabeça a plaqueta luminosa "Smile Coffe". — Não acha?
— Vamos. — Peter me ignora,e eu o sigo,ele não precisa me arrastar como Gabrielle fez na festa.
Posso sentir a tensão dele,não só pela mão fria,mas porque o conheço bem.
Dave o vê antes de chegarmos a cinco metros da mesa,e levanta a mão. — Peter,aqui!
Peter aperta minha mão,e caminha,tentando,visivelmente,parecer calmo. — Oi Dave.
— E ai? — Dave sorri,e abraça Peter,o dando um soco leve nas costas. Nem parece que se beijaram a dois dias atrás. — Pensei que não viria.
— Por que? Eu nem cheguei atrasado!
Olho para o lado,graças a Deus,parece que todos se esqueceram de mim,inclusive Peter,que esqueceu que está segurando minha mão.
— Anna! Que bom que você veio. — Droga,me notaram. — Vai ficar aqui com a gente não vai? — Willy se levanta e caminha até mim,para me cumprimentar.
— Oi Willy. — Sorrio,enquanto ele beija meu rosto. O cheiro dele é tão bom quanto o de Brandon,que também está vindo na minha direção. — Eu acho que não vou ficar.
Peter olha pra mim,em desespero. — É,não tem lugar pra você. — Dave me olha,com um olhar voraz,em seguida desce o olhar para a minha mão dada com a de Peter. — Deve ir embora mesmo.
— Não. — Brandon segura no meu braço. — Ela tem que ficar. — Ele se vira e sorri pra mim,Peter solta minha mão. — Claro...se ela quiser...
— Ela não quer. — Dave me olha enquanto coloca a mão no ombro de Peter,que continua me olhando desesperado.
Respiro fundo,e sorrio. — Eu quero. — Enfrento Dave com o mesmo olhar,ele cerra o punho.
— Que bom. — Brandon sorri. — Sente-se,eu vou buscar uma cadeira extra.
Todos começam a se sentar,Dave puxa Peter pra se sentar do seu lado,Willy indica a cadeira próxima dele.
Em algum segundos Brandon aparece com outra cadeira. — Então...o que vamos comer?
É a segunda porção de batatas fritas que estamos comendo,quer dizer,eles estão comendo,porque eu não estou com fome. Mesmo assim,pego uma batata,e fico girando entre os dedos.
— Anna...parece entediada.
Me viro pra Brandon. — Não,na verdade...— Volto a olhar para Dave,que ficou me olhando com ódio,desde que cheguei. —...estou me divertindo muito. — Jogo a batata em cima da mesa.
— Que bom. — Dave sorri.
— Ah,sério? — Brandon bate na mesa,como se tivesse muito decepcionado. — Eu ia te levar em um lugar divertido.
— Como assim?
— Ia te tirar daqui...— Ele dá de ombros. — Te sequestrar um pouquinho.
Franzo a testa,e Willy aproxima a boca do meu ouvido,me causando arrepios. — Ele quer ficar á sós com você. — Ele cochicha.
— Ah... — Volto a olhar pra Brandon e ele dá uma piscadela.
— Vamos? — Brandon se levanta e estende a mão.
Olho pra Peter,ele dá de ombros,parece bem mais confiante. Olho pra Dave,ele está coma mão na coxa da Peter,e parece feliz que eu vá embora. Willy sorri,e come uma batata.
Dou de ombros e me levanto. — Vamos. — Ignoro a mão estendida de Brandon,e saio andando a caminho da porta. — E onde vamos? — Saio do bar,junto a ele.
— Vamos...eu não sei. — Brandon olha pro céu. — Que tal um bar?
— Eu sou menor de idade,não posso beber.
Brandon bate as mãos nas calças jeans escuras. O vento está batendo no seu cabelo,e fazendo ele fechar,levemente os olhos,como ele é lindo. — Pedimos um suco,vem.
Começo a andar atrás dele,ele tem um passo rápido. — Pode ir mais devagar? Eu sou pequena,e minhas pernas também.
— Ah. — Posso ver ele rir. — Desculpe. — Ele começa a andar do meu lado.
— Tudo bem. — Ajeito os cachos,que voam para todos os lados. — Fica longe?
— Não. — Brandon puxa levemente meu braço,e eu paro,estamos diante de uma porta,quase que não identificada no meio de tanto comércio,mas ela e toda espelhada e posso ver lá dentro,sendo iluminado por uma luz vermelha. — Já chegamos. — Ele abre a porta e me empurra pra dentro.
— Ah... — Diferente do que eu pensei,aqui não cheira a cigarro,nem é cheio de pessoas bêbadas falando alto. — ...ta.
— Que foi?
— O quê?
— Você está olhando para os lados...está... — Brandon gesticula,como se não encontrasse alguma palavra.
— Eu gostei daqui. — Sorrio amigavelmente. — Não têm cheiro de cigarro,nem gente bêbada cuspindo em você.
Brandon franze as sobrancelhas. — Está enganada,aqui tem tudo isso,todas sextas-feiras e sábados. Hoje é segunda então...
— Ah,já entendi. — Olho de novo para os lados.
— Vamos sentar? — Brandon puxa uma cadeira e a indica,eu me sento,e ele faz o mesmo do outro lado. — Vai querer o quê?
— Suco de morango.
— Tudo bem,eu vou buscar. — Ele se levanta. — Me espere aqui.
— Ta. — Que coisa idiota de se dizer,por acaso ele pensa que vou aproveitar a deixa pra sair correndo pra casa? Por que eu faria isso? Quero dizer...não que eu queira estar aqui,tendo uma vida social,na verdade,preferia estar em casa com meus desenhos.
Brandon está debruçado no bar,rindo e brincando com uma garota,que parece ser nova demais pra trabalhar em um bar. Parece até ser mais nova que eu!
A iluminação aqui é propositalmente fraca e avermelhada,as paredes tem um tom escuro,o piso é de madeira,e faz barulho quando pisamos. Quase que não tem nada claro aqui,a não ser a pouca luz que entra pelas janelas.
— Pensando?
Dou um pulo na cadeira,Brandon está se sentando,com dois copos,um grande cheio de um líquido rosa e vermelho,outro é menor,e parece ter whisky. — Ein? — Ele sorri.
— Eu estava. — Puxo o copo maior para mais perto de mim,e ele me dá um canudo. — Foi rápido.
— Eu sei. Tenho tratamento vip. — Brandon apoia o cotovelo na mesa,e toma um gole do seu copo. — Jana me ama.
— Jana é a bartenter?
— É.
— Ela não é muito nova? — Tomo um gole do suco,está muito bom. — Quero dizer,ela parece ter quatorze anos.
Brandon dá de ombros. — Só parece.
— Ah... — Encosto as costas na cadeira. — ...queria me falar alguma coisa?
— Não.
— Então porquê me trouxe aqui?
Ele ri,e olha pra baixo. — Você e Dave iam se matar,se ficassem mais um segundo juntos.
— Ele me odeia,não é? — Mecho o canudo,dentro do copo. — Por quê? Ele nem me conhece direito!
— Dave não te odeia. Mas na visão dele...você é uma inimiga.
— Quê? Por quê?
Brandon comprime os ombros. — Você é a melhor amiga do cara que ele quer. Um cara hétero.
— Peter e eu somos amigos!
— Mesmo assim,você continua tendo o que os caras héteros querem,ao contrário de Dave. — Brandon dá uma piscadela,e toma mais um gole do seu wisky. Me sinto corar,isso não é uma coisa decente pra se falar.
— Quantos anos tem? — Mudo de assunto. — Quero dizer,você é maior de idade.
— Não. — Brandon meneia a cabeça. — Podemos dizer que eu tenho dezenove anos.
— Por que "podemos dizer"?
Ele dá de ombros. — É uma coisa meio complicada de explicar. — Ele balança a mão com o copo. — Mas e você?
— Eu o quê?
Ele ri. — Quantos anos têm?
— Dezesseis.
— Ah...ter dezesseis anos foi tão bom... — Brandon olha sonhador,para o nada.
— Você diz como se tivesse passado séculos,mas só se passaram três anos.
— Pra mim,Anna,foram longos três anos. — Ele dá um gole do whisky,dessa vez,um gole bem mais demorado. — Na verdade...— Ele aponta o dedo pra mim. — Foram séculos.
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