Mudando os Rumos
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 3
Estou deitada na minha cama.
A luz da lua que entra pela janela aberta ilumina todo o meu quarto.
Estou nua, minha pele reflete o brilho da lua, deixando-a levemente azulada.
Sinto um arrepio pelo corpo causado por um beijo em meu pescoço. Percebo que não estou sozinha.
O homem começa a deslizar os lábios até tocar no meu seio.
Ele chupa e mordisca delicadamente meu mamilo, me fazendo vibrar de desejo.
Sinto uma de suas mãos tocar suavemente a parte interna de minha coxa chegando até o meu íntimo.
Dou um gemido alto.
Acordo assustada pelo sonho.
Esses sonhos tem se tornado cada vez mais frequentes.
O que significam? Desejos reprimidos, talvez?
Lembro-me de que quando estava com Quim, jamais havia tido sonhos desse tipo.
Quim... Me sentia bem ao lado dele, me sentia confortada, segura.
Mas nunca permiti intimidades entre nós.
Será que era por estar longe dele que tinha esses sonhos? Mas então por que não sentia nada quando estávamos juntos?
Quim nunca havia tentado nada comigo, sua timidez era grande demais para permitir tal coisa, e eu por um lado sentia-me aliviada por isso. Sabia que ainda não estava pronta para dar esse passo tão importante...
Já haviam se passado algumas semanas desde meu encontro com DC na universidade.
Finalmente havia descoberto onde ele ficava durante o intervalo.
Ele ia para o estacionamento destinado aos professores, onde havia uma grande árvore. Ficava ali lendo seus gibis e ouvindo música.
Às vezes passava o intervalo inteiro com ele, conversando.
Havíamos nos tornado mais próximos.
Sentia que o DC estava muito solitário, que mais do que nunca precisava de amigos, de companhia. Da minha companhia.
Depois daquela noite em que DC tinha ido me ver na pensão, não tinha mais voltado.
Mas havia-se criado uma proximidade entre nós.
Volta e meia, nos falávamos ao telefone.
Uma vez até fomos ao cinema.
O filme que ele havia escolhido foi tão chato que dormi o tempo todo.
Ele claro, ficou bravo comigo.
Fiquei pensando no que ele havia dito, sobre eu ficar mais bonita com o cabelo solto, e decidi que iria usá-lo solto sempre.
Com a mudança, passei a notar olhares da ala masculina sobre mim.
Não que isso fosse importante, pois afinal eu era comprometida.
Talvez fizesse isso pelo meu inconsciente... Afinal quem não gosta de ser admirada?
Era fim de semana, finalmente!
Os finais de semana pareciam levar uma eternidade para chegarem, porém acabavam como num passe de mágica.
Aos finais de semana, eu ficava na pensão fazendo minhas tarefas, lendo apostilas, estudando.
Conversava com a turma pelas redes sociais.
Era difícil sair com as meninas, tanto da pensão, como da universidade. Elas estavam sempre ocupadas com suas vidas, seus namorados...
Quando podia, ia pro Limoeiro ver meus pais, a turma e claro, o Quim.
A cidade em que eu estudava era bem próxima, apenas uma hora e meia de viagem.
Meu namoro com o Quim continuava na mesma.
Ele me ligava, me contava como havia sido seu dia, dizia que sentia muitas saudades, mas que não podia me visitar porque precisava trabalhar.
O trabalho sempre em primeiro lugar...
Ás vezes pensava em terminar nossa relação, mas imediatamente me sentia culpada.
Afinal ele era meu namorado de infância. Não podia magoá-lo.
Talvez eu devesse estar confusa... Afinal namoros à distância nunca são fáceis.
Resolvi afastar esses pensamentos procurando algo para fazer.
Em pleno sábado à noite eu estava sozinha na pensão, não sentia o menor sono. Estava agitada, louca para fazer algo.
Mais cedo tinha ligado para meu namorado, mas ele não podia me ver. Naquele final de semana havia prometido ao pai que o ajudaria a preparar novas receitas.
Liguei para várias amigas, mas em vão.
Todas tinham compromisso com seus namorados.
Por conta da distância, nem sempre podia sair com a Mônica.
Sem contar que, depois que ela e o Cebola voltaram, ficavam num grude só.
Até a Denise que era a solteirona da turma havia arrumado um namorado misterioso!
Ela nunca contava quem era, deixando todos morrendo de curiosidade.
No final, eu era a única que namorava e ficava sozinha no fim de semana.
Fiquei rolando a tela do meu celular procurando nos contatos por alguém até que vi o nome: Do Contra.
Era isso! Eu iria ligar pra ele. Ao contrário dos outros, tenho certeza de que ele estaria em casa.
Resolvo ligar, e ele atende a ligação de primeira.
— Oi DC, sou eu, Magali!
— E aí, o que me conta?
— Então... er... te liguei pra saber se você queria sair, fazer alguma coisa. – disse gaguejando um pouco.
— Não posso, tou ocupado.
— Ah é? Poxa... que pena. – digo decepcionada.
— O que você está fazendo? Aposto que está jogando xadrez!
— Como você adivinhou?— disse ele surpreso.
— Por que só você ficaria em casa sábado à noite jogando xadrez! – digo dando um risinho.
— Não sabia que eu fosse tão previsível assim. Não curti.
Dei risada.
— Mas e então? Vamos sair!
— Já disse que tou ocupado.
— Depois você pode continuar jogando. Vamos, por favor! Por favorzinho! – digo fazendo minha melhor voz pidona.
— Tá, tá bom! Eu saio com você.
— Eba!!!
— O que você quer fazer? A gente podia ir no cinema ver aquele fil...
— Desculpa DC, mas não tô afim de dormir no cinema outra vez. – disse interrompendo.
— É, eu me lembro muito bem de você roncando durante o filme todo.
— Eu roncando? Que mentira! Eu nunca ronquei! – digo indignada.
— Como você tem tanta certeza?
— Tendo, oras. — Enfim, passa aqui em casa e a gente decide o que fazer. Estou te esperando. Ah! E nada de atrasos!
— Sim senhora.— ele responde desligando.
DC não demora a aparecer.
Dessa vez ele entra pela porta.
Ficamos conversando um pouco, até que por fim decidimos ir até um restaurante próximo.
Afinal, sair pra comer é sempre um ótimo programa!
Depois de comermos, ficamos por um longo tempo conversando.
Eu jamais imaginei que poderia ser tão agradável conversar com o DC.
Ele era tão divertido!
Uma pena essa proximidade ter surgido apenas agora.
Mas como dizem, antes tarde do que nunca.
Na volta pra casa, quando já estávamos chegando em frente a pensão, eu piso em falso numa pedra, fazendo com que eu tropeçasse e fosse cair bem em cima do DC.
Quase caímos no chão, mas por sorte ele consegue nos segurar.
Com a proximidade, consigo sentir seu físico, seu cheiro, seu calor... Suas mãos segurando fortemente meu corpo.
Ele me olha nos olhos.
Estamos muito próximos um do outro.
Seu rosto perto do meu... Ficamos assim por um segundo.
Sinto calor e minha face corar, e imediatamente me ponho de pé, me soltando de seus braços.
— Nossa, como eu sou desastrada! – digo num nervosismo claro.
Ele sorri de leve e diz:
— Ainda bem que você é leve, senão teríamos nós dois ido parar no chão.
Soltei um risinho me sentindo corar e me recompondo daquela situação.
Calma Magali, penso comigo mesma. Foi apenas um pequeno tropeço!
Por que eu havia ficado tão nervosa?
— Já é tarde, melhor eu entrar.
— Sim, eu também já vou indo.
Nos despedimos com um abraço rápido.
Entrei e fui correndo pro meu quarto.
Ainda estava atordoada com o que tinha acontecido.
Aquele momento ficava passando na minha mente sem parar.
Me lembrava de minhas mãos em seu peito firme.
Do seu cheiro, um cheiro leve de colônia masculina.
Da proximidade em que ficamos, de seus olhos castanhos encarando os meus, seus lábios...
Não! Eu devia afastar esses pensamentos!
Eu sou comprometida com o Quim!
Tomei um banho rápido à fim de me fazer relaxar.
Deitei na cama e logo adormeci.
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