Mudando os Rumos

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Tive um sopro de inspiração e consegui escrever esse capítulo. Espero que gostem.

Capítulo 9


Estou andando na chuva.
Vejo um homem aproximando-se de mim.
Quando ele chega mais perto consigo reconhecê-lo, era meu namorado, Quim.
Seu semblante era carregado, tenso.
Estava com os punhos cerrados.
Ele diz algo, mas não consigo entender.
Ele aproxima-se, segura em meus ombros e começa a me sacudir.
..


Acordei do sonho com a voz do DC:


— Magali! Magali, a chuva já parou. – disse me sacudindo gentilmente.
— Humm... – murmurei ainda sonolenta.
— Quer que eu te leve em casa?


Sacudi a cabeça em negativa.


— Você quer dormir aqui?


Acenei positivamente com a cabeça.


— Vem dormir na cama então. Você vai ficar toda dolorida se dormir nesse sofá.


Ele me pegou no colo e me levou até o seu quarto.
Me colocou delicadamente em sua cama.


Enquanto eu me ajeitava na cama, pude ver ele tirando a regata e a bermuda.
Ele ficou apenas de cueca, daquelas que parecem um shorts.
Ele veio em direção à cama, e se enfiou embaixo do cobertor junto comigo.
Fui para trás me afastando, quase ficando de costas para a parede.
Estávamos de frente um para o outro.


— O que você tá fazendo? – perguntei.
— Tô deitando pra dormir oras.
— E não tinha outro lugar pra você dormir?
— Esse é o meu quarto, essa é a minha cama, você queria que eu fosse dormir onde?


Não respondi, ele tinha razão. Eu era a intrusa ali.


— Mas... Mas você tá pelado!
— Eu não tô pelado, tô de cueca. – ele riu.
— E não vai vestir seu pijama?
— Eu não durmo de pijama, não gosto de dormir com roupa. E se eu ainda tô de cueca é por sua causa.


Senti meu rosto ficando quente, provavelmente devia estar vermelha.


— Agora que você voltou a falar, pode me explicar o que aconteceu? – disse se aproximando um pouco mais de mim.


Não respondi.


— O gato comeu sua língua outra vez?
— O Quim veio me visitar hoje. – respondi por fim.
— E vocês brigaram?
— Não.
— Então por que você apareceu aqui chorando?


Senti meu rosto corando novamente.


— Por que... Eu não tive coragem de contar pra ele...
— Sério que você ainda tá encanada com aquilo? – disse me interrompendo.
— Não foi certo o que eu fiz...
— Você não fez nada de errado. E na boa, posso falar uma coisa?
— Diz.
— Eu acho que você só tá com o Quim ainda por comodismo.


Arregalei os olhos. Senti meu coração acelerar.


— C — Como assim? É claro que não! – disse gaguejando.
— Vocês namoram faz uma cara. Você tá estudando, mudou de cidade e ele continuou lá naquela padoca, quase nunca vem te visitar...
— Ele trabalha muito, não tem tempo! – disse interrompendo sua fala.
— Exatamente! Ele tem mais tempo pro trabalho do que pra você!


Fiquei em silêncio.
O DC tinha razão.
Meu namoro com o Quim já estava desgastado há anos.
Talvez eu realmente ainda estivesse com ele por comodismo.
Eu sabia que o Quim me amava que sentia ciúmes de mim.
Porém eu já não sentia mais aquele amor de outrora por ele.
Sentia apenas um grande carinho.
Se eu não dizia nada era por medo de magoá-lo.
Ele sempre teve uma autoestima baixa, sempre se achava inferior.
Aquilo me fazia sentir raiva e pena ao mesmo tempo.
Mas ele era o meu amor de infância, meu amigo, companheiro, me apoiava em tudo o que fazia...


Já havíamos terminado antes, mas no final sempre voltávamos.
E eu tinha medo da solidão.
Sei que era egoísta da minha parte.
Mas eu tinha medo de nunca mais encontrar alguém que me amasse, alguém que quisesse estar ao meu lado.


— Acho que você tem razão... – disse finalmente.


Pude sentir as lágrimas escorrendo de meus olhos e molhando o travesseiro.


— Ei, não precisa chorar. – ele disse acariciando de leve meu rosto.


Ele se aproximou, me puxando mais para perto.
Uma de suas mãos segurava a minha cintura.
Pude sentir sua respiração bem próxima.
Sentia o calor de seu corpo.


— Eu sei que é difícil terminar um namoro de longa data igual o seu. Mas acho que se você não está feliz você não deve continuar em um relacionamento falido só por medo de não magoar o outro.
— Mas eu não quero ficar sozinha. – disse soluçando.
— Você não vai ficar sozinha! Esqueceu que eu sou seu amigo?


Ouvir aquela palavra “amigo” foi como uma alfinetada em meu peito.
Eu não queria que ele fosse apenas um amigo.
Eu queria mais do que isso!
Meu choro aumentou.


— Calma, não fica assim! Vem cá. – ele disse me puxando para mais perto de si.


Agora nós estávamos muito próximos um do outro.
Nossos rostos estavam quase colados.
Nossos lábios a milímetros de distância.
Meus seios tocavam de leve seu peito desnudo.
Nossas pernas estavam entrelaçadas.
Com uma das mãos ele acariciava meu rosto e com a outra segurava firme, porém gentilmente minha cintura.
Uma de minhas mãos estava em seu pescoço e com a outra segurava seu braço.
Ficamos assim por um tempo.


Decidi seguir o conselho da Mônica, eu não iria mais ficar escondendo os meus sentimentos.
E então, não resistindo mais a toda aquela tensão que havia entre nós, eu o beijei.
Para minha surpresa e decepção, ele gentilmente me afastou e interrompeu o beijo.


— O que foi?
— Acho melhor não Magá...
— Você não gosta de mim, não me acha bonita? – disse fazendo bico.
— Claro que eu gosto de você. E é claro que eu te acho linda.
— Então por quê?
— Você ainda tá presa a outra pessoa. E eu sei como você é, você vai ficar toda paranoica depois se rolar algo entre nós.
— Eu não ligo. – disse enquanto puxava ele para mais um beijo.


Sim, eu tinha ficado louca.
Louca de desejo.
Eu não aguentava mais sentir todas aquelas coisas e ficar lutando contra.
Eu não queria mais lutar.


Dessa vez ele correspondeu ao meu beijo.
Me beijava intensamente.
Eu pude sentir que ele me queria, eu sabia que aquele beijo que havia acontecido mais cedo não tinha sido apenas um impulso, era um beijo cheio de desejo.


Ele me segurava com mais força, me puxando, fazendo com que nossos corpos ficassem completamente colados.
Senti uma de suas mãos acariciando minha coxa e subindo lentamente.
Quando ele percebeu que eu estava sem calcinha, ficou ainda mais excitado.
Pude sentir sua ereção em atrito com meu corpo.
Eu também estava tão excitada quanto ele.


Nos beijávamos feito loucos, vez ou outra eu precisava interromper o beijo para recuperar o fôlego.
Num súbito, ele enfiou a mão por debaixo da minha blusa e apertou meu seio com força.
Dei um gemido de tesão e dor ao mesmo tempo.


— Te machuquei? Desculpa. – ele disse ofegante.
— Um pouco. – respondi.
— Acho melhor a gente parar, senão eu vou perder o controle de vez...
— Mas eu não quero. – respondi.
— Quem é você e o que você fez com a Magali? – ele disse em tom de brincadeira sorrindo.


Sorri de volta.
Ele começou a acariciar meu rosto.
Eu estava tão feliz, feliz como nunca havia me sentido antes.


— DC, quero te perguntar uma coisa, mas quero que você seja sincero comigo.
— O que você quer saber?
— Você sente alguma coisa por mim?

Ele ficou em silêncio por um tempo, depois respondeu:

— Sim... Na verdade já faz algum tempo...
— E por que você nunca falou nada?
— Por respeito ao seu namoro. Eu não queria causar problemas... E eu não sabia se você sentia o mesmo...


Depois de ouvir aquelas palavras, eu já não tinha mais dúvida nenhuma.
Tudo fez sentido na minha mente.
Eu estava completamente apaixonada pelo DC e era correspondida!
E sabia que precisava o quanto antes terminar meu relacionamento com o Quim.
Precisava me libertar, e libertá-lo do meu egoísmo, para que enfim ele pudesse encontrar alguém que o correspondesse da maneira como ele merecia.


Nos ajeitamos na cama e ficamos abraçados de “conchinha”.
Ele começou a cantar baixinho no meu ouvido:


I'm a spy in the house of love
Eu sou um espião na casa do amor
I know the dream, that you're dreamin' on
Eu sei o sonho que você está sonhando
I know the word that you long to hear
Eu sei a palavra que você anseia ouvir
I know your deepest and secret fear...
Conheço seu medo mais profundo e secreto...

Fui-me deixando envolver pela sua voz e logo adormeci.

Notas finais
O trecho de música citado no capítulo é The Spy do The Doors (sim, eu gosto muito dessa banda e acho que algumas músicas tem tudo a ver com a fic). Brace yourselves, the treta is comming!