Mudando os Rumos
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Capítulo 5
Estou andando pela rua.
Vejo um casal na minha frente.
Não reconheço seus rostos.
Eles estão discutindo.
A moça chora copiosamente.
O homem parece não se importar com o choro dela e continua falando.
Não consigo entender o que dizem.
Ela tenta se afastar dele querendo ir embora.
O homem a puxa pelo braço, ele não quer terminar a discussão.
De repente ouço o homem dizer: — Você me traiu!
Acordei e percebi que havia lágrimas em meus olhos.
O sonho me havia feito chorar.
Senti um aperto no peito ao me lembrar da discussão que tivera com meu namorado.
Desde a discussão ainda não tínhamos nos falado.
Quando queria, o Quim sabia ser muito orgulhoso.
Eu não havia feito nada de errado, apenas passei o dia com um amigo.
Ele não tinha o direito de reclamar, afinal ele mal vinha me visitar e só pensava naquela maldita padaria.
Depois do fim de semana eu ainda não tinha visto o DC na facul. Ele sempre dava um jeitinho de sumir.
Queria muito conversar com ele, sentia sua falta.
Engraçado que nesse momento sentia mais vontade de desabafar com ele do que com minha melhor amiga.
Na hora do intervalo, resolvi ir para o lugar em que ele costumava ficar, no estacionamento.
Já tinha ido lá outras vezes e não o tinha encontrando.
Fui sem esperança nenhuma, mas para minha sorte ele estava lá.
Estava com um livro nas mãos.
Me aproximei dele.
— Oi Magali. – disse ele sem tirar os olhos do livro.
— Oi... – respondi com um pesar em minha voz.
— Algum problema? Você parece triste. – disse ele deixando o livro de lado.
— Eu... Eu não tô legal... – disse já sentindo as lágrimas em meus olhos.
— O que aconteceu? – ele disse num tom de preocupação.
Contei pra ele minha discussão com o Quim.
E como estava me sentindo culpada por tê-lo deixado chateado.
— Ora mas você, aliás nós, não fizemos nada de errado!
— Eu sei... – e comecei a chorar.
Eu realmente estava muito triste.
Nesses últimos dias estava muito emotiva, me sentindo sozinha, confusa.
Sentia falta de casa, dos amigos.
Eu odiava discussões, brigas, ainda mais quando era com o Quim.
Detestava vê-lo magoado, ainda mais quando era por minha causa.
DC segurou minhas mãos sentando-se mais próximo de mim.
Ele estava honestamente preocupado comigo.
O choro aumentou e ele sem saber o que fazer para me confortar me abraçou.
Ah, aquele abraço...
Era tudo o que eu precisava naquele momento!
Aquele abraço era melhor do que qualquer palavra de conforto no mundo.
Sentia seu calor, seu cheiro...
Sentia aquele calor úmido de sua respiração em minha nuca...
Podia sentir cada milímetro de seu corpo.
Seu corpo era firme, seus músculos levemente torneados.
Tão diferente do meu namorado...
Me senti envergonhada pela comparação.
O fato do Quim ser gordinho nunca havia me incomodado antes.
Mas o DC era tão atraente... Era difícil não reparar nele, no seu corpo esbelto.
Queria que aquele abraço não terminasse nunca mais!
Porém para minha decepção, o sinal havia tocado e precisávamos voltar para sala.
As horas não passavam, parecia até que os ponteiros do relógio andavam para trás.
Não consegui prestar atenção em nada do que a professora dizia.
Só ficava pensando na discussão que havia tido com meu namorado.
Outra coisa que não saia da minha mente era o abraço do DC.
Cada vez que pensava nisso, sentia um calor no meu corpo e me sentia envergonhada.
Por que os abraços do Quim não eram daquele jeito?
Finalmente aquele dia estava chegando ao fim. Estava exausta. Minha mente não me dava paz.
Sentia culpa por tudo que havia acontecido.
Pelo jeito ia ser impossível dormir aquela noite.
Não senti fome o dia todo. Comi muito pouco no jantar.
Tomei banho e vesti uma camisola bem levinha, fazia calor aquela noite.
Fiquei rolando na cama sem conseguir dormir, até que ouvi um barulho na minha janela.
Me pus de pé rapidamente e espiei pela cortina.
Era o Do Contra!
Meu rosto se iluminou.
Acendi a luz do abajur e abri a janela imediatamente para que ele entrasse.
— Oi Magali. Desculpe aparecer assim à essa hora, eu sei que você não gosta, mas fiquei preocupado com você. Você estava tão tris...
Sem pensar, corri para ele e lhe abracei interrompendo sua fala.
Eu precisava sentir aquela sensação novamente.
Eu precisava daquele abraço.
Ele colocou uma das mãos em minha cintura e com a outra começou a afagar meus cabelos.
Senti um arrepio.
Péra aí! O que eu tava fazendo?
Magali, você tá perdendo o juízo? Você tem namorado!
De maneira delicada, desfiz o abraço.
Me afastei dele e sentei na minha cama.
Ele sentou-se ao meu lado.
— Você me deixou preocupado. Nunca te vi chorar daquele jeito antes.
— Desculpe, não queria te preocupar.
— Não precisa pedir desculpas. Eu sou seu amigo, me preocupo com você! – disse sorrindo e olhando nos meus olhos.
Ai não... Aquele sorriso, aquele olhar de novo.
DC, o que você tá fazendo comigo?
Senti meu rosto ficando quente, provavelmente devia estar vermelha igual a um pimentão.
Me levantei rapidamente.
— Tá calor aqui né? – disse indo pra perto da janela.
— Não estou com calor, pra mim tá bom. – disse enquanto tirava o tênis e se recostava na cabeceira da minha cama pegando um livro que estava em cima do criado mudo.
Fiquei observando a cena sem dizer nada.
Ele estava com uma calça jeans azul marinho rasgada nos joelhos e uma camiseta cinza já meio surrada, sem mangas.
Reparei em seus braços, eram tão bonitos...
Fechei os olhos apertando-os para afastar aquele pensamento.
Decidi manter distância sentando-me na cadeira que ficava na minha escrivaninha.
— O Quim te ligou? – ele disse sem tirar os olhos do livro.
— Não... Ainda não nos falamos depois da nossa discussão.
— E por que você não liga pra ele?
— Eu não, foi ele quem brigou comigo, ele é quem me deve desculpas! – digo cruzando meus braços.
— Como vocês são orgulhosos.
Ficamos conversando durante um bom tempo.
DC era tão inteligente, conseguia falar com ele sobre diversos assuntos.
Eu havia perdido completamente o sono.
Não estava nem um pouco preocupada por saber que teria que acordar cedo no dia seguinte e que provavelmente ia cair de sono em todas as aulas.
A companhia do DC me fazia muito bem.
— Já é tarde, você deve estar com sono, melhor eu ir. – ele disse dando um bocejo e levantando-se
— Na verdade estou sem um pingo de sono. Acho que não durmo essa noite. – digo com um suspiro.
— Ah é? Então vem aqui que eu te faço dormir rapidinho.
Arregalei meus olhos.
Meu cérebro travou.
— Calma! Não precisa fazer essa cara de espanto.
— Vou cantar pra você dormir. – disse ele dando um sorriso.
De novo aquele sorriso...
— E desde quando você canta? – disse tentando me recompor.
— Desde sempre. Só não gosto de cantar para os outros, mas pra você eu abro uma exceção.
Eu sei que deveria recusar, que aquilo não era certo mas não pude resistir.
Eu não queria resistir.
Ele afastou-se na cama, dando espaço para que eu deitasse.
Me deitei ao seu lado encostando minha cabeça em seu peito.
Ele passou o braço sobre meus ombros acariciando-os levemente.
Com o rosto bem próximo do meu, ele começou a cantar baixinho em meu ouvido.
Before you slip into unconsciousness
Antes de você cair na inconsciência
I'd like to have another kiss
Eu gostaria de ter outro beijo
Another flashing chance at bliss
Outra chance fugaz de êxtase
Another kiss
Outro beijo
Another kiss
Outro beijo
The days are bright and filled with pain
Os dias são iluminados e cheios de dor
Enclose me in your gentle rain
Envolva-me em sua gentil chuva
The time you ran was too insane
A época em que você fugiu foi tão insana
We'll meet again
Nos encontraremos de novo
We'll meet again...
Nos encontraremos de novo...
(Imaginem a voz sensual do Jim Morrison cantando)
DC cantando era tão, tão... Sexy!
Eu mal podia acreditar.
Sua voz era tão bonita, sedutora...
Sentir o calor do seu corpo, seu cheiro, sua pele macia, sua voz... Me deixavam inebriada.
Fui-me deixando levar por aquela sensação tão agradável e aos poucos adormeci em seus braços.
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