Mudando os Rumos

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Esse capítulo custou a sair. Me desculpem mas eu não tenho andado inspirada por esses dias. Espero que não tenha ficado muito ruim.

Capítulo 14


Acordei de repente com o barulho de algo caindo no chão.
Quim havia acordado e quando tentou se levantar caiu da cama.
Nimbus levantou-se e o ajudou a se erguer.
Quim murmurou algo ininteligível e Nimbus o levou até o banheiro.
Eu os segui de longe, e logo vi que Quim estava vomitando por causa da bebida.
Eu voltei para o quarto, não tinha coragem de vê-lo naquela situação.

Depois de por tudo pra fora, nós o levamos até a cozinha.
Após beber um café bem forte ele parecia melhor, porém estava calado, com o olhar distante, e eu não tinha coragem de me atrever a dizer nada.

Ouvir ele me ofendendo daquela forma tão vulgar me fez sentir muito mal, me fez sentir a pior pessoa do mundo. Nunca em toda a minha vida eu havia sido tão humilhada.



Já era de manhã, olhei no relógio e marcava sete horas.
Não teria mais tempo de ir pra aula. Mas acho que mesmo que desse tempo eu não ia ter cabeça para ficar em uma sala de aula.
Nimbus arrumou a mesa para tomarmos café da manhã. Nimbus e eu comíamos em silêncio.
Ficamos ali, sentados à mesa nos encarando sem dizer palavra.
Não sei dizer quanto tempo se passou. Minutos, horas? Naquele momento o tempo era algo insignificante, abstrato.
O silêncio entre nós era tão grande e profundo que era quase tangível.
Nimbus levantou-se nos tirando daquele transe.

— Acho que agora precisamos conversar, não é?

Eu e Quim nos entreolhamos em silêncio e encaramos Nimbus.

— Você está sentindo-se melhor Quim? – Nimbus perguntou.
— A ânsia passou, mas minha cabeça dói. – disse num murmúrio levando a mão à cabeça.
— E vai continuar doendo, você está de ressaca. Deve beber muita água para se reidratar.
— Esse é um assunto que você entende bem não é? – Quim disse ironicamente.
— Por que diz isso? Você já me viu bêbado por acaso? Já me achou em algum bar enchendo a cara? Até onde eu sei, eu não fico me embebedando e dando vexame por aí. – disse Nimbus num tom de voz firme lhe encarando.
— Já tinha esquecido... Você é o senhor perfeitinho, não faz nada de errado. – disse Quim.
— Pelo contrário Joaquim, não sou nem um pouco perfeito, a questão é que eu penso primeiro antes de agir. – Nimbus disse.

Quim lhe lançou um olhar mortífero.
Nimbus continuou falando sem se importar:

— Enfim, eu já sei de tudo o que houve entre vocês. Eu e a Magali conversamos enquanto você dormia.
— Aposto que ela contou só a versão de coitadinha dela se fazendo de vítima. Duvido que ela tenha contado que tava me traindo com o Do Contra. – Quim disse me encarando.
— Quer saber? Pra mim chega! – dei um soco na mesa. — Eu não vim até aqui pra ficar ouvindo desaforos e perdendo meu tempo! – disse enquanto levantava e me dirigia para a porta. – Vamos embora Nimbus.
— Calma Magali, você tá nervosa, vamos conversar e resolver isso logo de uma vez. – Nimbus disse segurando em meu braço.
— Não quero. Eu já tô cansada dessa merda toda, de ser a bruxa má da história. Se você quiser ficar tudo bem, mas eu vou embora.
— Tá certo, não vou ficar insistindo para que você fique. Me espera só um pouco que já nós vamos e eu te levo em casa. – Nimbus respondeu me entregando a chave do carro.

Peguei a chave e saí sem olhar para trás. Entrei no carro e fiquei esperando.
Eu não queria ficar mais um minuto sequer ali ouvindo acusações.
Fiz tudo errado? Sim, fiz e não me orgulho disso.
Mas eu não ia mais ficar fazendo papel de fraca, sensível e ficar ouvindo desaforos calada.
Eu entendo o lado do Quim, mas eu também não posso ficar colocando a culpa de tudo em mim mesma.
Se tudo isso aconteceu, foi porque ele também teve a sua parcela de culpa.

Ouvi um barulho e vi meu celular tocando. Era DC me ligando.

Oi linda! Até que enfim você atendeu!— ele disse com voz preocupada.

Com toda a confusão que rolou eu nem me lembrei que tinha celular.

— Desculpa DC, eu não vi quando você ligou. – respondi.
Tá tudo bem? Você ficou a noite toda aí, me deixou preocupado.
— Estava com saudade da sua voz. – disse.
Eu também. Mas você tá bem?— ele me perguntou novamente.
— Agora sim.
Meu irmão ainda tá aí com você?— ele perguntou.
— Sim, daqui a pouco nós já estaremos voltando. – respondi.
Eu tô indo pra facul agora, mas assim que vocês chegarem me avisa! Quero muito te ver.
— Eu aviso sim... Também quero te ver!

Assim que terminei a frase, Nimbus entrou no carro.
Encerrei a ligação e ele deu partida e seguimos.
Ficamos novamente em silêncio durante o caminho. Eu estava perdida em meus pensamentos... Também estava rezando para que meus pais não ficassem sabendo que eu estivera lá, em um bar com meu ex-namorado bêbado dando vexame.

Em nem percebi o tempo passar, quando dei por mim já estávamos chegando.
Eu preferi ficar na república do que ir para casa. Não estava afim de ser incomodada e também queria estar ali para quando o DC voltasse.

— Você vai ficar bem Magali? Se quiser posso ficar aqui te fazendo companhia até o meu irmão voltar.
— Eu estou bem Nimbus, pode ir tranquilo, você já fez muito, obrigada por tudo! – disse lhe dando um beijo no rosto em agradecimento.
— Tá certo... Então eu vou indo. – ele disse ficando levemente corado.

Nimbus me deixou na casa e foi embora. Ele tinha coisas à fazer e eu não queria ficar o prendendo.
Assim que ele se foi, entrei na casa e fechei a porta. Não tinha ninguém ali, eu estava sozinha.

Era quase hora do almoço, eu estava faminta. Fui até a cozinha e não achei nada. Aquela república era uma bagunça, parecia que ninguém se importava em fazer compras!
Sorte que na pensão tem a dona Benedita pra cuidar das coisas.

Me conformei em comprar um lanche. Eu não queria ir para casa almoçar, queria esperar pelo DC, estava com uma saudade imensa.
Depois de comer fui até o banheiro e tomei um banho rápido. Eu estava cansada por ter passado a noite fora de casa e não ter dormido bem.
Depois do banho fui até o quarto dele e fiquei esperando. Eu sabia que ele estava prestes a chegar.