Mudando o destino
6 O retorno da adrenalina
Notas iniciais
Quinta-feira, 10h00min. 3 dias para o início do apocalipse zumbot
–Professora, posso fazer uma pergunta?
–Você já fez Magali.
–Eu só queria saber uma coisinha de nada, tipo... ONDE VOCÊ CONSEGUIU UM AVIÃO PRA GENTE PULAR DE PARAQUEDAS?
–O Licurgo tinha reservado faz um tempo.
–Ô professora, só pra saber e pra passar o tempo, — fala Mônica – você tem namorado?
Isso nunca foi um assunto fácil pra Monique, mas ela respondeu com firmeza e calma:
–Eu me apaixonei por um cara há um ano, na verdade é uma paixão platônica, apesar de ele ter me beijado, ele tem a idade de vocês.
Isso deixou todos de bocaberta, e mesmo sabendo dos riscos Mônica perguntou:
–Quantos anos você tem?
–20, me formei com louvor e sou só 4 anos mais velha que vocês fisicamente, mas mentalmente, eu acho que sou ainda mais velha.
–Então... Isso foi antes da bala? – diz Mônica ficando com medo.
–Foi antes sim, foi na mesma época em que conheci o ex da minha mãe.
–Como foi que eles terminaram?
–Minha ex-madrinha armou um plano com psicologia reversa pra separá-los numa época em que eles tiveram uma briga feia. E ela resolveu que minha mãe ficaria mais feliz com meu pai, e vocês sabem qual foi o resultado.
Isso foi um balde de água fria pra Magali. Ela decidiu que depois da queda ia contar a verdade pra Mônica. Mas o que realmente estava incomodando o pessoal no avião era a crise de aerofobia do Cascão.
–POR QUE TINHA QUE SER PULAR DE PARAQUEDAS? EU TAVA COM SAUDADE DA EMOÇÃO, MAS EU NÃO QUERO MORRER, EU NÃO QUERO MOR... – mas aí a Monique dá uma bengalada no cabeção dele.
–AI!! Isso dói mais que coelhada! E bengala de cenoura!
–Seguinte, estamos chegando a 10 mil metros de altitude, então já vou distribuir seus para quedas.
–10 mil metros! HAHA!
–“Prof.”, você por acaso nos trouxe aqui pra NOS MATAR? – diz Denise se desesperando.
–Eu não vim matar vocês. – diz Monique após dar os para quedas – eu vim mostrar pra vocês uma coisa que vocês não têm há MUITO TEMPO! – grita Monique com muita alegria enquanto anda até a porta que acabou de ser aberta. – ISSO. É. ADRENALINA!!! – então cai pra fora do avião segurando apenas a bengala.
–Ela estava de para quedas? – pergunta Titi.
–Não, ela não estava de para quedas! – diz Denise chocada – Ela é...
“Burra? Não.
Louca? Talvez.
Alguém que se sente a pessoa mais livre do mundo? Com toda a certeza de todas as certezas de todos os tempos. Literalmente.
É meio engraçado isso vindo de alguém que passou quase a vida toda lutando e sobrevivendo contra robôs-zumbis e que foi a única criatura viva a sobreviver e contar história de um jeito bem esquisito, tipo voltando 100 anos no passado. Agora eu vejo que mesmo que esse meu plano dê errado (e tem muitas chances de dar errado) eu posso ter uma vida nesta época, posso fazer qualquer coisa, desde que não interfira na minha existência é claro. Mas eu não faço isso porque seria muito egoísta da minha parte, eu tinha amigos, que eu vi morrerem na minha frente pelo simples fato daquela inteligência artificial ter um ódio especial por mim, só porque o criador dela, que trouxemos do passado, pra destruí-la, me beijou na frente dela, e então ela resolveu que eu seria a última humana a ser desintegrada pra eu ‘sentir a mesma que ela sentiu quando eu tirei toda a esperança e o ente querido dela’, mas o que ela não esperava é que eu achasse uma bengala num museu de um ator famoso e que eu colocasse dentro dela uma bateria temporal com energia moderada, assim eu pude voltar no tempo, embora não seja na época em que eu queria, mas aqui estou eu, trazendo a esses alunos de ensino médio a emoção que eles haviam perdido com o tempo. Aliás, falando neles...”
Enquanto isso no avião...
–Será que ela tem um escudo invisível e mais alguns truques que façam que ela não precise de para quedas?
–Menos nerdice Cascão. – dizem todos no avião em uníssono
Então o celular da Denise começa a tocar.
–Alô?
–Que é que vocês estão esperando? Uma mensagem telepática? PULEM!
E todos começaram a pular, embora o Cascão tenha sido empurrado pelo:
–XAVECOTUMEPAGA!!!!!!!
–É XAVIEEEEEEER!
E então todos estavam caindo no ar, e todos, inclusive Mônica, percebeu que realmente estava morrendo de saudade de uma boa adrenalina em sua vida. Todos estavam sentindo o mesmo que Monique estava sentindo. Exceto o Cascão só sentia pânico.
–Muito bem, eu só vou recomendar uma coisa, aconteça o que acontecer, não entrem em pânico! – grita Monique pra todos – Exceto os dois manés que pegaram os para quedas com defeito!
Ao ouvirem isso, todos abriram seus para quedas. E os que estavam com para quedas defeituosos foram a Magali e a Mônica, que logo entraram em pânico.
–Magali, se a gente morrer, eu queria que você soubesse que você sempre foi como uma irmã pra mim!
–Não é verdade!
–É sim!
–Não, não sou! Pois eu armei pra você ficar com o DC!
–Como é que é?!
–Eu usei psicologia reversa naquele dia! Eu só queria que você fosse feliz!
–Tá legal vocês duas, segurem minha bengala! – diz Monique se aproximando delas.
E ao tocarem na bengala, no segundo seguinte as três estavam no pátio do Colégio do Limoeiro. Fosse em outra ocasião, Mônica e Magali perguntariam como é aquela bengala as teletransportou de 6 mil metros do chão pro chão, mas no momento foi apenas:
–VOCÊ MANIPULOU MINHA DECISÃO?! COMO PÔDE FAZER ISSO?
–Eu só queria que você fosse feliz.
–AQUELA DECISÃO ERA EXCLUSIVAMENTE MINHA. VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO DE SE METER NÃO IMPORTA QUÃO BOAS SEJAM SUAS INTENSÕES – então Mônica vai embora magoada e com raiva.
–É bom ver que alguém presta atenção nas minhas aulas. – diz Monique calminha atrás da Magali – Pelo visto minha experiência deu certo.
–Peraí, quer dizer que você armou tudo isso?
–Esqueceu que fui eu que distribui os para quedas?
–Então você queria que ela soubesse disso, por que você fez isso? Por que você se meteu num assunto de amigas?
–Eu me meti? Olha quem fala? Não ouviu o que a Mônica acabou de dizer? Você se meteu numa decisão muito séria, lembra dos Outros Alunos e a tal Grande Aposta? Eles criaram essa Grande Aposta pra evitar uma guerra civil entre eles, e a coisa só piorou quando você resolveu bancar o cupido, sabe por que muitos Outros Alunos sumiram nos últimos meses? Primeiro foi por causa da falta de adrenalina, depois teve uma saída em massa quando você se meteu os únicos que ficaram foram os Docônicos que venceram a Grande Aposta e poucos Cebônicos, que até já estavam de malas prontas pra ir pra Nova Esperança até que eu anunciei que vocês teriam adrenalina de novo! Mas o que importa é que, por sua causa muita coisa entrou em jogo se você prestou atenção nas minhas aulas.
Magali não tinha nenhuma resposta para aquilo, mas começou a suspeitar se essa professora não é a filha da Mônica que veio do futuro, pois ela tinha o mesmo tom de raiva da Mônica e o mesmo raciocínio confuso do DC, mas por que ela estaria aqui? Talvez não seja a filha, talvez neta, bisneta, no máximo tataraneta. Magali já ia falar alguma coisa disso, mas aí viu o pessoal de para quedas chegando ao solo, então Monique disse:
–Te vejo amanhã no museu.
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