Mudanças Para Continuar
30 Chapter Thirty
Notas iniciais
P.O.V. Cindy:
Noah me acompanhou até a minha casa. Isso foi bem gentil de sua parte, considerando o fato que já escureceu e que sua casa fica MUITO longe da minha.
Quando entro, vejo minha mãe e meu pai na sala, assistindo à TV e rindo. A cena poderia ser mais maravilhosa e emocionante ainda, se eles não notassem minha presença e tirassem os sorrisos radiantes e felizes de seus rostos, substituindo-os por caras não tão bonitas.
— Parece que alguém não almoçou em casa — comenta minha mãe, me observando seriamente. Mãe, és uma adivinha? — Como descobrimos? O almoço está do mesmo jeito que o deixei na geladeira.
Lê mentes também?!, penso.
— Pensei que haviam me deixado sair — digo, sorrindo nervosa. — O bilhete dava a entender isso.
— Deixamos você almoçar fora, se quisesse — meu pai se pronuncia.
— E foi o que eu fiz... — arrisco outro sorriso, tentando brincar com eles.
— O que queremos dizer, é que, se for sair com seu namorado e ficar fora a tarde toda, avise-nos primeiro. Nos preocupamos com você, filha — depois de falar, minha mãe abre um sorriso.
— Namorado?! — olho para eles incrédula. — Eu tenho um namorado?!
— Quando vai nos apresentar ele, Cindy? — pergunta meu pai.
— Como ele é? Bonito? Inteligente? Onde ele mora? — minha mãe me enche de perguntas sem o menor sentido.
— Eu não afirmei que tenho um namorado. Eu quis saber de onde você tirou essa ideia — explico. — Eu não estou namorando, o.k?
— Para voltar só agora, qual outra explicação você pode nos dar? — ela pergunta novamente.
— Nossa filha tem amigos também, Chelsea.
— É isso aí, pai — faço um coração com as mãos para ele e o abraço em seguida. Ele retribui.
— Não posso sonhar um pouco, Darwin? — minha mãe faz drama. — E só você ganha abraço agora? Eu sou uma mãe tão horrível assim, Cindy? — Joe aparece e pula no colo dela. — Vem cá, Joe! Pelo menos, alguém se importa comigo.
— Você sabe que eu te amo também, não é, senhora Chelsea? — solto-me do meu pai e vou abraçar minha mãe do mesmo modo. Ela retribui e Joe quase é esmagado. — Só não sonhe com isso muito cedo.
— Mas, quando eu tiver um genro, você não poderá dizer isso para mim! Eu poderei sonhar e contar para ele como você era fofinha quando pequena! — nos separamos e eu a olho, não acreditando no que acabou de dizer.
— Você não seria capaz...
— Nunca duvide de sua mãe, filha! — avisa meu pai. — Falo por experiência própria!
Depois de muito conversar, alimentar Joe, tomar banho e jantar, vou dormir.
***
Acordo e checo as horas em meu celular, são 09:45. Alimento Joe novamente e desço para tomar café da manhã. Novamente, um bilhete em cima da mesa.
— Leve o lixo para fora antes de voltarmos para o almoço. A ração de Joe está acabando, então, seria interessante se você comprasse mais. O dinheiro deve estar em algum lugar ao lado desse bilhete. Muitos beijos, amamos vocês (Você e Joe). Assinado: Mamãe e Papai — leio novamente em voz alta. Percebo que existe mais uma frase abaixo do que acabei de ler. — P.S.: Não vá almoçar com seu namorado hoje.
EU NÃO TENHO NAMORADO!, penso. Só pode ter sido minha mãe.
Tomo meu café, recolho o lixo e o levo para fora de casa. Ao sair, percebo uma pessoa conhecida se aproximando de minha casa. É Manuela.
— Cindy! Que bom que está em casa! — ela está ofegante. Deve ter vindo rápido. — Um segundo... Calma aí.... Vou recuperar... o fôlego...
— Quer entrar, Manu? — pergunto, rindo. Ela assente. Deixo-a entrar e sentar e busco um copo de água para a mesma.
— Eu realmente precisava disso. Obrigada — ela me devolve o copo já vazio.
— Veio correndo?
— Quase — nós rimos. — É que você esqueceu suas chaves lá em casa, e eu precisava entrega-las o mais rápido possível. Imagina se não consegue entrar na própria casa!? Imagine a situação se não tivesse uma cópia!?
— Ér... Eu não esqueci chave alguma, Manuela.
E não tenho uma cópia. Nota mental: tomar providências sobre as chaves de casa.
— Não? Então... são as chaves do Noah?
Pobre, Noah, penso.
— Parece que sim — rimos novamente e Joe pula no colo de Manuela.
— Ôpa! Oi, gatinho, você vem sempre aqui? — Joe mia em resposta. — Você deve ser o Joe, não é mesmo? Não imaginei que ele fosse tão fofo, Cindy!
— Mas ele é, né, bebê? — faço uma voz fofa e afago a cabeça de Joe.
— Então, voltando ao assunto: eu não faço ideia de onde Noah mora e tive sorte de meus pais me deixarem sair da padaria rapidinho. Se não for muito incômodo, você poderia devolver para ele por mim? — ela faz uma cara de súplica.
— Claro! Acho que lembro mais ou menos onde ele mora e posso entregá-las numa boa — ela suspira, como se um peso tivesse sido retirado de suas costas.
Basta eu voltar antes do meio-dia.
— Muito obrigada mesmo, Cindy. Agora eu já vou indo, senão meus pais, ou melhor, chefes, me matam! À propósito, adorei o pijama.
É nesse momento em que percebo que ainda estou de pijama. Sorrio, envergonhada. Nós (Joe está incluído aqui) nos despedimos e ela segue seu caminho de volta à padaria com pressa.
— Parece que vou ter que sair, bebê — faço bico para Joe. — Mas eu volto com a sua ração nova!
Joe mia e afago sua cabeça. Vou para meu quarto e coloco uma blusa branca e uma saia verde – bem fofa. Pego minhas chaves e as chaves de Noah, o dinheiro deixado por meus pais ao lado do bilhete e meu celular e tranco a porta da frente, logo que estou fora de casa. Vou andando até a praça – para me localizar e seguir caminho até a casa de Noah. Observo a hora em celular, mas continuo andando. São 10:10. Tem alguém pensando em mim. (Isso, para quem não sabe, é uma ‘’brincadeira’’ que consiste em ver no relógio/nas horas, dois números iguais – ou que, ao invertê-los, fiquem iguais. Por exemplo: 10:10, 22:22, 12:21, 03:30, etc.)
Esbaro em alguém.
— Me desculpe, eu estava distraída e não vi... — paro e observo em quem esbarrei. — Você?
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