Mudanças (Naruhina)
31 Naruto e Hinata - pt.1
Notas iniciais

Naruto POV
Respirei fundo olhando mais uma vez para imagem no espelho. Nele, um homem alto de porte elegante e extremamente nervoso e feliz – tudo ao mesmo – me olhava de volta.
O kimono de casamento era pesado e eu jamais pensei que um dia EU, o jinchuuriki do nove caudas, Uzumaki Naruto, estaria usando um.
Alisei mais uma vez o tecido do kimono para ter certeza de que tudo estava em seu devido lugar. Hinata merecia o meu melhor. Ela era a pessoa que me amou desde sempre... desde que eu era ninguém e todos me odiavam. Hinata amava o Naruto e não a figura de um herói e a isso, eu nunca poderia agradecer o suficiente. A alegria que transbordava do meu peito por amar e ser amado era tanta que senti um aperto no peito.
Lembrar das inúmeras vezes que ela arriscou a própria vida para me proteger me deixava aflito até a alma. Pensar que se não fosse por Neji, hoje, eu não teria a possibilidade de ser feliz ao lado da mulher que eu amava e que – milagrosamente – me amava de volta, era além do impensável. Enfim, engoli o sentimento negativo. Resolvi focar no presente, arrumei mais uma vez o tecido do Kimono.
“Arigato, Neji”.
Alguém bateu à porta.
— Entre – eu disse, sério. Estava nervoso demais e um tanto nostálgico.
— Naruto! – Era Iruka-sensei.
Sorri de volta para ele que me olhava já com lágrimas nos olhos. Estaria ele tão nostálgico quanto eu?
— Ooooe, pare disso, Iruka-sensei!
Ele riu, enxugando as próprias lágrimas, enquanto eu lutava para controlar as minhas. Dei meu melhor sorriso.
— Está pronto, Iruka-sensei?
— Baka, quem tem que está pronto é você quem vai casar!
Cocei a nuca constrangido. Era verdade!
— Hahaha! Então vamos indo... Hoje você está de “pai do noivo”.
Iruka-sensei me lançou um olhar engraçado, em seguida, fez um bico esquisito e quando eu menos esperava, começou a chorar de soluçar.
— Iruka-sensei... – eu disse, a voz já embargada.
Agradeci aos céus por Hinata estar longe demais para ver essa cena ridícula! Com que cara veria minha noiva?!!!
Hinata POV
As ajudantes que meu pai contratou para o dia do meu casamento terminavam de arrumar o coque elaborado em meu cabelo enquanto tudo o que eu fazia era ficar nervosa a cada segundo.
E se Naruto desistisse na hora h? Peguei-me pensando, mortificada.
Não... ele não faria uma coisa dessas. Tentava me controlar.
Mas e se...
Não...
Mas e se....
— Hinata-sama – uma das mulheres que me arrumavam chamou minha atenção – está pronta.
Olhei para o espelho e foi uma surpresa agradável encarar meu reflexo. Eu estava linda. A pele lisinha, perfeita como alabastro, os lábios rosados, os olhos brilhantes, o cabelo impecável com uma flor para enfeitar. As mulheres saíram do cômodo para me deixar relaxar.
Respirei fundo mais uma vez. Era hoje. Estava quase na hora.
Hoje, oficialmente minha vida ao lado de Naruto-kun se iniciaria... corei com o pensamento. Pensar que aquela garotinha tímida e insossa havia conquistado um dos ninjas mais incríveis que já existiu na face da Terra era ousadia demais até para sonhar... Será que sou a melhor opção para Naruto? Serei capaz de ser a esposa de um Kage? Do ninja mais forte do mundo?
Um vento forte irrompeu pelo cômodo, escancarando as janelas e mostrando o dia lindo que fazia lá fora.
Sorri, agradecida. A natureza cooperava com nossa união. Era primavera e toda Konoha estava forrada por flores. Tudo muito lindo.
— Nee-sama! – Hanabi entrou correndo no quarto querendo me ver. – Você está linda demais!!! Naruto-kun vai adorar!
Corei com o elogio. Ainda que eu achasse verdade o fato de estar bonita, eu ainda tinha dificuldade em aceitar elogios.
— Você acha?
— Tenho certeza – Hanabi disse e de repente ficou séria. – Queria que nossa mãe estivesse aqui. Ela iria adorar ver você dessa forma, tão linda e feliz, nee-sama. Desculpe ter tirado isso de você... – começou a chorar.
— Hanabi, pare com isso! – eu disse já com lágrimas nos olhos. Nessas horas que sentia falta do selamento...
Jamais culparia minha irmãzinha pelo problema que a mãe teve durante o parto da mais nova. Foi uma fatalidade. Amava demais Hanabi, e sabia que sua mãe amava as duas da mesma forma. Abracei Hanabi.
— Você vai ter de se desculpar por falar bobagens e tirar minha maquiagem, baka! – Hinata disse, brincalhona.
— Nee-sama! – Hanabi disse rindo, o nariz vermelhinho de choro. – Deixa eu te ajudar a corrigir isso.
Hanabi limpou um pouco do que borrou e refez parte da minha maquiagem. Estava pronta de novo.
Senti o chackra de Sasuke se aproximando. Pedi para que Hanabi me deixasse sozinha para meditar. A mais nova acreditou e foi embora, deixando o quarto vago para que Sasuke pudesse entrar.
— É quase impossível não ser visto aqui.
— Bem-vindo ao clã Hyuuga – cumprimentei engraçadinha.
— Vim ver como está.
Sorri para Sasuke.
— Estou bem... – suspirei – ...bem nervosa, na verdade. Até sinto falta do selo nessas horas.
— Não fala isso nem brincando! Tá maluca? Jamais estaria se casando com Naruto se ainda tivesse o selo.
— Falando nele... como ele está? – Perguntei tentando parecer indiferente. Não queria demonstrar que parte do meu nervosismo era pensar que Naruto poderia se dar conta de que eu não era boa o suficiente para ele e, por isso, me largasse no altar.
Sasuke bufou, tentando conter o riso, mas falhou miseravelmente. Em segundos, o idiota estava gargalhando.
— Idiota! Por que está rindo?
Ele continuou a rir chegando a ficar sem ar. Quanta ousadia!
— Veio aqui para tripudiar e se divertir com a agonia alheia, Uchiha idiota?!
— Ah, Hinata... sempre bom te deixar irritada. Fica engraçada!
— Ora seu...
— Não estrague a maquiagem que sua irmã ajudou a consertar. Não tenho os mesmos dons que ela.
Revirei os olhos.
— Por que está de tanto bom humor?
— Ah... a vida!
Arregalei os olhos, surpresa pela mudança de meu amigo.
— O amor lhe cai bem – disse e pisquei para ele.
Ele riu e não me contradisse como normalmente faria. A testuda devia fazer muito bem a ele. Que continuasse assim. E de preferência, que ele a mantivesse longe do meu Naruto!
Nossa... quando foi que me tornei tão possessiva? Aff...
Sasuke me tirou dos devaneios.
— Naruto está quase morrendo de tanta ansiedade e medo. Acha que você vai desistir na hora H. Vim aqui a pedido dele para ter certeza de que você estava indo – ele pausou para rir mais. – Mas chego aqui e a encontrou no mesmo estado. O amor é uma coisa engraçada.
— De fato, Sasuke. Você, por exemplo, nunca o vi com uma cara mais pateta. Isso é que é amor de verdade. Capaz de tirar aquela carranca de anos da sua cara.
— Vou relevar porque você é a noiva...!
— Humpf!
— Sabe, a gente bem podia pregar uma peça no Naruto e fingir que você fugiu.
Dei um tapa forte no ombro de Sasuke que se encolheu de dor.
— Jamais faria uma coisa dessas com Naruto-kun! E se você sugerir para ele fazer a mesma coisa comigo, eu mato você, Sasuke!!!
— Isso que chamam de estresse de noiva? Por Kami... Não quero nem ver quando for a minha vez e de Sakura. Eu a pedi em casamento ontem à noite.
— Ohhh! Sério?! Que bacana, Sasuke-kun! Estou muito feliz por vocês – cumprimentei o abraçando forte, por tudo que a gente viveu nos últimos anos. – Sabe, você também merece ser feliz. Tanto quanto Naruto. Ainda que de forma torta, obrigada por ter ficado ao lado dele enquanto eu não era capaz de estar. Agora pode deixar comigo – falei ainda nos braços dele.
Ouvi Sasuke fungando.
Wowwww! Aquilo sim era um acontecimento. Sasuke chorando.
— Nem precisa mais me dar presente, Sasuke-kun. Isso aqui já é o suficiente.
Ele riu, constrangido, tentando esconder as lágrimas.
— Você está andando demais com o Naruto. Isso não está te fazendo bem – brincou.
— Oeeeee... mas do que está falando, teme? Sou a mesma, tebayo!!! – imitei meu noivo e Sasuke riu muito e eu ri junto.
Rimos tanto que não ouvimos meu pai entrar no quarto.
— Mas o que é isso, Hinata? Você é noiva de outro homem. Não pode ficar no quarto com qualquer um! – ralhou.
Me controlei para não cair na risada de novo. Quem diria, meu pai havia se tornando o fã número 1 de Naruto.
Sasuke se despediu e disse que nos encontrava no templo.
Meu pai bufou com a saída do Uchiha, mas mal teve tempo de digerir a situação, Shino, Kiba e Akamaru entraram pela mesma janela que Sasuke havia saído.
Meu pai fechou ainda mais a cara.
— Seu noivo não vai gostar de saber que está recebendo homens.
— Ora, oto-san! Deixe de besteira! São meus amigos e eles vieram para me desejar felicidades. Além do mais, Naruto-kun confia em mim. Ele sabe que eu jamais faria algo que pudesse magoá-lo propositalmente. Deixe de ser sisudo.
Shino e Kiba quase caíram para trás com minha declaração. Akamaru escondeu o focinho com as patas. Meu pai ficou resmungando coisas ininteligíveis enquanto saia do quarto e nos dava privacidade.
— Hina, você mudou mesmo, hein! – Kiba foi o primeiro a falar. Estava impressionado.
— Au, au! – Akamaru concordou.
— Hinata só precisava confiar mais no taco dela. Veja só do que foi capaz!
Os três sorriram, confidentes. Passaram por muita coisa juntos. Shino e Kiba sabiam o quanto Hinata costumava ser frágil, delicada e gentil. Por vezes, temiam que a amiga só sofresse na vida, mas agora, estavam tranquilos por saber que ela havia encontrando um caminho que a faria feliz.
— Bom, não vamos mais tomar do seu tempo, Hina – disse Kiba.
— Já está quase na hora – completou Shino.
— Hai! – Eu concordei sendo deixada por eles e indo ao encontro de meu pai.
Enquanto isso no céu...
— Minato?
— Hai, Kushina – o quarto hokage respondeu. Sabia o que sua mulher estava pensando. Ele mesmo queria muito estar lá embaixo.
— Nosso Naruto está se casando hoje, tebane! – Ela disse alegre com lágrimas nos olhos azuis escuros.
— Sim. Ele finalmente encontrou alguém que o ama de verdade.
— E-eu estou tão feliz, Minato. Meu menino já é um homem, tebane!!! – ela assoava o nariz enquanto chorava e falava.
— Hai – concordou Minato que era muito mais calmo que a esposa, mas ainda assim, estava profundamente emocionado.
Seu filho havia se tornado um homem honroso do qual eles eram muito orgulhosos. Não bastasse ter continuado o sonho deles de ser hokage, Naruto salvou o mundo e hoje, mais do que ninguém merecia ser feliz.
— Eee, por que essas caras tristes? – Era Jiraya-sama que chegava todo serelepe com aquele jeitão descontraído de sempre.
— Naruto... – Minato disse simplesmente.
— Linda a noiva dele, não? – Jiraya-sama respondeu e em seguida berrou de dor. Kushina havia lhe dado um soco bem forte no ombro.
— Ela é minha nora, tebane! Mais respeito, ero-sennin!
— Ooooe, Minato! Olhe sua esposa!
— Vamos acalmar os dois! – Minato tentou apaziguar, ficando entre eles.
— Minato, Kushina, Jiraya-sama – uma voz delicada se fez presente na confusão. – Eu sou Hana, mãe de Hinata e... – A mulher serena de longos cabelos negros e olhos brancos se parecia muito com Hinata, mas com ares de autoridade e segurança. Ao lado dela se encontrava outro Hyuuga, mais jovem e de expressão fechada, Neji. Hana continuou a falar: — Foi-nos dada a oportunidade de visitar nossos filhos. Eles... Kami-sama nos autorizou descer somente hoje para estar ao lado deles durante o casamento.
Kushina arregalou os olhos em total espanto e deleite. Ela conheceria seu filho!!!
— MINATO!!! – Ela gritou empolgada demais para se conter. – NÓS VAMOS VER NOSSO FILHO, MINATO! EU VOU CONHECER MEU NARUTO PESSOALMENTE PELA PRIMEIRA VEZ. EU...EU...
Minato a abraçou apertado, escondendo o rosto dela contra seu peito. Sabia que a mulher odiava chorar na frente dos outros. Ele mesmo não se importava, deixou que algumas lágrimas silenciosas escorressem pelo rosto, desaguando nos cabelos ruivos da mulher.
— Obrigada por me fazer mãe, Minato – Kushina sussurrou baixinho para que só o marido a ouvisse — Eu amo você.
Jiraya-sama olhou a cena comovido. Ficou imaginando a alegria de Naruto quando os visse.
— Vamos indo? – Hana perguntou.
— Hai – disseram todos os presentes.
Hinata POV
Encontrei meu oto-san na sala. Ele estava calado e fitava algo fixamente que estava em suas mãos. Não que fosse estranho encontrar meu pai contemplativo ou distante por algo, mas havia algo diferente nele.
— Hinata, não a vi chegar! – Ele disse assim que me viu ali na sala de estar.
— Estou pronta oto-san. Podemos ir ao templo.
Meu pai se levantou de onde estava e veio até mim. Segurou minhas mãos ainda que não me olhasse diretamente nos olhos e começou a falar:
— Hinata... me perdoe por não ter sido um bom pai.
— Oto-san...
— Não. Deixe eu terminar...
Consenti.
— Me perdoe por todos esses anos de negligência... eu, pensei que na verdade estava te educando para ser uma líder forte e fria... como eu. Mas descobri, um pouco tarde demais que seu poder era diferente do meu. Era como o de sua mãe. Suave, doce, sagaz, do tipo que a gente não pode viver sem. Acho que por isso... – ele limpou a garganta – não que seja uma desculpa louvável, mas, quando ela se foi, perdi o rumo e a mão na criação de vocês. Me perdoe.
— Eu te perdoo, oto-san.
— Eu quase perdi você, Hinata.... quando esteve daquele modo... eu só ouvi rumores, mas temi que não voltasse para nós nunca mais. Entretanto, Naruto nunca deixou de acreditar em você, na sua força, no amor de vocês. Eu sabia da sua apaixonite por ele. Sempre estou de olho em minhas filhas, embora não pareça. Inclusive sei que Hanabi tem se encontrado com Konohamaru. Quando eu pegar aquele moleque... bem, mas a questão não é essa. Eu... achei que esse sentimento fosse unilateral. Temia que sofresse. Mas sabe, de novo, eu duvidei de você, da sua força, do seu amor. Estive errado durante todos esses anos. Não fui capaz de ver a filha que tenho ainda que eu possua esses olhos que me permitam ver de tudo.
— Oto-san...
— Por isso, Hinata, eu te peço perdão. Prometo que a partir de hoje e sempre, pode contar comigo. E por favor, seja como você quer ser. incrível e linda do jeito que é.
Eu não consegui me controlar. Minhas lágrimas rolaram livres destruindo mais uma vez a maquiagem.
— Eu amo o senhor, oto-san.
— Eu também te amo, filha – ele disse enquanto me abraçava.
Nessa hora, um chackra desconhecido entrou em casa. Ativei meu tenseigan institivamente e foi com um misto de pavor e arrebatamento que os vi:
Minha linda oka-san acompanhada de Neji-ni-san.
Meu pai olhou na direção que eu olhava e os olhos dele mesmo sem Byakugan ativado, pôde vê-la.
— Hana...
— Hiashi-kun. Hinata. – ela disse a voz melodiosa.
Fechei os olhos, acreditando estar em um sonho. A voz da minha mãe... há quanto tempo eu não ouvia a voz dela. uma das coisas mais cruéis do tempo é o esquecimento. Com o passar dos anos eu já não era capaz de lembrar do timbre de minha mãe. das tantas vezes que ela disse que me amava ou me ninava até eu dormir.
— Hinata, filha, estou tão orgulhosa de você.
— Oka-san... é você mesmo?
— Sim, minha menina! Eu vim dos céus somente para vê-la no seu dia tão especial. Saiba que você e Naruto-kun têm alta conta lá em cima – ela disse dando uma risadinha no final. – Você se tornou uma mulher tão linda, meu amor. Estou tão tão feliz de poder estar aqui contigo hoje.
Eu me aproximei devagar daquela figura que se dizia minha mãe. eu não estava com medo. Ou talvez estivesse... e se não fosse minha mãe de verdade? E se fosse um ataque psicótico...? e se na verdade, toda essa situação... o casamento, Naruto... e se tudo isso fosse um sonho? E se... não... por kami não! Comecei a andar em círculos. Seria possível estarmos todos presos no genjutsu do sonho eterno? Não tínhamos vencido a guerra e nem Kaguya? Por Kami....
— Acalme-se, Hinata-chan! – ela me disse, o olhar mais gentil que alguém já olhou para mim. pegou meu rosto e o aproximou dos lábios. Depositou um beijo em minha testa.
Era ela. Minha oka-san. Minha amada oka-san.
— Você veio...
— Sim, meu amor. Por vocês. Por todos vocês – ela disse, me abraçando enquanto eu chorava de soluçar em seu colo.
Quanta falta senti disso durante a infância e adolescência.
— Hana, mas como... – meu pai começou.
— Deram-nos permissão para estar ao lado de nossos filhos durante a cerimônia. Os céus estão em festa pela união desses dois.
Tirei meu rosto de seu colo.
— Nani?
— Minato e Kushina também vieram. E o mestre deles, Jiraya-sama – ela me respondeu.
— E eu também vim, Hinata-sama – era Neji. – Estou muito feliz de ver que o que salvei foi algo realmente pelo qual valeu a pena morrer. Você e Naruto merecem ser felizes – ele disse, sério, porém com um sorriso leve nos lábios. A testa livre do selo. Neji estava livre.
Sorri feliz e agradecida.
— Hina-chan – era Hanabi que entrava em casa mais uma vez, toda esbaforida. Pelo que Hinata sabia, a irmã só ficava assim quando se encontrava com certo moreno chamando Konohamaru... – Hina-chan, cadê voc... – a voz da mais nova foi morrendo ao chegar na sala e encontrar a figura de seu primo morto Neji e de sua... – Mãe?
— Hanabi! – Ela cumprimentou minha irmã que ficou estática, sem saber o que fazer. – Venha me dar um abraço. Eu sonhei tanto com isso, minha menininha.
Hanabi olhou de mim para mamãe e depois para nosso pai e para Neji repetidas vezes até se convencer de que não estava sonhando. E então, correu para abraçar nossa mãe.
Ficaram assim durante uns minutos até meu pai avisar que estávamos atrasadas.
— Hina-chan, sua maquiagem! – Hanabi me alertou. – Nem eu vou consegui arrumar isso agora.
Me desesperei.
— Mas eu sim — minha mãe disse.
Sorri feliz demais por ela estar ali. Segurei na mão dela e Hanabi na outra. Fomos até o quarto, onde minha mãe cuidou de mim com todo o carinho que tinha no coração puro dela.
Naruto POV
Eu andava em círculos, completamente aflito pela demora de Hinata. Já tinha chegado há mais de uma hora no templo. Cheguei adiantado... era verdade. Mas Hinata não era do tipo que se atrasava para nada. Faltava exatos 5 minutos para começar a cerimônia. Os convidados já tinham chegado e nada da minha noiva...
— Naruto!
Olhei para trás e encontrei Sakura. Ela estava tão aflita quanto eu.
— Vem cá!
Fui e para minha surpresa, ela me deu um tapa na cabeça.
— Ai, Sakura-chan! Mas para que isso? – Perguntei massageando a cabeça.
— Você está fora de si. Calma. Sasuke-kun foi atrás de Hinata. Ela está bem.
— Está? E cadê ela que não está aqui? E cadê o Sasuke-teme que não veio me dizer isso pessoalmente?
— Baka! Ele está tentando te ajudar e é assim que agradece?!
Naruto revirou os olhos propositalmente para irritá-la.
— Baka!
— É você, menina!
— Oeee, parem os dois! – Era Sasuke.
— Teme!
— Hinata está bem, baka.
— E cadê ela?
— Ela já vem. Calma!
— Não consigo... e se... ela mudou de ideia? Pensa bem por que alguém casaria comigo?
— Taí uma coisa que não sei – Sasuke disse.
— Sasuke!!! – Sakura ralhou com ele e lhe deu um soco forte no ombro. Sasuke a olhou ressentido. – Não é verdade, Naruto. Você é um cara legal e... e... Hinata te ama.
— Espero que sim, Sakura-chan.
— Um Uzumaki jamais fica triste. Especialmente em um dia tão feliz quando este, tebane! – uma voz feminina que conhecia somente através de sonhos me disse.
Eu me virei em direção a voz, não acreditando no que meus olhos viam.
— Ka-chan? Oto-san? – Engoli em seco.
— Naruto – a mulher que se parecia muito com minha mãe me chamou pelo nome e correu até mim, me abraçando.
O perfume dela era forte, algo com flor e pimenta. Seu abraço era quente e o cabelo tão vermelho quanto eu podia me lembrar das minhas visões.
— Naruto – era meu pai agora que falava comigo.
Eu já o conhecia da época da guerra então o choque não foi tanto, mas foi igualmente estranho e maravilhoso vê-lo ali.
— Isso é real? – Perguntei para ninguém em específico.
Sakura estava com a mão na boca tentando esconder o choque em vão. Lágrimas saíam dos olhos dela e Sasuke estava tão atônito quanto ela ou eu. Então aquilo... eles...
— Ka-chan... é você mesmo?
— Mas é lerdinho esse meu filho, hein, tebane! Só pode ter puxado para você, Minato!
— Oee, que isso, Kushina!
— Isso aí é falta de nutriente. O moleque cresceu comendo rámem – era a voz do...
— Ero-sennin? – Perguntei espantado. As lágrimas fluindo de mim como cachoeiras.
Aquilo não podia ser real.
— Teme, se tiver me colocado em um genjutsu, juro que dessa vez te mato! – ameacei.
— Baka! Toda vez que alguma coisa boa acontecer vai ficar me culpando?
— Hahaha – a mulher de cabelos vermelhos riu e depois disse: — Estamos aqui para te ver, meu filho querido.
Aquela risada me arrepiou inteiro. Não tinha como confundi-la com mais ninguém, a mulher que me abraçava era dona Kushina, minha ka-chan.
— Eu não acredito que estejam aqui – eu disse, mal aguentando as lágrimas e por fim a abracei apertado.
Era ela. Minha mãe... a mulher que por me amar demais deu a própria vida para me proteger.
De súbito, lembrei-me novamente de Hinata e das tantas vezes que me salvou. Corei.
— Ka-chan, eu não sei se andou me vendo lá de cima, mas eu... tentei fazer tudo como me pediu. Comi legumes, ok.. mais rámen que legumes, mas os comi – eu ri e ela me acompanhou – eu também tomei banho quase todos os dias.... – ela arregalou os olhos — e fiz amigos para toda a vida – apontei para Sasuke e Sakura que sorriram de volta – e principalmente, eu encontrei uma boa mulher que me ama, mãe. Ela é maravilhosa e eu estou muito feliz que esteja aqui para conhecê-la.
Minha mãe me olhava com um misto de orgulho e tristeza.
— Queria tanto ter vivenciado isso tudo ao seu lado, Naruto. Me perdoe por não estar aqui contigo todas as vezes que precisou de mim, mas saiba que estive te assistindo lá de cima todos os dias e eu só tenho a dizer: que orgulho de ser sua mãe. obrigada por ser esse filho maravilhoso. Quanto à Hinata-chan, quero muito conhecê-la, tebane! Parece uma menina adorável!
Abri meu maior sorriso. Minha mãe aprovava minha Hina-hime. Mas também... como não aprovaria? Ela era perfeita! Suspirei apaixonado.
— Ela é uma boa menina, Naruto – meu pai disse, concordando com minha mãe.
Sorri ainda mais.
— Te ensinei direitinho, hein, moleque! – Jiraya-sensei disse.
— Oeee! Olha como fala, Ero-sennin! Hinata é minha noiva!!! – eu disse constrangido.
— Oeee, já te disse para respeitar minha nora, tebane! – minha mãe disse ao mesmo tempo.
Todos caímos na risada.
Nessa hora, Kakashi-sensei e Iruka-sensei entraram na sala e ficaram perplexos.
— Minato-sensei? – Kakashi-sensei perguntou pelo meu pai. Foi engraçado vê-lo se referir a meu pai desta forma.
— Hai, rokudaime hokage – meu pai o cumprimentou com orgulho imenso na voz.
O único olho exposto de Kakashi-sensei brilhou emocionado. Para quem nunca demonstrava sentimento algum, aquilo era muito. Eu como aluno sabia. Meu pai como mestre também sabia.
— Iruka – meu pai se virou para meu outro professor – Obrigado por cumprir tão bem meu papel. Eu não poderia ter escolhido substituto melhor para ser pai de Naruto.
— Yondaime... – Iruka-sensei disse simplesmente.
— Jiraya-sama, sabe o quanto agradeço por ter cuidado de Naruto. O mesmo se estende a você, Rokudaime.
— Oto-san... – eu comecei, mas não consegui terminar.
— Naruto, obrigado por fazer de mim um pai.
Senti meu coração aquecer de um jeito bom, afável. Os dois sóis que habitavam em mim estavam queimando como nunca.
— Eu sou grato a cada um de vocês por fazerem da minha vida a melhor possível – disse isso devagar enquanto olhava para todos, um de cada vez. Até o Teme tinha chorado. Sorri com isso.
De repente a porta é aberta com um solavanco bruto.
— Mas por que a demora, Naruto??? Os convidados já chegaram. Até a noiva já está aqui, baka!!! – Era vovó Tsunade.
Agora sim, minha família estava completa. Sorri, mais feliz que nunca.
— Mas que cara horrorosa, Naruto, o que significa iss... – a voz dela foi diminuindo até encontrar com os presentes na sala. – Jiraya?
— Hehe! Sentiu minha falta?
— Mas como... isso é possível?
— É uma longa história, companheira! Creio que teremos tempo durante a festa do casamento. Sakê e conversa em dia. Soa bem pra você?! Agora, pelo que disse, Naruto está atrasado.
Aquilo me enervou. Lembrou-me de onde estava.
— HINATA! – eu gritei de repente. – Ela chegou? – perguntei preocupado de tê-la feito esperar em demasia por mim.
— Ela acabou de chegar, se acalme – vovó Tsunade disse – Mas você precisa ir agora.
— Hai, dattebayo!
— Isso aí, tebane!!!
— Hahaha! Esses dois... – meu pai disse.
— Vamos indo então! – vovó Tsunade disse, a mais controlada de todos nós.
Antes de sairmos todos, Ero-sennin me disse:
— Você ultrapassou e muito seu mestre, hein, moleque! Estou feliz por você. Faça o favor de ser feliz para todo e sempre. Você merece.
Sorri para ele e o abracei pegando-o pelo pescoço como ele costumava fazer comigo quando eu era pequenino. A diferença é que agora eu estava pouco mais alto que ele e podia me “vingar”.
— Hehehe – Ero-sennin riu e eu ri junto.
Fale com o autor