Mudanças (Naruhina)
27 Casa comigo?
Notas iniciais

Eu tinha acabado de experenciar o momento mais sublime de toda a minha vida. Sentia-me no paraíso; o corpo suado, exausto do amor que fizemos, enquanto o coração transbordava de alegria.
Com a ponta dos dedos desenhei o contorno do rosto de Hinata que repousava sobre meu peito. Ela me olhava com carinho e eu retribuía como podia. Distribuía-lhe beijos pelo rosto e o topo da cabeça, onde por fim, repousei meu queixo e acariciei seus longos cabelos.
Ficamos assim por um bom tempo até que ela se ergueu um pouquinho dizendo que precisávamos nos vestir. Protestando, eu aceitei. Afinal de contas, não poderíamos ficar ali para sempre. Quando voltássemos à Terra ficaria trancado com Hinata em meu apartamento por uma semana. Viveríamos de amor e rámem somente. Hehe!
Vesti-me rapidamente só para poder observá-la. Hinata era linda fazendo qualquer coisa. Embora a vontade que habitasse meu peito fosse de despi-la novamente, eu me contive em fitá-la fazendo o extremo oposto. Quando estava completamente vestida, tomei-a nos meus braços.
— Mas o que está fazendo, Naruto-kun? – Ela me perguntou, a voz doce tomada de surpresa.
— Estou te carregando – respondi o óbvio.
Ela riu.
— Mas por que?
— Por que nós vamos procurar pelo Teme e o restante do time 7 e não quero que se canse. Você já fez demais por hoje.
Hinata ficou tão vermelha que achei que fosse desmaiar como costumava fazer.
— Naruto-kun! – Ela protestou, me dando um tapa no ombro – Olha as coisas que diz!
Beijei a pontinha de seu nariz e respondi sorrindo:
— Você me deu um novo mundo, Hinata. Quero me certificar de que estou cuidando bem disso, da gente, de você especialmente. Nunca mais vou te soltar.
Hinata suspirou apaixonada e me deu um beijo de tirar o fôlego.
Resmunguei quando ela se afastou de novo, mas como ela se acomodou no meu colo eu só pude sorrir. Carregando meu mundo nas mãos estava pronto para enfrentar qualquer coisa. Ou quase.
— DOBE – ouvi Sasuke gritar. – Eu aqui preocupado e você de pegação com a Hinata!
— Narutooooo! Que pouca vergonha é essa??? – Era Sakura fazendo coro a Sasuke.
Revirei os olhos. Sorte a nossa eles não terem chegado antes...
— Eeeee! Escute aqui os dois mal amados: Eu e Hinata nos acertamos e vamos nos casar – disse sem dúvida alguma.
Sasuke e Sakura me encararam boquiabertos, mas não eram os únicos. Hinata também me encarava em choque.
Engoli em seco. Será que ela não queria se casar comigo? Comecei a passar mal com a ideia dela me rejeitando. Afastei o pensamento negativo tão logo ele se apossou de minha mente. Mesmo que ela me dissesse não, eu iria conquistá-la até ela querer ser minha por inteira.
— Hinata, quer me dar a honra de ser minha esposa? – Perguntei, com ela nos braços.
Sem perceber apertava suas costas e coxas com mais força, tal era meu medo de ela dizer “não” e sair correndo para longe de mim.
Hinata me encarou em silêncio por instantes até que lágrimas brotaram de seus lindos olhos pérolas. Aquilo não podia ser um bom sinal.
— Hinata!! Não chore, por favor – implorei – Se não quiser se casar comigo, tudo bem. Não te obrigarei, mas não chore. Isso me machuca.
Sentia-me morto por dentro quando suas mãos delicadas tomaram meu rosto pedindo atenção.
— Naruto, isso foi o que eu sempre quis. Por toda a minha vida eu desejei estar ao seu lado. Dividir suas angústias e os bons momentos. Sempre quis ser sua e que você fosse meu. Então sim. Mil vezes sim! – Ela disse em uma explosão de riso e choro. Ela me apertou forte contra ela enquanto beijava cada centímetro do meu rosto.
Eu também chorava, de emoção, claro.
Quando percebi Sasuke e Sakura nos abraçavam, também emocionados. Eles tinham acompanhado nossa saga amorosa e nos deram apoio quando precisávamos. Estava bem, estava feliz e com as pessoas que mais amava naquele mundo. Faltava apenas alguém. Sai.
— Alguém viu Sai por aí? – Questionei.
— Não o vi desde que entrei nesse genjutsu. Estávamos seguindo você, Naruto, quando nos perdemos um do outro – Sakura disse.
— Estou aqui, pessoal! – Sai respondeu.
— Sai?! – Perguntamos Sakura e eu.
Um caminho de luz se fez até a saída do genjutsu. Seguimos por ele e ao final, encontramos Sai com o espírito de Hamura.
— Sai! Você está bem! – Sakura o saldou com um soco no braço, o qual Sai não conseguiu esconder tão bem a cara de dor.
— Finalmente vocês saíram! – Hamura enfim falou.
A voz profunda e rouca ressoou por todo o ambiente, reverberando na alma.
— Fico feliz que tenham completado a missão, Sasuke e Hinata. Reencontraram o caminho de vocês deixando toda a mágoa e passado para trás. Perceberam que o amor é o poder mais forte, o único capaz de tudo.
Olhei para Hinata, ainda no meu colo, sorrimos um para o outro.
Sasuke e Sakura se olharam, tímidos, mas deram as mãos um para o outro. Sorri de canto. Meus melhores amigos tinham se acertado.
— Naruto e Sakura, vocês foram bravos guerreiros durante suas vidas e também agora. Que o fogo que arde em vocês ilumine a todos ao seu redor.
— Hai! – Concordei, empolgado.
— E Hinata – ele chamou atenção da minha futura esposa – você ainda tem o tenseigan.
Senti o corpo de Hinata petrificar e eu também gelei.
— Co-como assim, Hamura? Naruto e eu desfizemos o selo.
— Sim. Mas a fonte de poder do tenseigan não era o selo.
— É o amor que eu carrego dentro do peito – Hinata completou.
— Sim. Você é gentil, amorosa e cuidadosa. O amor fluí em você como água da nascente de um rio. Cuida para que ele esteja sempre puro, menina Hyuuga. E o mais importante de tudo, use o poder que tem para fazer o bem. Você foi a única ninja, além de mim, que despertou o tenseigan. Tem o dever de usá-lo com prudência.
— Hai! – Hinata fez a promessa com uma simples palavra.
— E Sasuke, você também. Espero que tenha aprendido que mais importante que ter luz nos olhos é ter luz no coração.
Sasuke assentiu.
— Agora vão, crianças! Meu chackra está acabando. Preciso voltar para o reino dos mortos. Sai, cuide deles – e dizendo isto, abriu um portal para a Terra, no qual entramos rapidamente.
Do outro lado do portal, já na Terra, olhei mais uma vez para trás, a tempo de ver Hamura dar uma piscada e levantar o dedão no estilo “nice guy”. Correspondi o aceno e então o portal se fechou.
Enfim, estávamos em casa.
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