Nova “eu”

Charlotte on:

Chorei durante todo o caminho. Estava me recompondo, tive que trocar de roupa durante o percurso, pois ele demorou mais que o esperado, então teria que ir direto ao salão de beleza para as “segundas” mudanças. Essas roupas não faziam meu estilo, mas eu tinha que admitir. Estava bonita. Estava vestindo uma blusa do “Kiss”, um short vermelho, all star colorido, e apenas um batom de maquiagem. Meu primeirolook não-nerd. Mamãe conhecia um casal que moravam ali. E a filha deles iria me levar para conhecer a cidade e fazer minhas mudanças. Estamos no taxi e ele está nos levando ao shopping, a garota estará me esperando na entrada, mamãe ira direto para casa, os pais e os irmãos da garota iriam ajuda-la a arrumar o nosso novo apartamento. Eles parecem ser legais. O carro esta parando hora de viver a nova vida. Eram 16:00, tinha que estar no salão. O táxi para, mamãe me da um beijo, disse para eu me cuidar, eu desço do carro. E logo a garota vem em minha direção. Bonita. Loira. Roupa linda. Um vestido rosa salmão, com uma tira branca um pouco a cima da cintura. Sandália de salto fino, alto e bege. Deus, como ela se equilibra nisso? E várias pulseiras.

Samantha on:

Andei na direção da garota assim que a vi. Tinha certeza que ela. Até porque acho que não há nenhuma outra garota “nerd” que se vista assim. Mas fiquei horrorizada ao ver que ela estava usando quatro trancinhas. Mas fiz parecer normal. Ela estava atrasada, então apenas a comprimentei com um abraço e fui andando.

Eu: Meu nome é Samantha, como você já sabe. Mas me chame de Sam. Você é Charlotte certo?

Char: Sim, mas me chame de Char

Eu: tudo bem, meu carro está logo ali, vamos.

Chegamos ao carro. Ela estava muito tímida.

Eu: Hey char, você está muito tímida.

Char: É, desculpe, eu não costumo ser assim.

Eu: Tudo bem, é o seu primeiro dia aqui, eu entendo. Sou uma estranha para você.

Char: Eu sempre tive poucos amigos, todos se fechavam para mim, era a garota estranha. Então acho que eu me fechei um pouco com isso. Mas eu vou mudar. Vou pelo menos tentar. Hm,... o salão está muito longe?

Eu: Não, na verdade já chegamos.

Descemos do carro e eu pude ver a expressão de surpresa da Char, era realmente um lugar muito grande, e bonito. Era mais um paraíso da beleza. Ela era uma garota legal, e eu realmente queria conhece-la melhor. Mas agora é hora da beleza.

Caminhei até o balcão.

Eu: Horário marcado para Samantha Moore e Charlotte Evans.

Charlotte on:

Sentamos lado ao lado, hora da segunda etapa. Veio uma mulher para arrumar meu cabelo, uma para fazer a unha da mãe, e outra para a unha do pé, o mesmo aconteceu com Sam. E então começamos a conversar.

Lavagem do cabelo. Tira o esmalte velho. Acetona caindo entre os dedos, cocegás. Shampoo. Esfrega. Puxão de cabelo. Esfrega mais. Agua. Lixa unha. Esfrega mais. Agua. Condicionador. Esfrega. Puxão de cabelo. Esfrega mais. Tira cutícula. Tinta. Pinta o cabelo. Pego uma revista da Vogue. Folheio a revista. Esmalte rosa pink. Próxima página. Seca o cabelo. Luzes. Limpa as bordas da unha. Esmalte preto. Faz os detalhes. Próxima página. Próxima página. Escova. Limpa as bordas da unha. Piastra. Pronto.

O resultado ficou maravilhoso. Unha de oncinha preta e rosa. Cabelo castanho escuro com mechas claras. As unhas de Sam estão com efeito de jornal. Fez apenas hidratação no cabelo. Continua loira.

Estava me olhando no espelho, admirando cada mudança. Tirei meus óculos, fiquei ainda mais bonita, porém tive que quase comer o espelho para me enxergar. Meus olhos são lindos. Eram cinza. A única coisa que eu sempre admirei em mim. Qualquer um queria ter os olhos iguais aos meus.

Sam: Char, você está linda garota, agora para de se olhar no espelho que agora você tem que depilar.

Oh god, nunca havia depilado. Nunca precisei, não tinha muitos pelos, e não queria passar por essa dor. Sam deve ter percebido que eu estava assustada e falou:

Sam: Ei, calma, você não vai ser esfaqueada, é apenas uma depilação, eu te faço companhia. Vamos – nesse momento ela pegou minha mão e me arrastou até a sala de depilação.

Uma moça que pareceu amigável pediu para eu tirar minhas roupas e ficar apenas com minhas roupas intimas. Fiz isso e me deitei em um lugar que parecia mais uma ‘maca’. Ela começou a passar a cera com o roll-on na minha perna. Lá vamos nós.

Quente. Quente. Muito Quente. Cera. Papel. AI. Uma parte já foi. Ai, Ai, Ai, AAAAAAAAAAAi. Deve ter acab... AI. Ai. Ai. Depois de mais exatamente 92 ai’s em diferentes sons ela foi para a minha coxa. Doeu ainda mais. Foram 73 ai’s muito prolongados. Até que ela chegou na virilha. Deus, nunca havia sentido tanta dor na minha vida. Depois ela depilou axilas, busto, e fez a minha sobrancelha. Acabou, eu finalmente sai daquele lugar.

Entramos no carro. Estava tocando na radio Put Your Hearts Up.

Sam: Deus, eu amo essa música – ela disse enquanto aumentava o volume no máximo.

Eu: Eu também. Ariana Grande é uma diva.

E quando percebi estávamos cantando, ou melhor, gritando, e nós divertindo completamente. Foi estranho, eu me senti tão segura. Me senti da mesma maneira que me sinto com Sophie. Como se eu sempre tivesse conhecido Sam.

Sam: Isso foi legal, nunca fiz isso com ninguém. Foi divertido

Eu: Como assim nunca fez isso com ninguém? Olha só, nós vamos ter que fazer isso mais vezes garota. Você tem que cantar, tem que libertar seus males e viajar na música.

Sam: Eu sempre viajo na música, mas dançando. Cantando foi a primeira vez. – Começou a tocar Call me Maybe, ela me olhou com um olhar desafiador – Acho que vou ter a segunda vez.

Cantamos mais duas músicas depois dessa, estávamos prontas para a outra. Quando começou a tocar “Baby”, não pensei duas vezes, e mudei de rádio. Até que percebi que Sam estava olhando confusa pra mim.

Eu: desculpe, é que eu não suporto esse garoto. Se você for fã, me desculpa mais uma vez.

Sam: Não, não tem problema, eu só me assustei. Chegamos na sua nova casa. — Era um apartamento gigantesco. Senti minha boca cair no chão – Pelo visto seu carro chegou primeiro que você – ela apontou para o carro e gargalhou baixo – Vem, vamos entrar.

Sam entrou correndo no elevador, eu tentei ir rápida como ela, mas acabei esbarrando em um garoto. Ele tinha um moicano baixo, quase imperceptível. Camisa xadrez aberta e uma blusa branca por baixo. Tênis de skatista, e calça jeans escura larga. Olho azul. Cabelo castanho. Lindo.

Eu: O-oh, me desculpe.

Jeremy: A culpa foi minha, meu nome é Jeremy e o seu? Você é nova aqui?

Eu: Si... –antes mesmo de completar minha palavra sam me puxou e me levou para dentro do elevador, tive vontade de mata-la.

Eu: Ei, estava conversando

Sam: Eu sei, mas se não subirmos rápido, sua mãe vai achar que eu te sequestrei, já são quase 22:00.

Morava na cobertura. Chegamos no ultimo andar. Toquei a campainha, um garoto bonito atendeu, provavelmente o irmão de Sam. Ele ficou parado em frente a porta sem me impedindo de passar, mas acho que ele não percebeu que eu queria entrar.

Eu: Será que eu posso entrar na MINHA casa? – disse gargalhando e enfatizando o minha.

Sam: É paspalho, parece que nunca viu uma menina na vida, credo.- Ela passou pela porta empurrando ele. Depois virou e disse. — Ele é John, meu irmão, tem 17 anos. Assim como nós, porém ele é alguns meses mais velho. E ele não é mudo, só é idiota mesmo.

Eu: Muito prazer John. Sou Samantha

John: M-muito prazer. Você está linda.

Eu: Obrigada, faz bastante tempo que eu não escuto isso sem ser da minha mãe. – Nós dois rimos.

Assim que entrei no apartamento comprimentei a todos e fui conhecer minha casa, com Sam ao meu lado. Era gigante. Escritório, sala, sala de jantar, cozinha, o quarto da minha mãe era uma suíte, e tinha até uma minibiblioteca. Cheguei ao meu quarto. Era a coisa mais linda que eu já vi. Tinha uma estante onde ficava meu notebook, uma cama de casal digna de uma princesa, criado-mudo em ambos lados da cama em um havia um abajur, um bloco de notas, um pote com canetas e lápis, e o livro “Querido John” que eu estava lendo. No outro fotos minha com minha mãe e meu pai, outros dois porta-retratos com a foto minha com a família de Sô, e outro com uma foto minha e dela. E em cada parede tinha uma porta. A de entrada. A do closet. E em uma parede que havia posters de todos meus ídolos, havia uma porta que dava para uma varanda que tinha uma escada que nos levava a um salão. Um salão enorme. Com direito a banheira e uma pequena pista de dança. E até um minibar.

Sam: OUW, nós precisamos dar uma festa aqui.

Depois fomos jantar e conversamos, fiz realmente amizade com Sam, contei tudo sobre minha vida para ela, e ela contou tudo sobre a vida dela, e a vida naquela cidade. Aquela que agora era a ‘minha’ cidade, e mesmo sem conhece-la eu já me sentia parte dela. Depois que ela e sua família foram embora, conversei com minha mãe e liguei para Sô, depois de trocarmos as novidades, fui dormi. E pela primeira vez, dormi tranquila, sem medo do amanhã.

Notas finais
Gostaram da Nova Char? Comentem (: