Mudanças

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Mais um e espero que gostem! Boa leitura!

Sexta-feira foi um dia e tanto. Primeiro de tudo e mais importante, acabei deixando a Dulce em casa um pouco doente, não queria mas foi preciso. Não era bem doente, ela se queixava de uma dorzinha na barriga, dei um remédio e a deixei na casa da Ana, mas a avisei, que qualquer coisa me ligasse. Quando sai de lá a Dulce já estava como nova. Mas o coração de mãe, que era uma coisa nova pra mim, ficou apertado.

O meu bom dia, vindo do senhor Lários, também foi novidade. O mesmo me perguntou o que a Dulce tinha aprontado na escola, e como ela estava. Parecia que eu estava em um universo alternativo. O que me deixava mais confusa.

— Hum... Ela quis exterminar as formigas da escola usando um extintor de incêndio e contou com a ajuda de duas coleguinhas, que também foram suspensas devido a travessura.
— E de onde ela tirou isso?
— Como a mesma disse, da própria cabeça.
— Boa sorte com ela. Imagino quando ficar maior!
— Dei-me forças senhor.
Ri de mim mesma, e perguntei se ele estava pronto pra repassar a agenda. Ele confirmou, começamos a trabalhar.

Amanhã passou-se rápida. Sem ligações da Ana, o que queria dizer que a Dulce estava bem. Fiquei aliviada. Mas mesmo assim, liguei pra ela e confirmei que Dulce estava realmente melhor.
A melhor surpresa quem me trouxe foi o Cristovão.
— Cecilia posso entrar?
— Claro! O que houve?
— Nada com o que se preocupar, mas me ligaram do juizado de menores, na próxima segunda-feira o juiz vai dar o veredicto sobre a guarda definitiva da Dulce. Você vai precisar estar lá.
— Cê acha que eu tenho alguma coisa com que me preocupar? Fala a verdade!
Cristovão sorrio e colocou as mãos nos meus ombros.
— Eu acabei de te falar, nada com que se preocupar. Você vai sair de lá com a certidão da Dulce no seu nome. Apenas isso. Formalidades.
— Ah Cristovão!! Finalmente!
Eu o abracei! Ele era um grande amigo! Se não fosse por ele... Eu não gosto nem de pensar no que teria acontecido.
Levamos um susto quando na porta o Gustavo apareceu e com cara de poucos amigos.
— Desculpem por atrapalhar a confraternização, mas Cecilia eu preciso que você venha até a minha sala.
E saiu com uma cara muito pior. Respirei fundo, coloquei meu melhor sorriso e sai da sala junto com o Cristovão. Que olhava pro Gustavo como se estivesse vendo um alien.
Mas antes do Cristovão ir embora, ainda me disse.
— Cecilia não esquece, na segunda-feira ás nove da manhã.
— Não se preocupe, eu estarei lá! E obrigada mais uma vez!
Ele sorrio, acenou para o Gustavo e saiu.

Gustavo me olhou e falou sério.
— Posso saber o que estava acontecendo no meu escritório quando eu entrei?
— Desculpe senhor Lários mas não entendi.
— Porque você e o Cristovão estavam se abraçando? É do seu feitio abraçar os colegas de trabalho?
— Claro que é! Cristovão é um grande amigo, e mesmo que não seja do seu interesse, já que isso se classifica como assunto pessoal, vou lhe esclarecer o porque do abraço em local tão inapropriado. Na segunda-feira, o juiz finalmente vai me conceder a guarda definitiva da Dulce.
Ele não sabia o que falar. Obviamente que eu fui um pouco grosseira, mas não gostei da forma que ele falou.
— Aham. Então, você brigava com o pai dela pela a guarda total?
— Não senhor, ela é adotada. E foi o maior presente que eu recebi na vida. Mas agora, o que o senhor precisava de mim?
Dei um sorriso, estava encerrando o assunto.

Gustavo limpou a garganta, não sabia bem o que falar. Já que na hora que ele viu a Cecilia e o Cristovão se abraçando, ele estava indo apenas perguntar se Dulce gostaria de um kit de pintura.
Olhou para ela e tinha certeza que piscava como um peixe abobalhado. Ele limpou novamente a garganta e disse.
— Preciso que você remarque a reunião de hoje a tarde para um outro dia. Vou sair mais cedo.
— Sim senhor. Para quando o senhor gostaria?
— Sexta-feira da semana que vem. Mas de manhã, por favor.
Isso foi estranho, em todo o tempo que trabalhava para ele, esse foi o primeiro por favor que recebeu.
Sorrio de leve pra ele.
— Sim senhor. E na segunda-feira, eu vou chegar depois das nove, espero que não tenha problema...
— De forma alguma. Que tudo dê certo.
— Obrigada.

Cecilia estava no céu e doida pra chegar em casa e contar a novidade pra Dulce. Sabia que ela ficaria em êxtase com a noticia.

Se tinha coisa que Dulce adorava era pizza, ela sabia que já tinham comido no dia anterior, mas era uma comemoração! Precisavam celebrar!
Cecilia passou em uma pizzaria a caminho de casa, pediu a pizza favorita das duas e foi pra casa.

Dulce brincava com as meninas, estavam montando um quebra cabeça. Cecilia chamou Dulce e ela veio em pé só! Por mais que sempre pedisse pra que ela não corresse, pouco adiantava, a mesma só vinha correndo. E com aquele sorriso, que aquecia o coração de Cecilia.
Dulce se despidiu das amigas com um grito de tchau do portão, que as meninas responderam aos gritos também, mas vindo de dentro de casa.

Dulce entrou em casa e quase não acreditou que na mesa tinha pizza. Segundo melhor dia da vida, dois dias seguidos de pizza.
— Mamãe mais pizza hoje? Eu amo isso!
— Imaginei mesmo que você fosse gostar! Mas sabe o porque de mais pizza hoje?
— Porque você me ama?
Ela falou e sorriu.
— Bom, que eu te amo é bem obvio, mas não é só por isso não! Eu tenho uma notícia muito boa pra você!
— Sério?! Você vai me deixar ter um cachorrinho?
— Não amor, ainda não. É algo muito melhor!
— Então eu não sei.
Falou com um olhar confuso. Me abaixei pra que eu pudesse olhar em seus olhos.
— Meu amor, na segunda-feira, o juiz vai assinar os papeis que diz que eu sou a sua mãe.
— Mas você já é!
Falou de forma tão obvia.
— O que eu quero dizer, é que você nunca mais vai embora daqui. Nesses papeis vai estar dizendo, que eu Cecilia Santos sou sua mãe. Mãe de Dulce Maria Santos e nada nem ninguém vai poder mudar isso. Eu sei que somos mãe e filha nos nossos corações. E isso Dulce é o mais importante. Eu te amo minha menina.
— Eu te amo mamãe! Muito mais tanto que o meu coração fica feliz toda vez que te vê! Eu te amo!
Nos abraçamos. Eu chorei mais um pouco.
— Não chora mamãe! É pra gente ficar feliz!
— Ah Dulce, esse meu choro não é de tristeza, é choro de felicidade. Quando a felicidade transborda o coração, ela aparece em forma de lágrimas. Agora, que tal a gente ir comer pizza?
— Sim pi ri rim!

O jantar foi cheio de risadas, ela me disse que conseguiu fazer as atividades da escola, não gostou de ficar em casa o dia todo, mesmo na companhia da Adriana, ainda preferia ir pra escola.
— Mamãe a gente pode sair amanhã? Ir em um parque?
— Não. Você tá de castigo, e vamos ficar em casa! Quero ver suas atividades e ver se não tem mais nada pra você fazer... Nem venha tentar me enrolar dona Dulce.
— Não custava tentar, você tá tão feliz! Vai que esquece do castigo!
Deu de ombros.
— Não mesmo! Eu tô feliz mas isso não me fez esquecer o que a senhorita aprontou.
Falei piscando pra ela.
— Você tá melhor da dor na barriga?
— Sim! Não senti mais nada! Nadinha! Eu posso dormir com você essa noite?
— Graças a Deus! E sim, você pode! Vamos dormir agarradinhas!
Falei fazendo cosquinhas nela!

Gustavo gostaria de poder voltar no tempo, e refazer a sua tarde. Que papelão que tinha feito na frente da Cecilia. O que ele achava, que Cecilia e Cristovão estavam juntos? Claro que não. Ele esperava que não.
Gustavo suspirou, não podia continuar assim, comportando-se como um adelescente e inventando dramas onde não existia.

Ele já tinha decidido, se manteria longe de Cecilia, não sabia bem o que sentia por ela, não queria misturar as coisas.
Mas hoje vendo a cena que viu, foi complicado de raciocinar. Já foi saindo tirando conclusões precipitadas.

E ainda ficou surpreendido em saber que Dulce Maria era adotada. Chegou a conclusão de que por isso, Cecilia não comentou na entrevista que tinha uma filha. Na época talvez, ela não tivesse a menina. Gostaria de saber como isso aconteceu.
Balançou a cabeça, era um movimento que estava tornando-se repetitivo. Sempre que pensava em Cecilia, balançava a cabeça como um cachorrinho confuso.
Guardou os pertences, e decidiu que no final de semana trabalharia em casa. Nada tinha que o atrapalhasse por lá. E talvez tirasse um tempo pra pensar, colocar as ideias e quem sabe os sentimentos em ordem. Tudo que queria era alguém pra desabafar.
E chegando a essa conclusão, lembrou com saudades de sua prima Estefânia, desde que ela casara com o Vitor, os dois decidiram viajar pelo o mundo, até hoje era assim, sem residência fixa, apenas viajando. Ela sempre fora a confidente do primo. Eram como irmãos.
Foi pra casa e finalmente chegando, foi direto pro quarto. Tudo que queria era dormir.

Enquanto no outro canto da cidade, Gustavo tinha uma noite agitada de sono. Cecilia encontrava-se com a filha enroscada nela. Tudo estava certo.

Cecilia estava mais do que ansiosa pra que esse fim de semena acabasse. E Dulce se tornasse oficialmente sua filha, e nada pudesse separa-las.

Notas finais
Pessoas foi isso! Só pra vocês ficarem ligadinhas, estão chegando uns dramas por ai, porque se não, não teria graça! Ou seja, estamos próximas de uma nova fase! E tem surpresas também chegando... Bem mais pra frente mas tem sim! Obrigada pelo o tempo que vocês tiram pra ler! Adoro os comentários! Bjos