Mudanças
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Dulce acordou cedo, olhou ao redor e não sabia bem onde estava, isso lhe deixou tensa. Mas ao olhar de lado, viu sua mão deitada e dormindo em uma espécie de cadeira fofa. Suspirou aliviada. Estava com a suamãe, e ai lembrou da dor de estômago, que já havia passado. Queria ir para casa, seu quarto.
— Mamãe! Mamãe acorda! Eu quero ir embora!
— Cecilia deu um pulo da poltrona.
— Oi meu amor! Você tá se sentindo melhor?
— Tô sim, eu quero ir pra casa! Vamos!
Sorrio, se a filha estava com pressa de ir pra casa, era um bom sinal, estava melhor.
— Amor, nós precisamos esperar o Doutor André, vir aqui te dar alta. Calma!
Cecilia passava a mão no rosto da filha, quando a enfermeira entrou fez alguns cuidados com a Dulce e disse que ela precisava esperar o café da manhã e depois estaria liberada para ir pra casa.
Enquanto arrumava Dulce, o café chegou, Dulce torceu o nariz. Não queria comer. Mas acabou comendo para que pudesse ir embora. Agora elas só precisavam esperar o médico e poderiam ir pra casa.
Gustavo acordou cedo. Não queria perder tempo em casa. Ligou para a empresa, e avisou a Silvana que ela iria ter que cuidar de tudo sozinha hoje, pois Cecilia estava no hospital com Dulce. Avisou a Cristovão que ele fizesse as reuniões do dia sozinho, pois não iria trabalhar hoje.
O que esperava de verdade, era que Cecilia o ouvisse. Não queria ser ciumento, mas não é algo facilmente controlável, principalmente, quando o outro cara dava encima da sua namorada descaradamente. Ainda assim, sabia que tinha errado. Não deveria ter falado daquela forma. Ele tinha um carinho muito especial por Dulce.
Saiu de casa e foi para o hospital. No caminho, comprou flores e uma boneca de pano. Sabia que Dulce iria gostar.
Chegou ao hospital, foi direto para o quarto. As duas encontravam-se sentadas na cama, aparentemente arrumadas para irem embora.
— Bom dia!
Gustavo olhou ansioso para Cecilia.
— Gustavo! Olha, eles coloram uma agulha na minha mão! E o médico não chega pra me mandar pra casa!
Gustavo sorrio de alívio ao vê-la tão falante, ou melhor, uma tagarela de primeira, como ela sempre foi.
— Bom, eu acho que nós podemos esperar por ele juntos, o que você acha? E mais, assim que ele chegar, essa agulha vai sumir daí! Eu trouxe dois presentes pra você. Aqui.
Gustavo viu quando seus olhos brilharam pela flores coloridas que estava recebendo. E amou ainda mais a boneca. Dulce chamou Gustavo com os dedinhos e lhe deu um beijo na bochecha.
Cecilia olhava a tudo. Estava feliz que ele apareceu, sem avisar... Ela até achou melhor, porque se não, ele iria ficar adiando.
Gustavo a olhou, e lhe deu um beijo na bochecha. Segurou a sua mão e perguntou
se podiam conversar lá fora.
— Eu não quero brigar.
Ele começou falando.
— Gustavo, eu quero conversar com você. Mas sabemos que aqui não é o lugar. Quando nós chegarmos em casa, conversamos.
Tudo que ela falou, falou segurando sua mão, e isso, o deixou mais calmo.
— Eu trouxe isso pra você.
Eram flores, não rosas vermelhas, mas rosas brancas e lilás. Cecilia nunca tinha visto flores tão lindas. Ficou encantada.
— Mamãe! Você também ganhou flores!
— Ganhei sim!
— Eu acho que ele gosta mesmo da gente!
Ambos riram.
— Sim, eu realmente gosto de vocês! Por isso, eu vou deixar vocês em casa! E quem sabe Dulce, sua mãe não me convida pro almoço? Hum?
— Ela convida sim Gustavo! Não convida mamãe?!
Cecilia o olhou, ele amou o que viu.
— Claro que eu convido! Mas alguém vai ter que me ajudar na cozinha!
Mamãe, eu não posso! Infelizmente tô combatendo!
Cecilia e Gustavo estreitam os olhos.
— Combatendo?
Gustavo perguntou.
— É quando a gente tá doente, fica combatendo...
Cecilia sorrio, porque entendeu o que a filha queria dizer.
— Dulce, seria convalescendo, o que você quer dizer?
— Isso ai mamãe!
Eles riram. As risadas eram ouvidas do corredor. Tinham certeza que tudo ficaria bem.
André estava pronto para entrar no quarto, quando ouviu as risadas. Tinha certeza que era o mesmo homem que chegou de madrugada. Respirou fundo, e foi falar com a família.
— Bom dia família!
— Bom dia doutor! Pode tirar a agulha da minha mão! Eu tô boa e comi tudinho dessa comida pra ir embora!
André viu as flores no quarto e a boneca. O Gustavo e a Cecilia estavam de mãos dadas.
— Bom, se você comeu tudo, já pode ir embora!
— Que maravilha filha! Obrigada André!
— Não tem o que agradecer Cecilia! Foi um prazer te reencontrar, apesar das circunstâncias. Espero poder te ver em outra situação.
Dulce não estava entendendo a situação, o médico olhava abobalhado para a mãe, ela sorria estranho e o Gustavo, não parecia gostar de nada.
— Mamãe, você conhece o médico?
— Ele foi colega de faculdade da mamãe! Faz muito tempo!
— Tudo bem. Gustavo você vai com a gente pra casa neh?
Gustavo percebeu que Dulce cruzou os braços. Encarou ele sério, parecia que no final, ele não era o único a não gostar do médico.
— Eu disse que sim, inclusive depois vou ajudar a mamãe a arrumar a cozinha! Já que a senhorita esta se recuperando.
Ele olhou para o médico e perguntou se Dulce estava de alta, o mesmo disse que tudo estava bem, que ela tomasse a medicação por cinco dias em casa e vida normal. Finalmente, eles podiam ir embora.
E assim fizeram, Dulce parecia que nada tinha acontecido, saltitava indo a frente dos dois. Gustavo não podia deixar de sorrir, estava aliviado, tuo acabara bem, por mais que ele ainda fosse conversar com Cecilia, sabia que tudo daria certo.
Chegaram em casa e Dulce foi correndo pro sofá, dizendo que estava com saudade. Cecilia foi organizar o almoço com a ajuda de Gustavo, ele sabia que aquele momento não era pra conversar, mas queria estar perto.
— Mamãe posso colocar um filme?
Cecilia tinha plena certeza que Dulce dormiria durante o filme, e não queria isso. Ela comeu a bastante tempo, e tinha que almoçar. Explicou isso pra filha.
Almoço pronto, tudo servido. Eles comeram e conversaram, não que Dulce tenha percebido, mas havia um clima tenso entre a Cecilia e o Gustavo. Eles precisavam conversar. O momento estava chegando.
— Acabei! Posso ver o filme mamãe?
— Pode sim...
Cecilia olhou pra Gustavo e cochichou.
— Ela vai dormir em minutos.
E foi exatamente assim. Gustavo pegou Dulce e a levou para o quarto. Chegou o momento, finalmente poeriam conversar.
Chegando na sala, Cecilia já havia desligado a televisão, o lugar estava silencioso, Cecilia sentada no sofá o encarava. O semblante estava triste, ele a tinha entristecido, e era a única coisa que não queria. Tudo que queria, era faze-la feliz.
Gustavo suspirou. Sentou-se do seu lado e segurou sua mão. Ele adorava isso, segurar a mão dela, sentia-se completo, como da primeira vez que fez.
— Cecilia, eu preciso me explicar. Não existem palavras que possam expressar a minha tristeza com o que eu falei. Eu jamais colocaria você nesse tipo de situação. Mas naquele momento, que você falou que o médico era seu ex namorado... Eu simplesmente não lido com ciumes a muitos anos. Havia esquecido o quão cego pode nos deixar. Eu sinto muito de verdade.
Cecilia respirou fundo, sabia que tinha que falar, não podia e nem deveria guardar mágoas, pois isso acabava com qualquer relacionamento, e ela não queria isso pro seu.
— Gustavo, eu vou te falar isso, e espero não precisar ficar repetindo, te afirmando e provando o que eu sinto por você. O André é meu passado, foi a anos. E você, minha nossa, você é o meu presente e eu juro por Deus, que eu espero que seja meu futuro também. Mas saiba, que apesar do que eu sinto por você, a Dulce sempre vai ser minha prioridade. Ou seja, para protegê-la eu faço o que for preciso. Não me importa de quem seja o ex, se ele significa a melhora da saúde da minha filha. Você não faz ideia do quanto eu fiquei magoada com o que você me disse.
Gustavo sentia-se envergonhado. Ele sabia que Cecilia tinha razão. Ela nem tentou esconder dele, quem era o médico, foi direto ao assunto.
— Eu peço que você me perdoe. Eu me sinto envergonhado pelo o que falei. Eu jamais deveria ter te colocado nessa situação. E eu sei, que Dulce sempre vai ser sua prioridade. E é assim que deve ser. Me perdoa Cecilia!
— Eu te perdoou sim. Mas confia em mim, você não precisa se preocupar com homem algum.
— Eu confio em você, neles que não. Você ouviu o que o André falou lá no hospital... Eu não tenho sangue de barata!
Cecilia segurou o rosto de Gustavo, e sorrio. Ela nunca fora o tipo de mulher que romantiza o ciume. E nem faria agora. Cecilia o beijou, foi um beijo sem pressa. Ela queria através daquele beijo, fazer com que ele sentisse o que ela sentia. Lhe passar segurança. Ela estava com ele, era dele.
Se separaram.
— O que você estava falando?
Gustavo a perguntou com cara de bobo.
— Eu entendo o seu lado. Eu também não tenho sangue de barata, fique sabendo disso. Mas você confia em mim?
— Claro.
— Isso basta. Você confia em mim, e eu em você. Isso é a base mais sólida que o nosso relacionamento poderia ter. Eu jamais te magoaria dessa forma, te traindo. Nunca!
— Eu sei Cecilia. Nem eu.
Cecilia sorrio para Gustavo. Ela sabia que o assunto André não seria superado por causa dessa conversa. Mas sabia, tinha absoluta certeza, que Gustavo nunca mais faria questão dele atender Dulce, se isso por um acaso voltasse a ser necessário.
Ele sorrio pra ela, queria esquecer desse desentendimento. Tudo estava bem, Dulce estava bem, eles estavam bem.
Voltou a beija-la. Não um beijo lento e delicado, como o anterior, que era uma afirmação do que sentiam um pelo outro. Esse pelo o contrário, estava carregado de desejo.
Ele queria testar limites, saber ate onde poderia ir.
Continuou a beija-la, ela gemia em sua boca e ele adorava aquilo. Adorava ouvi-la, a sentou no seu colo, segurou sua cintura, a apertou e a trouxe para mais perto dele, não era o suficiente. O vestido que ela usava, na altura do joelho, já havia subido um pouco mais. Gustavo estava com as mãos em suas coxas.
Cecilia o beijava ávidamente, passou os braços por seu pescoço e passava as mãos por seus cabelos. Lá no funo ela sabia que deveria parar, ficar em uma posição digamos, mais segura. Mas estava tão bom.
Gustavo de repente parou de beija-la, era a voz de Dulce, chamando pela mãe do quarto. Cecilia deu um salto, se recompôs da melhor maneira possível, e foi ver sua menina.
— Posso saber o motivo do desespero?
Cheguei ao quarto de Dulce enquanto amarrava o cabelo.
— Eu não te vi. Ai me desesperei!
— Eu estava na sala com o Gustavo! Porque nós não vamos pra lá!
— Sim pi ri rim!
Dulce levantou e correu na frente da mãe, a distância era curta de seu quarto para a sala, mas ela queria chegar rápido. Chegando lá, jogou-se no colo de Gustavo e sorrio. Ele sorrio de volta, ela aproveitou e lhe contou que ficou no desespero, porque não viu a mãe. Ele também lhe disse que eles estavam na sala.
Dulce decidiu que queria sair, mas a mãe lhe disse que não. Ela estava se recuperando de uma infecção não seria bom comer fora.
Mas ela também explicou a mãe, que estava entediada. Que precisava fazer alguma coisa.
Gustavo teve uma grande ideia, achava que Cecilia talvez não fosse gostar, mas a Dulce não precisava ficar no tédio o dia todo.
— Dulce o que você me diz, de nós fazermos um acampamento aqui na sala?
— Com barraca?! Mamãe a gente tem uma barraca?
Cecilia estreitou os olhos para Gustavo, que sorrio.
— Não amor não temos!
— Sem problemas Dulce, a gente pode usar lençóis!
Cecilia só disse uma frase a Gustavo antes de ir buscar os lençóis.
— Você vai arrumar tudo depois!
A tarde foi maravilhosa, acabou que os três se espremerem na “barraca” que o Gustavo construiu com o auxilio da Dulce. Ela que inclusive, mostrou que já estava praticamente lendo, o que encheu os dois de orgulho. Dulce jantou na barraca, fez com que a mãe também comece ali junto com o Gustavo. Tomou banho mas voltou para a barraca. Era sempre divertido os três juntos.
Dulce dormiu, Gustavo mais uma vez a pegou no colo e a levou para o quarto. Quando voltou para a sala, Cecilia já organizava os lençóis, não teriam muito trabalho. Eles dobraram tudo, guardaram e Cecilia o levou até a porta. Se despediram com um beijo na porta.
Naquela noite os três dormiram em paz, cada qual em sonhos felizes que almejavam um futuro prospero. Os três juntos, como uma família.
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