Mudanças
7 Destino
Já passaram quatro semanas que Aziel se foi, ainda estou morando na casa do Bobby mas arrumei uma vaga temporária de garçonete em um bar aqui perto e foi bom para mim já que ocupo meu tempo e conheço pessoas novas. Fiz algumas amizades, com a Jo, por exemplo, ela é da minha idade e ajuda sua mãe no bar, converso bastante com ela nas horas vagas e até já saímos juntas algumas vezes.
Eu sei que meu lugar não é aqui, tenho que voltar a estudar, recuperar os últimos meses de aula que perdi e prestar o vestibular. Sinto falta dos meus professores, dos meus colegas, das minhas amizades, já até tentei ligar pra Lali umas mil vezes mas ela mudou seu número... Vai ser uma surpresa quando eu voltar, se eu voltar, todos acham que estou morta mas a verdade é que estou morando com três homens loucos que salvam as pessoas matando monstros e estou trabalhando em um bar onde os clientes fazem parte desse grupo de homens loucos, que situação hilaria.
- Katie, voltamos... E tenho uma noticia, não tão boa assim, pra dar pra você. – Sam falou, enquanto sentava ao meu lado em uma escadinha de madeira.
- Oi Sammy, que novidade, mais noticias ruins na minha vida, sabia que já enjoei? – respondi, mostrando um sorriso irônico no rosto.
- A situação é séria Katie... Lembra daquela xerife, amiga do Bobby? Ela nos ajudou a investigar sobre sua tia Judith e descobriu que ela também foi morta, duas semanas depois de Aziel ter invadido sua casa. – Sam exclamou, olhando fixamente ao meu rosto, esperando lágrimas rolarem pra ele me dar um abraço e falar que vai ficar tudo bem. É sempre assim, mas dessa vez não foi.
- Eu já sabia que ela estava morta Sam, Aziel matou toda a minha família, isso já era esperado. Basta eu me acostumar com o futuro de merda que irei ter. – falei, sem tirar os meus olhos dos seus.
- Futuro de merda? Você tem o dinheiro e a casa que sua família deixou, vai fazer a faculdade de biologia que tanto quis, ocupar o tempo com algum trabalho e com suas amizades... Não vejo um problema nisso, apenas vai se tornar mais independente e ter que aprender a viver sem seus parentes. Ninguém falou que será facil mas você já superou tanta coisa, pode passar por isso e, sempre terá a gente pra te ajudar caso necessário. – falou Sam enquanto passava seus dedos leves em meu cabelo.
- Tudo esta perfeitamente bem Sam, tirando o fato de que não é isso que eu quero! Nada vai ser o mesmo e não, eu não vou conseguir me adaptar a isso! Eu tento me enganar mas a verdade é que não é isso que eu preciso, eu não preciso e nem quero viver numa vidinha assim, prefiro estar ao lado de vocês, seguir esse rumo que você e Dean seguiram! O que me interessa é fazer pela minha família o que eu não tive oportunidade de fazer antes, acabar com essas criaturas que machucam as pessoas e que saem por a... – fui interrompida pelo Sam, levantando e gritando.
- Não Kat, você não pode virar uma caçadora! Esqueça isso, porque depois que você entra nessa furada, não pode mais sair e vai ter que dedicar sua vida por essa merda! Você acha Katie que é um sonho ter que invadir cemitérios de noite para queimar ossos? Hein? Você acha que é legal ter mil identidades falsas e sair por ai enganando as pessoas e arriscando a vida todos os dias? Acha que é divertido todas as barbaridades que fazemos? Isso não é brincadeira. – berrou Sam, e parou de falar quando perdeu a voz.
- Sam, o que você fala não vai fazer eu mudar de ideia, não foi você mesmo que me contou como se sentiu quando cresceu sem uma mãe e descobriu que ela foi queimada no teto por uma força sobrenatural? Você entende a sede de vingança e sabe o quão importante se torna salvar as outras pessoas, pra não vê-las passarem pela mesma coisa que sua família teve que passar... Eu já descobri muitas coisas pelos livros do Bobby, conversando com alguns caçadores do bar, treinando exorcismos... Posso ajudar vocês se continuar aqui, vou vender o sobrado que tenho em Dakota, comprar uma casa e trazer minha mudança para cá. Só peço que me compreenda.
- Katie está certa Sammy – Dean se intrometeu — já tive essa conversa com ela, é essencial que ela aprenda a ser independente e esse é o melhor jeito, deixa ela tomar suas próprias decisoes, parte disso é culpa nossa de ter a prendido conosco por esse tempo e a envolvido tanto no assunto... Apenas ajudaremos no que pudermos. – ele falava baixo, olhando seriamente para Sam.
- Ok, ok, você acabou de me falar que o certo a ser feito é deixar a garota que tem tudo pra se dar bem na vida, caçar com a gente e viver toda a sua juventude na estrada, sem construir uma família, sem ter um trabalho decente e nem ao menos possuir uma casa! Tudo bem, se é o que desejam, então façam mas saibam que eu nunca concordei com isso, e nem vou concordar! – reclamou Sam, virando as costas e entrando na casa.
— Obrigado Dean. – agradeci me levantando e dando um beijo em seu rosto.
- Katie, nunca tive tempo de pedir desculpas por aquele dia que falei sobre você e Sam, eu não sei o que aconteceu entre vocês dois e achava que era errado pelo fato de ele ser um caçador e você uma simples menina, mas qual é o problema disso, não é? – Dean falava calmamente comigo, sem deixar transparecer qualquer sentimento em seu rosto. – E como ficara a situação entre vocês dois?
- Te entendo Dean, não precisa se desculpar. – sorri e continuei – Entre eu e Sammy? Sinceramente eu não sei, acho que talvez fiquemos juntos mas agora somos apenas amigos que se gostam e não quero ser mais um problema na vida dele...
- Então acho que deveriam conversar melhor pra tentar tomar alguma decisão. Hoje irei com Bobby investigar uma cidade que parece que foi ocupada por vampiros, Sam preferiu ficar então acho que é uma boa hora pra vocês se entenderem.
- Dean, tenho uma pergunta pra você. – falei depois de um tempo de silencio.
- Diga. – Dean se virou novamente para mim com olhar impaciente.
- Você fumou alguma coisa? Porque está tão calmo e meigo hoje. – disse, dando uma pequena gargalhada.
- Me poupe Katie. – ele respondeu, mostrando um sorriso largo em seus lábios.
Os lábios de Dean são tão bonitos, seu sorriso também é lindo como o de Sam, acho difícil existirem rapazes tão atraentes assim, mas existem, e ao meu lado. Não que eu esteja interessada nos dois, é diferente o que sinto por cada um e Dean eu considero como um irmão, mesmo que tenha sido tão pouco tempo de convivência... Me sinto protegida ao lado deles, e pretendo ter passado uma boa impressão nesses meses que estivemos juntos.
- Ei, se tiverem com fome podem pegar os pães com geleia na geladeira. – Bobby nos avisou, enquanto rodava a chave em seu carro.
- Onde você vai Bobby? – Dean se dirigiu a ele. – Não iriamos caçar aqueles vampiros?
- Nós vamos, só vou fazer uma visita rápida para a xerife.
- Aconteceu alguma coisa?!
- Não Dean, apenas para passar o tempo. – falou Bobby e ligou o carro.
- Ma... – Dean tentou falar enquanto Bobby saia mas eu o interrompi.
- Dean, não entendeu que esta rolando alguma coisa entre os dois? Apenas deixe-os viver ué! – exclamei, virando as costas.
Me deparei com Sam deitado no sofá com um livro na mão. Ultimamente ele fazia qualquer coisa mas nunca conversava comigo decentemente, não sei o que está havendo mas depois daquela noite que tivemos, ele nunca mais foi o mesmo e parece que apenas me evita. Vou tentar hoje, como muitas outras vezes que tentei, ter uma boa conversa com ele pois não quero que continue assim.
- Qual é o problema Sam? – falei, ainda de pé ao seu lado com os braços cruzados, olhando seriamente para ele.
- O que? Que problema? – ele tirou seus olhos do livro e agora estava, como eu, falando seriamente.
- Como assim ‘que problema?’ Sam? Você tem me ignorado todo o tempo, sempre quando eu quero conversar, você fala que esta ocupado ou acaba, de alguma outra maneira, mudando de assunto.
- Tudo isso é impressão sua Katie, eu não tenho motivos para te evitar.
- É, eu também acho que não tem, então pare com essa merda! – aumentei meu tom de voz.
- Ok, eu acho que é hora de eu sair daqui também, vou atrás de Bobby. – Dean falou enquanto saia mas não recebeu atenção do Sam, e nem minha.
Agora estou sozinha com Sam. É uma oportunidade de desabafarmos e falarmos sobre nós dois, consertarmos as coisas.
- Sam, ok, você não quer conversar comigo e isso eu já entendi mas me responda apenas uma coisa. – dei uma pausa – O que você sente por mim? De verdade. Porque não quero me iludir com os olhares que as vezes você me dá de longe, com os cafunes, com o ciúme tolo que demonstra... Não vou ficar chateada se isso for um sentimento de amigo apenas, se aquele dia que transamos não significou absolutamente nada para você... Apenas diga a verdade.
- Você quer a verdade Kat? – respondeu Sam depois de um tempo — A verdade é que eu estou obcecado por você, mas tenho medo de permitir esse amor, tenho medo de depois fazer você sofrer, tenho medo de eu mesmo sofrer por você, tenho medo das coisas que o futuro vai trazer, e não, eu não quero me magoar novamente como aconteceu quando perdi a Jess.
- Pois eu não tenho medo, eu enfrento qualquer coisa ao seu lado porque até agora foi você quem me motivou a tudo, quem me passou confiança, quem me entendeu, é a minha vez de retribuir. Apenas aja pelo coração, pelo menos mais uma vez na vida.
Não precisou eu terminar de falar, Sammy me puxou para o sofá, segurou forte minha nuca e me deu um beijo. Eu estava esquecendo o quanto aqueles lábios eram deliciosos e quentes. Me entreguei completamente e quando percebi, já estava com o corpo arrepiado e com o coração batendo forte.
- Leve-me ao quarto Sam. – sussurrei enquanto ele beijava e dava pequenas mordidas em minha orelha e passava suas mãos em minhas coxas.
Sam não deu atenção, me colocou deitada embaixo dele e começou a desabotoar minha camisa.
- Ei Sam! Eu sei o que você quer, eu também quero, mas vamos para o quarto, o Dean pode chegar logo, ele não pode me ver com os peitos a amostra! – falei alto, pegando minha camisa e subindo as escadas velhas da casa de Bobby.
- Katie, eu quero... – Sam tentou falar quando estavamos acomodados no quarto mas eu já estava tirando sua calça – fazer um pedido para você.
- Você pode esperar pra dizer mas é impossível eu esperar mais para fazer isso! – falei, passando meus dedos lentamente por toda sua parte íntima e sentindo Sam ficar mais excitado.
- Já que você insiste. – disse Sam, pegando uma camisinha de sua mochila e me jogando brutalmente na cama.
Eu não esperava um Sam ‘selvagem’ mas admito que adoro o jeito que ele me segurou e chupou meu corpo. É como se eu fosse uma pena na mão dele, ele tomou completamente posse de mim mas eu não ligo, fico louca com esse sensação que sei que só Sam pode me dar.
- 2h depois -
Olhando para Sam agora, deitado na cama nu e exausto, não consigo me lembrar dos detalhes, apenas de ter ouvido seus gemidos altos e de como nos sentimos felizes um com o outro. Tenho que ajeitar o quarto e me certificar de que Bobby e Dean estão em casa e ouviram algum barulho.
- Katie? – chamou Sam, enquanto eu dobrava alguns lençóis.
- Sim? – respondi, dirigindo meu olhar a ele e me sentando entre seus braços novamente.
- Lembra que eu tinha um pedido a você?
- Sim, claro, pode falar.
- Isso pode parecer patético e nada romântico mas eu sei que já deveria ter pedido a tempo...
- Fala logo Sam.
- Você aceita ser minha namorada?
Não tive o trabalho de falar alguma coisa, apenas dei mais um beijo ardente em Sam, acho que com aquilo ele já poderia saber a resposta. É obvio que eu quero namorar com ele, não vejo motivos para não fazer isso.
Ele apenas me abraçou, sorriu para mim e se levantou para vestir as roupas.
Mais tarde, quando Bobby e Dean estavam em casa, avisamos sobre nosso namoro e marcamos viagem para Dakota. Amanhã irei me despedir definitivamente de alguns amigos e começar trazer minhas mudanças para cá. Bobby me disse que também esta disposto a ajudar no que eu precisar para se tornar uma caçadora de verdade e fico feliz que tudo esteja dando certo.
Talvez seja por isso que eu nunca compreendia minha vida e sempre achei tudo uma merda, porque a verdade é que eu sempre deveria estar aqui onde estou agora, e o meu ramo é esse: me juntar aos dois irmãos, caçar diversas criaturas, salvar quantas pessoas eu puder, e o mais importante, fazer isso com vontade e com um sorriso no rosto.
Notas finais
Caso não saibam, aqui está o meu twitter: @heyjarpad
Beijos!
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