Mudanças
5 Realidade
..Sério? Depois de tudo que ele tinha me feito, ele tava na droga da minha porta? Eu só queria sumir daquele lugar, pegar minha gata e ir pro lugar pra longe possível pra chorar, ser teleportada pra cidade mais próxima como num jogo de RPG. Mas não dava. Depois de um 15 segundos boquiaberta, sem ter dito uma palavra ou feito um gesto, eis que ele diz:
– Mary! Quanto tempo hein.
"Quanto tempo? Como assim quanto tempo, claro que faz tempo e o que diabos você ta fazendo aqui" Eu queria ter dito isso mas só consegui falar:
– O..o..oi, ah o que você.. faz aqui?
– Como o que faço aqui, vim te ver, é claro, minha boneca;
“Minha boneca” Quem ele acha que é pra me chamar disso, quem.. quem ele acha que é.. pra me magoar e agir como se não tivesse feito..nada? Queria dar um soco na cara dele e sair correndo pro meu quarto, me enfiar nas cobertas e gritar o máximo que eu pudesse.
– Não vai me convidar pra entrar? – Ele disse
– Ah.. Claro, entre.. – Eu disse
– Opa, não sabia que você tava acompanhada, prazer, sou o Charlie. – Ele disse olhando para o Tay.
– Taylor, Taylor Estronfar, sou amigo da Ma e você, quem é? – Perguntou o Tay
– A Mary nunca falou de mim? Sou o namorado dela. – Charlie disse
– Ex-namorado. – Eu disse, eu tive que dizer, quem ele acha que é pra falar que me namora?
O clima estava horrível naquele cômodo, Kat tinha acabado de acordar e passou ronronando pelas pernas de todo mundo, era a única coisa que parecia se mover em meio a nós.
– Ma, onde fica o banheiro? – Charlie me perguntou
– Ah.. No segundo andar, última porta a esquerda.. – Falei meio confusa ainda.
Quando ele subiu, eu podia ter aproveitado pra fugir, seria uma escolha bem certeira se o Taylor não tivesse ali. Eu gostaria de explicar pra ele tudo o que aconteceu mas não sabia como falar, não verdade nem eu sabia o que estava acontecendo ali, nem como ele descobriu onde eu tava morando.
– Olha Tay..
– Não precisa falar nada Mary.. – Taylor disse – Ta tudo bem. Sério, eu entendo. – E me beijou
"O que você entende? Se nem eu mesma consigo entender isso? E porque você me beijou, oi? Será que alguém pode me explicar onde clica pra voltar pra realidade?" Eu pensava repetidas vezes com a minha cabeça, quando Tay se afastou pra pegar algo na geladeira e o Charlie desceu.
– Bom Mary, eu tava passando aqui na rua e resolvi dar um “oi”, já estou de saída, vou ficar um tempo na cidade então pode deixar que volto pra te visitar ei. – Ele disse rindo, saindo pela porta.
– Não precisa se esforçar tanto.. – Disse baixo pra mim mesma quando fui trancar a porta.
Dei um pouco de leite para a Kat e fui sentar na sala, Tay me acompanhou, sentou ao meu lado, passou a mão pelo meu pescoço deixando-a no meu ombro e então disse:
– E então, vai me contar ou não?
– Não sei.. Não sei se você suporta ouvir isso, nem se eu suporto contar sem chorar. – Disse cabisbaixa
– Ei, ta tudo bem, eu to aqui então não precisa se preocupar.
Ele falava como se fosse a coisa mais fácil do mundo, relembrar o passado, cada abraço, beijo, palavra, cada detalhe que por mais pequeno que tenha sido, deixou uma marca enorme no meu coração. Será que eu suportaria contar isso? Não importa, uma hora ou outra ele ia saber.
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