Mudanças

10 Toda ação gera uma reação, portanto vamos a ação


Notas iniciais
Yoo mina!! *Desvia de um sapato* Eu sei que está super, hiper, mega atrasado, mas tá muito bom.
Me pediram para fazer um mega post, pois bem eu fiz.
Apreciem sem moderação...

Vovó Tsunade está louca! De onde já se viu querer obrigar a Hina-chan a se casar. Ainda mais comigo.

Não que eu seja um mal partido, datebayo! Mas é tão errado obrigar as pessoas a fazerem as coisas. Urg! Tô me sentindo um tapado inútil. Gosto muito da Hinata, mas não sei do que eu gosto nela. Depois dela quase se matar por mim na luta contra o Pain fiquei muito assustado, por que por mais que eu viva falando que amava a Sakura-chan era um amor de criança, de irmão. Eu sempre estive tão concentrado em resgatar o Teme e ficar forte para proteger a vila e meus amigos me tornando Hokage que nunca parei para pensar nesse tipo de coisa. Tanto que só perdi minha virgindade depois da guerra, quando meus amigos mais próximos me levaram para um bar de Striper. Naquela noite eu nem me lembrei das minhas duvidas, só entendi o que o velho Ero-Sanin dizia quanto a sexo, era muito bom e revigorante. E por muitas vezes freqüentei esse tipo de lugar em busca de alivio para as tensões da dia-a-dia. Normalmente para esquecer meus pensamentos voltados para ela. Mas agora parece que não tenho muitas saídas, a não ser sentar e pensar até encontrar uma solução. Sinto falta dos meus pais agora, preciso de um conselho ou opinião de alguém que já passou por isso. Ou talvez eu quisesse ser como o Sasuke, ele conseguiu entender seus sentimentos pela Sakura-chan. Acho que eu sou meio burrinho mesmo.

Nem beber dessa vez eu não consegui, meus pensamentos se dispersavam a todo o momento.

Ela estava tão mudada, nem parecia àquela garotinha doce de sempre. Sinto falta do rubor na face dela, até mesmo de ver ela gaguejar quando falava comigo. Mas essa nova versão dela é tão perfeita, é difícil escolher uma maravilhosa ou uma perfeita. Acho que nesse ponto puxei ao meu pai, gosto de uma mulher forte e controladora!

Vi Ino falar um monte de coisas, mas tudo parecia sem sentido, às palavras se embaralhavam. Ate o momento que eu ouvi que a Hina tem um caso ou namoro com o estranho do Shino. Minha vontade era a de arrebentar a cara dele, não deixar nem farelo! E o pior foi ela ficar sentida com o fim daquele namoro!

Cadê o amor que ela dizia sentir por mim?! Era assim tão frágil a ponto de já ter sumido? Ta que eu demorei para decidir o que eu sinto e que não falei nada para ela depois daquela declaração, mas ela me esqueceu muito rápido! Será que estou sendo egoísta? Por que é estranho isso, nunca senti nada dessa magnitude, nesse momento a vila podia ir para o espaço contando com que a Hina estivesse bem.

Putz! Eu amo a Hina! Idiota, idiota, idiota! Como você não notou isso antes? Tenho de reconquistar o amor dela. Preciso dela, e vou conseguir dattebayo!!!

Fiz aquela tão conhecida expressão de determinação, batendo com o punho fechado na mão aberta. Era isso, tenho de ter ela ao meu lado para sempre.

Mas por hora é melhor ir para casa descansar, amanhã será um longo dia para todos.

Perai! Mas o que eu vou fazer amanhã mesmo? Ninguém me disse o que eu tenho de fazer, dattebayo!

O Sasuke-Teme vai chamar a Sakura-chan para sair, o Neji vai beijar a Tenten na frente do Kiba, o Gaara vai mandar uma carta para a Ino e o Shika vai o que mesmo? Acho que eles beberam muito sakê, inclusive as meninas. Como elas me esqueceram?!

Fiz um bico infantil e uma carinha triste. Que coisa, esquecer o Shika tudo bem, mas eu? Logo eu? O futuro hokage de Konoha!

Agora já está tarde, todos devem estar dormindo. O que eu faço?

Levantei meus olhos para o céu, a noite estava perfeita tão estrelada. Queria estar com a Hina nesse momento, ver aqueles olhos dela refletindo as estrelas. Perto dos olhos claros as estrelas eram meros pontos sem importância. Na verdade tudo se torna menos importante diante daquela olhar doce e cheio de significado.

Fiquei meditando por alguns minutos sobre o que fazer, ou melhor, pensando na perfeição dela.

Só me resta ir a casa dela amanhã, assim nós conversamos melhor e as pessoas do clã dela nos vêem juntos. Plano perfeito, dattebayo!

Voltei a caminhar lentamente, na verdade não tinha tanto sono assim. Fazia tempo que não ia em missões, com a desculpa daqueles velhos do conselho de que eu sou forte demais para ir em missões fracas e que sou mais útil na vila para protegê-la, então não estava nem um pouco cansado. Só treinava e isso não gasta muito chakra. Na verdade essa calmaria toda já ta me enchendo. Não que eu goste da guerra, muito menos da dor presente nas batalhas. Mas é tudo mais emocionante.

Já estava chegando ao meu prédio, já podia ver a janela do meu apartamento, aberta como sempre. Sei lá não acho que tenha a necessidade de trancar tudo. O que é mais importante para mim, não são objetos, nada material. São meus amigos, os laços e sentimentos e por esses eu luto com toda a minha força.

Não estava com a menor vontade de subir pelas escadas, então concentrei chakra e subi andando. Ser ninja era tão mais pratico!

Cheguei ao meu apartamento rapidamente e fui direto para o banheiro, um bom banho quente para relaxar. Joguei minhas roupas pelo corredor mesmo, acho que tenho de mudar esse jeito bagunceiro depois do casamento. Nossa, mano, véio vou estar casado em alguns meses. Nem dá para acreditar em uma coisa dessas. O mundo está girando rápido demais.

Deixei a água quente, quase fervendo, escorrer pelo meu corpo, assim relaxando todos os músculos que ficaram tensos com a minha mais nova percepção de futuro. Abaixei meu rosto e o escorei na parede oposta ao Box de vidro, fechei meus olhos e fiquei ali, sentindo a água cair sobre minhas costas largas. Na verdade não havia preocupações, embora idéias como minha futura casa, alimentação (algo me diz que eu não vou mais sobreviver à base de Ramén, nem comer na hora que me dá na telha), até mesmo minhas roupas correm perigo no futuro ainda quicassem, de vez em quando na minha cabeça, esses problemas superficiais não eram nem de longe tão perturbador quanto à possibilidade de estar perto dela e ao mesmo tempo estar longe. Sabe perto em corpo, mas longe em pensamentos. É verdade que eu demorei muito para perceber meus sentimentos por ela, mas esse sentimento não pode ter morrido assim. Ela, praticamente, se matou por mim, tenho certeza de que esse amor era e ainda é real. Abri meus olhos rapidamente, eu estava certo, dattebayo! Esse sentimento ainda vive, ela só deve estar confusa.

E depois vou transformar a cara do Shino em pedaços bem pequenos, do tamanho daqueles insetos dele. Eu sou tão bonzinho quanto meu pai, mas às vezes me baixa o espírito da mamãe e ai sai de baixo.

Sai do Box, com água escorrendo pelo meu corpo, mas eu não ligava muito para esse tipo de coisa, se molhasse um dia secava, se sujasse bom ai só paciência. Sou a desorganização em pessoa, diferente do Teme que organizava até as cuecas por cor, e nem uma devia ficar fora do lugar se não ele pira. Agora deve bater aquela duvidazinha: como eu sei disso? Simples, e nada safado, eu tinha ido a casa dele para irmos a uma missão, logo após a guerra com a intenção de capturar uns clones brancos daquele Zetsu estranho, ai ele estava tomando banho e gritou para eu entrar, então eu entrei só que ele tinha esquecido a cueca boxer e me pediu para pegar para ele. E, claro, eu fui, como bom amigo que sou, mas como não queria pegar com a mão, jamais colocaria minha mão na cueca de marmanjo, ai eu peguei ela com uma ponta de lençol. Nossa que historia gigante só para falar das cuecas do Teme!

Andei pela casa peladão mesmo, outra coisa que eu acho que terei de mudar depois do casamento. O problema é que eu morei minha vida inteira sozinho e agora parece meio impossível dividir tudo com uma pessoa, mesmo que esta seja a Hina. Não ‘tô com a menor vontade de me vestir, apesar de fazer bastante frio à noite na vila. Mas também não queria me levantar e fechar a janela, ‘tô com uma preguiça...

Jogado na cama, da forma que eu estava de bruços e todo largadão, parecia que eu tinha morrido e desabado bem ali. Não que eu me importasse, dificilmente alguém vem aqui, e muito menos entra sem minha permissão, então eu posso fazer o que eu quiser, até andar vestido de mulher. Não que eu tenha pensado, ou vontade, de fazer algo assim, dattebayo!!!

Meus olhos foram ficando mais pesados e tudo aminha volta começou a escurecer, era o sono tomando conta da minha consciência. Deixei meus olhos se fecharem e novas imagens passarem por eles, mas agora eram pensamentos e lembranças, todas misturadas em uma bela colação. Ali eu podia ver meus pais e parte da vida que eu teria tido se eles tivessem sobrevivido, de quando era pequeno com o Teme e a Sakura-chan, os outros times, e agora a imagem de uma pessoa que não se destacava tanto era a imagem central de tudo. Como se eu precisasse dela, o simples fato dela respirar me dá a vida. Era meu sonho de todas as noites, desde que eu me conhecia por gente. Foi mudando com o tempo, é claro, sempre adicionando pessoas à medida que eu as conhecia. Era a mesma coisa todas as noites. E para mim estava perfeito dessa forma.

Acho que foi por causa desse, tão conhecido, sonho que me empenhei tanto em trazer o Sasuke de volta. Quando ele se foi levou uma parte de mim com ele e essa parte ia aumentando a cada segundo, as noites quando esperava, ansioso, pelo meu sonho não era só ele que faltava, todos estavam indo embora com o tempo. Era tudo muito simples, quando alguém começava a fazer parte da minha “colagem” era para sempre e quando ia embora levava tudo junto. Minha “cola” era muito forte, dattebayo!

Eu jamais desistiria de qualquer parte que seja. E agora eu tinha uma nova luta no meu caminho: ter o amor da Hina de volta. Custe o que custar.

Mas agora era a hora do meu refugio, o lugar em que eu tinha tudo e fui feliz. No mundo dos meus sonhos.

Putz! Algo me diz que eu não quero levantar. Na verdade todo dia algo me diz para não levantar. No começo eu achava que era alguma entidade muito sabia, por que afinal alguém te falar para não levantar da cama é muito esperto, dattebayo!

Agora eu já não tenho tanta certeza, ainda acredito, mas o Teme vive dizendo que eu sou burro e infantil. Não acredito nele, mas me deixou na duvida néh? Todo mundo tem algumas duvidas, de vez em quando.

Não tem jeito, eu tenho de levantar. Mas pensa pelo lado bom: hoje eu vou visitar a Hina-chan e por meu plano, que eu ainda não pensei, em pratica. Na hora eu improviso. Ou tento.

Vou levantar, sim tenham fé de que eu vou. Um dia, eu prometo.

Ta bom, o espírito do mal e burro venceu, eu vou levantar.

Levantei devagarzinho, bem lentamente. Nessas horas é perigoso distender algum músculo. Não sei onde foi que eu ouvi isso. O que será que tem para o café-da-manhã? Vou perguntar.

O que tem de café-da-manhã, Naruto?

Eu não sei Naruto. O que você quer comer?

Também não sei, vamos a cozinha ver o que tem lá.

Certo, mas nos vamos sem roupa?

Oh! É verdade. Vou me vestir. Me espere por um momento.

Tudo bem. Mas tenho de falar algo.

E o que seria?

Não gosto da forma egocêntrica como você se refere a nos dois.

Não entendi.

Você se refere sempre como “eu” sendo que o certo seria “nos”

Fala serio, nunca fui bom em português.

Esse é o seu problema. Estou indo embora!

Não, espera. Foi mal...

É ele foi embora, ou melhor, eu fui embora. Meu Kami-Sama eu estava falando comigo mesmo. É a treva! É muito tenso! Very tenso! O que dá em uma pessoa para ficar peladão na cama falando com ele próprio? Acho que o frio me afetou. Que medo. Que muito medo.

Agora é serio, eu levantei e fui ao meu guarda-roupa velho, num ‘tô a fim de me produzir muito hoje. Por isso peguei uma camiseta preta com o símbolo do país do redemoinho, o país da minha mãe, em vermelho, minhas tão conhecidas e belas calças laranja e meu casaco de moletom, também laranja para quem não conhece. Já estava quase acabando de me vestir quando me lembrei de algo. Esqueci da cueca. Não foi burrice, só erro de gravação! E lá vai eu de novo tirar minha calça para por a cueca e vestir a calça de novo. Isso foi gasto de energia desnecessário. Agora vamos ver... sim, tomar café-da-manhã.

Sai do quarto com passos rápidos, para comer eu ando em velocidade máxima, tudo pelo meu precioso ramem.

Bom, minha casa não era tão grande assim por isso foi um caminho bem curto. Minha cozinha, como esperado, estava uma zona, parecia até que uma guerra tinha acontecido ali. O único espaço limpo era uma pequena parte do fogão, onde eu cozinho meu tão maravilhoso e querido ramem. Abri um dos armários, poderia ser qualquer um, em todos só tinha a mesma coisa, peguei um dos milhares de embalagens, abri e pus na panela que ficava o tempo todo no mesmo lugar. Praticidade de solteiro é tudo hoje em dia. Me encostei na bancada do armário e fiquei ali, olhando meu prato mais que favorito ficar pronto, e mais uma vez me veio aquele pensamento perturbador. Do jeito que a Hina ta mudada, mais parecida com a Sakura-chan, vai ser meio difícil conviver com ela. Especialmente por que eu sou um pouco bagunceiro e desorganizado e preguiçoso também, mas é uma coisa bem pouca mesmo. Sem contar o fato de que vai ser estranho dormir com ela na mesma cama, dividir absolutamente tudo com ela e ainda fingir ser um casalzinho apaixonado para os outros. Nunca morei com ninguém, tudo para mim sempre foi sozinho, até mesmo com as garotas com quem já passei a noite, nunca dormia com elas, depois de ter meu orgasmo eu ia embora, abraçá-las para mim era um ato vazio. Eu era sim, muito carinhoso na cama, mas era só isso. Nada alem de cama e sexo. Mas eu não era o único: Neji, Gaara, Sasuke e o Shika também eram assim. Será que isso faz de mim um frio, bastardo e egocêntrico como eles? Espero que não.

Desliguei o fogo e despejei o conteúdo da panela dentro da minha tigela especial de ramem. Tinha até meu desenho nele, com a frase: “comedor de ramem n° 1”, heheheheh até nisso eu sou bom! Por que eu sou muito bom em tudo, dattebayo!

Comi tudo rapidamente e tomei um longo gole de leite, direto da caixa. Meus pensamentos inseguros sumiram diante do meu insuperável pensamento positivos.

Sou Uzumaki Naruto, ninja n° 1 de Konoha e futuro Hokage da folha, um casamento vai ser moleza para mim, tô certo dattebayo!

Bom, ainda é muito cedo, acho melhor ir atrás da Hina-chan á tarde. Ate mesmo por que agora de manhã o Neji não vai estar lá, o que é um problema já que quase nenhum Hyuuga vai com a minha cara, especialmente por causa da vez que a Hina-chan quase morreu para me salvar. Nem o pai dela gosta de mim, esse casamento só vai acontecer por que eu já fui escolhido como próximo Hokage, o que torna o Hiashi ainda mais sujo e idiota, não importa muito que seria, contando com que a Hina se casasse com um futuro Kage. Tenho nojo dele. Eu, que sempre quis conquistar a amizade de todos, não fazia a menor questão da dele. Não quero nada que venha dele. Fico me perguntando como um monstro como ele pode ter uma filha tão doce e bondosa como a Hina. Talvez a mãe dela fosse tão boa quanto ela.

E lá fui eu, todo feliz e saltitante pelas ruas da vila. Com meu maior sorriso estampado no rosto, na verdade todo sorriso meu é o maior. Acho que vou treinar com o Kakashi-Sensei hoje, ou quem sabe com o Iruka-Sensei... Na verdade tanto faz, eu já os superei. Nossa isso foi muito malvado da minha parte, acho que o Narutinho ta ficando do mal. Ah! Não quero, não quero ser do mal. Fiz aquele biquinho irresistível e infantil e cruzei os braços. Na verdade eu tenho muito medo de acabar me tornando do mal como o velho Danzou. Eu sei que ele era bonzinho no começo, mas pirou depois. Tenho medo de pirar também. Eu quero ser forte, mas não preciso pisar em ninguém por isso.

Fui á passos lentos, em direção ao campo de treinamento do antigo time dez. Era meio que meu refugio aquele lugar. Cheguei ao portão envelhecido e a extensão de grades ao redor. O mato crescendo lá dentro, tão verde e bonito. Daqui posso ver os três postes que Kakashi-Sensei usou muitos anos atrás. É impossível não rir ao me lembrar do quão patético eu era, mas não sinto vergonha e tampouco a necessidade de sentir vergonha. É melhor parar de pensar nesse tipo de coisa, treinar sempre deixa minha cabeça vazia, limpa de todo e qualquer problema. Acho que é por isso que andei treinando tanto durante minha vida inteira. O tempo em que não estou concentrado em algo é como se pensamentos de solidão me dominassem. E, claro, aquela maldita raposa não dava uma trégua.

“Pensando de mim, moleque?”

“Talvez um pouco”, admiti. Ela sabia, na maior parte do tempo, tudo o que se passava na minha cabeça. Negar era inútil quando ela realmente se interessava pelo assunto. O bom disso tudo é que nós agora estamos nos dando bem, não somos amigos, mas ela está bem mais simpática. Ou algo parecido.

“Você estava falando consigo mesmo mais cedo?”

“Então você já estava acordada. É, eu meio que pirei de manhã”

“Esse casamento vai fazer bem para você, especialmente na alimentação.”

“Raposa chata!”

“Seu moleque atrevido!”

“Vou te ignorar!”

“Você não consegue.” Tá, talvez ela estivesse certa, mais eu ia fazer uma forcinha. Dei um salto e cai lá dentro, acho que é melhor treinar luta corpo-a-corpo. Entrei no modo Sanin e fiz um Kage bushin, agora eu já tenho domínio do modo Sanin a ponto de poder ficar horas com ele. Nem preciso mais ficar parado por muito tempo, nem do óleo dos sapos. Basta eu me concentrar por uns cinco segundos e pronto, a energia se acumula ao meu redor. E também já posso fazer meus Kages bushin a vontade, mas quanto maior for o numero quando estou no modo Sanin mais cansado eu fico depois. É como se o cansaço se acumulasse. Saquei uma kunai e meu clone também, começamos uma luta equilibrada. Finalmente o tão merecido alivio para minha cabeça.

Deve ter ficado horas ali treinando, nem sei direito. Tudo que sei é que meu estomago pede por ramem. Desfiz meu bushin e fui depois tenho de ir à casa da Hina. Mas eu ainda não sei onde é. Por que ninguém me disse o que era para eu fazer? Que problemático! Tô até parecendo o Shika falando assim. Já estava perto do centro da vila e ainda não tinha encontrado ninguém, na verdade ninguém que pudesse me ajudar a resolver meu problema.

Foi quando estava quase dentro da barraquinha do ojii-san que eu vi meu anjo. Aquela que seria a única e verdadeira solução para todos os meus problemas.

“Tá ficando romântico moleque?”

“Agora não kyuu. Tenho que falar com ela!”

“Achei que você fosse comer agora.”

“O ramem pode esperar.”

“Nossa! Eu nunca achei que ouviria você falar uma coisa dessas.”

Ela continuou falando, mas eu já não prestava mais atenção, Hinata estava passando ali por perto com o rosto abatido e passos lentos. Não sei de onde vinha, nem para onde ia, mas nos tínhamos de conversar o quanto antes. Ela nem parece ter me notado, pois continuou andando. Por isso a segurei pelo braço e dei meu melhor “bom dia”.

—Yo, Hina-chan! –ela levantou a cabeça e me sorriu um sorriso tão fraco que nem perecia sincero, com certeza era forçado e isso me entristece, não quero um sorriso forçado, eu quero aquele antigo, radiante.

—Yo, Naruto-kun. –Sua voz suave e o rosto angelical me faziam ter uma certeza maior ainda de que estou perdidamente apaixonado por ela.

—Eu ia te procurar mais tarde, temos de conversar.

—É verdade, poderíamos nos encontrar mais tarde. –Ela desviou os olhos dos meus e ficou olhando para o chão, por menor que fosse o tempo eu sentia falta do brilho daqueles olhos. Suspirei alto e seus olhos voltaram para mim, parecia intrigada com meu silencio.

—Por que não conversamos agora? –Odeio ter de esperar, se tem de ser feito então que seja logo. Ela arregalou um pouco os olhos e ficou me olhando de boca aberta. Acho que ela não esperava essa resposta. Depois de um tempo razoável, eu diria, ela acenou afirmativamente com um simples aceno de cabeça.

Nesse momento passou pela gente um pequeno grupo de ninjas, e eles muito indiscretos fizeram alguns comentários, eles devem ter pensado que não ouviríamos. Mas qual é eu sou um ninja de primeira é lógico que dá para escutar um murmúrio a uns três metros.

“—Você acha que eles estão juntos?

—Eu não sei, mas acho que não. Ela é muito bonita para um bobão desses.

—É verdade, ele ainda fica brincando com o Konohamaru.”

—É tão bom saber que você é admirado pelas crianças da vila, né Hina? –eu não ia perder meu bom humor por isso, na verdade acho que essa é a oportunidade perfeita pra espalhar o boato do meu namoro com a Hina. Deixei minha voz soar bem alto e no mesmo momento os três ficaram nos encarando, já que nos estávamos olhando para eles, eles ficaram com medo. Bem feito, eu não era um crianção? Tomaram agora. Vou dar a língua para eles. Não posso, mas vou fazer mentalmente.

Hinata estava muito vermelha, deve ser pelo elogio de um dos meninos, era bom ver que pelo menos um pedacinho da antiga Hina ainda existia. Meus olhos foram para minha mão que ainda segurava seu braço, acho que estava apertando muito. Soltei e então passei meus dedos de leve por aquela área, não queria que ficasse marcado.

—É verdade, Naruto-kun. –Ela parecia mais animada quando falou, até deixou um riso suave e baixo escapar. Sua face muito mais iluminada. Sorri com aquilo, ela entendeu minha idéia e estava me ajudando. –Mas eles te admiram muito. Tenho certeza disso.

—É, mas eles estão certos em uma coisa. Você é demais para um reles mortal como eu. Nem sei como você pode gostar de mim! –era sincero da minha parte, para mim era impensável o motivo dos sentimentos dela. Como um ser perfeito pode gostar de mim? Isso não tinha resposta.

—Você é muito especial para mim, na verdade não precisa de motivos para amar alguém sabe você só sente... quer ficar perto dessa pessoa o tempo todo, quer sentir o cheiro dela. Enfim amar é perder as razões e motivos. –Nossa, acho que vou chorar. Nossos olhos se encontraram de novo e vi ali, naqueles olhos perfeitos, a profundeza de seus sentimentos, a sinceridade de suas palavras. Nem tudo estava perdido, ela ainda me ama, sei que sim.

—É exatamente assim que eu me sinto com você. O mundo pode acabar agora que eu não me importo se eu tiver você nos meus braços, se eu puder ficar olhando para os seus olhos. Essa é minha meta: passar o resto da vida com você! –Sorri abertamente e me abaixei um pouco, só o suficiente para lhe alcançar os lábios. Muito devagar encostei os meus aos dela, fiquei com os olhos abertos enquanto mantinha aquele contato casto, mas delicioso. Ela já tinha fechado os olhos e depois de uns segundos naquele selinho demorado eu fechei os meus, deixei minha língua roçar os lábios rosados dela em um pedido para aprofundar o beijo. Pedido esse que foi prontamente atendido. Ela entreabriu a boca e sem perder mais tempo deixei minha língua deslizar por ali e alcançar a dela. Nunca senti um gosto tão bom quanto esse, da boca dela. É perfeito. Senti que ela me retribuía e isso me alegrou em proporções inimagináveis. Seu toque era suave e delicioso, deixei minhas mãos envolverem sua cintura fina e colei nossos corpos. Seus braços apertavam meu pescoço e suas mãos pequenas puxavam, suavemente, meus cabelos. Nosso ar já estava pouco, mas insistíamos mesmo assim. Era mágico aquele momento.

Findei o beijo aos poucos, mantendo nossos lábios colados pelo maior tempo possível. Esse é um daqueles momentos em que eu poderia sair gritando pela vila como eu estava feliz!

—Se eu sonhar que algum de vocês está olhando a minha noiva, vocês estão ferrados! –Nem me dei ao trabalho de olhar para os genins para ameaçar, era muito melhor ficar olhando para ela.

—Sim, senhor! –Eles saíram correndo, afinal eu era o ninja que trouxe a paz ao mundo. Eu era conhecido por todos como a ponte que nos trouxe a paz. Hinata sorriu um pouco e logo, rápido de mais para o meu gosto, tirou seus braços do meu pescoço e se afastou. Ainda sim não me dei por vencido e continuei a abraçá-la. Seu rosto logo ficou escarlate, e o motivo era muito simples: todo mundo da vila, e provavelmente fora dela também, estavam nos encarando. Acho melhor me afastar antes que ela desmaie.

—Não quer ir comer um Dango comigo, Hina-Chan? –Perguntei assim que me afastei, mas ainda com as mãos na cintura dela, só não tão apertado. Ela me olhou sorrindo timidamente, definitivamente aquela Hinata era um doce, e concordou com um pequeno aceno de cabeça. Fomos andando de mãos dadas, mas não falamos nada. Palavras eram desnecessárias naquele momento, eu estava feliz e só queria curtir aquele momento. O caminho era bem curto e cerca de cinco minutos nós chegamos, sentamos-nos à mesa mais afastada, ela ainda toda vermelhinha. Muito fofa. Pedi um dango para ela e quatro para mim, quié?! Eu sou um homem grande e forte, preciso me alimentar bem. Ou melhor, em grande quantidade. Ficamos em silencio apreciando a companhia do outro. As pessoas que passavam na rua nos encaravam, até por que a mesa mais afastada era a mais visível. Alguns arregalavam os olhos e saiam de boca aberta, o que era cômico ao extremo. Já outros eram piores alem de ficar muito tempo olhando saiam comentando, e o pior em voz alta. Depois de ela ter terminado, e eu também, eu paguei e fomos embora.

—Quer que eu te acompanhe Hina? –Estávamos de mãos dadas de novo e sorrindo. Falei em tom normal, queria que eles ouvissem, mas não poderia ser algo muito visível.

—Seria ótimo Naruto-Kun, mas é claro se não for te atrapalhar. –Ela falou docemente, com os olhos postos em mim, o rosto em um adorável, e agora permanente, tom rosado na face.

—Não está tudo bem. –Comecei a andar lentamente, para fazer aquele momento durar o maximo possível. Ela ma puxou para o lado contrario e abafou um pequeno risinho, eu estava indo para o lado errado. Já estávamos um pouco afastados do centro da vila quando começamos um pequeno dialogo, conversamos sobre coisas banais do cotidiano, depois nos lembramos de algumas coisas engraçadas da infância. E eu já podia ver uma mansão assomando no horizonte. O distrito do clã Hyuuga era gigantesco, acho que ainda maior do que o Uchiha. Nossos passos foram diminuindo e a distancia também. De onde estava já podia ver vários guardas Hyuugas, todos olhando em nossa direção.

—Naruto-Kun, a idéia é fazer todos acreditarem que meu pai é contra nosso casamento, está bem? –Não entendi o motivo, mas tudo bem depois ela me explica.

—Certo! Ela está nos vendo?

—Está logo ele deve vir aqui para fazer uma cena para todos verem, na verdade não sei o que ele ta esperando. –Ela olhava ao redor discretamente, mas confusa.

—Vocês não combinaram?

—Não o vi desde ontem. Mas ele já tinha me dado uma idéia muito clara do que iria acontecer. –Eu olhei confuso para ela, talvez ela tenha de me explicar agora. E, sem nem perceber fiz minha expressão: ”’tô entendendo tudo!”. Ela riu novamente, e como ela ficava graciosa assim, e se aproximou para poder me explicar. –Ele sabia que eu não ia obedecer por isso antes de eu me encontrar com a Hokage ele fez uma sutil ameaça contra Konoha, eu fiquei sem saída. Uma guerra civil nunca é boa, eu amo esse lugar. Não consigo me ver lutando contra os outros ninjas daqui. É importante, também, que os outros clãs não suspeitem de nada, se não logo você terá dezenas de pretendentes e isso iria gerar uma guerra. Ficaremos bem enquanto os outros não forem dominados por essa febre de poder.

—Entendi! –Agora de verdade. Ser Hokage é bem mais complicado do que eu pensei, alem de ter de cuidar das fronteiras existem as tensões dentro da vila. Nunca pensei nisso por que não consigo imaginar Konoha sem seus diversos clãs. É como imaginar o Sasuke careca. Ta, não dá para fazer isso. Coloquei minhas mãos na cintura dela e me aproximei. –Ele deve estar esperando uma medida mais drástica.

—Como o que? –Suas mãos deslizaram por meus braços e foram até meu pescoço, algo me dizia que ela tinha entendido o recado.

—Estamos no portão da sua casa, abraçados... O que você sugere que façamos?—Dei meu sorriso malicioso, ao qual ela retribuiu timidamente. Não esperei por uma resposta e a beijei. Dessa vez foi mais forte desejoso, mas não menos carinhoso. Não perdi nem um segundo e aprofundei o beijo e senti ela corresponder a altura, nossas línguas se tocavam e dançavam de forma erótica e suave. Mas tudo que é bom dura pouco. Logo senti mãos no meu braço e meu corpo sendo arremessado, concentrei meu chakra nos pés e parei, já pronto para lutar. Mas não era necessário, era apenas o pai da Hinata com uma cara furiosa. Ele encenava muito bem. Na verdade acho que se eu não tivesse ouvido e confiasse tanto na vovó e na Hina acharia que ele é que é o certo e enganado da historia. Hinata já estava de pé e arrumava sua roupa um pouco suja de terra. Estávamos, literalmente, cercados por Hyuugas. Nem fiquei posição de luta. Era desnecessário, aquilo seria somente um dialogo.

—O que você acha que está fazendo, Hinata? – não reparei nos olhares raivosos e fui para o lado dela, peguei sua mão e fiquei encarando o pai dela. –Responda-me imediatamente.

—Nunca viu um beijo, papai? –Estava ali de novo à mulher forte e autoritária que me deixa babando. Adoro! Não vejo a hora de ser dominado por ela.

—Daqui a pouco ele vai querer saber de onde vem os bebes, uma vez que nem o que é beijo ele sabe! –Aprendi com o Sasuke a ser bixo mal, eu não sou gay, portanto sou bixo e não bixa! Ela gargalhou gostosamente e se virou para mim, me deu um selinho e falou.

—Acho melhor você ir, Naruto-kun. Eu me entendo com meu otou-san-Eu sorri para ela e depois para o pai dela, que esperava “pacientemente” a resposta da filha e seus soldados que nos olhavam incrédulos. Bom, se estamos na chuva é para nos molharmos, e algo me diz que é isso que o pai dela quer.

—Por que não aproveitar que já estou aqui e oficializar o pedido? –Ela me olhou por um momento e sorriu. –Hiashi-Sama, gostaria de pedir, oficialmente, a mão da Hinata em casamento. –Os guardas arregalaram os olhos e Hiashi suprimiu um pequeno sorriso.

—Quem você pensa que é, para pedir a mão da herdeira do clã Hyuuga em casamento? Ponha se em seu lugar, fedelho. –Não tive como sorrir, ia usar uma arma que nem ele sabia que eu tinha. Só Kakashi-Sensei sabia aquele segredo.

—Sou Uzumaki Naruto, filho do Yondaime Hokage. –Foi extremamente delicioso ver a cara de espanto dele, Hina também se surpreendeu, mas soube disfarçar muito bem.

—Não me interessa isso, você não serve para a Hinata, quero que acabem com isso imediatamente! –Não me abalei muito menos a Hina, que ao invés sorriu debochada.

—Não ouse me dar uma ordem Hiashi. –Sua voz era dura e surpreendeu até mesmo os guardas. –Você não manda em mim dessa forma. Para sua informação já aceitei o pedido de casamento do Naruto-kun, vou me casar com ele, quer você queira ou não. Se você não concordar saio de casa. Mas pense bem, se eu sair só sobra Hanabi para comandar o clã e você sabe no que isso vai resultar. Faça sua escolha. –Ela sequer dispensou outro olhar para ele, se virou para mim e com um beijo digno de cinema, que chegou a me deixar com o baixo-ventre formigando, se despediu de mim e entrou, passando pelos guardas sem nem olhá-los. Acenei para eles e fui embora, andando calmamente. Parte um concluída, sem nem mesmo planejarmos, agora é que começa a verdadeira farsa!

Há ótimo! Será que alguém pode me dizer por que diabos eu enchi tanto a cara ontem?! Não consigo nem abrir os olhos por causa da dor de cabeça do caramba e é claro que essa luminosidade não ajuda em nada. Era nesses momentos que eu queria ser como a Temari, ela enche a cara e no outro dia perde a memória, o que é muito bom visto que ela bêbada só faz merda, e não sente nada. Nem uma dorzinha de cabeça, enquanto só falto morrer de enxaqueca. Eu, o grande Kazekage de Suna sendo vencido por umas misera três garrafas de sakê. E parece que ainda vai piorar, mas é lógico que vai ficar pior. Eu vou me casar. Vou me casar com uma loira burra, boca grande e safada, até que safada é bom! De qualquer forma é estranho, não que eu nunca tenha pensado que teria de me casar, na verdade eu já esperava um casamento dessa forma, mas nunca achei que minha noiva fosse saber que era uma farsa e ainda que ela teria de armar uma cena para que o povo acreditasse. Achei que eles escolheriam a moça e eu teria de conquistá-la, isso aconteceu com meu pai e com todos os outros Kazekages. A tradição era que o Kage tem de ser um homem, ou mulher, completo deveria ser capaz de conquistar seu parceiro, capaz de ser um cavalheiro fora das lutas.

Mas isso não vem ao caso, não agora. Não existe muito que eu possa fazer, evitar um conflito agora é crucial, todas as vilas estão enfraquecidas, não posso e nem vou permitir mortes desnecessárias no meu povo. E claro, também me importo com Konoha, me tornei amigo não só do Naruto, mas dos outros também, não suportaria atacá-los. Sei que eles também não iriam atacar Suna, mas os conselheiros não aceitam essa minha confiança, o que só traz perda para todos. Essa aliança formada com Konoha ira durar para sempre, não haverá mais guerra entre as vilas, é isso que eu espero.

De um jeito ou de outro eu vou ter de levantar, já que minhas férias não são tão férias assim, tenho um encontro e uma bendita carta romântica para escrever. Eu devia renunciar, mas é meu papel lutar pela paz. Ta vamos lá, coragem Gaara, você já lutou em uma guerra com guerreiros formidáveis e contra seu próprio pai, levantar de ressaca não é nada. O.K. Pensar dessa forma não ajudou em nada.

Vamos tentar outra coisa.

Levanta Gaara por que hoje você vai beijar aquela loirinha abusada. Isso sim é incentivo.

Sem abrir os olhos, estava muito claro no quaro, eu sai da cama e fui direto para o banheiro, um banho gelado vai me fazer melhorar. Dei uma olhada rápida no relógio: 12h16minh. Dormi muito, ou talvez eu não tenha dormido nada se levar em consideração a hora que eu cheguei ao hotel. Bom isso não importa de verdade. Logo Temari estaria ali para escrever a tal carta; lá se vai à imagem do Kazekage.

Olhei-me no espelho de corpo inteiro no banheiro, estava ainda com a roupa de ontem, cheguei e cai na cama, nem a sandália eu não tirei. Despi-me rapidamente e entrei no chuveiro, aquilo fez minha cabeça ficar pesada. É eu estava mesmo mal. Peguei um pouco do sabonete liquido e passei por meu corpo, coloquei toda minha cabeça debaixo da água, deixando meus cabelos molhados. Não tinha a intenção de lavá-los.

Depois de quase 10 minutos com a cabeça baixa a dor diminuiu um pouco, na verdade eu posso suportar ela, afinal sou um Kage, mas meu humor fica quatro vezes pior. E tudo o que não pode acontecer é eu irritar a loirinha, não por medo, mas por prudência. Sai do banheiro deixando um rastro bem grande de água no chão, não só do banheiro, mas do quarto todo, até o armário. Tem faxineira para isso, afinal de contas. Vesti minha típica roupa ninja, nem adiantava pensar muito só tinha aquilo ali e no armário que ficou em Suna também. Não tinha a necessidade de outros modelos, afinal aquele era bem versátil, servia tanto para ma reunião quanto para uma noitada com os amigos. Pelo menos é isso que eu penso. Calcei meus chinelos e fiz minha habitual armadura de areia, foi uma total irresponsabilidade minha dormir sem ela, não que eu temesse um ataque de Konoha, mas se um Kage morrer aqui é guerra na certa. Por mais que eu confie em Tsunade é preciso lembrar que aqueles malditos conselheiros, iguais os de Suna têm muito poder sobre os ninjas. Ficar bêbado é um problema.

Ouvi leves batidas na porta, provavelmente o serviço de quarto já que o Kankurou e a Temari não batem na porta e sim dão socos. Caminhei até lá e abri a porta, uma empregada trazia uma bandeja de prata nas mãos. Dei espaço para ela entrar e por a bandeja na pequena mesa de madeira do quarto.

—Perdoe-me Kazekage-Sama, eu vim mais cedo mais o senhor não me respondeu, imaginei que estivesse dormindo. –Olhei para a mulher morena e de expressão doce e assenti. Acho que ela nunca deve ter escutado minha voz, afinal é muito difícil eu falar alguma coisa. Ela saiu rapidamente e eu me sentei para comer, mas antes abri a janela que ficava ao lado da mesa. Não queria ver o sol, mas comer naquele ambiente pouco iluminado não me agrada. Nem comi muito visto que eu mal pus uma torrada com geléia na boca e a frágil da minha irmã bateu na porta. E é claro que com toda a educação ela não esperou eu ir abrir a porta e foi entrando. Sinceramente às vezes eu sinto falta de antigamente, quando eles mostravam o mínimo de respeito por mim. Definitivamente é muito melhor ser temido do que amado.

Temari vinha com um vestido curto, curtíssimo para ser mais sincero, Kankurou vai ficar uma fera quando ver, em tons de roxo a lilás, com papel e caneta em mãos. Era hora do tormento.

Ela sentou na minha frente pousou os papeis na mesa e roubou uma das minhas torradas, típico de irmão mais velho.

—Podemos começar? –Ela sorria marota para mim, é já era minha imagem. Não me dei ao trabalho de responder, apenas peguei a caneta e uma das folhas e esperei.

—Então lá vai:

“Ino preciso te ver. Ainda essa noite. Por favor, não me peça para esperar mais.

Sinto como se cada segundo fosse anos, realmente não entendo o porquê disso tudo.

Você não vê o que está me pedindo, ou melhor, exigindo de mim? O que quer que eu faça nunca será o suficiente. Será que terei de abrir mão de tudo o que eu sou e conquistei, por que se for esse o preço para estar ao seu lado eu estou disposto a pagar. Só preciso de uma palavra sua Ino, uma única e abandono tudo. Antes eu não podia, Suna seria presa fácil sem seu governante, mas agora tudo está em paz e sei que Kankurou pode cuidar de tudo para mim.

Vemo-nos hoje, ás nove, na beira do lago. Se não vier já saberei sua resposta e partirei amanhã mesmo para Suna.

Gaara”

É até que não está tão ruim, dá a entender que esse romance vem de antes da guerra e confirma, com todas as letras, que estou perdidamente apaixonado. Enfim, poderia ser bem mais humilhante. Agora é entregar, ou melhor, mandar entregar, e esperar. Coisa que não me agrada. Temari ficou me olhando ler e reler a carta diversas vezes, até eu levantar meus olhos para ela.

—O que está esperando? –Fui direto como sempre.

—O que achou? –E como sempre minha “sutileza” não adiantou de nada.

—Está melhor do que eu esperava. –Admiti. –E o que você fará a respeito do Nara, não me lembro se decidimos isso ontem.

—Na verdade não falamos sobre isso ontem, acho que esquecemos. Assim como esquecemos o Naruto e a Hina. –Verdade, nem tinha pensado no caso deles. –Hina já deu um jeito, ou melhor, deu um beijo. De tirar o fôlego, bem no meio da vila. Tratamento de choque.

—Entendo. Se for só isso pode se retirar Temari.

—Encheu acara ontem, né? Seu humor ta pior que o habitual. Tenho dó da Ino. –Ela levantou, mas antes de sair ainda pegou outra das minhas torradas. –E quanto ao Nara vou conversar com ele mais tarde, ele vem aqui já que é meu guia oficial.

—Está bem. –Ela caminhou até a porta, mas antes de sair pode me ouvir falando. –Tome cuidado.

Ouvi sua risada escandalosa, era difícil eu expressar preocupação, portanto era normal ela achar engraçado, na verdade nem mesmo Kankurou me ouviu dizer essa frase se não for para ela.

—Pode deixar maninho. –Ela só me chama assim quando eu demonstro um pouco do que sinto, e isso é muito raro. Ela saiu do quarto e bateu a porta, como sempre muito delicada. Fiquei mais alguns minutos no quarto, terminando meu café-almoço. Virei minha cabeça, apenas o suficiente para ver a hora 01h45min h. Já está na hora de começar. Levantei-me e sai. Na porta do hotel dispensei todos os meus guardas, nunca precisei deles, mas o conselho exige. Fui andando calmamente pela vila, observando tudo e todos me lembravam Suna, eles sorriam, estavam finalmente em paz. Fora por aquilo que lutará tanto, que teve de se sacrificar tanto, não só ele, mas todos os seus amigos, todos os ninjas das cinco nações.

Já fazia uns vinte minutos que eu caminhava, sendo parado algumas vezes para ser cumprimentado pelos ninjas. No fim era bom ser famoso. Eu tinha meus momentos afinal.

Até que, finalmente vi quem eu procurava, um grupo de genins andava distraído pela vila, uns seis. Me aproximei e esperei ser notado. O que não demorou a acontecer, eles pararam subitamente e seus olhos arregalados me encararam. Fiquei alguns minutos em silencio esperando o susto passar.

—Será que vocês poderiam me fazer um pequeno favor. –Usei meu tom mais brando, afinal eram apenas crianças. Demorou bem menos do que eu esperava, mas no fim eram ninjas de Konoha e se havia uma coisa que eu aprendi a respeitar foi à vontade de fogo deles.

—C-claro Kaz-zekage-Sama. O-o que dese-já? –Mesmo tremendo e gaguejando ele terminou a frase, com a cortesia que era necessária para com um Kage.

—É uma missão de extrema importância.

—Perdoe-me Kazekage-Sama, mas se é tão importante dessa forma não seria mais prudente delegar a outro ninja? Alguém mais forte e capaz? –Dei um sorriso pequeno para a pequena ninja que havia falado essas crianças de hoje em dia estão cada vez mais espertas.

—A missão é sim muito importante, mas é algo pessoal. Gostaria que entregassem essa carta para mim. É claro se puderem, pois acredito na capacidade de vocês. –Tirei o envelope dobrado do bolso e estendi a eles. A menina pegou das minhas mãos e guardou-a no próprio bolso.

—Estamos honrados Kazekage-Sama. Aquém devemos entregar? –Sorri mais uma vez, agora um sorriso mais amplo.

—A Ino. Vocês a conhecem, não?

—O senhor está dizendo a Ino-Sempai? –É verdade ela também é muito conhecida após a guerra.

—Sim, está mesmo. Podem fazer isso por mim?

—Mas é claro, Kazekage-Sama.

—Não precisa de tanta formalidade, me chamem apenas de Gaara. E preciso que me entreguem isso ainda hoje, o quanto antes melhor.

—Hai! –Eles saíram rapidamente, pude ver a empolgação como uma áurea ao redor deles. Meus olhos vaguearam por um instante e percebi a quantidade de pessoas que me encaravam. Todos me olhavam, afinal não é todo dia que se vê o Kazekage pedir um favor e ainda sorrir. Não é algo que eu faça com muita freqüência. Algumas garotas que passavam sorriram sedutoras para mim. Já vi essa reação antes, sou rico, poderoso e bonito, sem querer ser presunçoso, elas caiem matando. Acho que estou convivendo demais com o Naruto e o Sasuke para adquirir um vocabulário desses.

Voltei a andar e assim permaneci por um longo tempo, não havia nada para fazer no hotel. Já estava escurecendo quando comecei a andar de volta, eu não conhecia bem o lugar, mas sou o Kage não iria me perder, andei por mais ou menos meia hora e já podia ver o hotel rodeado por meus guardas. Mesmo de longe pude ver seus rostos vincados de preocupação, esqueci de avisar aonde ia, portanto é normal eles terem ficado preocupados. Continuei com meus passos lentos e quando um deles me avistou veio correndo em minha direção, com todos os outros em seguida.

—Kazekage-Sama! Ficamos preocupados!

—O senhor sumiu! O procuramos por toda a vila!

—Nós já íamos avisar os conselheiros e a Hokage!

—Não há a necessidade de fazer nada, eu apenas estava andando e perdi a noção da hora. Não aconteceu nada demais. Agora retornem aos seus postos, ou melhor, tirem o resto da tarde de folga, a vila da folha é muito bonita vão conhecê-la.

—Mas e o senhor?

—Não precisam se preocupar comigo, vou descansar agora e irei sair mais tarde, mas sozinho.

—Desculpe-me, mas não é prudente ficar saindo sozinho!

—Eu sei me cuidar muito bem, afinal não é à toa que sou o Kazekage.

—Perdoe-nos, não foi nossa intenção diminuir seu poder, mas é que...

—Alem do mais eu confio em Konoha e na Hokage, nada ira nos acontecer aqui. Agora se me derem licença. –E com meu melhor sorriso, que não era nem metade do menor do Naruto, vou em direção ao hotel, mas é lógico que isso ainda não acabou. Agora vem um Kankurou desesperado na minha direção.

—Onde você estava pô? Quase morri de preocupação! –E por mais inacreditável que possa parecer ele teve a audácia de me abraçar, como se eu fosse uma criança.

—Estava andando por ai, distraindo a cabeça.

—Pois nunca mais faça isso sem avisar e, principalmente, sem levar sua guarda.

—Kankurou, por favor, não sou mais uma criança, sei me cuidar. Agora me solte. – Afastei seus braços de mim e olhei em seus olhos, por mais que eu faça cena eu gosto dessa preocupação deles para comigo. É estranho lembrar que alguns anos atrás ele me mataria na primeira oportunidade.

Não pude evitar sorrir para ele, o que pareceu acalmá-lo e alarmá-lo na mesma medida, afinal eu não costumo sorrir para ele, nem para ninguém.

—Mais tarde vou sair, não me siga e muito menos me espere. Amanhã esteja pronto com a comitiva, e espere, provavelmente terei uma noticia muito importante para os conselheiros, para você e principalmente para o povo de Suna. –Seus olhos se arregalaram levemente e Temari que tinha vindo andando muito calmamente sorriu ao ouvir minhas palavras.

—O que é Gaara? –Ele como sempre não pode esperar como eu falei para ele fazer. Os outros ninjas ainda estavam ali, observando o dialogo entre nós.

—Amanhã você, ou melhor, todos vocês saberão e poderão espalhar a noticia por Suna.

. —Está bem confiante Gaara.

—Na verdade estou totalmente perdido, Temari. –Não esperei para ver as reações, no fundo aquilo era a verdade, estava perdido em um turbilhão de sentimentos e incertezas sobre o futuro.

Entrei o mais rápido possível no hotel, não queria ter de falar com ninguém, o relógio ainda marcava 07h35minh. Faltam horas para o encontro, e eu não tenho nada para fazer. Uma coisa boa que adquiri com o tempo foi esperar as horas passarem e é isso que vou fazer agora. Me deitei na cama e lá fiquei por muito tempo.

Não sei quanto tempo havia se passado, por isso levantei minha cabeça e mirei o relógio 08h20minh.

‘Tá na hora.

Levantei e fui em direção ao banheiro, atirei minhas roupas de qualquer jeito pelo chão e tomei uma chuveirada. Não me demorei muito e sai. Vesti-me com a roupa de sempre e sai. Havia muitos guardas na minha porta, mas nenhum ousou me interromper.

Cheguei à porta e lá estava Kankurou, provavelmente, me esperando. Passei reto e quando já estava na rua pude sentir o vento gelado bater contra mim, despenteando ainda mais meus cabelos.

—Gaara, ao menos me diga a que horas volta.

—Tudo depende, se a resposta que eu procuro for aquela que eu quero ouvir talvez não retorne antes do amanhecer, mas se eu ouvir um “não” volto antes mesmo que perceba minha ausência.

—Qual é a resposta que você procura? –Me virei e lhe sorri.

—Não precisa me esperar Kankurou.

Sai a passos rápidos, não quero me atrasar para o meu “encontro”. A noite estava belíssima, com estrelas e mais estrelas formando uma linda visão.

Andei em direção ao lago e nesse momento me pergunto: quem estará andando pelo lago há essa hora? Mas se Temari e Ino disseram eu é que não vou ficar me metendo. Caminhei com meus passos comedidos, de onde estava eu já podia ver as margens do lago. Caminhei até lá e esperei.

Nem mesmo cinco minutos se passaram e logo podia sentir o chakra dela se aproximando. Era quente e radiante. Não me virei, mas sei o momento exato em que ela me viu ali, parado, pois seus passos mudaram totalmente. Já podia sentir vários outros chakras ao redor, alguns tentando se ocultar. Ela caminhou até o meu lado e parou, ficamos ali, lado a lado, apenas admirando a paisagem.

—Eu te pedi uma resposta Ino. –Comecei, afinal não pretendo ficar aqui o resto da minha vida. Não na verdade estou é ansioso para beijar aqueles lábios tão chamativos.

—O que quer de mim Gaara? Você não vê que isso me fere também?

—Então essa será nossa sina? Vivermos longe e feridos? Não quero isso.

—Sei que não, mas não posso permitir que sacrifique tudo por mim, o povo de Suna precisa de você lá, mais do que meu egoísmo precisa de você aqui.

—Você não está pensando em mim Ino. Sabe o que ficou passando na minha cabeça durante toda a guerra?—Já podia sentir vários chakras ao redor da pequena clareira. Não dava para identificar quem eram as pessoas por que estava sendo ocultado. Virei minha cabeça para encará-la, seu rosto era vazio, mas não insensível. Era a primeira vez na noite que eu a olhava diretamente, estava linda com uma saia roxa e uma camiseta preta, os cabelos estavam presos no costumeiro penteado. –Que Madara poderia ganhar, poderia fazer o que quisesse contando com que você ficasse bem, que eu pudesse ficar com você. Será que estou sendo egoísta?

—Sim, você está sim. Você não vê que isso pode gerar um desentendimento, pessoas podem morrer se você não voltar.

—Você está certa, é muito egoísmo meu. Mas é assim que eu sou e você sabe disso. Diga que não me ama que não me quer por perto que eu vou embora e nunca mais nos veremos.

—Por que quer ouvir isso? Já não basta tudo que eu falei?

—Faça de uma vez Ino. Despedace meu coração, só assim poderei seguir em frente e não mais amar ninguém. –Não tínhamos combinado nada, nem deu tempo de fazer algo assim, mas as palavras vinham sem dificuldade e agora, de alguma, eu sei que está chegando à hora.

—Você vai embora para Suna e me levará com você! –Fingi surpresa e me virei para ela que esboçava um sorriso sereno. –Já entendi que não posso mais viver longe de você Gaara, nem mesmo se eu quisesse. –A abracei rapidamente e, céus como era boa a sensação do corpo dela colado ao meu!

—Vou te fazer muito feliz, minha vida é sua Ino. Vivo para te fazer feliz.

—Eu confio em você, tudo vai dar certo. –Me afastei dela, só o suficiente para olhar nos seus olhos, que brilhavam.

—Não quero que tenha de escolher entre mim e sua família, seus amigos. Se quiser posso pedir permissão da Hokage para me mudar para cá.

—Não Gaara, eu vou para Suna. Você tem responsabilidades lá e aqui existem muitos folhas para protegerem a vila, e eu posso visitá-los de vez em quando. Tudo se resolverá, nosso amor irá superar tudo.

—Sei que vai meu anjo. Vou lutar por nos.

Ficamos nos olhando por vários minutos até que meus lábios encontraram os dela. Vi ela fechar os olhos para só então fechar os meus, rocei meus lábios nos dela, mas nunca tive muita paciência, por isso logo pedi passagem essa logo foi concedida. Nos beijamos com vontade e fúria, sua língua acompanhando a minha em uma dança veloz mais sensual. Meu fôlego já estava no fim, mas mesmo assim não queria findar aquele contato. Jamais havia provado uma boca tão saborosa. O maldito oxigênio se fez necessário tanto para mim quanto para ela. Me afastei um pouco, mas logo voltei, mordiscando seus lábios de leve.

Não sei exatamente quanto tempo já havia passado e tampouco me importa. Só quero ficar aqui com ela, nesse momento estamos agarrados e deitados na margem do lago, sendo iluminados pela lua e observados por muitos, parece que um ia chamando o outro. Tinha dezenas deles nos observando, até parece que estão no cinema! Aquela situação já estava me cansando, não beijar ela, mas sim ser observado como um animal de circo e pior ter todos aqueles olhos presos na minha loirinha, que nesse momento está deitada no chão com meu corpo por cima e minhas mãos passeando. Às vezes ela soltava pequenos gemidos que estava me levando a loucura.

Mas eu tinha de pensar na minha imagem e na dela, por isso era hora de irmos embora.

—Vamos Ino, vou te deixar em casa. –Ela me olhou surpresa por um momento e depois sorriu docemente. Nos levantamos e a vi sacudir as roupas para tirar a terra e as folhas, eu não precisei afinal minha armadura de areia repele tudo isso.

—Gaara, como vai ser daqui para frente? Você tem que ir embora amanhã, né?

—Não meu amor, vou mandar Kankurou e a comitiva para Suna amanhã e eu fico.

—Não tem problema?

—Não, posso ficar um tempo aqui ainda. Mas não posso demorar muito.

—Tudo bem, eu só preciso de um tempo para conversar com meu otou-san.

—Amanhã mesmo compro as alianças e faço o pedido oficial.

—Que pedido?

—Ora Ino você não espera ir como minha amiga não é? Vamos nos casar, até por que você não pode sair de casa sem estar casada.

—Você esta me pedindo em casamento?

—Eu preciso? Achei que você já tivesse dito que quer ficar comigo.

—E disse, mas casamento é outra coisa Gaara! Tem que ser romântico e inesquecível.

—Se é o que você quer. –Me ajoelhei de frente para ela e sorri –Yamanaka Ino aceita se casar comigo? –Ela sorriu e eu me ergui, no exato instante ela me abraçou.

—Mas é claro que sim Kazekage-Sama.

Sorrimos abertamente um para o outro, demos as mãos e fomos andando em direção a casa dela.

O caminho foi bem tranqüilo, conversamos um pouco sobre as coisas em Suna e ela logo quis saber sobre a moda de lá, como se eu soubesse de algo assim.

Quando me dei conta já estávamos no portão da casa dela e os raios de sol já apareciam no horizonte. Me despedi e fui para o hotel.

E como esperado minha comitiva estava pronta para partir e loucos de preocupação. Não que fosse realmente necessário.

—Gaara! Você demorou.

—Eu já disse que não precisam se preocupar tanto comigo, eu sei me cuidar.

—É inevitável Gaara, você é meu irmão mais novo. Mas então? O que você vai fazer agora? Encontrou sua resposta?

—Uma pergunta de cada vez. Sim, eu encontrei minha resposta. Temari. –Ela estava um pouco atrás com um sorriso terno.

—Sim? –Ela se adiantou e parou ao lado do Kankurou, que estava na minha frente.

—Escolha um pequeno grupo da comitiva para ficar aqui, em Konoha, conosco.

—Pode deixar. –Ela se virou e começou a chamar alguns para dentro do hotel.

—Você vai ficar em Konoha? Mas por quê?

—Sim. E antes que você pergunte irei responder. – olhei para todos os meus ninjas que me olhavam ansiosos, e até mesmo aqueles selecionados por Temari que espiavam da porta. – Espalhem a noticia por meu povo, digam de minha grande felicidade. Acabo de ficar noivo.

—NANI?! –É claro que tinha de ser o escandaloso do Kankurou já que Temari já sabia e meus ninjas foram treinados para esconder esse tipo de reação. Mas acho que o susto fora tão grande que vi alguns olhos arregalados e bocas abertas de estupefação.

—Isso mesmo que você ouviu Kankurou irei me casar em breve e assim retorno para Suna, levando a primeira dama comigo.

—Como assim você vai casar?! Do nada?

—Não é do nada Kankurou, eles já estão juntos há muito tempo. Mas não queriam chamar a atenção. –Temari que já estava fora do hotel de novo, sem sua mochila, sorria para mim. Se eu não soubesse que ela sabia poderia até jurar que ela estava feliz por mim.

—Agora chega de conversa, é uma longa caminhada até Suna, portanto vão logo.

—Matte Gaara! Me explique melhor essa historia de casamento. –Vi seus olhos castanhos se estreitarem em suspeita. –Os conselheiros não estão te obrigando não é Gaara? –era aceitável ele desconfiar dessa forma uma vez que os conselheiros já tentaram uma vez. Mas daquela vez cometeram um erro trágico: deixaram que Kankurou soubesse, e ele foi contra, ameaçando fazer um monte de coisas. Acho que meu silencio foi mal interpretado, ou talvez muito bem, por que vi a face dela se contorcer em ira, assim como seus olhos faiscavam de puro ódio. –Não vou permitir que eles façam isso com você, não vou os deixar brincarem com sua vida dessa forma!

—Acalme-se aniki, não é nada disso. Estou me casando por que quero, na verdade só não anuncie antes por que minha noiva estava receosa com a reação dos conselheiros, tanto de Suna quanto de Konoha. –Seus olhos expressavam desconfiança, mas ele decidiu não falar nada, por enquanto. Eu o conheço muito bem para saber que logo ele vai tocar no assunto.

—Está bem, se você diz. Mas será que posso, ao menos, saber o nome da minha futura cunhada? –Ótimo, agora ele parecia magoado por eu não ter falado nada antes. –Ela é de Konoha, certo?

—Sim, ela é uma Konuiche daqui. Você a conhece é a Ino. –Sua expressão franziu mais ainda, mas parece que ele gostou.

—Se é assim por que a demora?

—Ainda tenho de falar com a Hokage, com os pais dela, afinal ela vai se mudar para Suna precisa estar casada.

—Então ela decidiu ir com você?

—É Tema, eu disse que ficaria aqui se ela quisesse, mas ela sabe que o povo precisa de mim, por isso ela vai comigo.

—Perai, você estava disposto a deixar Suna por ela?

—Qualquer coisa por ela. –Não esperei para ver a reação deles, abaixei minha cabeça e entrei no hotel, queria dormir, precisava muito descansar. Ainda existe muito pela frente.

Notas finais
Bom gente prometo que o proximo não vai demorar tanto e vou tentar fazer com dois de novo.
Qualquer duvida, critica e sugestão é só mandar!!!
Kissu Kissu