Mudanças

14 Que bons ventos nos tragam o que sonhamos


Notas iniciais
Oiiiiiii Povo do meu coração, tenho de pedir desculpas pelo atraso, mas eu fiquei se net, ai ela voltou ontem, mas tava uma merda(tá ruim hje tbm,mas da para usar) ai eu postei ontem e ficou aquela bagunça, mas não se preocupem que eu nunca vou deixar um capitulo bagunçado.
Aí está e espero que curtam...
Mas antes um pequeno agradecimento a hYUKA-CHAN, muito obrigada por seus comentarios e pelo boa noite. Esse capitulo é dedicado a você e a todos os outros que não me abandonaram!

Ótimo!Tudo o que falta agora é me dizerem que existem alienígenas. Marcianos que vivem disfarçados entre nós. E que o “M.I.B. Homens de Preto” existem. Nunca que eu pensei que me casaria com o Shika. É surreal, impossível, e todos os adjetivos desse gênero. Putz! Não sei mais o que fazer.

Tá teoricamente, eu sei o que fazer: enganar todo o país do vento e toda Konoha me casando com o Shikamaru e salvar milhares de vidas. Até ai tudo bem, o problema é eu ter de enganar todo o país do vento e toda Konoha me casando com o Shikamaru.

De qualquer forma á única coisa que eu posso fazer agora é me esforçar para ter êxito nessa missão. E é provável que nos nem tenhamos de ficar casados por tanto tempo assim. Na verdade é bem provável que eu logo fique viúva, se eles tão pensando que eu vou agir como essas bobocas que passam a vida toda atrás de um príncipe encantado, que acabam se casando com um machista barrigudo e passa o resto da vida correndo atrás de criança, lavando e cozinhando para o marido, eles estão muito enganados.

E também não vou parar de fazer missões. O mundo pode se explodir e eles podem fazer a ameaça que quiser que eu não vou deixar de ser uma ninja! Mas nem que a vaca tussa, espirre e limpe a meleca com um lencinho! E muito menos deixar de ser de Suna, o que eu posso aceitar é morar aqui pelo tempo do casamento, mas se tiver algum problema em Suna eu vou lutar por lá e lá! Mas que idiota que eu fui. Eu devia ter dito tudo isso na sala da Hokage, mas fiquei tão... sei lá, surpresa? Feliz? Perdida? Com esse casamento que eu nem pensei no que tudo isso vai implicar. Perai! Eu disse feliz?! É claro que não, esse casamento me deixou tão aérea que nem consigo pensar com clareza mais.

Quem ficaria feliz tendo de ser casar, sendo forçada na verdade, com o estúpido do cara por quem você se apaixonou perdidamente?!

Quem iria ficar feliz se casando com um garoto ridiculamente perfeito em tudo?! Lindo, sarado, carinhoso, gentil, forte, determinado, leal, que tem o sorriso mais perfeito e iluminado do universo?! Claro que ninguém se alegraria com isso. É o inferno! É completamente... Quem eu estou tentando enganar? Já sinto meu rosto encharcado pelas lagrimas que eu segurei durante toda a reunião na casa do Sasuke. Eu não choro dessa forma desde que o conselho de Suna prendeu aquele monstro no meu irmão, desde que ele virou uma ameaça para o meu pai, o quarto Kazekage, e ele passou a tentar matá-lo. Por muito tempo eu me fiz acreditar que essas lagrimas tinham secado, mas aqui estão elas de novo, me mostrando o quanto eu sou estúpida.

Eu ter me apaixonado de fato não é o problema, mas nunca fui muito boa com esses tipos de assunto. É por isso que eu o trato dessa forma dura e pouco amistosa. Eu agir assim com os ninjas é normal, é preciso ter voz de comando com aquele bando de bundas moles. Mas em casa, com meus irmãos e as pessoas mais próximas, com minhas amigas eu sou completamente diferente, sou doce e suave. Mas não dá para ser assim com ele. Ino já me aconselhou a tentar tratá-lo de forma mais gentil, mas sempre que estou perto dele eu travo. Simplesmente fico tão nervosa que não consigo agir normalmente. Sentir aquele cheiro que ele tem, tão másculo e ao mesmo tempo tão suave faz minhas pernas ficarem bambas, quando vejo um sorriso naquele rosto lindo, por menor que seja, o mundo pode acabar naquele instante. Outro problema que me persegue é: como uma pessoa como ele pode sentir algo por mim? Não falo isso tendo pena de mim mesma, não tenho esse tipo de coisa, mas seria esperar demais ele retribuir meus sentimentos, não é?

Tudo bem que a Ino vive dizendo que ele gosta de mim, e que todo o clã dela vai se decepcionar por eles não acabarem se casando, por que são essas as expectativas deles segundo ela. Mas eu não posso me deixar acreditar nisso, o que importa agora é que evitar outra guerra ninja está em minhas mãos e para evitar aqueles horrores vale a pena qualquer sacrifício.

Talvez seja melhor tentar dormir um pouco, descansar e me preparar para amanhã. Nem quero pensar nas conseqüências do que vai acontecer. Não falamos sobre isso, mas pelo o que eu sei do clã Nara, a família do meu noivo (é melhor eu me acostumar com isso), ele são muito desconfiados. Não é a toa que são todos da inteligência de Konoha e conhecidos como ótimos estrategistas,então o melhor é cuidar para que eles acreditem logo nessa historia. O que eu acho que não vai ser muito fácil.

A melhor estratégia para se conquistar meus futuros sogros, segundo Ino que já os conhecia, era ser doce e amável. Até dramática se possível, já que a mãe dele é meio, totalmente, desequilibrada

Temari você já está esquecendo seu objetivo, de novo. Dormir agora! Já sei o que fazer, mas não posso ficar remoendo isso agora, tenho de descansar e me preparar.

Mas como eu nunca me obedeço, os pensamentos continuaram vagueando pela minha cabeça, e a ultima coisa de que me lembro antes de cair em um sono profundo e sem sonhos é do rosto dele, no dia que lutamos no exame chunin. A expressão dele naquele dia era tão forte e decidida e as palavras dele fizeram eu me sentir segura e protegida, não pronta para lutar, mas sim acolhida, com alguém na minha frente pronto para segurar qualquer ataque por mim. Como a muito eu queria me sentir.

Acordei muito bem disposta e bem resolvida. Não havia mais medo em mim, o que tiver de ser será. Vou ser eu mesma, é muita infantilidade minha ficar desse jeito, principalmente agora que nos vamos nos casar. Sem contar que ele é tão doce que mesmo sem retribuir meus sentimentos ele será simpático e irá me ajudar.

É isso. Chega de bancar a idiota estúpida, hora de crescer.

O relógio na parede marcava 11h00minh. Até que acordei cedo se levar em conta o tanto que eu bebi ontem e à hora em que eu consegui pregar o olho. Me arrastei para o banheiro, tomei um demorado banho quente. Desci para tomar café junto de todos os outros da comitiva, já vestida com meu habitual vestido preto e a cintura circundada por um obi vermelho e é claro com meu leque a tira colo. Não ando sem ele.

Acho que exagerei quando falei café, tava mais para almoço. Mas por mim tudo bem, quando eu estou com fome não costumo prestar muita atenção no que eu estou engolindo.

Me sentei na maior mesa, por que os caras de lá me convidaram e seria chato fazer uma desfeita, e pedi uma yakisoba, estava com fome, é verdade, mas ao mesmo tempo meu estomago parecia não querer aceitar nada. Nervosismo.

Comi em completo silencio e nem prestei atenção no que aqueles patetas faziam. Não tinha a menor intenção de ficar sorrindo para aquelas historias ridículas deles, em que a maior parte era mentira. Mal eu havia terminado de comer e vi a empregada descer sem a bandeja do Gaara, sinal de que ele estava acordado.

Bom já era hora de começar a agir.

Subi as escadas com calma, ouvi alguém me chamando, mas não dei a menor atenção. Estou totalmente sem humor para eles hoje.

Como sempre a porta estava fechada e como eu não sou empregada dei logo umas porradas na porta. Empregada é que tem de ser delicada e gentil, mesmo sendo tudo falsidade.

Não demorou muito e eu fui logo entrando, não tem por que eu ficar fazendo cerimônia com o meu pequeno irmãzinho, mesmo tendo uma grande possibilidade de eu sair de lá como um cadáver.

Sentei na cadeira de frente para ele e pousei os papeis e a caneta na mesa, roubei uma das torradas dele, adoro a cara dele quando faço esse tipo de coisa. Acho que ele sente falta dos tempos em que eu e o Kankurou tínhamos, simplesmente, pavor de até mesmo falar com ele.

Sorri marota, posso até imaginar o medo que ele está sentindo do que eu estou pensando em escrever.

—Podemos começar? –Ele nem se deu ao trabalho de responder só pegou a caneta e puxou um papel para mais perto, com uma cara de enterro. Mas até que eu estou sendo boazinha, nem pensei em algo muito comprometedor para escrever.

—Então lá vai. —Ditei a carta com a voz calma. Não falei nem muito rápido nem muito devagar, se o Gaara achasse que eu estava tratando ele como um retardado ele me esgana, e se eu falar muito rápido ele emburra que nem criança e não faz mais nada. Terminei e fiquei encarando a cara de bobo dele, pelo visto ele gostou, ou o mais próximo disso possível.

—O que está esperando? – Sutil como o habitual. Nem ligo mais para isso, ele é, sempre foi e sempre será um chato.

—O que achou? – Ele me olhou como se dissesse que aquela era a minha deixa para sair, mais eu não ia sem a opinião dele.

—Está melhor do que eu esperava. –Ui! Ele admitiu que uma carta romântica escrita, ou ditada se preferir, por mim está boa. Uma carta que vai ser assinada por ele. O.K. Isso é só um sonho, não é real, não pode ser real. –E o que você fará a respeito do Nara, não me lembro se decidimos isso ontem.

—Na verdade não falamos sobre isso ontem, acho que esquecemos. Assim como esquecemos o Naruto e a Hina. –Bem que eu notei que ele estava tão perturbado com o casamento que nem percebeu o que acontecia ao seu redor. Por mais que ele não quisesse demonstrar ele estava abalado. –Hina já deu um jeito, ou melhor, deu um beijo. De tirar o fôlego, bem no meio da vila. Tratamento de choque.

—Entendo. Se for só isso pode se retirar Temari.

—Encheu acara ontem, né? Seu humor ta pior que o habitual. Tenho dó da Ino. –Sério ele e a Ino juntos vai dar merda. Acabou-se o sossego em Suna. –E quanto ao Nara vou conversar com ele mais tarde, ele vem aqui já que é meu guia oficial. —Não que fosse da conta dele, mas não é muito bom para a minha vida deixar o Gaara na curiosidade. Ele não admiti, mas é muito curioso. Levantei, mas antes de ir peguei outra torrada dele. Qual é? Irritar ele é meu passatempo predileto.

—Está bem. –fui até a porta, vou me arrumar para esperar o Nara. Não que eu queira impressionar ele. Não é nada disso. É só que... Tá, eu vou me arrumar para o Nara! Algum problema em querer agradar? Não estou fazendo nada demais. –Tome cuidado.

Soltei uma risada escandalosa, meu habitual. Não rindo da cara dele, mas é engraçado ver ele preocupado. Engraçado e difícil, e posso ser arrogante em afirmar que é só para mim e por mim que ele já agiu dessa forma. Nunca vi ele expressar qualquer preocupação por outra pessoa que não fosse eu. Até mesmo com Kankurou ele era mais frio, preocupado, mas sempre frio.

—Pode deixar maninho. – Sorri sincera e sai. Ele demonstrar o que está sentindo e que está sentindo algo é um milagre. Ele fazer isso duas vezes seguidas é impossível. Portanto esperar por uma terceira é muito mais do que loucura. Caminhei direto para a porta do fim do corredor, meu quarto. Mas no caminho tinha outra porta e esta foi aberta no exato instante em que eu passava. Como se estivesse me esperando.

E é claro que estava.

Parado em frente à porta estava Kankurou de cara fechada. Provavelmente está se sentindo magoado por estar de fora. Não era muito normal eu e o Gaara conversarmos a sós por muito tempo. Fora que ontem nós dois fomos chamados para a sala da Hokage. Na verdade Gaara já estava lá.

De qualquer forma Kankurou ficou muito puto por não ter ido ontem. Depois eu cheguei de madrugada e Gaara praticamente de manhã. E agora eu fiquei alguns muitos minutos no quarto dele.

Sem contar que ele é muito, mais muito ciumento mesmo.

—Será que posso dar uma palavrinha com você? –Adoro quando ele é irônico. Ele fica tão fofo fazendo essa carinha de gatinho sem dono.

—Sem drama Kankurou. O que foi?

—Como assim o foi? Eu quero saber o que aconteceu! Vocês simplesmente passaram a noite inteira fora, depois agem como se nada estivesse acontecendo.

—Não é nada com que você deva se preocupar.

—Como assim? Vocês são minha família! Me preocupo com vocês!

—Está tudo bem. Na verdade mais do que bem. Essa noite nós fomos beber sakê na casa do Sasuke, sabe rever os amigos e falar besteira. As meninas também estavam lá. Não aconteceu nada demais. –Ele soltou um suspiro cansado e relaxou, um pouco, os músculos dos ombros.

—Se você diz, mas você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa, não é? Vou cuidar de vocês dois. –Ele é mesmo um fofo. Um fofo que vai ficar muito puto quando souber a verdade. – E antes de sair troque essa roupa.

—Hein?! –Eu já estava praticamente na porta do meu quarto quando ouvi a voz dele de novo.

—Eu mandei você trocar de roupa. Você não vai sair com esse vestido minúsculo. –Ri alto de novo, tá bom que eu vou obedecer esse energúmeno.

Entrei no quarto e fui escolher uma roupa. Com toda essa historia eu acabei me atrasando.

Uma meia hora depois eu pude sentir o chakra dele se aproximando pela floresta, é bom que ele dê a volta. Seria péssimo, para a imagem de um casal, ele vir pela floresta.

Terminei de me vestir atenta aos movimentos dele. Que muito sabiamente deu a volta. Assim que ele apontou na estrada eu saí. Fiquei em pé na porta com um sorriso no mínimo suspeito, ele andava calmamente com uma expressão pensativa, como sempre. Ele pareceu se alegrar ao me ver e eu tratei logo de disfarçar sorriso. Não como sempre, até por que eu decidi que serei mais real e sincera agora. Mas também não vou ficar mostrando todos os dentes da boca, isso era o cúmulo. Vi os passos dele se deterem no portão de entrada, ele estava me esperando. Rodei os olhos, pura preguiça tenho certeza. Aumentei o passo, ansiosa por encontrá-lo logo. E também porque eu sinceramente não queria a provável confusão que iria se iniciar. Por que a cara do Shika era a de quem vai matar um na primeira oportunidade. Quase posso ver ele saltando em cima do Saori, meu eterno pretendente. Vive dando em cima de mim, mas eu não dou bola. Ele é exatamente o oposto do Shika. É um bobão alegre e burro.

Parei na frente dele, apenas um passo nos separando. Ele me olhou atentamente e pude sentir seus olhos se prenderem nos meus lábios e aquele momento foi único. Me senti a mulher mais linda, forte e desejada de todo o mundo. Mas logo uma sombra de tristeza passou por suas feições. Ele desviou os olhos para o lado e respirou fundo algumas vezes. Tentando manter o controle. Mas por que? O que ele pensou que o entristeceu? Será que eu fiz alguma coisa que ele não gostou? Até um momento atrás eu achava que nós poderíamos ter uma chance. Que se ele não gostava de mim poderia se apaixonar. Mas parece que eu estou errada. Parece que ele não quer me amar.

—E aonde desejas ir hoje? –Fui despertada dos meus devaneios pela voz suave dele, encarei seus olhos e vi que seja lá o que ele queria controlar ele conseguiu. Podia ser interpretação mas aquele olhar era tão intenso que eu corei. E isso é extremamente vergonhoso. Minha sorte, ou azar, foi que Saori resolveu se intrometer se não ia ter até baba escorrendo aqui. Esse é o estado que ele me deixa.

—Temari-san, achei que hoje você estaria de folga. Para se preparar para a volta a Suna. –Saori se postou do lado dele, fingindo que o Shika não estava ali. Imbecil, só conseguiu piorar a situação, por que a cara do Shika promete uma quinta guerra ninja. Ta até pior que o Gaara, isso por que o Gaara nunca ouviu ninguém falar dessa forma comigo.

—Vamos logo Tema, a gente não ia dar aquele passeio hoje? –Ele ignorou Saori, mas a expressão ainda era homicida, mas em um instante ela suavizou. O vi estender as mãos e só me dei conta do que ele fazia quando seus dedos se entrelaçaram nos meus. Agora ele chutou o pau-da-barraca, mas eu gostei. Demos ainda uns dois passos, mas mais uma vez fomos interrompidos. É sério ele vai matar o Saori.

—Aonde vai, Temari-san? –E eu também. E vou matar ele bem dolorosamente. Eu nunca dei liberdade para ele me chamar e se intrometer na minha vida dessa forma. E o que me deixava mais puta é que ta todo mundo encarando essa cena e eu já posso imaginar os futuros boatos.

—Não é da sua conta! –Ele foi extremamente rude agora, mas muito claro também. Se ele não entendeu agora não entende nunca mais.

—Como assim? –Agora eu mato mesmo. Que burro ao extremo!
—Agora eu vou sair com o Shika e mais tarde eu falo com o Gaara, Saori. —Sai puxando o Shika pela mão. Eu tinha de me afastar o quanto antes.

Fomos andando pela vila de mãos dadas ganhando olhares de todos os moradores, até parei para conversar com algumas pessoas. Fui simpática ao extremo. Bati papo e falei sobre assuntos fúteis. Tudo para fazer com que todos acreditassem naquilo. Não falamos nada, mas o caminho me revelou que estávamos indo para o clã Nara. Bom acho que vou conhecer meus sogros.

—Tema, minha mãe é um pouco difícil de se lidar. Você vai ter de ter um pouco de paciência.

—Relaxa Shika. Paciência é meu nome do meio!—Mentira! Tá ai uma coisa que eu não tenho. Mas tudo bem, não há nada que eu não faça por ele, ou melhor pela paz. Olhei em direção a enorme casa e pude ver uma mulher morena muito bonita, e sua expressão me fez gelar. E olha que não é qualquer um que me bota medo. Seus olhos negros estavam fixos em nossas mãos unidas, dei um pequeno sorriso maldoso. Logo esse sorriso aumentou. Adoro provocar. Virei para ele e dei um demorado selinho. E mesmo não sendo um beijão daqueles foi delicioso. Podia ficar daquela forma o resto do dia. Me soltei dele e sai o puxando em direção a casa. Vamos enfrentar a fera.

—O que vamos dizer, exatamente?—Escutei sua voz soar baixa e meiga, e meu sorriso de retardada aumentou mais ainda. Continuei encarando o chão quando respondi.

—Não sei, apenas me apresente e veremos como as coisas vão acontecer. —Falei baixinho, estava um clima de paz tão gostoso que eu não quis falar muito alto para não estragar.

Podia sentir a mão dele tremer levemente. Bom pelo que a Ino falou é para ter medo mesmo. A mulher, segundo a Ino por que eu não quero fazer um pré-julgamento, é um demônio. Literalmente. Caminhamos com os passos longos, mas vagarosos. A cada passo que dávamos minha mente disparava em busca de meios e formas de resolver aquela situação. Mas a única saída era conquistar os pais dele e isso eu já sei como fazer. Por que, modéstia a parte, eu sou muito boa nisso, em conquistar a simpatia das pessoas.

—Shikamaru, aonde você foi? Achei que iria trabalhar o dia todo na torre da Hokage. –Assim que chegamos ela foi perguntando, nem deu oi. E se eu precisava de alguma confirmação de que ela estava muito brava essa veio com o olhar dela sobre mim. Já ouvi dizer de mãe ciumenta, mas essa ta extrapolando.

—Esta é a Temari, mãe. Ela é minha noiva. –Uou! Eu tenho de aprender esse olhar mortal. Tipo foi muito do mal. Mas é lógico que eu não posso mostrar que percebi, portanto lá vai eu bancar a idiota.

—Oi! Eu estava louca para conhecer a senhora. E não se assuste, o Shika só me pediu em casamento hoje. Ele foi tão fofo e me falou tanto da senhora que eu não pude deixar para conhecer a senhora depois, eu tinha de vir agora. –Qual é? Não é falsidade é competência! Não tenho culpa de ser muito mais do que boa em tudo o que eu faça. E lá se foi meu ego, está fora de orbita no momento. Fui inocente e soube puxar o saco na medida certa. Cara eu sou muito mais do que perfeita.

—Mas por que você não me falou antes que estava namorando serio meu filho? Você não acha que eu devo participar da sua vida também?! –bom até agora está tudo indo como eu achei que seria, primeiro a revolta, agora o drama. Tudo o que me resta fazer é bancar a boazinha inocente e ver o que acontece.

—Não o culpe Sra. Nara, mas será que podemos entrar para conversarmos melhor? Não gosto de expor minha vida para os outros. –Sério que eles não notaram que todo o mundo estava encarando aquele principio de discussão?! Bom mais isso não importa. Ela corou e nos deixou passar, menos mal. Entramos na casa impecável. Bem que eu notei que ela era do tipo de dona de casa que vive pela casa. Totalmente o oposto de mim. A sala era no estilo aristocrático, deixava bem claro que eles eram os lideres, os maiorais. Mas eu não vou morar aqui, mas não mesmo. Enfim, nos sentamos em um sofá claro de dois lugares e ela saiu dizendo que ia chamar o pai do Shika. E, segundo a Ino, esse é que é o difícil. Quase impossível de dobrar e muito desconfiado, portanto é bom não insistir muito por que se não só vai gerar mais desconfianças. Então nesse caso o certo é dar tempo ao tempo.

Nossa, o pai dele é um poço de simpatia. Tudo o que ele fez foi sentar de frente para a gente, com a expressão mais séria e do mal que eu já vi. Tenso! A mãe dele se sentou do lado do pai dele e sorriu para mim. Essa ta no papo. Senti ele respirar fundo, sorrir minimamente e falar.

—Pai esta é Sabuko no Temari, minha noiva. –Uma ruga de tamanho gargantuesco, ta talvez não tão grande assim, mas no resto a expressão permaneceu a mesma. Certo, ele deve estar analisando tudo o que está acontecendo. Ser desconfiado é a primeira qualidade de um estrategista.

—E onde esta a aliança? –Sabia que tinha esquecido alguma coisa. Mas isso não importa, na verdade pode até dar credito a noticia.

—Ele só me pediu hoje de manhã, ainda não tivemos tempo de comprar nada. –Dei meu melhor sorriso e só faltei saltitar para mostrar minha alegria. Com certeza fez efeito, ele relaxou os ombros um pouco, mas não o suficiente para acreditar totalmente.

—Sabuko no, não é? –concordei com a cabeça e mantive o sorriso nos lábios. Estou me segurando para não rir na cara dele. –Irmã do Kazekage, certo? –Afirmei de novo e fingi que não estava percebendo o interrogatório. –Por que você só esta nos contando isso agora? Presume-se que você se casaria escondido por não ter falado nada por todo esse tempo. –Uou (de novo)!Já disse que os pais do Shika são fodas ao extremo? Então eles são fodas ao extremo! Depois dizem que minha família que não era carinhosa, depois dessa eu cuspia no chão e saia nadando, pelo menos eu faria isso se não tivesse uma coisa mais importante que fazer. Tipo fazer esse cara acreditar no meu casamento com o filho dele para evitar uma possível guerra e salvar milhares de vidas. É isso ai, estou me sentindo a Mulher Maravilha. Pior, né? Eu até vôo. Gostei, mas agora eu tenho de manter o foco. Depois eu vejo sobre essa historia de ser super-heroina. Porque isso eu com certeza sou.

—Como eu dizia a sua esposa, antes, ele não ter falado nada foi culpa minha. Como o senhor mesmo ressaltou eu sou irmã do Kazekage e por isso mesmo... é complicado. –Fiz minha melhor, ou pior dependendo do ponto de vista, cara de drama e continuei. –Meu irmão já sabe, e de certa forma nos apóia. Até mesmo nos apoiou contra o conselho. —Eu já disse que adoro essa cara de inocente, falsa é claro, mas totalmente convincente.

—Então a Hokage já sabe?

—Sim Sr. Nara, na verdade ela descobriu e contou ao meu irmão. Na hora ele quis matar o Shika, foi realmente complicado. Mas mesmo sendo difícil, o Shika nunca me deixou.—Agora é ressaltar as qualidades do filho dele, isso já está virando muita puxação de saco para o meu gosto. Quero ir embora.

—Vocês querem que eu acredite nisso? –A dona Nara já estava no papo, até cutucou, nada discretamente em minha opinião, o Sr. Nara que fez a pergunta esperada.

—O que você quer dizer com isso?—É as coisas estão seguindo da melhor forma esperada.

—Eles estão te obrigando a se casar, Shikamaru? –O Sr. Nara ignorou a mulher e pelo olhar dela ele vai se arrepender disso depois. Não se ignora uma mulher, especialmente se ela quiser saber alguma coisa.

—Não pai, eu estou me casando por que eu quero. Eu realmente amo a Tema. –Definitivamente a cara de estressado dele melhorou e muito depois dessa resposta, e não posso negar que meu sorriso aumentou também. Eu amo ele e o ouvir falar dessa forma é realmente perfeito. Mais do que perfeito.

—óh, que ótimo. Nos temos de começar os preparativos para o casamento. –Tenso! Há alguns minutos atrás ela me lançou um olhar de profundo ódio e agora já quer começar os preparativos do casamento.

—Deixe para depois mãe. Agora eu e a Tema queremos ficar um tempo juntos.—Perfeito Shika. Tudo o que eu preciso agora é estar em algum lugar onde eu não tenha que mentir ou convencer alguém de uma mentira.

—Está tudo bem. Os pombinhos querem um tempo á sós.

Sorri de novo e senti ele me puxar gentilmente. Saímos da casa de mãos dadas, podia sentir os olhares deles postos em nossas mãos unidas. Vi, também, o Shika corar. Ele era tão gracinha!

Fofo ao extremo!

Não sei para onde ele está seguindo, mas algo me diz que é para algum lugar onde se possa ver as nuvens. Ele adora isso e provavelmente o acalma. E o fato dele ainda estar segurando minha mão, mesmo depois de termos saído do campo de visão de todos, e me levando para o lugar que o acalmava, querendo a minha companhia era algo surreal. Nunca me senti tão leve e plena assim.

Algum tempo depois nos chegamos a uma clareira muito bonita. Era toda cercada de arvores, exceto um lado que era fechado por um rochedo de onde caia uma linda cascata de água pura e cristalina. Um ótimo lugar para relaxar. Eu podia perceber que os ombros dele estavam duros de tensão, ele pode ser muito inteligente em batalha, mas sofrendo aqui. E eu acho que ele precisa de colo.

Todos nós precisamos de colo alguma vez na vida. E agora era a vez dele. Deixei meu leque estendido no chão e me sentei. Vi ele me olhar por um momento e depois sorrir quando eu fiz um gesto para que ele deitasse a cabeça no meu colo.

E foi o que ele fez.

Ficamos daquele jeito e em silencio por um bom tempo. Não havia necessidade de falar nada naquele momento. Mas tudo que é bom dura pouco e logo ele puxou assunto com uma pergunta que eu nunca iria conseguir responder.

—O que vai acontecer daqui para frente? –Minhas mãos tinham soltado os cabelos dele e fazia um carinho suave nele. Por um momento eu achei que ele estivesse dormindo, já que sua respiração estava calma e ele sossegado. Por vários minutos eu não respondi nada. Não por vergonha, mas sim por que realmente não saber o que ele queria como resposta.

—Eu não sei, mas nós vamos descobrir.

Ele fez um carinho na minha perna com as pontas dos dedos e um arrepio gostoso subiu pela minha espinha. O tempo não parecia transcorrer ali, mas logo a tarde começou de fato a cair, o céu escureceu rápido.

Já era noite, umas seis ou sete horas, e nós agora observávamos as estrelas. Uma visão muito mais do que linda.

Ele se levantou e me deu a mão, me icei para frente e logo saímos andando, meu leque novamente preso nas minhas costas. Não gostava de ficar carregando ele pra cima e pra baixo, mas os conselheiros acham mais prudente. Seguimos direto pela floresta, pulando de galho em galho nas copas das arvores. Logo vimos à entrada dos fundos do hotel.

—Acho melhor você me deixar na porta da frente.

—É claro.

Demos a volta e seguimos pela rua central. De mãos dadas. Todos os ninjas de plantão encararam nossas mãos juntas. Senti minhas bochechas arderem. Tenho de me acostumar logo com isso. Paramos em frente à porta central e nos encaramos por alguns instantes. Seus olhos percorriam todo meu rosto como se quisesse memorizar todo ele. Com se quisesse encontrar algo em meus olhos. Céus, como ele consegue ser tão perfeito?! Tão romântico e doce, mas sem deixar de ser másculo e viril. Definitivamente ele é o homem perfeito, dos meus sonhos e todas aquelas expressões bobas de meninas apaixonadas.

—Vou entrar. Logo o Gaara vai ir se encontrar com a Ino. –Ele me sorriu e abaixou o olhar. Ficou encarando nossas mãos de dedos entrelaçados. Um sorriso bobo cresceu nos meus lábios.

—E seu irmão mais velho? –Sua voz foi baixa e serena.

—Ele deve ir embora amanhã de manhã. É melhor ele ir e só saber da noticia lá, assim a gente garante que vou ter meu noivo vivo no casamento. –ele riu da piadinha e voltou a me olhar nos olhos. Parecia que para ele era tão difícil dizer “até logo” quanto para mim. Mas parece que tem de ser dito, então...

—Até amanhã, então. –Ele se curvou e tocou meus lábios com os deles, ainda de olhos abertos encarando os meus. Aos poucos meus olhos foram se fechando e o selinho se tornando mais firme. Senti a língua quente e macia dele me pedir passagem, que eu logo concedi. Suas mãos, antes postas nas laterais do meu rosto, desceram para minha cintura e ele me abraçou firme. O beijo se tornou faminto e em poucos minutos meus braços rodearam o pescoço dele e retribui no mesmo nível. Separamos-nos por falta de ar, mas ele logo avançou para outro, mas um idiota morto veio atrapalhar.

—Temari-san, você demorou. Sabe aonde o Kazekage-sama foi? Ele saiu de tarde e até agora não voltou. Ele não disse para onde ia nem para o Kankurou-sempai. Que está muito preocupado viu? Com você e com ele. –Eu juro que se alguém não fizer ele calar aquela maldita boca eu vou matar ele. Minhas mãos foram em direção ao meu leque pronta para arrancar a cabeça do idiota do Saori. Ele até que é bonitinho e as meninas morrem de inveja por que ele é apaixonado por mim, mas eu não gosto dele. Será que ele é tão sem noção assim? O Shika foi mais rápido e olhou feio para ele.

—Pra você é Temari- Sama, e eu acho melhor você evitar se dirigir a ela de novo. E quanto ao lugar que ela vai isso não é da sua conta! E se você não reparou está nos atrapalhando. –Ui! Até eu fiquei com medo agora. Mas não tive muito tempo para falar, pois ele logo voltou a me beijar, com a mesma fome e desejo de antes. Correspondi de mediato. Beijamos-nos por mais alguns instantes, depois nos separamos.

—Até amanhã. –Respondi totalmente corada e satisfeita. Ele se afastou, mas não foi embora até eu entrar, isso por que o idiota do Saori ainda estava ali, nos encarando com a boca aberta. Entrei com um sorriso bobo no rosto e fui direto para o quarto. Preciso dormir e me preparar para amanhã.

Notas finais
Bom gente espero que tenha ficado bem(e não todo bagunçado) plisss não me chinguem e me mandem REVEIWS e até o proximo
Kissu Kissuu