Mudanças
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Notas iniciais
Só mais uma coisinha e eu deixo vocês lerem em paz!!! Gostaram da capa? Eu que fiz! *~* Espero que gostem, por que eu adorei!!!!
Sai do hospital quando aquela voz metálica maldita chamou pela Dr. Haruno. Foi incrível conversar com ela, ver que poderíamos nos dar bem quando eu não era implicante. Era bom ver ela sorrir e conversar normalmente comigo, coisa que ela não fazia á algum tempo. Se ela e o Dobe me aceitassem de volta era o que importava e isso finalmente está acontecendo. Mas não são só eles, quase todos me tratam bem e gostam de mim. Caminhei um pouco pelas ruas da vila, com uma expressão feliz. Alguns me encaravam com raiva ou medo, mas isso não importa. Nada vai conseguir me abalar de novo. Não sei exatamente quanto tempo eu passei por ali, mas quando o céu começou a escurecer resolvi que estava na hora de voltar para casa e me preparar para o meu encontro com a Sakura. Era tão gostoso falar dessa forma: meu encontro com a Sakura. Com a minha Sakura. Minha noiva e futura esposa. A mãe dos meus filhos. A senhora Uchiha.
Eu poderia passar o resto do dia e da noite dessa forma então era melhor parar antes que eu me atrase.
Já no distrito Uchiha caminhei por entre as casas abandonadas pensando que talvez eu devesse me mudar. Acho que a Sakura não vai gostar de morar aqui e nem quero criar meus filhos nesse campo de batalha manchado com o sangue e as lagrimas da minha família.
Tomei um banho rápido e vesti uma calça jeans preta colada e uma camiseta preta. Não era meu habitual, na verdade nenhum ninja usa jeans. É um tecido que dificulta nossa locomoção, então não é muito usado. Mas para ocasiões como essa eu posso abrir uma exceção. O relógio da parede da sala já marcava 8h. Sai de casa com passos rápidos. Na verdade nós não marcamos horário, mas acho que agora é um bom horário.
Segui para o apartamento dela recebendo muitos olhares tortos. Talvez usar esse jeans não tenha sido uma boa idéia. Quando cheguei no portão pedi ao porteiro para avisá-la que eu já estava ali, a esperando.
Minutos depois ela desceu usando um vestido na altura dos joelhos, vermelho e tomara-que-caia. Estava deslumbrante. Sorri e ela também. Certo, tudo vai dar certo. Nós vamos ficar bem. Todos nós.
Seguimos para o restaurante sem falar nada. Mas não era um silencio do tipo chato e constrangedor, era algo sereno e cúmplice. Como se as palavras fossem desnecessárias naquele momento. E de fato elas eram.
Eu já havia feito a reserva em um restaurante de massas e o mais romântico da vila. Se alguém não acreditar nisso pode matar por que é burro demais. Ou esperto demais para viver em sociedade.
Puxei a cadeira para ela e me sentei na sua frente. O garçom veio e nos escolhemos, pedi também um vinho. Algo bem doce e suave.
Passamos o jantar inteiro conversando sobre amenidades. O trabalho dela no hospital, minha provável nomeação para capitão ANBU, a vida alheia, especialmente a dos nossos amigos. Deixamos alguns comentários sobre futuros romances escapar e algum momento, que eu não sei quando foi, minha mão encontrou a dela em cima da mesa. Ela entrelaçou os dedos dela nos meus e eu fiz um suave carinho nas costas de suas mãos com meu polegar. Nunca me imaginei dessa forma, nem com ela nem com ninguém, mas devo admitir que não é assim tão constrangedor e muito menos humilhante.
Quando terminamos o jantar eu a levei para o apartamento dela e fomos o caminho todo de mãos dadas. E por mais que eu quisesse e tentasse o sorrisinho de bobo na saia do meu rosto. E nem do dela, o que tornava tudo melhor, mas irreal. Não posso acreditar que quando eu acordar amanhã as coisas sejam como hoje.
Nos despedimos com um singelo selinho na frente do prédio dela. Não vou negar que eu esperava que ela me chamasse para subir com ela, mas tudo bem. Tudo ao seu tempo. Nos vamos morar juntos mesmo e ainda vamos dormir juntos. Há, eu sou muito foda!
Mesmo que não tenha sido eu a conseguir isso e que ela esteja sendo obrigada, eu ainda sou muito foda!
Na volta para o distrito não encontrei ninguém, mais assim foi melhor, eu estava com uma cara tão alegre que era capaz de eu ser preso acusado de ser um impostor. Tenso isso, né?! Cheguei e fui direto para a cama, só parando para trocar de roupa. Como nas outras noites da minha vida foi cair na cama e dormir, mas dessa vez sem lagrimas, sem sonhos e nem angustias. Tudo o que me preenche é a Sakura.
Ainda podia sentir o cheiro dele impregnado em mim, o chakra dele se afastava rapidamente mais a sensação que eu tinha era de que ele ainda estava aqui, do meu lado. Céus, como eu posso continuar pensando nele se agora eu tenho problemas piores com que me preocupar? Meus pais. É obvio que eles sentiram o chakra dele se aproximando e agora se afastando da janela do meu quarto. Fora todo o tempo que ele passou aqui, mas ai eu poderia dizer que era qualquer coisa com o time Gai, mas o que eu vou falar agora? Eles já acharam suspeito minha reunião com a Hokage ontem. De qualquer forma é melhor eu falar com eles sobre meu relacionamento com ele e aproveitar e soltar o casamento da Ino com o Gaara. Essa é a melhor solução provisória. Ai na reunião de amanhã à noite nos, com certeza, estaremos mais calmos e racionais e então vemos a ordem cronológica, como tudo começou e etc. É tudo que dá para fazer. Mentir para eles vai ser dificílimo, especialmente minha mãe. Mas tudo bem é só que diferente das meninas esse meu casamento é egoísmo. Não estou salvando nenhuma vida alem da minha. Não estou protegendo nenhum amigo, ao invés disso estou condenando uma pessoa que não gosta de mim a viver ao meu lado. Não estou me sacrificando para fortalecer a vila, mas sim para salvar meu pescoço. Não há motivo nobre para mim, só egoísmo.
É por isso que daqui para frente eu sempre vou estar na linha de frente, vou fazer o sacrifício dele valer a pena. Vou proteger todos da vila com a minha vida, isso é o mínimo que eu posso fazer.
Estava distraída que nem notei quando meu irmão, Takeshi, entrou no quarto e parou ao meu lado, apoiado no batente da janela onde eu estava sentada. Mesmo tentando esconder meu susto ele notou e deu um risinho discreto. Ele vai me encher o saco por isso depois, mas agora ele só quer me ajudar.
—Convenci mamãe a me deixar falar com você antes dela te encher de perguntas que você, claramente, não quer responder. Sei que você não está bem e muito provavelmente não quer me contar o que está acontecendo, mas eu sou obrigado a te lembrar que sou seu irmão e não importa o que aconteça eu vou cuidar de você. –Talvez eu esteja sendo egoísta em pensar que sou egoísta. A verdade é que meus pais não vão aceitar minha morte e Konoha não precisa de mais um problema, especialmente com o clã Mitsashi. Permaneci em silencio, ainda não é a hora de falar. Vou ficar calada e amanhã depois de conversar com as meninas eu converso com eles. É pouco tempo, só preciso ficar quieta até amanhã.
—Não confia em mim? –Ótimo estou magoando ele, e eu não queria isso. Mas é melhor assim. –Não vai mesmo falar não é? –Continuei imóvel, o único movimento era o da minha respiração. Passaram-se mais uns cinco minutos e com um suspiro frustrado ele se afastou de mim. Caminhou até a porta e de costas para mim falou.
—Se você precisa de tempo tire-o, vou deixá-la em paz. E também vou convencer a mamãe a não te irritar, mas você não precisa enfrentar tudo isso sozinha. Estamos com você Ten.
Estava sentada naquela cama na mesma posição desde a tarde, quando eu fiz toda aquela cena com o Naruto na frente do meu otou-san. Não estava com animo para nada, uma empregada já havia me trazido uma bandeja com comida, mas eu não quis. Mandei levar de volta, e o pior foi o olhar malicioso que ela me lançou. Mas não era para menos, Naruto é um pedaço de mau caminho. Um verdadeiro deus grego. É claro que não dava para evitar de sentir ciúmes, mas ele não me pertencia de qualquer forma. Logo senti o chakra do Neji se aproximando da casa, há essa hora ele e a Ten já deviam ter feito a cena deles, eu espero que tenha dado tudo certo. E que minha amiga esteja bem. Neji passou direto pela frente do meu quarto e se dirigiu para o dele no fim do corredor. Me levantei lentamente e com passos lentos demais peguei uma muda de roupa quente e fui tomar meu banho. Quinze minutos depois sai do banheiro e fui direto para minha cama, do jeito que cai eu fiquei e logo peguei no sono. Um sono pesado e com sonhos bons, de um futuro feliz com o Shino. O que era meu maior desejo no momento. O que eu desejava para minha vida.
Acordei cedo, mais cedo do que eu queria. Me vesti e sai para o campo de treinamento do clã. Havia uns três ou quatro ninjas lá dentro, não precisei falar nada, apenas meu olhar fez com que eles saíssem rapidamente do meu caminho. É isso ai, é muito melhor ser odiada do que amada. Ou se preferir melhor ser temida a adorada. Simples assim. Era isso que meu pai queria que eu aprendesse, pois bem eu aprendi. Pena que essa lição será para prejuízo dele. Posso ser mau caráter quando preciso, mas não cheguei a perder meus valores. E nem vou perder.
Passei o dia todo treinando ali, vez ou outra alguém passava e me cumprimentava, mas ninguém tinha coragem de parar para treinar comigo face à força com que eu golpeava os troncos das arvores. Cheguei a derrubar uma delas. Tô nem ai! Eu vou mandar nessa bagaça toda mesmo. A tarde já caia quando voltei para casa. Só agora eu notei que não como nada desde ontem, mas não quero encarar meu pai e minha fome nem é tão grande assim, posso muito bem comer na volta, quando eu já tiver as respostas que meu quer.
Entrei pela janela mesmo e depois de um banho rápido segui para a casa do Sasuke, pela floresta mesmo. Não tô afim de ficar conversando com ninguém.
Vinte minutos depois eu já via os fundos do distrito Uchiha e lá dentro os chakras do Neji, Ino, Gaara, Sakura e Sasuke.
Ainda bem que eu passei na casa da porquinha entes de vir para cá. Eu não ia ficar aqui nessa casa só com esses retardados. Estamos aqui, no mais completo silencio, há uns vinte minutos. Céus, eu estou quase dormindo aqui. E o pior é eles ficarem encarando. Até Ino que era cara-de-pau mesmo estava incomodada, e eu podia ver isso claramente com a forma que ela se remexia a cada minuto.
E meu dia não foi dos melhores. Primeiro: fui dormir tarde por causa do encontro com o Sasuke e por isso acordei atrasada e cansada. Segundo: as coisas no hospital estavam horríveis. Alguns ninjas, que foram mandados em missão para matar alguns dos Zetsus brancos que sobreviveram à guerra, voltaram feridos. Ao que parece eles estavam em um numero maios do que o esperado. Estou completamente esgotada. E terceiro: os malditos comentários que eu fui obrigada há escutar o dia inteiro. Coisas como eu estar correndo atrás do Sasuke como quando eu era mais jovem, sobre eu ser boba entre outras coisas pejorativas.
Mas tudo bem, eu supero. Nunca liguei para esse tipo de coisa e não vou começar a ligar agora.
Logo senti o chakra da Hina se aproximando. Coitada, está vindo para esse tédio mortal. Minutos depois ela bateu de leve na porta e o Sasuke se levantou para atender. Ela não chegou a cumprimentar ninguém, apenas acenou com a cabeça e se sentou do meu lado. É isso, mais silencio. É serio, eu vou morrer se continuar desse jeito. O clima estava tão tenso que nem se mexer os meninos se mexiam. Isso é que é ter medo.
Posso sentir o silencio pesar em cima de mim. Fui o primeiro chegar e logo depois o Gaara, até ai estávamos bem, batendo papo e tudo mais. Mas só foi a Sakura chegar com a Ino para ninguém ter coragem de falar nada. Estamos até parecendo retardados com medo de conversar com as garotas. Me pergunto como vai ser depois do casamento. Ta eu não quero saber, por que parece que as coisas vão ser terríveis. Ainda bem que a Tenten ainda não chegou, desde o nosso beijo de ontem que eu coro só de pensar nela, não de vergonha, mas sim de tesão, excitação. Fico todo duro só de imaginar ela na minha cama, do meu lado...
Concentra Neji, mantenha a concentração. Meu dia hoje foi ficar deitado pensando nela e nessa historia maluca do nosso casamento. Hinata acabou de chegar com a cara mais fechada que eu já vi, ela ficou o dia todo fora e quando eu sai ela ainda não tinha voltado, mas fiquei sabendo que ela estava treinando e que chegou a derrubar uma arvore. Tenho até medo dela agora.
A chegada dela não atenuou a tensão na sala e ela parecia não ter a mínima vontade de mudar as coisas, o mau humor dela era palpável. Tudo bem vou continuar encarando minhas pernas dobradas.
Encontrei Temari no meio do caminho e viemos conversando sobre como as coisas estão lá em casa, como foi quase impossível fugir das investidas da minha mãe. Tema esta bem mais animada hoje e chegou a corar toda quando me contou sobre o beijo dela com o Shika. Bom, eu sempre soube que o Shika tem uma quedinha, melhor um tombo, pela Temari. Só não sei por que eles nunca ficaram juntos. Talvez eu saiba tipo a Temari tratar ele como um saco de pancadas deve influenciar de alguma forma, né?
Enfim, isso não vem ao caso, o que verdadeiramente importa é que eu tive de ficar trancada no meu quarto praticamente dois dias para fugir, ou pelo menos tentar, do interrogatório da minha mãe. Nunca vi uma mulher teimosa como aquela. Não desiste nunca. O Naruto deve ter aprendido com ela.
E foi só pensar no infeliz, ta fui mal agora, mas ele merece ninguém mandou tratar a Hina como se não a conhecesse depois de uma declaração de amor daquelas, que ele apareceu. Estava com o sorriso maios que a cara de sempre e corria em direção à casa do Sasuke, carregando um Shikamaru emburrado. Provavelmente o Naruto o acordou a ponta pés, mas assim que eles nos viram a cara do Shika melhorou. Posso até jurar que vi um sorriso brincar nos cantos dos lábios dele. Logo ele retirou as mãos do Naruto da manga da sua camisa e arrumou a postura. Se isso foi para impressionar ele conseguiu porque eu nunca vi a Temari corar dessa forma antes. Eles acompanharam nossos passos e eu logo parei de falar. Não preciso ficar espalhando meus problemas por ai. Não conversamos mais durante todo o resto do caminho. Não tinha assunto. Atravessamos todo o distrito Uchiha com seis a sete pulos. Todos pareciam ter pressa.
Eu até pensei em bater, mas o Naruto, espontâneo como sempre, foi logo abrindo a porta e entrando. Eu que não vou ficar aqui fora esperando, entrei também. Não estou fazendo uma visita de cortesia mesmo, então não tenho de bancar a educada. Só faltava a gente e pela cara dos outros o clima estava bem tenso.
Mas também com aqueles meninos chatos, frios e ignorantes que se acham a ultima bolacha do pacote não ia ter assunto mesmo.
—Agora que vocês chegaram acho que podemos começar. Temos de pensar nos muitos detalhes hoje.
—Huhun. Eu andei pensando Ino e realmente não vejo muitas saídas. Acho que a Sakura fingir uma gravidez é o único jeito.
A cara de paspalho do Sasuke foi à melhor, do tipo que não se vê todo dia. Eu estava entendendo perfeitamente o que Ino e Hinata estavam querendo dizer, e as outras meninas também, mas a cara de perdido dos meninos deixava claríssimo que eles não estavam entendendo nada.
—Acho melhor explicar e vermos qual a opinião deles, não é?
Nunca me imaginei dizendo isso, mas salvos pela Tenten. Do que elas estão falando afinal? Sakura fingir uma gravidez? Por quê? Eu posso muito bem engravidar ela. Tipo elas entraram, todas elas, aqui e nem deram um oi e já começaram a falar essas coisas que nem eu nem os meninos entendemos.
—Nós não temos muito tempo. Temos de estar todos casados em, no maximo, dois meses. O caso da Tema e da Ino é fácil o casamento tem de ser rápido para elas se mudarem. E até o meu casamento tem justificativa.
—E qual seria Hinata? –Neji mal esperou ela terminar para perguntar.
—Vou sair de casa e então eu e Naruto nos casamos, a desculpa vai ser para eu não ficar morando sozinha. Uma desculpa frágil, eu sei, mas como herdeira do clã todos sabem que eu só poderia sair de casa casada. Querendo ou não eu fui criada dentro dos parâmetros de esposa perfeita dos Hyuuga.
—É eu conheço a tradição do clã. E como vai ser no meu caso com a Tenten. –Nunca vi o Hyuuga corado desse jeito. Ele nem mesmo encara a Mitsashi nos olhos, não que eu esteja muito diferente, também evito encarar a Sakura.
—É esse o problema. Se eu aparecer grávida meu pai te mata. E com razão, as leis do clã são muito claras, todas as mulheres devem se casar virgens e o homem que a desonrar ganha a pena de morte. Sem contar que eu serei expulsa de casa e todo aquele blábláblá chato.
Perae! Se ela tem que casar virgem como é que ela ficou tirando uma com a nossa cara? Ela é que não tem vida sexual! Se eu fosse um pouco mais mau caráter eu até jogaria na cara delas.
—Eu sei o que você está pensando Sasu-chan e ‘tá você muito errado. Eu não devo e não vou falar isso é pessoal, no entanto, eu posso dizer que você está muito enganado.
—Do que você está falando Sakura-chan? Eu não estou entendendo nada.
—Para variar, né?—O tom sarcástico da Hyuuga foi fantástico, deixa o meu no chinelo, quiçá descalço. Meu o que está acontecendo com essas garotas? Cadê o bom coração, o bom humor, a simpatia e a inocência?! Alguém me socorre meu povo! Eu ‘tô mais perdido que o Naruto! E isso é deprimente para um Uchiha. E eu sou um Uchiha, e não posso ser deprimente. Qual é?! Eu sou Uchiha-perfeito-Sasuke!
—Não vamos perder tempo com essas trivialidades, a única coisa que você precisa saber Sasuke é que ninguém saberia se eu sou virgem ou não, a não ser meu marido e como eu não tenho um casamento arranjado, então não preciso guardar meu corpo. Se eu me casasse por sentimentos não teria por que ele falar algo para alguém. Isso explica a situação?
—Eu já entendi Tenten, podemos voltar ao assunto? –Meu rosto ‘tá tão quente que eu juro que logo ele pega fogo! Eu nunca me imaginei corando por uma coisa que essas meninas, ou outra mulher qualquer, dissesse. Pelo menos não fui só eu, os outros estavam tão corados quanto eu. O mais tenso é que ela não falou isso com um sorriso debochado ou com um tom de humor nego como há dois dias atrás, ela falou seria. Como se explicasse os parâmetros de uma missão para um time de genins. Só espero que isso tudo seja só fachada. Não posso acreditar que aquelas garotinhas dóceis, amáveis e simpáticas tenham se tornado isso. Não que elas estivessem ruins, é só que foi uma mudança muito drástica.
—Voltando. Se todos nos casarmos ao mesmo tempo pomos a missão em cheque-mate e isso não pode e se depender de nós não vai acontecer. Eu não falho em missões. –Enquanto isso na sala de justiça... Estou me sentindo um inimigo que perdeu a luta e está prestes a ser morto. E olha que eu nunca fui do tipo de ter medo de morrer. Mas talvez eu devesse começar a ter, pelo histórico de missões e a medalha de honra obtida por ela na guerra, eu tenho mesmo de ter medo. Qual é?! Não é vergonha nenhuma ter medo de uma mulher, especialmente se está for sua futura esposa e ter a cara do mal mais do mal que eu já vi na face da terra.
—Mas temos de pensar, também, que não é qualquer coisa que faria uma mulher como a Sakura sofrer um aborto. Vai ser extremamente difícil simular uma coisa assim.
—Você tem razão Hina. Ninguém vai acreditar naquela historia batida de “ela caiu da escada e blábláblá”, mas eu não sei exatamente o que fazer. –Sakura soltou um suspiro cansado e baixou os olhos para o próprio colo. Minha vontade era me sentar ao lado dela e envolver seu corpo, no momento parecendo tão frágil, com o meu. Poder cuidar de todas as dores que ela possa sentir, que ela sente.
—De qualquer forma ainda tem o caso da Ten. Takeshi vai ser o primeiro a encher o saco se ela casar muito rápido. Primeiro, sem ofensas Hina, por que ele odeia os Hyuugas. Na verdade nem sei se ele vai aceitar esse casamento.
—Vou ter que mentir muito bem para ele, não gosto disso. Na maioria das vezes ele consegue me ler como se eu fosse um livro, claro e cristalino. Ele já está desconfiado de qualquer forma, queria saber o que o Neji estava fazendo na janela do meu quarto ontem. Eu nem tenho vontade de voltar para casa. Você ‘tá certa Tema, meu irmão jamais vai aceitar esse casamento. Temos de bolar algo que o obrigue a concordar.
—Eu andei pensando Ten e acho que... você falou que se você aparecesse grávida seria expulsa de casa e o Neji morto, mas e se eles pegarem vocês dois na cama...? –Putz! O Neji ‘tava tendo um sincope. Acho que ele vai entrar em colapso logo, logo. Eu também estaria assim se eu fosse ficar na mesma cama com a Sakura. Isso é tipo o meu sonho. O mais engraçado é que nos não estamos participando da reunião.
—O que você quer dizer, exatamente?
—Se o Takeshi pegar vocês dois na cama, de manhã bem cedinho, sem roupas e numa posição um tanto constrangedora... consegue ver o que eu quero dizer, Neji?
—É entendi... mas você não acha que ele pode agir ao contrario? Voar para cima de mim e tentar me atacar? Não é medo, é só que ninguém garante que ele vai reagir dessa forma esperada.
—Que irmão atacaria o amor da vida de sua irmãzinha mais nova? Você acha mesmo que ele vai fazer alguma coisa com você se a Ten entrar na sua frente, rompendo em lagrimas, desesperada implorando pela sua vida...?
—Você espera mesmo que eu faça isso Hina?! Eu não tenho tanto sangue frio! Na verdade eu ainda não entendo como eu aceitei isso. Essa situação é desesperadora! –Tenten parecia à beira de lagrimas e eu juro que vi a mão do Neji vaguear para ela e voltar no mesmo instante. Retiro o que disse, elas ainda são garotas frágeis e gentis, mas isso está sendo muito bem ocultado. A expressão da Hinata parecia preocupada e a do Dobe era uma copia quase idêntica. Provavelmente a minha cara estava bem parecida.
—Não fale dessa forma, Ten. Sei que não gosta de mentir para o seu irmão, mas é o melhor a se fazer. Confie em mim, vou cuidar de você. Nada de mal vai acontecer.
As palavras de Neji pareceram tranqüilizá-las. Tenten respirou fundo algumas vezes e se recompôs.
—Certo e o que vamos fazer, exatamente?
—Hoje você vai direto para minha casa, Gaara. –Foi Ino quem respondeu minha pergunta, em seguida colocou a unha comprida do dedo indicador na boca e mordeu fracamente. –Esteja preparado para conversar com meu pai, vai ser difícil. Você vai ter de simular muito bem, as pessoas do meu clã, ou os ninjas do clã conseguem ter uma percepção das ondas mentais. Em outras palavras é como se você tivesse que acreditar no que vai falar para ele. Tem de ter muito cuidado com suas palavras. Provavelmente ele não vai querer que eu participe da conversa, mas vou ficar perto o suficiente para evitar que ele vasculhe a sua cabeça. Mas mesmo sem usar qualquer jutso ele vai notar se houver muitas oscilações.
—Certo, eu vou ter de mentir falando a verdade, é isso?
—Exatamente! Não podemos deixar escapar nenhum detalhe. Meu pai não é chefe da inteligência de Konoha à toa. Alguém quer falar alguma coisa? –Como ninguém falou nada ela simplesmente assentiu e continuou a falar. –E você Hina?
—Amanhã, um pouco antes da hora do almoço, vou discutir com meu pai e sair de casa. Me encontre na entrada do clã, por favor, Naruto. Vou me instalar no mesmo hotel que a Tema e a comitiva do Kazekage estão. Acho que uma semana deve ser suficiente, meu pai é muito esperto, ele vai me procurar para me convencer a voltar para casa. Vamos discutir de novo e então vamos continuar saindo e ai podemos nos casar. Acho que assim está bom, não?
—Certamente que vai funcionar com o clã, e as pessoas da vila provavelmente vão cair nessa também, mas não gosto de você sozinha naquele lugar. Nada contra seus homens Gaara, mas não consigo me conformar com você perto daqueles toscos. Deve ter outra forma Hinata-Sama.
—O que você tem contra a minha comitiva, Neji?
— Vi eles fazendo algumas coisas que não me agradaram. –Neji parecia desconfortável e com razão. Estávamos indo nos encontrar com o Dobe e os outros em um bar, outro dia, quando eu e Neji vimos alguns ninjas de Suna mexendo com umas genins. Praticamente estuprando as crianças, para mim elas eram só crianças. Depois do nosso olhar frio-mortal, eles foram embora. De qualquer forma não era muito bom deixar a Hinata perto deles. Qualquer uma delas na verdade, nem sei como eles respeitam a Temari.
—Essa é a idéia, não pense que eu não sei o que os meus ninjas fazem Neji. Sei muito bem. E eu vou estar lá, mas de qualquer forma Hinata não é nenhuma criança, ela sabe se defender muito bem.
—Temos de andar logo com isso, e pormos em pratica ainda hoje. Tem que dar tudo certo.
—Está certa Ten, ainda tem muita coisa a ser feita. Acho que não podemos combinar o que falar Gaara, mas é só deixar fluir. Convencê-lo de que está se casando por sentimentos. Nada demais.
—Está bem, posso fazer isso.
—Naruto, você só tem de ir lá em casa amanhã, antes do almoço. Como se estivesse indo me chamar para almoçar fora, depois que eu sair de lá discutindo com meu pai é o de sempre. Você me defende e nós vamos embora. Certo?
—Tudo bem! –Naruto e sua animação. É impressionante ele nunca se cansa e nem fica deprimido, pelo menos não por muito tempo. Mas acho que as coisas realmente estão melhorando, elas já estão conversando e pedindo nossa opinião. Estamos agindo, finalmente, como uma equipe em uma missão.
Depois de ter passado o dia inteiro fugindo da minha mãe e suas perguntas inapropriadas aqui estou eu: sentada na bela sala do Sasuke decidindo como será meu pedido de casamento. Eu realmente me surpreendo com a minha vida, às vezes. Mas acho que as coisas estão melhorando, ou melhor estamos aceitando tudo isso melhor. Acho que esse casamento não vai ser o fim da minha vida. Sei que vou superar isso também.
—Agora vamos ver os outros. O que acha Ten? Não temos muitas outras opções você sabe.
—Se é o que você acha melhor, então tudo bem por mim.
—E você Neji?
—Se vocês concordam que é o melhor jeito.
—Não é o melhor, é o único. Meu irmão jamais vai aceitar esse casamento. Pode parecer estranho, e na verdade é mesmo, mas Takeshi não suporta os Hyuugas. Ele nunca me contou seus motivos. Não é que ele não lute ou saia por ai arranjando briga com qualquer um que venha do clã Hyuuga, mas ele não gosta de ficar próximo, não tem amizade e muito menos fica de papo. Só espero que eu esteja exagerando nesse ódio dele.
—Então é bem provável que ele me ataque certo?
—É. Principalmente por que ele morre de ciúmes da Ten. É importante que você não o ataque, deixe que ele descarregue toda a raiva dele gritando e xingando vocês.
—Acho que só ver vocês juntos não vai adiantar muito. Talvez uma cena de carinho. Vocês acabando de acordar ou alguma coisa assim.
—Você tem razão Tema, ele não pode achar que é só sexo. Talvez se fizermos parecer que eu sumi, sei lá fui raptada, ele venha atrás de mim. –Uma idéia perfeita, mais pela cara os meninos não entenderam. Depois eles é que são os gênios da vila. –Prestem atenção o que vocês fariam se a irmã mais nova de vocês sumisse? Iriam atrás dela, certo? –Eles acenaram que sim com a cabeça e ela continuou – Ele rastreia meu chakra e me encontra em um quarto, que não pode ser de motel, mas eu estou acompanhada de outra pessoa. O que ele, que no caso é vocês, fariam? Observar. É óbvio. Ai entra a grande encenação: uma conversa bem melosa. Do tipo que um casal apaixonado tem quando rola a sua primeira vez. Não que algum de vocês saiba como é esse tipo de coisa.
Verdade. Eles nunca devem ter tido uma conversa do gênero. Mas esse é o tipo de coisa que só vai rolar de improviso. Combinar agora só vai dar problema.
—Ino?
—Oi? –Respondi sem nem mesmo olhar para o Shika. Já sei o que ele vai perguntar e tenho certeza de que ele sabe que eu sei. Ele só está sendo impaciente, o que é incomum para ele. Mas tudo bem se ele não confiou em mim para me dizer que está perdida e irrevogavelmente apaixonado pela Tema eu é que não vou me meter. Afinal o que eu sou? Só uma amiga que conhece ele desde sempre, que fez time com ele e que o ama como irmão e nunca escondeu isso de ninguém. Quase nada, não é? Nada que valha muito a pena!
—E o resto de nós?
—Estou pensando. E você deveria fazer o mesmo, tentar usar essa cabeça oca para encontrar alguma solução. –minha voz não passava de um sussurro gélido. Eu disse que estou me acostumando, mas não espere me ver dando pulinhos de alegria. Fora que eu estou fula da vida com esses meninos frios e egocêntricos. Só por que são homens, ou projeto deles pelo menos, eles acham que são perfeitos, e para serem perfeitos tem de ser indiferentes e frios. Odeio todos eles. Tá eu não odeio, mas estou começando a odiar.
Qual o problema de sentir alguma coisa, qual o problema de expressar o que sentimos? Como eles se deixam levar pelo que os chefes dos clãs, dos pais deles, acreditam ser o melhor?
Eles vão acabar se transformando em copias deles. Pessoas sem sentimentos e estúpidas. Mas, de qualquer forma, na vai me fazer bem ficar pensando nisso, dessa forma.
—T.P.M Ino?
—Sempre Shikamaru! Bem falta a Tema e você e Sakura e o Sasuke. Já pensou nas possibilidades, Sah? Sabe que não temos muito tempo. Tenho de levar o Gaara lá em casa ainda hoje e meu pai não vai ficar nada satisfeito se chegarmos muito tarde. Ele tem de agradar o sogrão!
As meninas caíram na gargalhada e os meninos deixaram sair uma curta risada. A piada realmente fora muito boa. Na verdade eu sou muito boa em tudo.
—Certo. Hoje eu e o Sasuke vamos sair para tomar um sorvete, bancar o casalzinho apaixonado, tímido e discreto. Então ele dorme lá em casa. Vá bem agasalhado por que você vai dormir no chão. –Sah mal olhou para ele para falar isso. E a carinha dele de desapontado, serio que ele realmente achou que ia rolar alguma coisa? A Sah até pode ser apaixonada por ele (ainda), mas ela nunca vai aceitar ter nada com ele assim. Tipo sexo ocasional, quando tiver tempo livre e nada melhor para fazer?! Como ele consegue pensar dessa forma? Definitivamente eles só pensam com a cabeça de baixo.
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