Mudanças

11 Desprovidos de sabedoria também pensam


Notas iniciais
Yooooooooo, mina! Gomen, gomen e gomen. Eu juro que tentei postar antes, mas é ano de vestibular e eu 'tó atolado de lição (dos cinco cursos mais a escola)Tá muito puxado, mas ai está...

Tudo o que não podia acontecer nesse momento era esse casamento, mas é lógico que de nada adianta eu ficar me remoendo isso. Não agora, afinal quando eu aceitei já havia consciência de tudo isso.

Mas não podia deixar o clã e a vila entrarem em conflito, uma guerra civil causa muitas mortes, ainda mais agora que acabamos de sair de uma guerra dessa proporção. Mesmo com os cinco países juntos a 4° Grande Guerra ninja foi desastrosa. Poupar vidas era crucial, e se eu tinha a chance de salvar centenas em minhas mãos à custa de meu próprio sofrimento é claro que eu farei.

Não tenho mais arrependimentos, quero apenas matar esse sentimento, afogar essas dores. E eu sei, agora eu sei, que vou conseguir. Vou ter ajuda.

Eu olho para trás e me pergunto em que exato momento minha vida se tornou uma tragédia grega. Foi quando meu pai virou um megalomaníaco sedento por poder? Não, definitivamente não foi ai. Será que foi quando eu concordei com os planos malucos dele? É acho que também não. Quando eu me declarei para o Naruto-kun? Talvez. Ou quando eu me apaixonei por ele? Quem sabe. Quando minha mãe morreu? Acho que não. Quando eu nasci? Bom essa é a melhor resposta até o momento.

E eu não estou nem um pouco a fim de me matar de pensar atrás de uma resposta que não vai me levar a nada. Chega de ficar pensando e fazendo conjecturas, vamos agir. Apesar de meus passos serem lentos eu já estava na frente do clã, sinceramente não quero e nem vou olhar aquele olhar do meu pai, aquele que ele faz quando consegue o que quer.

Não suporto isso.

Mas realmente não sei aonde ele pretende chegar, ele sabe que não vou fazer nada contra Konoha e que ele não pode me controlar depois que eu assumir o controle do clã. De qualquer forma tenho de ficar atenta a qualquer movimento dele.

—Byakugan! –Meu sussurro foi inaudível mesmo se tivesse alguém ao meu lado, e como esperado ele estava de pé, me esperando. Seu Byakugan também estava ativado e seu sorriso era nojento. Não vou tolerar isso. Nem se eu quisesse. Virei nos calcanhares e sai andando, e na mesma velocidade fiz o caminho de volta. Essa não seria a primeira noite que passaria fora e tampouco a ultima. Do jeito que as coisas estão minhas noites nessa casa vão diminuir ainda mais. Nem prestei muita atenção no caminho, não precisava eu o conhecia de cor. Fazia ele praticamente todos os dias e algumas noites também. Por mais que fosse pelo meio da floresta. Meu objetivo, meu alvo, um pequeno casebre nas redondezas do clã Aburame. Sei que eu deveria mentir para ele, mas não posso. Ele é minha força, mesmo que eu não o ame como amo o Naruto eu confio nele totalmente. Sei que estou sendo egoísta o usando como um objeto, mas eu não tenho muitas alternativas e ele parece não se importar em ser meu estepe. Estou tonta, acho que gastei muito chakra no ultimo treino. As coisas são tão diferentes do que eu esperava. Se minha mãe estivesse viva, talvez, eu tivesse em uma situação melhor, ou não. Minhas poucas lembranças dela eram de uma mulher fraca e submissa. Eu não vou ser assim, me recuso a ser um objeto.

Já podia ver uma construção rústica, mas bem atraente, em meio às arvores. Shino saiu da casa dos pais dele muito cedo, ele quis assim. E eu passo muito tempo nesse casebre. Tornou-se meu verdadeiro lar.

E como sempre ele me esperava na porta, os braços cruzados e a expressão séria, mas serena. Era sempre assim com ele, não havia o que temer.

Na maioria das vezes não tínhamos muito que falar, mas o silencio é acolhedor. Me aproximei e como se lesse meus pensamentos ele me abraçou, eu precisava disso. Hoje em dia ele é o único com quem eu realmente me abro. Entramos em silencio, o casebre assim como por fora era muito simples, mas encantador, por dentro. Seu gosto simples, mas aconchegante. Ele era assim, todo ele.

Por muito tempo eu desejei pertencer ao clã Aburame, não por achá-lo perfeito, afinal todos os clãs têm seus problemas, e nem ponho a culpa no meu em especifico, não tiro minha parte da responsabilidade. Mas acho que me faltou um apoio, algo como um alicerce, como ele. Uma chaleira fumegante estava posta na pequena mesinha de madeira da sala. Sentei de cabeça baixa e esperei, pude perceber que ele foi até a cozinha, pegou uma xícara, me serviu e me esperou. Tomei um longo gole, respirei fundo e sorri.

—Muitos problemas, Hina?

—Você não sabe o quanto, Shino.

—Não quer me contar?

—Você sempre está disposto a me ouvir não é? –Ele sorriu um sorriso que ele só dava a mim. –Meu otou-san resolveu que eu tenho de me casar, o quanto antes.

—E o que você fará?

—Não tenho muitas opções.

—Achei que ele não mais te controlasse.

—E não controla, mas isso está muito acima de mim, ou das minhas vontades.

—O que é?

—Uma provável guerra civil. Não posso permitir que os habitantes da vila paguem pela minha incapacidade, ou melhor, pela perversidade do meu pai.

—Pode me contar? –Era incrível como não havia sequer vestígio de curiosidade mórbida, só desejo de ajudar, nem que seja apenas como ouvinte.

—Ela exige que eu me case com o próximo Kage. E não tenho muitas opções sabe?

—Eu sei, então você vai se casar? Com quem?

—Com o Naruto. –Não pude evitar um suspiro no final da frase, parecia até enredo filme.

—Bem irônico, não?

—Muito. Ainda estou meio perdida, é tudo surreal. Mas tenho consciência de que é necessário, mas também temporário. Assim que eu assumir o clã eu me separo.

—Você fala com um tom de desculpas, não me deve nada.

—Sinto que devo. –Abaixei mais minha cabeça, não tenho coragem de encará-lo, não nesse momento onde estou sendo, mais uma vez fraca. –Tantas vezes você me ajudou e de novo estou aqui te pedindo ajuda.

—Pare Hina, não faço nada em busca de pagamentos, eu te amo e farei qualquer coisa para te ver bem. Quem sabe esse casamento não sirva para juntá-los ou quem sabe te fazer ver a realidade.

—Talvez essa realmente seja a melhor solução.

—Vai precisar de minha ajuda?

—Preciso. Vou te contar, mas isso envolve muita coisa. Eu poderia até negar, mas estaria colocando Hanabi em uma situação delicada, mas mesmo me casando meu pai vai querer casá-la com alguém importante de outra vila. E também, se os outros clãs descobrirem, nem quero imaginar o que pode acontecer.

—Entendo. É crucial que seu casamento aparente ser por amor e que todos acreditem.

—Sim, por isso irei fazer uma simulação, fingirei sair de casa brigada com ele. Posso contar com você? Não vou conseguir sem você.

—E você ainda pergunta? É claro que estou com você, independente do que aconteça.

—O que eu vou fazer agora Shino? –Vi um sorriso terno lhe adornar os lábios e ele se levantar. Com poucos passos ele parou atrás de mim e se sentou seus braços me envolveram e seu rosto se recostou em meu ombro. Senti sua respiração quente contra meu pescoço.

—Vamos dormir juntos pela ultima vez, abraçados. –Sorri um pouquinho e me deixei levar. Quando dei por mim já estava de frente a imensa cama de casal do quarto que eu conhecia muito bem, afinal passei inúmeras noites aqui. Suas mãos suaves deslizaram por minha camiseta, até a barra, a levando junto aos dedos, em uma caricia muda. Deixei que ele terminasse com seu intento de me despir, para mim aquilo já era normal, tanto que minhas mãos foram até seu casaco e lentamente abriram botão por botão. O casaco grosso e de cor sem graça deslizou por seus braços fortes até alcançarem o chão. Ele vestia uma camiseta preta simples por baixo e eu apenas meu sutiã lilás rendado, mas não me intimidei por isso.

Acomodamos-nos na cama e ele me abraçou por trás, como de costume. Assim eu posso dormir sem medo, nem receios. Sei que ele ficara velando meu sono.

Sua respiração era calma e me acalmava. Não sei se posso viver sem meu remédio, meu sedativo, por que foi isso que ele se tornou para mim: um remédio, do qual sou viciada.

Como toda noite não tive sonhos, nem sei mais se isso é uma coisa boa ou não. É tudo uma grande imagem em branco. Posso sentir os braços fortes circundarem minha cintura e a respiração quente se chocar contra minhas costas. Sei o que tenho de fazer, mas não me sinto tão perdida assim. Bem, na verdade, não sei exatamente o que fazer. Caramba! Não falamos sobre o que fazer no meu caso e lembrando da conversa de ontem também não falamos sobre a Tema e o Shika; devíamos estar muito abalados, afinal não é todo dia que se sabe que vai casar. Ainda mais com alguém com quem você nunca teve nada.

Está na hora de crescer e caminhar com suas próprias pernas Hinata.

Com cuidado tirei suas mãos da minha pele, mas ele era um ninja muito bom e acordaria com o menor ruído ou movimento, e acordou.

—Desculpe, mas tenho de ir.

—Já?

—Tenho de muito que resolver ainda. E ninguém pode me ver saindo daqui.

—Está bem. –Ele me soltou e ficou me olhando. Pus minha blusa e mandando um beijo para ele eu sai, pulando a janela, não sabia que horas são, e nem me importava. Caminhei às cegas pela floresta, lembranças de quando eu e Shino fazíamos caminhadas ou até mesmo brincávamos de esconde-esconde por aqui, foram tempos ótimos. O que me dá forças é meu egoísmo sem tamanho, afinal sei que ele me ama e uso isso para me sentir bem, mas sem retribuir, e a fé de que um dia ele vai encontrar alguém que o ame como ele merece. Vou sentir falta disso, na verdade só vou sentir falta da companhia dele. Por que tudo se torna banal perto de todo o bem que ele me faz. Já nem respiro direito, todo meu ar está sendo revertido em suspiros, cada vez mais longos e entristecidos. Será que suspirei umas trinta ou quarenta vezes? Acho que mais, muito mais. Me sentei no chão, embaixo de uma arvore qualquer, era preciso um tempo de silencio para mim. E mesmo lutando e tendo esperança a primeira coisa que me veio à mente foram aqueles olhos azuis reluzentes, o sorriso encantador e motivador.

Meu coração falhou uma batida ao pensar que logo eu poderia, ou melhor, deveria provar daqueles lábios apetitosos. Droga Hinata! Se concentre na missão, isso é só uma missão e depois que ela acabar você pode voltar a ter sua vida sem cor e sem graça de sempre. Talvez Shino me espere, ou talvez não. Mas mesmo que ele me espere seria mais do que errado usar ele dessa forma. Ele sempre esteve ciente de meus sentimentos e sempre me deixou usá-lo. Pensando dessa forma eu me sinto imunda.

Talvez meu pai esteja certo, talvez eu seja uma decepção.

Minha cabeça pendeu para trás, até se encostar-se ao tronco, minha visão era unicamente das folhas sendo inundadas pela luz do sol, e por mais que tudo ali fosse verde a cor que dançava sobre minhas pálpebras eram o azul. O céu deve ter inveja daqueles olhos, do brilho deles, assim como o sol tem ciúmes do brilho daquele sorriso. Céus! Como posso continuar com isso?!

Como posso ser tão masoquista?!

. ‘Tá na hora de parar de graça, o clã precisa de mim, se meu casamento não der certo muita coisa será perdida, coisa que não posso permitir. Com uma força, que não sei de onde tirei, me levantei do chão e segui meu caminho. Não sabia o que fazer, uma vez que ficaram tão preocupados com o casamento do Kazekage que esqueceram o do futuro hokage. Cômico isso.

Meus passos não eram nem lento nem rápido demais, na medida certa, e meus pensamentos já não estavam tão conturbados, foi uma coisa útil que aprendi: mudar o foco dos pensamentos. Nem precisava olhar muito para encontrar o caminho para a cidade, uma vez que o clã Hyuuga esta do outro lado e é bem mais pratico atravessar a vila do que contorná-la. Aos poucos pequenas e modestas casas começaram a surgir pelo caminho, evitei ao maximo encontrar com quem quer que seja, estava me saindo muito bem, até que senti um chakra, especialmente conhecido e absurdamente poderoso.

Tudo que eu não queria era encontrá-lo e topo de cara com ele, isso só pode ser brincadeira. O que ele estava fazendo aqui?! Não, espera, isso é muito obvio, o que ele deve estar fazendo na barraquinha de ramem?! Então já deve estar bem tarde, não que o fato dele estar comendo ramem pode sugerir à hora, afinal a todo o momento ele esta comendo a mesma coisa.

Me encolhi o maximo possível, não queria e nem posso ser vista por ele. Não sei o que fazer e sinceramente não quero ficar mais vermelha que um tomate na frente dele e de toda a vila, essa fase da minha vida já passou. Acelerei um pouco o passo, mas não tinha por que me preocupar tanto, ele era muito destrambelhado e nem vai notar minha presença. Essa era minha esperança até ver seus olhos percorrerem a multidão ao seu redor, como se procurasse alguém em especifico. E achou.

Seus olhos pararam sobre mim, me mantendo congelada no lugar. Eu poderia me virar e corre o mais rápido que eu conseguisse, mas ele poderia me seguir, eu poderia dizer a ele que não o tinha visto, mas duvido que ele, mesmo com toda a sua burrice, acreditasse numa lorota dessas. Sem contar que eu não agiria dessa forma, sou uma mulher corajosa, sobrevivi á uma guerra, vou assumir meu clã e proteger meus amigos com toda a minha força, sem nunca voltar atrás com a minha palavra, esse é meu jeito ninja. Não vou me trair agora. Não se passou nem um minuto desde que seus olhos me localizaram e ele avançava na minha direção com um sorriso enorme, que só ele sabia como dar. Eu estava certa, não tinha escapatória, por isso permaneci no mesmo lugar e com as forças que me restavam abri um sorriso tímido, mas o instinto de auto-preservação falou mais alto, meus pés continuaram a se mover em passos lentos e apáticos. Em questão de segundos, nos quais lutei contra aquela sensação, senti uma mão forte segurar meu braço, e uma descarga elétrica descer por minha coluna. A mão prendeu meu braço com força, provavelmente marcando minha pele alva, e me virou totalmente para ele. Encarei seus olhos e seu sorriso, aquele que só ele sabe fazer, que me encanta. O maior responsável pela minha dor.

—Yo, Hina-chan!—Foi um daqueles “bom-dias” do tipo que ninguém consegue copiar, é enérgico e carinhoso. Respirei fundo e me obriguei a abrir um sorriso, mas não saiu tão bom assim.

—Yo, Naruto-Kun!—Aquele “kun” saiu rasgando pela minha garganta, doía só de lembrar de como eu chamava ele no passado, naquele passado que eu desejava ardentemente esquecer.

—Eu ia te procurar mais tarde, temos de conversar. –Sua voz era um pouco mais seria de que de costume, era estranho ouvi-lo falar assim.

—É verdade, poderíamos nos encontrar mais tarde. –Precisava ao menos de um tempo para botar minhas idéias em ordem. Desviei meus olhos para o chão, como se ali estivesse à coisa mais importante do mundo. Até que ouvi um suspiro pesaroso da parte dele, ele parecia impaciente e deprimido. Nunca vi ele dessa forma, acho que eu não o conheço tão bem quanto pensava.

—Por que não conversamos agora? –Ele parecia ter muita pressa em resolver aquela situação, mais ele sempre fora afobado dessa forma. Minha boca e meus olhos estavam um pouco abertas, fora um pouco, muito, inesperado. Depois de um longo tempo, bem longo mesmo, eu acenei com a cabeça um pequeno sinal afirmativo, talvez ele esteja certo em pensar que se existe um problema é melhor resolver logo.

Bem nessa hora passou por nós um grupo de ninjas, e eles muito indiscretos fizeram alguns comentários, eles devem ter pensado que não ouviríamos, ledo engano. Somos ninjas, e muito bons. Três metros não eram praticamente nada.

“—Você acha que eles estão juntos?

—Eu não sei, mas acho que não. Ela é muito bonita para um bobão desses.

—É verdade, ele ainda fica brincando com o Konohamaru.”

—É tão bom saber que você é admirado pelas crianças da vila, né Hina? –ele não parecia se importar de verdade, mas seu tom tinha uma lave pitada de irritação. Acho que ele não estava gostando muito dos olhares que os dois meninos do grupo me lançavam, afinal minhas atuais roupas justas estão chamando muita atenção. Ele fez com que sua voz soasse muito mais alta que o necessário, seus olhos estavam nas crianças que tinham os olhos arregalados de pavor, afinal Naruto é muito conhecido, não temido, mas ter derrotado o líder da akatsuki sozinho é um feito e tanto. Minha parte mais “sombria e autoritária” não pode reprimir certa alegria. No fundo, às vezes, é bom ver alguém se ferrando!

Eu estava bem vermelha, era impressionante que mesmo depois de toda essa mudança que eu sofri ainda fico completamente corada ao ouvir um elogio, uma coisa extremamente patética. Meu braço, ainda preso pela mão dele, começou a arder, ele estava apertando muito. Estava me machucando, provavelmente ficaria marcado, mas não me importava por que por mais que seja um pensamento estúpido eu gosto do contato. Ele pareceu se dar conta, pois logo afrouxou a mão, ou talvez o medo de eu fugir dele tivesse sumido, mas logo senti seus dedos passando pelo local bem levemente, uma caricia nada discreta e que prendeu a atenção dos genins.

—É verdade, Naruto-kun. –Fiz o possível e o impossível para me descontrair, ou tentar. Sorri mais amplamente e até consegui deixar um riso suave escapar, afinal estar com Naruto significa que você vai rir bastante. Encarei seus olhos e vi ali um brilho diferente, era doce e ao mesmo tempo malicioso. Não dava para ter certeza do que ele estava pensando, mas uma idéia muito vaga passou por minha mente. Seria o que eu faria se estivesse no lugar dele, mas, naturalmente, ele era imprevisível. O que vale é tentar arriscar, ninguém sabe o que se passa na minha cabeça, então vou dar brechas e ele que tome a iniciativa. –Mas eles te admiram muito. Tenho certeza disso.

—É, mas eles estão certos em uma coisa. Você é demais para um reles mortal como eu. Nem sei como você pode gostar de mim! –Ofeguei com o susto que as palavras dele provocou em mim, céus como ele me fala isso, assim do nada?! Me recompus na velocidade da luz, ninguém precisava me ver naquele estado; encarei seus olhos e para mim o tempo havia parado e não havia nada que eu quisesse mais do que ficar o olhando para sempre. Nada mais era tão importante.

—Você é muito especial para mim, na verdade não precisa de motivos para amar alguém sabe você só sente... quer ficar perto dessa pessoa o tempo todo, quer sentir o cheiro dela. Enfim amar é perder as razões e motivos. –Fui sincera ao extremo, na verdade não sei se ele sabe o que é isso, mas quero mostrar a ele. Talvez, um dia ele possa sentir isso por outra pessoa e ser feliz, por mais que me doa ver ele com outra, ou imaginar, se ele estiver bem será imensamente mais fácil tocar minha vida em frente.

—É exatamente assim que eu me sinto com você. O mundo pode acabar agora que eu não me importo se eu tiver você nos meus braços, se eu puder ficar olhando para os seus olhos. Essa é minha meta: passar o resto da vida com você! –Seu sorriso enorme de sempre estava adornando sua face, que parecia iluminada. Aparentemente eu estava certa, estávamos em sintonia nos pensamentos. Ele se abaixou um pouco, curvando as costas já que eu era um tanto mais baixa que ele, co a intenção de capturar meus lábios em um beijo. Senti a textura macia dos lábios dele contra os meus, era tão macio! Fechei meus olhos sem nem me dar conta. Era apenas um selinho casto, mas eu sentia que poderia morrer naquele instante e que morreria extremamente feliz. Ficamos um tempinho naquilo, era casto mais não menos proveitoso, mas logo senti sua língua quente roçar meus lábios, um claro pedido para aprofundarmos o beijo. Meus lábios se abriram imediatamente, céus, se ele tinha alguma duvida do quanto mexe comigo essa foi pro espaço nesse momento, estremeci de puro deleite. Sua língua estava já junto a minha em movimentos lentos e delirantes, o gosto daquela boca era centenas de vezes melhor do que os meus melhores sonhos ou minhas mais detalhadas imaginações. Minhas mãos deslizaram para o seu pescoço lentamente e quando chegou ao seu objetivo agarrou os cabelos loiros o puxando mais contra mim, transformando o beijo calmo em desesperado e sedento, por que era assim que eu me sentia. Suas mãos logo estavam na minha cintura, me agarrando e nos colando um ao outro, seu corpo forte e definido me causava arrepios, mesmo ele estando vestido. Meu pulmão já implorava por oxigênio, uma vez que ele também já tinha ficado sem não havia como conseguir mais para manter o beijo, o que era meu desejo.

Seus lábios se afastaram lentamente, os meus o seguiram instintivamente tentando deixá-los juntos o maior tempo possível. Ele pareceu compartilhar da minha vontade, pois logo os juntou de novo, os mantendo juntos, num caloroso e delicado selo, o maior tempo possível.

—Se eu sonhar que algum de vocês está olhando a minha noiva, vocês estão ferrados! –Ouvi sua voz falando para alguém que eu não podia ver, já que mantinha os olhos fechados, mas logo saquei que devia ser ima ameaça aos genins que devem estar assustados com essa cena.

—Sim, senhor! – abri meus olhos a tempo de ver eles saírem correndo desembestados pela vila. Seus olhos ainda estavam em mim, ele sorria e eu também, mesmo não sabendo desde quando meus lábios tenham se movida para sorris tão abertamente como ele. Logo vi um olhar, ou melhor, dezenas de olhares para nos, a vila nos encarava. Tratei de me desvencilhar dele o quanto antes, retirei meus braços do pescoço dele, e imediatamente senti falta do calor da sua pele e da maciez dos seus cabelos nos meus dedos. Ele pareceu se desagradar um pouco com minha atitude e insistiu no contato estreitando mais os braços ao meu redor. Meu rosto ferveu imediatamente, não que eu não estivesse corada antes, mas não era tão forte como agora. Ele deve ter notado, pois logo relanceou os olhos pela vila e me soltou, apenas minha cintura, por que logo sua mão foi de encontro a minha a segurando firme. Mas lógico que o bom senso dele não era tão grande pois ao mesmo tempo que segurava minha mão ele voltou a segurar minha cintura, não tão firme e apertado, mais ainda firme.

—Não quer ir comer um Dango comigo, Hina-Chan? –Sua voz doce, mas espalhafatosa, chegou a mim como uma melodia: quantas vezes na sonhei com essas palavras dele? Que não sonhei que ele me dirigisse esse sorriso e me falasse nesse tom suave, como se tivesse medo de me ver quebrar? E agora que o vejo fazendo tudo aquilo com que sonhará, era fingimento e ele parecia tão a vontade. Não quero me frustrar, eu sempre tive certeza e confiança no seu bom coração, mas agora o vejo mentir sem nem se importar. Realmente fico sem saber o que pensar. Sorri levemente para e acenei que sim. Era importante bancar o casal apaixonado para toda a vila.

Não sei precisar o tempo exato que levamos para chegar, estava perdida em devaneios. Mas acho que foi bem rápido, apesar de que para mim foram milhares de anos, afinal não é todo dia que eu fico de mãos dadas com. Pode parecer e até é mesmo muito bobo da minha parte, mas no fim das contas amar não é isso?! Virar um idiota que se preocupa com coisas estúpidas?!

Mas mesmo no meu estado desligado eu via os muitos olhares, todo mundo que passava nos encarava e o que é ainda pior faziam comentários. Acho que eles esqueciam que éramos ninjas e que podíamos escutar.

Logo nos chegamos e parecendo até brincadeira a única mesa disponível era justamente a mais visível, mas isso, de certa forma, era bom. Para farsa é claro, e também para me exibir um pouco, bem pouquinho.

A moça veio até nos com um sorriso safado para ele, que vontade de matar ela e depois queimar pedacinho por pedacinho (momento psicopata). Ta respira e concentra. Ele nem pareceu notar, seus olhos estavam focados nos meus, e isso pareceu irritá-la; com um sorriso doce, e vingativo, diga-se de passagem, eu fiz meu pedido, um só já me deixaria mais do que satisfeita, mas é claro que o mesmo principio não se aplica a ele, e considerando que quando nos encontramos ele estava indo comer ramem, ele deve estar com fome, mas deixando de lado seus inúmeros motivos ele pediu quatro, sem, ainda, desviar os olhos.

Logo a mesma moça nos trouxe o pedido, não conversamos em nenhum momento, primeiro não havia lá muito assunto e segundo acho que eu não conseguiria falar sem gaguejar, por isso vou usar esse tempo em silencio, que está se mostrando bem agradável, para me preparar para o que vem a seguir.

Minutos depois, esses muito agradáveis, nos terminamos, ele pagou muito cavalheiresco da parte dele, e então saímos, o tempo continuava agradável e os muitos olhares não me atingiam como antes; mais ainda era engraçado ver pessoas irem e voltarem varias vezes para se assegurar de que estava mesmo vendo certo, de que eu e ele estávamos de mãos dadas.

—Quer que eu te acompanhe Hina? –Sua voz veio a mim no tom normal, chamativa como sempre, mas nada forçada. O convite com certeza foi escutado por varias pessoas da rua, e aqueles que não ouviram podem contar com os outros para saber, fora que era uma ótima oportunidade para expor a situação para o resto do clã. De certa forma é agora ou nunca.

—Seria ótimo Naruto-Kun, mas é claro se não for te atrapalhar. –Meu tom foi e era normalmente doce, não era algo proposital. Mas não nego que foi bem útil. Nossos olhos juntos era algo necessário para mim nesse exato momento.

—Não está tudo bem. –ele desviou os olhos e se pôs a caminhar, mas como era esperado dele: ele foi para o lado errado. Não precisei de muita força para avisar, apenas um curto puxão na mão que segurava a minha. Abafei um pequeno riso divertido e vi que ele parecia não se importar muito, pois ria satisfeito apertando um pouco mais nossas mãos juntas. Só começamos a falar depois que saímos do centro da vila, mas foi apenas uma conversa simples sem problemas ou coisas constrangedoras, apenas lembranças felizes e divertidas. Logo a mansão assomou no horizonte, grande, branca e tradicional demais para o meu gosto, e aparentemente para ele também. Já via vários membros do clã nos olhando, era a hora.

—Naruto-Kun, a idéia é fazer todos acreditarem que meu pai é contra nosso casamento, está bem? –Ele pareceu não entender muito bem, mas depois a gente resolve.

—Certo! Ele está nos vendo?

—Está logo ele deve vir aqui para fazer uma cena para todos verem, na verdade não sei o que ele ta esperando. –Dei uma olhada ao redor, o mais discreto possível. Ele adora me deixar confusa e irritada, talvez por que saiba que assim minha timidez vai pro espaço.

—Vocês não combinaram?

—Não o vi desde ontem. Mas ele já tinha me dado uma idéia muito clara do que iria acontecer. –Ele é lindo de qualquer forma, mas confuso era ainda mais fofo, e aquela carinha de quem ta entendendo tudo, mas que não sabe de nada dele é perfeita. Ri de novo, suavemente e discretamente, afinal tinha dezenas de guardas nos olhando com seus Byakugans ativados. Não que de fato precisasse já que estávamos na frente do portão central. –Ele sabia que eu não ia obedecer por isso antes de eu me encontrar com a Hokage ele fez uma sutil ameaça contra Konoha, eu fiquei sem saída. Uma guerra civil nunca é boa, eu amo esse lugar. Não consigo me ver lutando contra os outros ninjas daqui. É importante, também, que os outros clãs não suspeitem de nada, se não logo você terá dezenas de pretendentes e isso iria gerar uma guerra. Ficaremos bem enquanto os outros não forem dominados por essa febre de poder.

—Entendi! –Parece que ele de fato entendeu tudo, até fez uma carinha pensativa. Deve estar ponderando sobre essas complicações de clãs, afinal ele vai ser hokage um dia. –Ele deve estar esperando uma medida mais drástica.

—Como o que? –Entendi sua idéia de imediato, até que ele pensou bem rápido, mas acho que eu também chegaria a essa conclusão mais cedo ou mais tarde, mas obviamente a iniciativa tinha de partir dele. Deslizei minhas mãos por seus braços fortes, bem de leve lhe causado leves arrepios, parei somente quando cheguei ao seu pescoço e feliz enrosquei minhas mãos ali, de novo e a sensação foi ainda melhor, se possível.

—Estamos no portão da sua casa, abraçados... O que você sugere que façamos?—Nosso Kami, que sorriso malicioso foi inacreditável, ele é muito mais do que perfeito. Ele não esperou por mais nada, seu rosto se aproximou do meu e logo nossos lábios colaram-se, não houve nem sequer um segundo de hesitação, tanto da parte dele, que aprofundou o beijo, e meu que o agarrei com força correspondendo a mesma altura. Nossas línguas e lábios travavam uma batalha sensual e desejosa.Estava muito bom daquele jeito, mas parece que meu pai só escolhe as momentos mais inoportunos, mó estraga prazeres. Naruto foi puxado para trás e eu empurrada, com força, força até demais para uma encenação, mas é o seu Hiashi não me surpreenderia se ele nos fizesse alguns cortes. Voei por alguns metros, quase cai de cara no chão, mas em um impulso firmei os pés no chão ao mesmo tempo em que o Naruto. É uma merda mesmo, sujou toda minha roupa de terra. Meu pai e um verdadeiro exercito de Hyuugas nos cercavam, a cara do meu pai era muito brava, eu diria até raivosa, bem convincente. Os outros mostravam carrancas semelhantes, mas mais discretas. Algo bem digno dele: chamativo e desnecessário.

—O que você acha que está fazendo, Hinata? –Naruto passou no meio de todos e ficou ao meu lado, segurando minha mão e sorrindo debochado para os outros. Devo admitir que a convivência dele com o Sasuke fez bem, ele sabe ser do mal quando quer (e entende a situação). –Responda-me imediatamente.

—Nunca viu um beijo, papai? –Fui sarcástica ao extremo, para aqueles que não acreditaram muito na minha mudança, ai está. Não tenho medo dele, na verdade estou pouco me lixando para todos eles.

—Daqui a pouco ele vai querer saber de onde vem os bebes, uma vez que nem o que é beijo ele sabe! –Uou! Ponto para o Naruto. E o placar fica 1X0, é o fim do primeiro tempo. Soltei uma daquelas gargalhadas bem chamativas, aprendi com a Tema. Virei e só para provocar dei um selinho suave nele.

—Acho melhor você ir, Naruto-kun. Eu me entendo com meu otou-san- Ele sorriu e antes de responder sorriu abertamente para o meu pai e para os outros Hyuugas incrédulos, acho que sei o que ele vai fazer, foi uma boa idéia.

—Por que não aproveitar que já estou aqui e oficializar o pedido? –O encarei nos olhos azuis brilhantes, mesmo sendo um casamento de fachada era emocionante ser pedida em casamento pelo homem que você mais amou e ainda ama no mundo. Sorri, era tudo que eu conseguia fazer. –Hiashi-Sama, gostaria de pedir, oficialmente, a mão da Hinata em casamento. –Os guardas fizeram expressões cômicas de choque e papai escondeu, precariamente, um sorriso de canto. Típico dele quando está satisfeito com alguma coisa.

—Quem você pensa que é para pedir a mão da herdeira do clã Hyuuga em casamento? Ponha se em seu lugar, fedelho. Fiz minha melhor cara de nada, mas Naruto sorriu, um sorriso feroz. Acho que ai vem bomba. Espero que ele saiba o que responder.

—Sou Uzumaki Naruto, filho do Yondaime Hokage. –Caraça, ele é filho do maior herói de Konoha! Concentra Hinata, desfaz essa cara de surpresa. E foi o que eu fiz, mas meu pai não foi tão bom, muito menos os guardas, a cara deles eram inacreditáveis, sinceramente fiquei com medo de que alguns olhos saltassem das orbitas diante a forma que eles arregalaram os olhos.

—Não me interessa isso, você não serve para a Hinata, quero que acabem com isso imediatamente! –Bem a cara dele dizer e não se importar com aquilo que ele não sabe. Sorri debochada.

—Não ouse me dar uma ordem Hiashi. –Minha voz era a mais fria possível, mas o sorriso permanecia ali, podia sentir o olhar de admiração vindo do Naruto-Kun e de incredulidade da parte dos guardas. –Você não manda em mim dessa forma. Para sua informação já aceitei o pedido de casamento do Naruto-kun, vou me casar com ele, quer você queira ou não. Se você não concordar saio de casa. Mas pense bem, se eu sair só sobra Hanabi para comandar o clã e você sabe no que isso vai resultar. Faça sua escolha. –Não me dei ao trabalho de olhar para nem um deles, tinha um sincero receio de vomitar caso encontrasse aqueles olhos frios. Mas antes tem o grande final, virei para ele e lasquei um daqueles nele, que correspondeu, é claro. Despedir-me dele rapidamente e entrei. Não fiquei para ver ele ir embora, mas pude sentir o chakra dele se afastando.

Fui direto para o meu quarto, tomei um longo banho e fiquei por lá. Mas é lógico que ele veio atrás de mim. As batidas foram leves, bem ao estilo Hyuuga.

—Entre! –A porta se abriu, não olhei e ele tampouco se importou.

—Foi muito bem, logo veremos o que fazer daqui para frente.—E ele saiu, só quero esvasiar minha cabeça agora e é isso que vou fazer.

Notas finais
Bom qualquer erro desculpa, mas fiz o mais rapido que pude, espero que tenham gostado e o proximo vai ser da Ino e então já começa a ser capitulos mistos, ou seja no minimo dois casais por capitulo. Prometo não demorar tanto e peço encarecidamente que me mandem Reviews. É isso ai!

Kissu Kissu