Mudança de Passarela
5 Uma droga de amistoso e eu ouvi transferência?
Notas iniciais
Narrativa – Pietro.
A primeira semana de aula pós férias do meio do ano é sempre uma droga, tem o jogo amistoso do Colégio Dourado com algum outro colégio da cidade e neste ano era com o Colégio Aclamado e graças a Deus eu não era um atleta, porque assim eu não era obrigado a estar no jogo, mas eu ainda assim iria, qualquer coisa para não ficar em sala de aula, mesmo isso sendo uma chatice, ainda haviam meninas tanto da minha escola como do colégio adversário lá, e isso já era um atrativo e tanto.
Eu estava apenas deitado, pensando na vida, ou melhor, no ócio, dei aquela olhada no celular, a ereção matinal ainda estava lá gritando e pedindo para ser aliviada, e é claro que eu a aliviei, depois fui ao banho, maravilha, água quente na cabeça e nas costas.
Sai de lá e fui comer alguma coisa, lamentavelmente meu pai estava em casa.
— Espero que você esteja indo bem na escola garoto, você sabe que precisa tirar boas notas se você quiser realmente uma universidade federal. – disse ele.
É, este foi o bom dia do meu pai para mim.
— Sim senhor. – respondi, embora minha vontade fosse gritar com ele e chama-lo de idiota e muitas outras coisas.
— O filho dos Vargas... – Vai começar. – ele faz tudo igual ao que você faz e ele ainda vai muito bem nos estudos, com certeza ele vai conseguir uma ótima faculdade, você podia seguir o exemplo dele, o Coronel Rafael disse que ele esta muito orgulhoso do filho que tem com exceção de sua escolha de profissão, mas isso é algo entre muitas outras coisas em que ambos concordamos.
— Olha pai, eu não estou nem um pouco interessado de ouvir essas coisas do senhor, ainda mais a esta hora da manhã. – digo a ele ao mesmo tempo em que me levanto da mesa.
Pego um Croissant e um iogurte na geladeira depois disso fui para a porta e sai, sem nem ao menos esperar por uma resposta dele, isso era insuportavelmente chato, esse tipo de papo cobrança que ele adorava ter comigo me cansava de mais.
E lamentavelmente o meu dia só estava começando.
Eu tinha acabado de chegar à escola, literalmente tinha acabado de cruzar a porta que dava para o corredor de entrada e todas as meninas já estavam vindo me dar bom dia, mesmo eu não sendo do time eu era o garoto mais popular do Colégio Dourado, eu era gato, sim eu era muito bonito e tinha plena e total consciência disto, um dos melhores modelos teens eleito 5 vezes entre os 5 melhores eu não fazia dos outros modelos que estavam nesta lista, já que eu só lia o meu nome e realmente nunca me importava com os de mais, e por fim mas não menos importante, eu era rico, então eu “acabava empatando”, de forma muito injusta, com o capitão do time, mas ele era um idiota e o garoto ainda era feio, mas era capitão do time de futebol do colégio e como esta escola sentia a necessidade de seguir o modelo inglês e os seus alunos faziam isso também e tratavam a escola como se fosse Hight School Music, em minha opinião e defesa eu achava isso ridículo de mais, só haviam duas escolas assim em Jacareí a minha escola, o Colégio Dourado e o Colégio Aclamado que ficava do outro lado da cidade, onde Colin e Sofia estudavam.
— Oi titular. – disse uma menina me tirando dos meus devaneios.
Eu me virei para a menina bem a tempo de ver uma garota maravilhosa de cabelos castanhos bem escuros e olhos castanhos olhando para mim cheia de energia.
— Sofia... – indaguei.
— Olá. – disse ela sorridente. – Vim assistir o amistoso, sabe como eu adoro futebol.
Ela piscou indicando a ironia e provavelmente estava ali para matar aula.
— E também gosta de ver os calções marcando o corpo dos meus colegas. – digo fazendo deboche.
Sofia era maravilhosa, mas era completamente livre, não se amarrava a ninguém, ficava com quem queria, quando queria, e eu adorava isso nela, ela era divertida, compreensiva, alegre, e ela era a pessoa que melhor me conhecia, pois eu só conversava com ela sobre minhas coisas, a gente cresceu junto, mesmo eu sendo mais velho que ela por um ano, a gente sempre foi muito amigo, muito mesmo.
***
— Pietro vem logo, a gente já vai cantar parabéns para a Sofia. – disse Colin a mim enquanto eu conversava com alguns convidados do aniversário de 10 anos da Sofia.
— Eu to indo mané. – respondi.
Eu nem queria estar ali, só estava ali mesmo por Sofia e porque eu só tinha 11 anos e meus pais mandavam em mim.
— Idiota. – disse Colin. – Anda logo, eu não consigo entender o que Sofia vê em você, mas ela não vai cantar parabéns sem que você esteja ao lado dela junto comigo.
Menino chato, levantei e fui direto ao local onde seria o parabéns.
— Pietro, Colin, venham aqui do meu lado. – disse Sofia Sorridente. – Laura vem também.
Fizemos pose para um foto eu olhei para Colin que sorria feliz, e eu até consegui sorrir feliz porque estava com Sofia ao meu lado e ela me fazia sorrir.
***
— E claro, eu aproveitei para te ver. – disse ela sorrindo e abrindo os braços.
— Você não vive sem mim. – digo a ela partindo para um abraço.
Sofia era de mais, a gente ficava por eras, mas nunca assumimos compromisso serio, porque gostávamos assim, ficávamos por pura conveniência e porque gostávamos mesmo, a companhia era boa e o sexo era muito bom, então tudo se encaixava perfeitamente, literalmente.
— Mas porque veio tão cedo, digo o jogo é só depois do intervalo. – digo a ela.
— Pensei que a gente poderia ficar um pouco junto. – disse ela em resposta.
E meu Deus como eu gostaria disso, mas o pouco de consciência que eu tinha me dizia que já estava mais do que na hora de eu me dedicar à química, física e até mesmo educação física e esse era o único motivo deu ir assistir a esse jogo idiota, quem fizesse um relatório sobre ele ganharia um ponto direto na média e como eu não podia dispensar nem mesmo 0,10 na média eu iria a esse jogo estupido.
Para quem estava ferrado como eu, esta era a única opção.
— Lamento, mas tenho aula de Física agora e se eu não for eu vou me ferrar ainda mais do que já estou. – explico a ela com cara de depressão.
— Sem problemas, vou ficar com o pessoal do meu colégio no pátio então. – disse ela compreendendo a minha situação então ela me abraçou e foi embora para junto das “amigas” dela. – boa aula!
Depois das minhas aulas eu fui me encontrar com ela para assistirmos a merda do amistoso juntos, o jogo estava sensacional, mesmo eu não sendo o maior fã de futebol pude distinguir isso, o Colégio Aclamado possuía ótimos jogadores, assim como nós do Colégio Dourado, por isso foi um jogo bem acirrado, só lamentava as escolas não terem futebol feminino, afinal poderia ser Sofia jogando lá em baixo, ela ama futebol e joga muito bem, melhor do que eu na verdade.
Eu deixei Sofia na arquibancada enquanto segui para comprar alguma coisa para comermos.
Neste momento cruzei com Colin passando com algumas meninas que inclusive eram da minha sala, ele estava só conversando com elas e minha irmã estava no meio das meninas, o que era bom porque se não eu o socaria afinal ele namorava com minha irmã, mas na verdade mesmo eu não me importei com isso eu não ligava para ele, em um corredor estavam a minha diretora e o diretor do colégio Aclamado em uma conversa muito interessante, então obviamente eu parei para ouvir o que falavam.
— Então Carolina, talvez eu tenha que te mandar alguns alunos terceiranistas e provavelmente alguns secundaristas também. – disse o diretor do Aclamado para a minha diretora.
— Claro Cassio. – disse ela em resposta. – Não imaginava que o Aclamado estivesse com tantos problemas assim a ponto de fechar, não da para acreditar.
— Na verdade não são tantos problemas como pode parecer, na verdade é um motivo impulsivo na realidade. – começou o diretor Cassio e sua voz parecia a de alguém entediado. – Os donos da escola estão se mudando, eles vão para fora do país e não querem deixar nenhuma ponta solta por aqui, ou seja, a escola e a agência de modelos.
Isso queria mesmo dizer que alunos do Aclamado estudariam aqui, terceiranistas e secundaristas, isso seria interessante, desde que muitas gatas novas viessem para cá.
— Você tem nomes para me dar? – perguntou Carolina a minha diretora.
— Só vou indicar os meus melhores alunos para cá. – disse ele, ouvi um som de papel sendo desdobrado. – aqui está.
DROGA! Ele não falou, mas seus melhores alunos, isso era bem sugestivo, mas naquele mesmo instante cansei de ficar ouvindo e decidi passar por eles, mas ainda assim ouvi a frase: Providenciarei uma analise e assim que possível providenciarei a transferência o mais rápido possível.
Ao passar novamente no corredor vi Colin com minha irmã, normalmente eu não me importo de ver minha irmã pegado outros caras, mas ver ela prensada na parede com as pernas em volta da cintura do Colin me irritou, e não me irritou pouco, me irritou muito, então fiz a coisa mais sensata a se fazer. Eu gritei!
— MAS QUE MERDA É ESSA? – fui andando em direção a eles que só pararam de se beijar, mas mantiveram a posição do kamasutra.
— Não enche cara. – disse Colin. – A gente só tá aqui de boa, sai fora!
Ouvir a voz dele me irritou ainda mais, empurrei ele o que fez minha irmã se soltar dele, segurei firme em sua camiseta levando o meu corpo para bem perto do dele.
— Pietro sai fora, não seja empata foda cara. – disse Colin tentando se desvencilhar de mim.
— Empata foda? – disse com muita raiva. Esse mané estava realmente achando que eu ia ficar de boa vendo ele foder minha irmã no meio do meu colégio.
— Pietro a gente já falou sobre isso. – disse Laura atrás de mim. – Você se lembra da ultima vez?
Eu me lembrava e como me lembrava.
***
— Você já está com a Luana a um mês e não pensou em convida-la para o aniversário? – Questionou Laura a mim.
— A gente só está ficando não e namoro. – retruquei.
— Tá bom Pietro, talvez seja melhor você deixar isto CLARO para ela então. – disse minha irmã fazendo bico.
No aniversário da minha prima haviam diversas meninas, a maioria delas muito gatas e eu nunca tinha ficado com nenhuma delas. Acontece que eu não namorava então tinha disponibilidade de ficar com elas.
Porém quando estava ficando com uma escondido atrás da casa, minha irmã apareceu.
— Pietro Rossi! – disse ela empurrando a menina e a mim. A menina olhou para ela incrédula.
— Vaza piranha. – disse minha irmã. – Você está traindo a Luana seu idiota.
— Que traindo o que Laura, eu não namoro com ela. – retruquei. O soco veio forte no meu rosto.
Poucos instantes depois combinamos de não mais nos intrometer em nenhum relacionamento um do outro e eu de não ficar com nenhuma amiga dela, para evitarmos de tomar qualquer tipo de partido.
***
Quando voltei a mim da lembrança, foi porque senti um ar quente em meu rosto.
Santo Deus, eu estava muito próximo do Colin, tão próximo que podia sentir a sua respiração em meu rosto, nossas testas estavam a milímetros de serem tocadas, os nossos narizes roçavam um no outro e nossos corpos estavam a poucos centímetros de distância o que começou a me deixar nervoso, não nervoso irritado, mas nervoso, nervoso desconfortável.
Arregalei os olhos porque não demorou para que eu começasse a sentir outras coisas como por exemplo o fato de que minha virilha estava com um leve porém muito existente formigamento.
MAS QUE PORRA ERA AQUILO?
Por um momento eu afrouxei a mão na camiseta de Colin e ele aproveitou disto para se soltar de mim.
Seu olhar não era mais de raiva, na verdade ele parecia quase que tão confuso quanto eu.
— Vamos Colin, ainda temos uma festa para aproveitar. – disse Laura passando por mim, pegando na mão de Colin e o levando para o campo onde seria parte da festa de regresso as aulas. E eu fiquei lá olhando o corredor vazio, ele ainda olhou para mim do fim do corredor.
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