Mudança de Passarela

14 Surpresa! Foi um pequeno acidente.


Narrativa – Pietro.

Assim que acordei naquela quarta feira, chequei meu celular e todos os grupos que eu fazia parte tinham muitas mensagens, nem cheguei a olhar, eu não conseguia acompanhar essas conversas em grupos a menos que estivesse acompanhando desde a primeira mensagem.

Vi também que havia uma mensagem da Sofia que era mais um sermão por eu ter tratado o irmão dela mal no dia anterior, mas se ela soubesse que eu tive surto de vontade de agarra-lo... bom muito provavelmente ela torceria para que isso acontecesse.

Outra notificação era um e-mail, puxei a notificação e vi que era um e-mail do professor de química, com o assunto: Duplas de Laboratório.

Abri o e-mail e além das duplas que por sinal eu estava muito fodido e mordido de raiva, mesmo, tinha que nossa primeira aula no laboratório tinha sido antecipada, essa escola estava ficando uma bagunça.

Levantei da cama, me troquei, e fui ao colégio, as três primeiras aulas eram chatas, na verdade eu não tinha nenhuma aula legal nessa merda de escola, no intervalo eu estava angustiado uma porque teríamos aula de laboratório e o professor determinou as duplas e a minha dupla só podia ser castigo divino.

Para piorar tudo, Sergio e Thiago haviam faltado a escola e todos os outros estavam ao lado da porcaria da necrose do Colin, incluindo a minha irmã, eu estava sentado do outro lado do pátio, literalmente sozinho.

Eu estava olhando para onde o Colin estava e em algum momento ele se virou em minha direção, sorriu, piscou e fez um joinha, idiota, ridículo.

— Esta vendo, meu irmão é muito legal. – ouço uma voz ao meu lado toda simpática. – Porque não retribui o cumprimento?

— Sofia! – digo ficando de pé com um pulo e a abraçando.

— O que foi? – pergunta ela rindo. – Esta querendo transar não é?

— Não! – respondo imediatamente. – quer dizer eu sempre quero sexo, mas hoje não é o caso.

— Já sei. Esta ai todo alone e por isto esta na bad, afinal seus amigos faltaram e os demais alunos do colégio só dão atenção para o Colin.

— Não! – Respondo de cara fechada. – Na verdade, mais ou menos.

— Então o que é? – questiona ela.

Respirei fundo e olhei no rosto dela.

— Senti sua falta. Pensei que não fosse mais falar comigo, depois da sua mensagem de hoje de manhã, você parecia muito brava, nem consegui te responder. – digo sendo bem sincero.

— Olha que quando você quer você bem que consegue ser fofo não e Pie? – diz ela sorrindo e faz carinho no meu rosto. – eu também pensei em não falar mais contigo, eu fiquei muito chateada com você, você foi um babaca com o Colin, alias você sempre é um babaca com o Colin, mesmo ele só tentando te ajudar, sempre desde pequenos.

Ela fez uma pausa olhando para mim, talvez esperando que eu dissesse algo.

— Já se desculpou com ele? – perguntou ela.

— Que tal se a gente virar a pagina? – digo tentando mudar de assunto. Afinal eu não vou pedir porcaria de desculpa nenhuma para o Colin, por nada.

— Só se você for legal com ele. – disse ela.

— Bom a gente é a dupla de titulares da “AL” e só por esse motivo eu já não posso matar ele. – retruquei.

Sofia ri e balança a cabeça em negativo.

— Você não tem jeito Pie. – ela bagunça meu cabelo, e me abraça. – Também senti sua falta.

— A gente esta bem agora? – pergunto.

— Sim. – ela responde e solta o abraço, quando na verdade eu queria mais. – Agora seja sincero, você está bem solitário não é mesmo?

— Esse colégio só tem traidores. – digo em um resmungo.

— Na verdade, eu acho que as pessoas só gostam do jeito do Colin. – diz ela respondendo meu resmungo.

— Não tem nada de mais no jeito dele. – não isso é mentira, eu vejo “o mais”. Na verdade o Necrose Ambulante é bem sociável.

— Pie... – Sofia da um leve sorriso. – você e Colin têm somente poucas coisas em comum: ambos são bonitos, ambos são modelos titulares de visibilidade nacional e internacional. Duas coisas que dão bastante popularidade no mundo teen. No entanto, Colin é simpático, educado, gentil, brincalhão com todo mundo. E você é... bem o oposto de tudo isso, tu é arrogante, prepotente, convencido e se acha o centro do universo, quem você acha que eles vão preferir estar por perto?

— A não Sofia, não vem você também me falar das ilimitadas qualidades do Colin. – reviro os olhos.

— Eu só estou abrindo seu olho Pie, se não quer perder mesmo o seu posto de garoto popular para o Colin, acho melhor você melhorar sua postura. – responde ela.

No mesmo instante em que Sofia calou a boca o sinal da escola tocou, indicando que o fim do intervalo havia chegado, maravilha era hora da aula no laboratório.

— Vou para a minha aula. – disse Sofia. – A gente conversa depois.

— Mal posso esperar para ouvir mais sobre o Urubu de Ouro. – Respondo.

Sigo me arrastando no corredor em direção ao laboratório, eu ainda não podia acreditar na minha dupla, isso era uma loucura, mas que porra o universo estava fazendo comigo.

Cheguei a porta do laboratório, todos já estavam lá com suas duplas exceto um pessoa, a minha dupla, havia um banco vazio ao seu lado que é para ser o meu lugar.

Caminhei até lá e foi quando o garoto se virou.

— E ai mocinha! – diz ele assim que chego na bancada.

— Mocinha é o caralho. – retruco. – E faz o favor de falar comigo apenas o que for necessário.

— Opa, foi mal, esqueço que as moças tem TPM. – diz Colin com um sorriso escroto no rosto. – mas é estranho como a sua TPM é eterna.

— Vai se foder. – respondo e me viro na bancada para ficar de costas para ele, ainda consigo imaginar ele sorrindo porque eu conheço esse idiota a um bom tempo, ele paga de bom moço, paga de menino de ouro, mas ele é um galinha sem vergonha, pegou todas as meninas da “AR” algumas da “AL” e de outras agencias sem falar do Colégio Aclamado, ou seja, um idiota.

— Bom dia turma! – disse o professor chegando a sala bem animado. Por que professores tem que ser tão empolgadas com coisas que nós alunos odiamos, eu não entendo. – A aula de hoje na verdade é um teste surpresa valendo meio ponto direto na prova. – ODEIO testes surpresa. – Bom, vocês se lembram do que estudamos na aula passada, a tabela periódica, e algumas de suas reações, bom vocês devem fazer ao menos três das reações que ensinei.

Eu estudei, tinha que saber fazer ao menos uma das reações. Colin com certeza deve saber, mas não quero pagar de idiota. Na realidade quero provar que sei tanto quanto ele.

— Comecem! – mandou o professor.

— Mocinha... – sinto um toque no meu ombro. – tenho dois procedimentos em mente, precisa só de...

— Tu não vai parar de me chamar de mocinha seu otário? – perguntei estando nitidamente a ponto de afogar ele no recipiente de acido.

— Desculpa cara... – Colin sorri. – Então tenho dois procedimentos. 1º a gente enche cada proveta com a mesma quantia de água oxigenada e detergente. Depois em cada uma delas a gente coloca gotas de anilina de cores diferentes, por ultimo adicionamos um pouco de iodeto de potássio com a espátula em cada proveta.

Enquanto ele falava eu fingia que estava entendendo tudo, ao mesmo tempo em que noto que ele parece bem... digo... parece bem atrae... atraente quando explica as coisas com toda essa exibição de conhecimento.

ATRAENTE? Eu realmente pensei isso mesmo? Porra eu to ficando muito louco.

Não mesmo! Me arrumo no banco, ele só é confiante explicando.

É só isso!

— Tá tudo bem contigo? – pergunta ele franzindo o cenho e fazendo o biquinho, ele estava me analisando novamente. E meu Deus esse bico. – se mexeu ai todo estranho...

— Continua essa porra! – digo.

— Não tá passando mal de novo né? – pergunta ele. – tu devia procurar um medico.

— Fala logo o segundo procedimento que você pensou... – digo.

Ele sorri.

— Então, o 2º procedimento a gente coloca 5 ml de acido clorídrico no tubo de ensaio, junto com um pedaço de 5 cm de magnésio. Esse é mais simples, porém funciona. O que você acha? Pensou em algo? – ele explica e me questiona.

— Eu estava pensando nesses dois procedimentos mesmo... – digo fingindo estar por dentro do assunto. – Vai fazendo ai que eu vou pensando no terceiro.

Nós tínhamos estudado tudo isso ontem, eu tinha que lembrar de pelo menos um procedimento, afinal eu não podia ser tão inútil assim, não é?

Mas de tudo que estudamos ontem, eu só conseguia lembrar que senti vontade de agarra-lo, sacudi a cabeça para espantar esse pensamento e pouco depois a minha mente deu um estalo, uma luz brilhou dentro da minha cabeça.

Pego um Becker e o encho até a metade de água, observo Colin virando a cabeça em minha direção, enquanto prepara algo.

— O que você vai fazer? – pergunta ele a mim de forma desconfiada.

— O procedimento 3 Urubu! – respondo a ele com confiança. Será que ele me achou sexy falando também?

FOCO PIETRO.

— O que é? – pergunta ele.

— Apenas observe. – posiciono o Becker no balcão, e pego um pedaço de potássio já levando ele em direção ao Becker.

— Você não vai... – começou Colin, mas antes que ele pudesse terminar a frase eu já tinha soltado o potássio dentro do Becker.

Tarde de mais.

Bom o resultado foi: EXPLODIU, explodiu Becker, potássio, água, bem a PORRA toda! TÁ pegando fogo em TUDO!

— Apaga esse fogo CARALHO! – berro para o Colin.

Todos já estavam saindo da sala, correndo e berrando.

Pior que se eu jogar mais água vai pegar ainda mais fogo. Cadê o Colin para fazer alguma coisa nessa porra.

A meu Deus eu to muito fodido!

Quando menos esperei uma onda de fumaça explodiu em direção a bancada e claro na minha cara também, o que era óbvio que tinha a ver com o Colin.

Eu comecei a tossir com a porcaria do pó do extintor de incêndio, olho para o lado e vejo Colin todo vermelho, mas não por tossir ou pelo fogo e sim porque ele estava rindo, gargalhando e da minha cara.

— Para de rir filho de meretriz!

— Garotos vocês destruíram o laboratório inteiro! – diz o professor voltando a sala.

— Foi um pequeno acidente professor. – eu respondo a ele.

— Pequeno? – questionou o professor. – vou mandar os dois para a diretora Carolina.

Quando o professor saiu da sala da diretora nos deixando lá, as coisas ficaram tensas, pois ele já tinha dado um relatório completo a diretora Carolina.

— De 20 bancadas 16 foram destruídas, todos os aparelhos, produtos químicos, bancos, sem falar na sala em si, chão e parede. – disse ela.

Ela pegou as pastas de ocorrências, a que tinha o meu nome era um pouco cheia, quanto a pasta do Colin, não tinha nenhuma folha, nenhuma folha se quer, essa é sua primeira ocorrência mesmo considerando seus anos no colégio anterior.

Ótimo uma lista ilimitada de qualidade e uma lista vazia de defeitos. Eu odeio esse mundo!

— Já conversamos sobre isso Pietro, suas ações e notas dificultam sua garantia a uma faculdade de medicina. – disse ela e neste instante vi Colin se virar para me olhar. – quanto a você seu histórico perfeito começou a ser manchado, seria surpresa se por um acaso você não conseguisse entrar na faculdade de medicina se não para com elas agora mesmo, mas continue com as boas notas e sem ocorrências e você vai chegar longe.

Por que o universo gosta do Colin e me odeia?

— Ambos ficaram na detenção. – disse ela. – ficaram lá até o final do turno da manhã.

Ótimo, detenção pela vigésima vez esse ano.