Mudança de Passarela
7 Gratidão? Nunca nem vi.
Notas iniciais
Narrativa – Pietro.
Eu estava começando a acordar, e já estava sentindo o ambiente a minha volta, eu estava com a cabeça em uma coisa que decididamente não era meu travesseiro, com a mão em um corpo que certamente não era o de uma garota porque os músculos daquela região eram muito palpáveis, e se eu mexesse um pouco a minha cabeça eu sentia algo que nenhuma menina teria, olhei para a perna que eu estava deitado e pude ver um pouco mais a cima e vi quem era: COLIN!
— FILHO DA PUTA, VIADO DO CARALHO, SAI DAQUI! – BERREI. – SOME! DESAPARECE.
Ele levantou completamente atordoado, assim como as meninas que estavam nas poltronas e eu nem tinha reparado na existência delas ainda.
— Que, que tá... – começou Laura.
— Tira esse viado do seu namorado, daqui! – berrei ainda mais.
— Pietro calma ai cara... – começou Colin.
— Calma o caralho, sai da minha cama, sai da minha casa! – gritei mais ainda e cheguei perto dele para obriga-lo se fosse preciso.
Ele pareceu não pensar duas vezes, passou por mim esbarrando no meu ombro com um olhar de raiva, e de certa forma magoa e ao sair do meu quarto bateu a porta.
Sofia foi em direção a ele, mas antes de sair, virou para mim com o olhar bem irritado.
— Você é um idiota, devia agradecer ao Colin por ter trago você para casa, ele te carregou no colo, ajudou a cuidar de você e impediu você de ser expulso da escola. – começou ela realmente irritada. – e para sua informação foi você quem pediu para o Colin ficar com você na sua cama, se não fosse ele, provavelmente você estaria no chão do banheiro até agora, deixa de ser idiota garoto, você devia agradecer ao meu irmão.
Virou e saiu sem nem me deixar falar algo.
Sentei na cama apoiando o rosto nas mãos, eu estava com dor de cabeça, com fome, embora enjoado, e assustado por acordar e ter um garoto na minha cama.
— Maninho você pisou na bola com o Colin. – disse Laura sentando ao meu lado e estendendo as mãos, onde tinha um comprimido e um copo d’agua que ela tinha pego na minha prateleira. – é para a sua dor de cabeça.
Ela me conhecia.
— Sério que eu pedi para ele ficar? – perguntei a Laura.
— Sim. – disse ela. – Parecia na realidade que você estava namorando ele, estava todo meigo em cima dele, puxando ele para ficar perto de você.
Estremeci só de pensar naquilo.
— Sendo bem sincera, parecia que você estava muito afim dele! – disse Laura. Ela falou tudo de uma forma tão seria que eu fiquei revoltado.
— Vai se foder Laura. – digo. – que afim dele o que, você me respeita.
— Não precisa ficar assim. – disse ela. – isso é completamente normal...
— Ou você cala essa sua boca, ou vai embora! – digo realmente irritado.
Que porra era isso que ela estava dizendo, eu afim desse merda, começa por ele ser homem e termina por ele ser o Colin.
O final de semana passou mais rápido do que qualquer outra coisa eu cheguei a escola na segunda feira pronto para ir embora, sem nem ao menos pensar duas vezes.
Todos vieram me cumprimentar, como sempre faziam isso sem eu nem mesmo ter adentrado a escola ainda, eu só tinha estacionado o carro, popularidade, estava tudo voltando ao normal, minha fama, minha gloria, só minhas notas continuavam a mesma porcaria, mas até isto se eu fosse sincero tinha que concordar que também era normal.
Droga!
Caminhando pelo estacionamento pude ver na porta de entrada do colégio que minha irmã estava lá com Colin e eles conversavam animadamente com Thiago, quando ele me viu chegando ele falou.
— Como você esta mocinha? – perguntou. – já se recuperou do porre?
— Porre? – questionou Thiago.
— Não foi nada de mais. – eu disse para Thiago e antes que ele começasse com o falatório dele eu me virei para Colin e falei. – E como eu estou não é bem da sua conta!
— A Pietro, muita coisa não e da minha conta, mas você bem que me puxa pela camiseta para que eu... – disse ele debochando e sorrindo.
Não pensei duas vezes, se aquela história de eu pedindo para ele ficar comigo na cama vazasse ia ser o meu fim, afinal eu zoava os homossexuais (mesmo não tendo preconceito), zoava os perdedores idiotas e se descobrissem esse meu vacilo todo mundo ia me tachar de viadinho escroto, então eu fiz a coisa mais hétero normativa possível...
Eu meti o soco na cara dele.
Óbvio que ele revidou, óbvio que aquilo virou uma coisa louca, ele por cima de mim, eu por cima dele, socos, chutes.
Sentia mãos tentando nos separar, mas inútil, eu estava com raiva, Colin, tentava se desvencilhar de mim, porque ele não era de briga, mas eu por outro lado tinha um histórico cheinho delas.
Senti que ele me empurrava e quando ele finalmente conseguiu eu cai sentado no chão.
— Você é um idiota imbecil, sabia disso? Me zoa desde que a gente nasceu e eu não posso te zoar, vê se cresce garoto, cresce e vira gente. – disse ele com raiva, virando e saindo em direção ao seu carro. – A gente se vê depois Princesa!
— Senhor Rossi! – disse um dos monitores do corredor, tendo ao seu lado o Coordenador. – Eu vi tudo o que aconteceu e como você agrediu aquele garoto que a julgar por seu uniforme nem deste colégio é.
— Direção Pietro. – disse o coordenado quase bufando. Ele já estava cansado de dizer aquela frase para mim e eu de escuta-la já que eu a escutava desde os meus 13 anos.
Segui direto para lá e não demorei nada para chegar, afinal o caminho já era bem conhecido.
— O que você fez desta vez Pietro? – pergunto a Diretora Carolina com um ar de tédio na voz e na fisionomia.
— Briguei com Colin Vargas. – respondi sem olhar para ela.
— Você esta suspenso. – disse ela sem nem pensar duas vezes. – vou comunicar mais uma vez aos seus pais, e vou te dizer que isso também vai para o seu currículo escolar.
Mas que merda, droga, porque eu tenho de ser um inútil, um imbecil?
Eu sei a resposta, porque meu pai me fez assim, um idiota.
— Pode ir para a sua aula, sua suspensão começa amanhã e vai até sexta feira. – disse a Diretora Carolina. – e Pietro eu sugiro que você melhore muito de agora em diante, ou pode esquecer a ideia de uma faculdade federal.
Quando sai da sala da diretora, meu telefone tocou assim que o atendi percebi que era Sofia.
— Eu falei agradecer e não bater, seu idiota. – disse ela furiosa, enquanto eu seguia para longe da sala da diretora.— Você deu um soco na cara meu irmão, isso depois dele ter cuidado de você, você age igual um pirralho de vez em quando, sei por tudo que passou na infância, todos os seus traumas, mas isso já esta passando dos limites Pietro, começa a agir como homem, começa a se tratar como alguém de respeito e a tratar as pessoas com respeito também!
Ela fez uma pausa eu não consegui falar nada, entrei no banheiro e fui até a pia me olhei no espelho e lá estava eu com meus olhos cheios de lagrimas, mas eram lagrimas de raiva, raiva de mim mesmo.
— Melhore Pietro! – disse ela mais uma vez. – Gratidão? Você nem sabe o que isso quer dizer não é mesmo?
Depois disto ela desligou.
Eu dificilmente agradecia alguém, eu dificilmente, pedia desculpas a alguém, e principalmente em relação a desculpas, não pedia e odiava receber os pedidos, afinal o que foi feito, esta feito e não era uma frase que ia mudar isto.
Eu estava com raiva, muita raiva, de mim, do Colin, da desgraça da minha vida.
E gratidão, nunca nem vi.
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