Mudança de Passarela

1 Faz tempo que nós não nos vemos.


Notas iniciais
Todo mundo tem aquela pessoa que não vê a anos, ou que não viu e depois de muito tempo reviu e não pode acreditar que estava vendo. Eu com toda a certeza do mundo tenho esta pessoa, ou talvez até seja mais de uma e eu não estou lembrando, seria muita coincidência se nosso reencontro tivesse sido parecido ou quase isto. A vida é circunstancial, tudo varia, muda e se transforma de acordo com a circunstancia dos acontecimentos... Preparem-se para o inicio da mudança.

Narrativa – Colin.

Os sons de todos os cliques estavam me deixando louco, mas sendo bem sincero comigo mesmo eu estava adorando tudo isso, isto era tudo que eu queria, mas em pensar que essa era ainda a segunda parte do teste eu já ficava com preguiça, a terceira parte era a parte da passarela, ou seja, o desfile. Eu nunca tinha feito um desfile, tudo que eu fazia era brincar com minha família, digo primas e primos, e poucos conhecidos, a gente trocava de roupa e ficava se apresentando para os familiares e os outros adultos presentes nas festas ou eventos de família e amigos dos nossos pais.

— Muito bem, todos vocês que já terminaram de tirar as fotos podem seguir a linha amarela no chão, ela os levará para os camarins, lá vocês poderão trocar de roupas, todas as roupas que vocês vão usar são fáceis de vestir, então não vão precisar de acompanhantes nesta hora. – começou um dos Staffs observando que algumas mães e pais começaram a se movimentar para acompanhar os filhos. – pais e mães vocês podem ir para as cadeiras nas laterais da passarela, vocês serão a plateia de seus filhos. Meninos no camarim cada roupa tem o nome de vocês no cabide então não se confundam leiam com atenção.

Eu estava fazendo o teste para uma das maiores agências de modelo de São Paulo a Agência Rainha, eu não morava na cidade de São Paulo, na verdade morava em uma cidade do interior, mas eu estava muito interessado em passar neste teste, era isso que eu queria, eu queria ser modelo entre tantas outras coisas, e graças a deus esta agência tinha uma cede na cidade em que eu morava.

Cheguei ao camarim e a roupa que estava com meu nome era bem o tipo de roupa que eu gostava, não que fosse uma surpresa eles saberem a roupa, já que na entrevista eles perguntam tudo isso para a gente, eu só tinha 09 anos na época do teste, mas já nesta época eu não gostava de roupas infantis, a não ser que fossem roupas do Mickey ou de Heróis, mas esta era uma roupa muito legal, uma calça preta rasgada no joelho, e uma camiseta com manga ¾ vinho e no pé um tênis preto bem baixo.

— Os que já terminaram de se trocar, podem seguir a linha rosa no chão, ela leva até a coxia da passarela, e esperem lá na ordem de chegada. – disse o mesmo cara de antes.

Quando cheguei nas coxias percebi que eu fui o primeiro e isso queria dizer que eu seria o primeiro a desfilar para todos os avaliadores que ao todo eram 10 mais a dona da agência, e todos os pais e mães dos candidatos, meu Santo Mickey para que tudo isso senhor?

— Vocês que conseguiram se vestir corretamente parabéns, os demais podem ir ali com o Dênis que ele irá ajudar vocês. – disse ele apontando para alguns garotos que estavam com a roupa vestida errada, do avesso, ou torta. – começaremos o desfile pela ordem de chegada, por tanto, você garoto será o primeiro, vocês vão entrar por um lado da passarela parar lá na frente no meio fazer uma pose relaxada e retornar pelo outro lado, façam tudo com o máximo de tranquilidade que puderem, sem exageros e estresses.

Uma musica da qual eu nunca tinha escutado antes começou a tocar e aquilo só serviu para me deixar ainda mais nervoso, então eu fechei os olhos e respirei fundo, no momento em que abri os olhos e dei o primeiro passo entrando na passarela eu não ouvia mais a musica, não ouvia mais nada, a única coisa que eu via eram os olhares das pessoas da plateia, o que era ridículo, a maioria deles parecia querer me ver no chão, queriam me ver caído de cara no chão, pois assim seus filhos venceriam e ganhariam um contrato com a agência, acontece que eu não desistiria, naquele instante eu vi a minha mãe sorrindo satisfeita para mim, ela sorria para mim de um jeito maravilhoso e aquilo era formidável, sempre que ela me olhava assim era como se eu virasse um dos super heróis que eu tanto admirava, hoje eu entendo que eu me enchia de força, esperança e certeza de que tudo daria certo, vi também o sorriso da tia Marcia, que era minha madrinha e a melhor amiga da minha mãe desde a adolescência, embora não soubesse se aquele sorriso era para mim, ou, se porquê o insuportável do filho dela estava vindo logo atrás de mim, mas gostei de vê-la sorrindo já que fazia um tempo que ela não sorria, devido a problemas pessoais.

No final de todo o teste apenas três de todos nós foram aprovados, isso porque éramos trinta, isso era assustador, só três foram aprovados é uma loucura na verdade. Mas graças ao Santo Thor, eu estava entre os três, o outro era o filho da Tia Marcia, que na verdade era um idiota e o terceiro era um garoto chamado Victor que eu não conhecia, mas parecia ser alguém bem legal, diferente do filho da Tia Marcia, que era um idiota, mimado, e um ignorante retardado.

No fim das contas passei anos nessa agência, mas o filho da Tia Marcia não, graças ao Flash, quando tínhamos mais ou menos 12 anos ele recebeu uma proposta da Agência Lírio, outra grande agência que competia por eventos com a Rainha e ele decidiu ir para lá, eu agradeci loucamente ao Santo Super Man e todos os outros super heróis, por isso, afinal não teria que lidar mais com ele, enquanto isso Victor e eu nos tornamos melhores amigos de uma forma inexplicável, e fazíamos tudo junto, até na mesma escola nós estudávamos e isso para mim era incrível.

Anos se passaram e eu continuei atuando como modelo na mesma agência, cara eu realmente amava isso.

Era um pouco engraçado como isso começou a trazer certos resultados na minha vida como, por exemplo, popularidade é óbvio que todo mundo gosta de ser popular, o problema é quando essa popularidade lhe sobe a cabeça, não isso não aconteceu comigo, eu tinha muita educação para ser soberba ou arrogante com alguém, mas é inegável que Victor e eu éramos os garotos mais populares do Colégio Aclamado, porém nunca fizemos disso nossa marca, ainda éramos Colin e Victor apenas dois garotos, dos outros garotos o mais popular era o capitão do time de futebol, o Matheus, mas estava tudo bem, afinal Matheus era nosso amigo, um bom amigo realmente, nós três vivíamos saindo juntos, para tudo que era festa e inclusive sempre que podíamos levar gente de fora para as festas da agência nós o levávamos não que eu me gabe realmente disso, mas nós três éramos tão populares que as pessoas da escola davam muita atenção para a gente, às meninas então eram as que mais davam atenção para nós, por tanto, não tínhamos problema de “seca”, sempre tínhamos alguém para ficar, transar e etc.

E eu ainda tinha Laura Rossi, minha melhor amiga desde a infância, mas nós sempre ficávamos e nos divertíamos muito, sem compromisso, sem problemas, sem nada.

Victor e eu ainda tínhamos as garotas da agência, por sermos modelos titulares, sim isso existe neste meio também, todo desfile nós estávamos lá, tínhamos que estar lá, e desfilávamos com as melhores e com a maior quantidade de roupas sempre, e com isso éramos muito bem tratados por todos lá dentro e lá fora, junto com a popularidade vinha toda a imensa responsabilidade que era ser um titular também, tínhamos que ser os melhores em todos os âmbitos dentro da passarela, fora dela, nas fotografias e etc.

Essa era a minha ultima semana de colégio antes das férias do meio do ano, e isso queria dizer que era a ultima semana de provas e sinceramente eu estava feliz ao extremo por isso, eu estava acabado, precisava de um sossego, e mesmo com todas as viagens e tudo mais eu estava conseguindo ter ótimas notas, graças aos Céus cheios de Mickey’s, afinal eu queria muito passar em uma faculdade federal, para cursar Medicina e me tornar um Cirurgião, esse era meu mais novo sonho, mas isso só aconteceu depois de eu assistir toda aquela loucura de série chamada Grey’s Anatomy, acredite se quiser, ela me fez querer ser médico, antes disso eu estava em duvida sobre o que seguir, mas é claro que eu sei que a realidade no Brasil é outra, que tudo é completamente diferente, mas ainda era uma um plano formidável, mas passar em uma federal era só o começo de todo o meu planejamento, o final dele era eu me tornar um excelente Neurocirurgião, com qualificações em Psicologia, porque sim era isso que eu já queria fazer antes, e então por que não unir as duas coisas, seria muito mais fácil, talvez até chegar a ser um psiquiatra não sei, talvez seja tempo de estudo de mais, mas seria muito bom, e eu estava estudando o bastante para conseguir alcançar este objetivo.

Enfim, hoje eu estava com 17 anos, próximo de completar 18 anos, afinal novembro estava ai, eu já tinha tirado minha carteira de motorista porque meus pais assinaram aquela autorização que me permitia dirigir, e meus pais me deram um carro de presente, claro que isso não passava de um pretexto para eles não precisarem mais me levar e buscar em lugar nenhum, não que eu pedisse, mas eles sempre deixavam claro que era para minha segurança, não que na cidade onde eu morava eu corresse algum risco além de ser picado por uma cobra, ou aranha, mas tudo bem, eles me deram o carro que eu queria, então estava tudo certo, não que eu fosse mimado, na realidade para o meu pai tudo dependia de merecimento, eu tinha que merecer ganhar qualquer coisa, mas eu merecia, eu era um ótimo filho, eu trabalhava, estudava e ainda tirava as melhores notas da escola, fora os prêmios de melhor aluno e até de serviços prestados a escola, de uma duas vezes que eu coordenei os alunos do ensino fundamental para fora da escola em um mini incêndio no laboratório de química.

Eu já estava acordado, mas na verdade queria ficar ainda mais na cama eu estava realmente cansado eu queria passar o dia todo na cama, mas minha mãe nunca deixaria, não seria surpresa se ela...

— Filho se você não levantar agora vai perder o horário do colégio, e hoje começam as suas provas. – disse ela do outro lado da porta, viu o que eu queria dizer.

— Já estou indo mãe! – digo em resposta, com a voz bem embargada em sono e talvez um pouco de ressaca.

Eu quase me arrependi de ter ido a festa de ontem, tinha desfilado com 15 peças e depois ido a uma festa de comemoração da agência que durou até às três horas da madrugada, como eu faria uma prova depois de ter dormido apenas 4 horas eu não sabia, mas essa era a vida que eu tinha escolhido para este momento da minha vida, então tinha que erguer a minha cabeça e enfrentar as coisas da vida, queria mesmo era pedir uma prova substitutiva, mas mamãe não deixaria isso e meu pai provavelmente me mataria se eu apenas cogitasse isto.

Levantei e olhei o meu celular e tinham muitas mensagens, reparei que eram do grupo da escola e também havia mensagens do grupo da Rainha, não li realmente nenhuma mensagem, estava muito cedo para isso.

Joguei meu celular em cima da minha mesa e fui tomar banho, graças ao Mickey minha casa tinha quatro quartos, e todos eram suítes o que queria dizer: PRIVACIDADE!

Demorei uns 15 minutos no banho e depois de me trocar com uma calça jeans clara, uma camiseta manga longa preta, um colar de pedra preta com cordão branco, e pulseiras claras, coloquei um tênis preto da Vans e voltei ao banheiro para passar uma pomada no cabelo, demorei cerca de quase um ano para achar uma pomada decente para o meu cabelo, isso com ajuda dos cabelereiros da “AR”, pois não achávamos nenhuma pomada que realmente desse forma aos meus cachos, mas finalmente achamos e eu passei a usa-la no meu dia a dia e com isso eu finalizei meu cabelo e fui tomar café da manhã.

— Bom dia. – digo para todos que estavam lá, papai, mamãe, minha irmã Sofia e a empregada a Cida.

Todos me respondem em voz alta de volta, exceto, meu pai que apenas assente com a cabeça sem tirar os olhos do jornal, enquanto Cida serve seu café, algo que eu acho tremendamente estupido, já que ele tem duas mãos perfeitamente saudáveis que são capazes de servir seu próprio café sozinho, além do mais ela não é paga para isso, se eu sou ela me rebelo contra essa atitude folgada do meu pai, mas acho que ela não faz isso porque ela realmente precisa do emprego e depende dele para sobreviver.

— Filho você vai para a agência hoje? – perguntou minha mãe quebrando meus devaneios.

— Vou sim mãe. – respondo depois de engolir um gole de café. – vou almoçar com o Victor depois da escola e ai vamos direto para lá, mas só vai ter uma reunião sobre o evento de Londres.

— Você não acha que tem estado muito com este garoto? – disse meu pai, agora tirando os olhos do jornal, ele sempre odiou Victor sem motivo algum, na verdade eu ate entendo o motivo do meu pai não gostar do Victor isso se chama RACISMO, IDIOTICE e IGNORÂNCIA. – Digo mais que o normal, as pessoas comentam e eu não quero meu filho mal falado por ai.

— A não Sr.º Rafael, você não vai começar com isso de novo! – digo sentindo o sangue ferver dentro do meu corpo. –Todo mundo sempre falou as coisas mais absurdas do universo a nosso respeito, dentro desta família mesmo, ou melhor, dentro da sua família, só por eu ser modelo, se estão falando por Victor e eu estarmos andando juntos coisa que já acontece a cerca de 09 anos, eu não posso fazer nada e não estou nem ai.

— Mas você tem uma reputação familiar a zelar. – diz ele baixando totalmente o jornal e me fitando com os olhos duros sobre mim.

— Reputação familiar? – questiono com ironia e sentindo a raiva tomando meu cérebro. – E que reputação é essa, será que você pode me explicar? Reputação de uma família onde o pai sempre foi ausente? Uma família onde o pai acha que é rei só porque serviu ao exercito como Coronel e hoje é frustrado porquê teve que sair do exercito porque não tinha mais capacidade de estar lá e ainda mais frustrado porque é só o vice presidente da empresa onde o dono e o próprio pai? Nos poupe Sr.º Rafael!

Vi que ele ficou chocado com meu contra argumento, tão chocado que ele não conseguiu me responder!

Então me levanto da mesa com o pão que estava em minha mão e sigo em direção a porta, meu pai ainda não fala nada, ele esta chocado de mais, até que me lembro que tenho que dar carona para minha irmã, então me viro para trás.

— Sofia, você vem comigo ou vai com a mamãe depois? – pergunto, ainda mantendo o semblante serio e irritado, ela pega a bolça e me segue porta a fora.

Quando entramos no carro, Sofia já foi logo dizendo:

— Não sei por que você ainda se estressa com o papai, sabe muito bem como ele é às vezes. – diz ela.

— Ele é um chato. – digo em resposta. – parece que faz de proposito, só porque estou feliz ele arruma um jeito de me por para baixo, é sempre assim, ele não cansa de dizer que eu envergonho a família.

— A maninho, primeiro vamos assumir que faz um tempo já que você não esta 100% feliz. – diz ela. – segundo que se você envergonha a família eu faço o que? Você é quem tira as melhores notas, trabalha regularmente, é super educado é dedicado e sim você é o melhor filho.

Droga, minha irmã me conhece bem de mais, ela é só um ano mais nova do que eu e as vezes parece que é muito mais madura as vezes e a gente tem uma amizade fora do comum, muito fora do padrão.

— Esta tudo bem Sofia, não se preocupa. – digo a ela. – essa viagem a Londres vai me animar novamente. Eu só estou cansado da escola, do papai e daquelas pessoas idiotas que ficam falando coisas de mim para ele. E você é a filha de ouro que sempre pode fazer tudo que quiser que ele aprova, você devia aproveitar para manda-lo procurar um psicólogo, amargura crônica é um problema sério.

— A maninho esquece isso. Além do mais o papai não faz de propósito, ele só faz, nem sabe o que fala, afinal ele é o papai. – diz ela e então aperta o play do meu radio e a musica do Calvin Harris — Feels começa a tocar, bom ele é só o papai.

Ao chegarmos ao estacionamento do colégio, vejo Victor parado no nosso ponto de encontro, ele sempre chega mais cedo que eu e nós combinamos de nos encontrar no pé da escada para o corredor da portaria.

— E ai cara. – diz ele me cumprimentando, estendendo a mão para que eu pudesse aperta-la. – Tudo bem?

— E ai. – respondo e aperto-lhe a mão e dando um abraço como sempre fazíamos. – Tirando o Sr.º Rafael me enchendo o saco logo cedo está tudo ótimo e você como esta?

— o Tio Rafael nunca pega leve, não é mesmo? – questiona ele revirando os olhos. Se meu pai ouvisse ele o chamando de Tio provavelmente trovejaria em cima do garoto. – Estou bem. Oi Sofia, como vai?

Victor é o único que abraça a minha irmã e eu não fico irritado, mas fora ele, todos, isso mesmo, todos os outros me tiram do serio.

O problema é que minha irmã é tão popular quanto eu, ela não é modelo, embora tenha recebido inúmeras propostas, ela escolheu ir para a área de atuação, já fez 5 peças de teatro e atuou em 10 filmes, adoro ver ela atuando ela é realmente muito boa.

Fomos para dentro da escola, nossa primeira aula era uma prova de matemática, depois tínhamos prova de português e por ultimo uma de química, um dia muito tranquilo na vida de qualquer estudante.

No caminho para a sala, muitas pessoas vieram falar comigo, tanto meninas quanto meninos, e eu sempre sou educado mesmo sabendo que eles não gostam de mim de verdade, a maioria nem sabe quem eu sou, só fazem isso porque eu sou popular e acham que se forem vistos falando comigo isso acontecera com eles também, ou seja, se tornariam populares, eu sempre busquei ser o mais simpático possível com todos, mas não é algo fácil ainda mais em um dia como esse, mas a gente se esforça, ninguém precisa ser saco de pancada do meu mau humor.

Eu nunca fiquei tão feliz por uma semana ter acabado tão rápido, adeus provas e adeus escola por pelo menos um mês, e olá Londres.

Eu me despedi de minha mãe e minha irmã, eu já estava pronto para entrar no avião e partir para Londres junto com Victor, nós estávamos ansiosos afinal nós chegaríamos lá e teríamos apenas 2 horas para descansar e nos arrumarmos para a festa de abertura do evento a qual éramos obrigados a ir e mesmo que não fossemos obrigados a ir, iríamos do mesmo jeito, se tinha festa nós estaríamos lá.

A viagem foi muito tranquila, dormi a viagem toda o que me fez muito bem e feliz, acordei com o solavanco da aterrissagem e o capitão anunciando: Bem vindos a Londres — Welcome to the Londres.

Desembarcamos e após pegarmos nossa bagagem seguimos para a saída e lá estava um dos diretores da Agência Rainha para nos levar ao hotel.

Pude reparar no grupo que estava ao lado, era o pessoal da Agência Lírio, era difícil ter as duas agências no mesmo evento já que as duas são rivais e as melhores de São Paulo, ela era de fato uma de nossas maiores concorrentes e por isso não íamos muito a eventos juntos, ou éramos nós ou eles. Eu ainda pude ver os meninos que representariam a Lírio no evento, um deles me chamou bastante a atenção, ele era loiro, cabelo liso, raspado nas laterais, e bem cumprido em cima, era bem estiloso o corte, seus olhos eram quase cinzas, algo nele me chamou a atenção, era como se eu o conhecesse, mas naquele momento não pude tirar às minhas conclusões sobre ele porque estávamos com pressa e eu não sabia mais nem quem eram os modelos da Agência Lírio, pois não acompanhava muito as outras agências.

Seguimos os caras da nossa agência até o carro que nos levaria para o hotel, chegando ao hotel reparei que aquelas pessoas da Agência Lírio ficariam hospedadas lá também, quem sabe eu não descobriria se realmente conhecia ou não o garoto.

Victor e eu dividiríamos o mesmo quarto como sempre fazíamos, era mais prático para nós, pois tínhamos assim uma comunicação direta sem precisar usar telefones e assim era mais barato para a agência, embora não tivéssemos o que reclamar, quando se tratava de pagar hotéis ou qualquer coisa para a gente a Agência Rainha não tinha medo de tirar boas quantias dos bolsos, ambos subimos para nosso quarto que por sinal era imenso com duas camas de casal enormes, eu coloquei minha mala em um canto qualquer arrumaria isso depois e fui direto tomar banho, pois sabia que Victor iria arrumar às coisas dele, essa era a primeira coisa que ele fazia sempre que chegávamos a um hotel. “Mania de virginiano era o que ele dizia”.

Sai do banho e reparei que Victor estava dormindo, essa era outra coisa, ele nunca conseguia dormir direito em voos então sempre que chegávamos a um hotel após arrumar suas coisas ele tirava um cochilo, eu peguei a roupa que usaria no evento hoje, era verão em Londres, uma camiseta manga curta listrada de branco e azul estilo marinheiro, uma calça azul marinho curta e um tênis baixinho amarelo canário, adorava essas roupas que a Rainha nos fornecia para usar, o bom é que depois elas passavam a ser nossas, meu guarda roupas e sapateira eram cheios de roupas da, “AR”, então assim que me troquei eu acordei Victor.

— Ei cara, acorda, você vai se atrasar. – o chamo mexendo em sua perna, para você que não o conhece, se você acordar o Victor seja pelo motivo que for, e seja depois de qualquer período de tempo que ele dormiu, não fale com ele, não até que ele diga algo, é bem provável que você fique no vácuo ou, que seja respondido de uma forma um tanto quanto agressiva.

Ele acorda, se levanta e vai para o banho sem falar nada para mim.

Eu me olho no espelho de corpo inteiro que tem no quarto do hotel e começo a arrumar meu cabelo, veja bem, eu tenho 1,78 de altura, sou branco, mas não muito, tenho aquele queimadinho do sol, mas é completamente natural, tenho cabelos cacheados, mais baixos nas laterais e um pouco mais cheio e alto em cima ele é castanho escuro igual aos meus olhos, tenho o corpo atlético, embora não pratique nenhuma atividade física, a não ser as sessões de academia que a “AR” me obriga a fazer, e as aulas de Educação Física na escola, mas não sou nem magro e nem musculoso, eu termino de arrumar meu cabelo e pronto, estou um gato, ainda usaria algumas pulseiras e um colar, mas o nosso estilista Rennan disse que não deveríamos usar nenhum, o que para mim era um saco, já que eu adorava pulseiras e colares, principalmente porque quando eu ficava nervoso tinha algo para mexer e eu sempre ficava nervoso nesses eventos de aberturas porque sempre vinham representantes de outras agências falar comigo querendo me contratar e eu ficava completamente nervoso com tudo isso e não sabia muito bem como sair destas situações.

Não demorou muito e Victor saiu do banho e eu já estava pronto.

Victor tem a fisionomia bem diferente da minha, ou melhor, é bem diferente da maioria dos garotos, a começar por ele ser negro, mas negro do tipo Africano mesmo, seus avós paternos vieram da África para cá, já seus avós maternos, bom o avô é índio e a avó é uma Italiana loiraça de olhos azuis, os seus pais bem, o pai e negro de um black bem maneiro, a mãe é branca com cabelo preto liso feito seda e olhos azuis, bom eles fizeram uma mistura muito interessante e ela se resultou em Victor, um negro Africano de olho azul e grande do tipo Italiano, com um cabelo preto petróleo mais liso que seda e do tipo Indígena, da para entender porque a “AR” ficou com ele, claro além da habilidade e profissionalismo dele ele era um garoto da “espécie” mais rara do universo.

— Vou te esperar no Hall de entrada cara. – digo a ele que mais uma vez não me responde, pois ainda esta no seu momento de pós acordar, eu não me importo muito com isso afinal conheço ele a tempo de mais e só por isso eu respeito ele, se fosse alguém que acabei de conhecer teria falado poucas e boas sobre essa falta de educação, eu saio do quarto ainda sem nenhuma resposta dele, sigo pelo corredor do Hotel que é todo de carpete vermelho, aperto o botão do elevador e fico-o esperando, quando ele chega e eu entro ouço uma voz alta o bastante para que qualquer um escute o pedido: Segura o elevador, por favor?

Aquela voz, ela fez minha espinha gelar, estranhamente eu sentia que eu conhecia aquela voz, quando a voz que pediu para segurar o elevador deu imagem a um garoto e eu pude ver quem era e que era o garoto loiro do aeroporto e então agora olhando realmente para ele de frente eu tive a certeza de que o conhecia e parecia que ele também tinha me reconhecido mesmo depois de alguns anos.

— Pietro! – Exclamo chocado.

Mas na verdade eu não tenho nenhuma empolgação em revê-lo e isso ficou bem explicito na minha fisionomia eu tinha certeza, mas que eu estava chocado a isso eu estava.

— Colin! – diz ele ainda mais chocado e também sem esconder a cara de zero empolgação, mas o choque ainda era bem aparente, ele ainda conseguiu dizer mais coisas e disse a seguinte frase – Faz muito tempo que não... bom, que não nos vemos.

E com essa frase temática a porta do elevador se fechou e eu fiquei sozinho lá naquele elevador enorme com uma pessoa que eu não via a 06 anos e não queria rever, pois ele era ninguém menos que o idiota, imbecil e agressivo do filho da tia Márcia.