Ms. Betty Wayne

5 Capítulo 5 - A Opera de Carmilla


A OPERA DE CARMILLA

PERSONAGENS:

Bobo da Corte. Regina Grayson. Rapaz sem nome. Graysons Voadores. Harley Dent. Twistellete. Betty Wayne. Garçom. Figurantes. Sr Wayne. Sra Wayne.

Ato I

[Abrem as cortinas. Quarto feminino, grande volume por baixo dos lençóis da cama. Entra em cena um bobo da corte conduzindo um monociclo. Ele usa trajes coloridos, mas ao mesmo tempo formais.]

BOBO – Senhoras e senhores, estamos agora próximos da conclusão dessa trágica história. Eu apresento à vocês a pequena senhorita Grayson! Quem pode culpa-la? Está um pouco confusa com sua amnésia alcoólica, mas não fazem muitas horas desde que se divertia com um rapaz do qual nem lembra mais o nome! [Risos]

[Os pais de Regina aparecem suspensos por cordas, flutuando de uma ponta à outra, asinhas presas às costas.]

GRAYSONS [Cantando] – Ruby, Ruby, Ruby! Não pode nos escutar? Se estivéssemos aí te colocaríamos juízo. Ó, mas seus amigos todos loucos e sua vampira naquele castelo só te arrumarão problemas.

MAMÃE GRAYSON — Por que não veio pro céu com a gente, meu bebê!?

[Assoviando sobre o monociclo, o Bobo da Corte sai de cena, bem como os Graysons. Regina afasta o lençol e revela o homem adormecido ao seu lado, levando um susto. Harley Dent entra no quarto com duas toalhas, uma para o corpo e outra para os cabelos.]

HARLEY – Bom dia, Sunshine.

REGINA – Ai, minha cabeça! Onde eu estou? Quem é esse garoto?

HARLEY – Na minha casa, tivemos uma festa. E esse rapaz não deveria estar aí, já te falei para não usar a minha cama para essas coisas. É sempre assim, todos se divertem e depois a casa fica uma zona descomunal.

REGINA – Oh, Deus, não! Eu preciso voltar pra casa!

[Harley encontra espaço para deitar na cama entre Regina e o rapaz anônimo, abrindo o jornal do dia para ler.]

REGINA – Por que você lê essa chatice?

HARLEY – Notícias sobre Hollywood. Eu podia ser uma estrela, já pensou? Eu também penso em cursar Direito, mas tenho medo de acabar ficando maluca com o trabalho. Além disso, não é muito fácil para uma mulher. Hollywood é muito mais democrática, sabe, e minha mãe dizia que eu tenho o rosto perfeito para as telas. Às vezes acho que sou boa demais para essa cidade.

REGINA [Levanta] – Ei, Harl, eu preciso ir. Acabo de me lembrar que tenho um compromisso com você sabe quem.

HARLEY [Olhando para o rapaz] – Fico feliz de saber que você ainda tem um neurônio sobrando, puddin. Vai deixar esse abacaxi aqui pra eu resolver? Espero que ele saiba quem é e como voltar pra casa.

[Fecham as cortinas.]

Ato II

[Plano de fundo.]

Come on along with the Black Rider, we’ll have a gay old time. Lay down in the web of the black spider, I’ll drink your blood like wine.

[O Bobo da Corte surge de dentro das cortinas vermelhas, dançando.]

BOBO [Para a plateia] – Mas que lindos rostos na plateia essa noite. Ah, eu sei, eu sei, vocês escutam isso todo o tempo! Por que nem todos os estão felizes? Aqui, tome um cigarro, baby [Atira para a plateia charutos do bolso do paletó]. Um para o camarote! Wow! Agora vamos ver o que acontece com nossa heroína gótica.

[O Bobo sai de cena. Abrem as cortinas. Restaurante chique de Gotham City. Betty Wayne, Regina Grayson e uma das Twistelletes dividem uma mesa, sendo servidas por um garçom. Alguns figurantes ficam de fundo.]

REGINA – As outras três integrantes não puderam se encontrar com a gente?

TWISTELLETE – Para ser sincera, elas se recusaram. Sabe como é, quando se é famoso você ganha o direito se afastar das pessoas. Basta acenar na rua e você já será a pessoa mais simpática do mundo. Mas quando soube que Betty Wayne deixava seu castelo para me encontrar, eu tive que aceitar! Quero que saiba que admiro muito a filantropia da Wayne Enterprises. Também já escutei umas histórias estranhas sobre você, mas inventam cada coisa, não? Dizem que você já resolveu casos para a polícia, mesmo como amadora. Você seria como...

REGINA – Sherlock Holmes?

TWISTELLETE – August Dupin, mas esse serve.

BETTY – Eu quero saber do empresário de vocês. Ele dá o aval final nas composições e equaliza os sons?

TWISTELLETE – Até mesmo nos shows ele mexia em todo tipo de aparelhagem estranha. Mas agora ele controla tudo à distância. É um lugar com uma antena gigante, engraçado de se ver. É nisso que está interessada?

BETTY – Exatamente, onde posso me encontrar com ele?

TWISTELLETE – Ele é casado...

BETTY – Eu só quero conversar com ele. Agora, onde fica esse lugar?

[Rindo consigo mesmo, o Bobo da Corte passa por trás da mesa, olhando para o grupo e esfregando as mãos uma na outra. Lança à plateia um sorriso maldito.]

TWISTELLETE – Vou anotar para você. Vocês vão amar! É um submarino!

[Fecham as cortinas, ocultando o cenário e os personagens, com exceção de Betty.]

BETTY [Cantando] -

Não existe Natal. Dezembro é o mês do mal. Janeiro não virá para me salvar.
Mas afastem-se valquírias.
Afastem-se Queres.
Pois bem me lembro.
Não é chegado Dezembro.

[Entram Sr e Sra Wayne, dançando em volta de Betty]

SR WAYNE — Seu estômago nunca ronca. Seu bolso nunca fura. Sua cama nunca é dura. Seu rosto nunca é feio. Seu mercado nunca quebra. Deveria se casar e esquecer seu drama inútil. És a mais premiada e desejada solteirona de Gotham!

SRA WAYNE – Lembre quando éramos jovens, também demoramos a nos encontrar. Tenha paciência com ela, querido.

SR & SRA WAYNE [Cantando] – Betty! Betty! Betty! Betty! Nossa Betty!

[Atores ficam estáticos como pedras, o Bobo da Corte entra mais uma vez e atravessa todos eles, gozando deles. Parando no centro do palco, volta-se para a plateia.]

BOBO – Agora virá minha parte favorita, a parte que realmente gosto. A queda de Reichenbach. O nascer do sol de Drácula.

[Canta]

O sol vai brilhar
A gorda cantar
E minha você será

[Com sorte, aplausos, e então o fim.]