Mr.Right
2 Bom dia,sala!
Turno: Loke
O dia ia terminando. Metade das minhas coisas já estavam desempacotadas e todas as roupas já estavam no armário. Tive que dar uma geral no armário pois tinha pequenas bolinhas pretas que me recuso a aceitar o que é. Ás 20h, caminho até os armários da cozinha, onde não acho nada, a não ser macarrão instantâneo.
– Serve, vai. — Agarro um, e coloco a panela com água no forno, para que fosse esquentando. Esfrego minha testa, enquanto ia mexendo na água. Porém, escuto a campainha tocar, me fazendo largar a colher na panela. — Quem é? — Pergunto, chegando e vendo pelo olho mágico.
– Vizinhos...! — Abro a porta e encontro uma mulher, mais ou menos 28 anos, de cabelos caramelos bem ondulados. Tinha olhos azuis calmos e parecia ser uma pessoa gentil. — Olá, eu sou a Michelle. Sua vizinha, ihi. — Botava a mão na boca envergonhada.
– Loke, prazer. — Aperto a mão dela.
– Vim aqui para dar as boas vindas. E fiz isso ao senhor...! — "Senhor"? Cara, eu não sou tão velho. Pego da mãos dela, um embrulho meio pesado. Afasto um pouco o papel de cima, e percebo que era uma grande torta.
– Nossa, obrigado! E...não precisa me chamar de "senhor" se quiser. — Dou um sorriso convidativo para ela.
– A-Ah, sim, claro. Bem, era só isso. Obrigado!
– Nada...- Fecho a porta e coloco o embrulho em cima da mesa.
[...]
Depois de jantar, desempacota os últimos caixotes e finalmente tudo estava no seu devido lugar. Pego meu celular em cima da escrivaninha da sala, e me apoio no balcão, discando um número. Fico no linha, e espero atender.
– Alô?
– Áries? Sou eu, o Loke.
– Leo-nii!!- Acho que vocês devem estar se perguntando o porquê de ela ter me chamado de "irmão". Ela não é minha irmã de sangue mesmo, pois meus pais se separaram e minha mãe se casou novamente com um cara. Isso aconteceu quando eu era novo. Deveria ter uns 5 anos de idade. Desde então, cresci com ela.
– Ei, qual é, não me chama assim...- O fato de ela me chamar de "Leo" é por causa de uma peça de teatro que eu apresentei quando novo. Logo depois daquele dia, ela parou total de me chamar pelo nome. Mas eu não ligo muito.
– Desculpe, desculpe...!!
– Liguei para saber como estão as coisas ai. Você está bem?
– Sim, sim. O apartamento fica bem maior sem você por perto...ihi.
– Legal, legal.
– E como estão as coisas ai na nova cidade?
– Hoje eu ainda não dei aula. Amanhã de manhã eu começo.
– Uiip, tomara que se saia bem no seu primeiro dia!
– Claro, claro...Obrigada, Áries-nee. — Ajeitava um sorriso, mexendo em uma tampinha que encontrara em cima do balcão.- Desculpe, Áries. Mas agora preciso desligar. Boa noite!
– Boa noite, Leo-nee!!
– Err...tá. — Ela nunca vai aprender a me chamar do jeito certo.
Desligo. Sigo para o chuveiro, onde tomo uma bela ducha. A água batia no corpo e todo o cansaço ia embora. Termino o banho, saindo do box e pegando uma toalha qualquer. Amarro ela na cintura, indo até meu quarto e vestindo um simples pijama. Escovo os dentes e me jogo na cama, dormindo no mesmo segundo.
[...]
*BÉBÉBÉBÉBÉ*
– Urg...- Viro a cara no meu travesseiro e afasto um pouco a mão para desligar o despertador. Levanto-me, cambaleando pelo corredor, parando em frente a porta do banheiro. Faço minha higiene matinal, trajo uma camisa social básica branca, calças pretas e um sapato de couro. Ajeito os piercings da orelha e dou uma pequena ajeitada no cabelo. Pronto!
Enrolo a chave do carro nos dedos, brincando com ela á caminho do veículo. Abro a porta do carro e adentro. Ligo-o, partindo para a escola. Estava um dia nublado na cidade, porém o trânsito não era dos melhores. 20min depois, passo frente a fachada da escola, visualizando alguns dos alunos subindo as escadas do colégio ou conversando com os amigos. Estaciono o carro em uma vaga exclusiva (ui!) e vou andando até a entrada de professores. Minha aula seria a primeira, para a turma do 2° colegial. Subi as escadas para o terceiro andar, e giro a mançaneta da sala de aula.
– Olá turma. — Falo ríspido. Não sou bom com apresentações nem nada.- Todos sentados, por favor.- Peço, e os alunos que estavam conversando se inquietam e vão para seus devidos lugares.
Passo os olhos na sala, visualizando o rosto dos alunos. Todas as cadeiras estavão ocupadas, menos uma. Que era bem na minha frente. Viro-me, escrevendo meu nome na lousa e logo olho para os alunos de novo, dando um curto sorriso.
– Bom dia, eu serei o novo professor de vocês esse ano. Meu nome é, Loke The Lion. Mas podem só me chamar de Loke. — Ouço alguns cochichos.- Alguma pergunta? — Fico ao lado de minha mesa, me apoiando nela de braços cruzados.
– Você não é meio novo para ser professor? — Um garoto de cabelos negros, com uma cara meio emburrada, pergunta.
– Não sei. Chute minha idade.
– 20. — Fiz um sinal negativo com a cabeça.
– 24. — Nããão.
– 22.
– Yeah! E qual o seu nome, garoto? — Pergunto passando por sua carteira.
– Gray Fullbuster. — Responde, logo dando risos irônicos.
– Bom. Mais alguma pergunta, classe?
– Você não vai perguntar nossos nomes?- Uma morena, cabelos ondulados castanhos, com um olhar meio atrevido, perguntava á mim, com a mão apoiando na cabeça.
– É pra isso que eu tenho a chamada, dãã.- Mostro a eles, e escuto algumas risadas. Ela mesma, levanta a sobrancelha meio irritada com a resposta. Eu não seria aquele tipo de professor "pé no saco" que todos odiavam. Não era o meu estilo.- Falando em chamada, preciso marcar a presença de vocês...Bem, vamos lá. — Li os nomes, até chegar em uma pessoa:
– Lucy Heartphilia.
– Ela costuma chegar atrasada, ehe. — Gray, aquele mesmo garoto, cruza os braços, caindo no encosto da cadeira, dando risos abafados.
– Bem, eu marco falta para ela ent- Sou cortado no momento em que alguém chega aos berros na sala.
– NÃO PÕE FALTAAA!! — A garota entra correndo na sala, e pega a caneta de minha mão, me olhando com uma bochecha cheia de ar e um olhar nervoso.- Eu tô presente, viu?- A garota leva os braços ao ar.
– Certo, então. Agora, vá ao seu lugar...Lucy Heartphilia.- Arqueio uma sobrancelha para ela, pedindo que devolvesse minha caneta. A mesma, mostra a língua e a entrega. Logo depois, se senta na sua carteira,frente á minha e finalmente pude começar a aula.
As duas aulas seguidas que eu passei com a classe foram até calmas. Claro, metade da sala dormiu ou colocou o fone de ouvido, fazendo qualquer coisa melhor do que estudar e prestar a atenção. Principalmente aquela loira, a Heartphilia. Ficou prestando atenção os primeiros 10 minutos, e logo apertou os fones de ouvido. Não iria ter mais aula naquela sala. Tive uma pequena reunião de professores que não tivera nada importante, aula de biologia no 8° e no 7°B. Quando o sinal bate, os alunos do 7°B saem correndo para fora da sala, e eu começo a arrumar minhas coisas calmamente. No momento em que sai da sala, esbarro sem querer naquela aluna, a Lucy, e digo para ela:
– Não se surpreenda com um 0 nas provas finais, lourinha. — Falei irônico pra ela, desenhando um "0" invisível na sua frente.
– Ui, que medo! Saiba que eu tenho a melhor média em Biologia, "Loke". — Qual era a dela? E a dessas aspas encobrindo o meu nome?
A loira sai dali de nariz impinado, e eu, com o cenho franzido. Sinceramente, hoje os jovens não entendem o que o futuro lhes espera. Chego no estacionamento do colégio e aperto o alarme do carro, para destravar. Abro a porta do carro e o adentro. No momento em que liguei o carro, ouço alguém dando dois toques no meu vidro. Me viro e era aquela mesma garota. Ela tava me perseguindo, por acaso?
– Yo!- Abaixo o vidro, impaciente.
– Fala.
– Pode me dar uma carona, bastardo?- Terminou a frase com um sorriso gentil no rosto mais falso do que silicone de travesti.
– Er...tá, entra ai.- Disse, destrancando a porta do passageiro.
[...]
A garota foi me dizendo o caminho inteiro, apontando para a esquerda e direita. Depois que o momento começou a ficar silencioso, vejo ela ligando o rádio do carro e aumentar absurdamente o volume.
– Ei, ei, qual é? Não precisa aumentar tanto assim...- Mexo no volume.
– Arg, to vendo que esse ano vai ser um cú com você.- Se reconforta, bufando, no banco do carro.
– Olha a boca.
– Me deixa!
– Então sai do carro!- Digo já com o temperamento quase explodindo.
– Eu já cheguei mesmo!- Grita no meu ouvido.
– O-oque?- Abaixo o vidro do carro e a pior coisa que poderia ter acontecido, aconteceu.- Ah cara, não vai me dizer que você mora ai também?- Pergunto olhando para a cara de irritada dela. Seria até engraçado se eu não tivesse quase surtando.
– Por que?- Cruza os braços.
– Você mora sozinha?
– Não, com minha tia Michelle.- Arqueia a sobrancelha.- Por que eeeem?- Insisti.
– Eu também...moro aí.- Olho pra ela com uma cara emburrada, e um sorriso torto.
– Hmmmmmm, bom saber....ehe!- Que sorriso malicioso era esse?
Estaciono o carro, já exausto. Tranco o carro e Lucy sai indo em direção ao seu apartamento. Paro frente a minha porta e ela também. Morávamos um frente ao outro? Sério cara? Sério?!
– Eu te desgosto.- Dou carona pra ela, deixo ela usar o fone na minha aula e ainda zomba da minha cara? Que garota arrogante. Abre a porta e bate.
– Tsk. Eu não penso diferente.- Chego em casa e jogo minha mala na poltrona. Tô vendo que viver ao lado dessa garota vai dar problema.
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