Mr.Right

10 As Luzes da Cidade


Turno: Lucy Heartphilia

– Que tal tomarmos um ar?- Pergunto á Loke, que responde com um aceno de cameça e um fino sorriso nos lábios.

Giro a maçaneta, vendo-o fechar a porta pelo canto dos olhos. Olho por volta. O condomínio inteiro estava apagado e apenas as luzes da rua iluminavam o lugar. Puxo o zíper da minha jaqueta, me esquentando do vento que congelava meu peito. Suspirei, enquanto andávamos pela calçada da rua.

– Acho que amanhã vai fazer um calorão...- Comentei, olhando para o grande céu estrelado acima de nós dois.

– Ah sim.- Respondeu, olhando também para cima.

– O que está achando da cidade...- Parei na metade da frase, pensando em um jeito mais gentil de chamá-lo.- Loke?- Decidi por si própria, chamá-lo como ele gostava. Percebi ele abaixar o olhar para os próprios pés, dando uma risada abafada.

– Comparado com o lugar em que eu morava, aqui está perfeito!- Exclamou.

– Aonde você morava mesmo?- Perguntei curiosa com a sua resposta anterior, ajeitando minhas mãos nos bolsos da jaqueta.

– Em Beker. É um cidade longe daqui. Morava bem no centro da cidade, junto de minha irmã, Áries.

– Legal...

– Ah, acredite...não é legal!- Respondeu olhando rapidamente para mim, com um sorriso importante no rosto.

– Por que, em?- Arrumei a franja do rosto, colocando atrás da orelha.

– Bem, o apartamento era pequeno, e ela tinha o maior quarto do lugar. Fora que, por onde ela passava entupia de perfume...haha.- Deu uma longa gargalhada, parecendo lembrar de alguma memória que estava presa em seu subconsciente.

– Ela é legal?- Peguntei querendo continuar o assunto.

– Áries? Sim, sim...sempre foi muito meiga, tímida, e ás vezes até meio atrapalhada. Mas era tudo isso que nos unia.- Seus olhos que encaravam o asfalto da calçada, tinham um brilho nostálgico.

– Eu nunca fui tão próxima de alguém. Não conheci minha mãe, meu pai sempre foi muito rigoroso com o trabalho...quase não ligava para mim. Quando ele morreu, eu estava em uma viagem e fiquei sabendo apenas quando eu cheguei. Foi chocante para mim...no começo. Passei a morar com minha tia, que sempre fora tão amorosa e gentil, e assim estamos até hoje. Ela é muito importante para mim.- Disse tudo de uma vez, querendo desabafar logo. Não é que tudo estivesse entalado na minha garganta, eu só queria que ele soubesse isso.

– Que bom. Michelle parece ser uma pessoa legal, pelo que você fala...- Comentou.

– Ela é sim. Com certeza...!

Decidimos sentar na calçada ali perto, olhando alguns poucos carros passarem do outro lado da avenida. As casas ali perto estavam escuras. O céu estava todo brilhante, por causa das luzes amarelas da cidade. Ficamos um bom tempo conversando sobre nossas vidas, e eu sobre meus amigos. Loke era uma pessoa legal, quando não estava dando aula, claro. Sinceramente, acho que ele pensa isso de mim também, por causa das minhas piadinhas em sala de aula. De alguma forma, ele me fazia sentir segura e confiante. Isso era algo bom...né? Seu sorriso iluminado me trazia boas lembranças...Eu nunca me senti assim antes.

– Ei, que tal comermos alguma coisa? Eu sei uma lanchonete de nachos picantes muuuuito boa por aqui!!- Levantei da calçada, pegando na mão dele e puxando o mesmo.

– Calma, calma...!

– Vamos logo!- Atravessamos a rua correndo, nos direcionando para uma das lanchonetes mais famosas do bairro. Ela sempre estava cheia de final de semana, mas acho que não estaria tão lotada assim em dia de trabalho. Não tirei minha mão da dele, até chegarmos na lanchonete.

Sentamos em uma mesa mau-iluminada, onde o garçom nos direcionou. Pedi para ele o especial da casa, dando uma piscadela para ele. O mesmo entendeu, pois eu já era conhecida de lá.

– Espero não ser tão picante assim...- Olhou para mim com um ar importante.

– Que nada! Nachos molhados no queijo cheddar quente, com um tempero especial de pimenta do reino?! Você vai pro paraiso assim, querido!- Exclamei, com as mãos juntas do peito e estrelinhas nos olhos, ansiosa para comer novamente a comida tão falada.

– Nossa, deve ser boa mesmo!- Seus olhos entre-abertos davam um olhar mais sexy para ele, mesmo ele parecer não estar tão interessado.

Mais tarde, Loke experimentou os nachos que eu havia falado para ele. Comemos os nachos com as sodas italianas coloridas, gargalhando a cada piada que saia de nossas bocas. Aquela noite fora perfeita e só agora que havia percebido estar em um encontro com ele.

– Estamos em um encontro, é?- Perguntei com a sobrancelha arqueada, vendo o que ele iria repsonder.

– Se fosse um encontro, o cavalheiro iria pagar e não a dama.- Disse, dando uma mordiscada no nachos molhado de queijo.

– Ei!- Joguei um nele, fazendo ele se esquivar um pouco.

Ficamos jogando briguinha solta, dando muitas risadas. Loke era uma pessoa muito interessante. Parecia que ele entendia meus sentimentos, compartilhávamos tudo que vinha a tona e sobre nosso passado traumático e etc. Quem sabe eu não esteja exagerando demais...Só acho que ficar apaixonada não é uma boa escolha. Talvez eu não queira sofrer mais. Porém, acho que sofrer é a última coisa que ele irá fazer por mim.