Mr. perfectly fine
2 Mr. "Insincere apology so he doesn't look like the bad guy"
Notas iniciais
Marlene P.O.V.
Tentei me concentrar o máximo que pude durante aquela semana em qualquer coisa que não fosse o retorno iminente de Sirius. Por sorte, a maioria dos meus professores me encheu de trabalhos até os dentes e o único tempo livre que eu tinha era para me encontrar com Charles Rookwood e ensaiar para nosso pequeno show sábado no Three Broomsticks.
— Marlene… — ouvi meu nome ser chamado meio que a distância e então pisquei diversas vezes, percebendo que tinha me distraído novamente rolando o perfil de Black com uma vontade quase incontrolável de segui-lo novamente, mas para que se prestar a esse papel? Não, ela tinha que deixar isso para lá, estava indo tão bem, não era para as coisas estarem tão fora de controle. — Marlene! — Rookwood chamou de novo, dessa vez estalando os dedos diante dos meus olhos.
— Hm? o que? — perguntei, o encarando com o cenho cruzado.
— Você está bem? Eu estou te chamando há uns cinco minutos — suas mãos estavam apoiadas na cintura, mas ele não parecia exatamente irritado, estava mais para preocupação e na verdade isso era ainda pior.
Charles era a única pessoa “de fora” do meu círculo de amigos mais antigos, que acompanharam toda a ascensão e queda de blackinnon — nome dado por Mary assim que a gente começou a realmente namorar — que sabia sobre o término. Tive que contar a ele porque durante um bom tempo fiquei afastada de nossos ensaios e, bom, ele me disse que poderia confiar nele sempre que precisasse.
— Estou bem sim, só me distraí com uma coisa, mas já podemos voltar… onde estávamos mesmo? — bloqueei o celular e o joguei de volta dentro da bolsa que estava no chão.
— A escolha de músicas — ele estava segurando o próprio celular, agora virado para mim e onde se podia ver o bloco de notas com três nomes de músicas escritos, que eram todas de sua autoria. — Eu já selecionei as minhas e agora falta você. A Rosmerta me disse que como ela vai ter outra atração e ainda há os pedidos da plateia, bom… dessa vez não dá pra escolher tantas — ele explica e dá de ombros.
— Bom, ela é a dona do bar, né? Fazer o que — suspiro e começo a pensar no que cantaria dessa vez. Diferente de Charles, eu não nasci com esse talento nato para a música e nunca consegui compor uma letra sequer, então quando vamos tocar juntos eu faço covers ou duetos em músicas escritas por ele. — Você vai me matar se eu escolher Taylor Swift? — arrisquei já sabendo qual seria a resposta. Ele respirou fundo e ergueu os braços para o alto como se esperasse que alguma força superior fosse levá-lo deste mundo.
— Eu não aguento mais, toda vez é essa mulher. O que é que há com ela?
— Ora, Charles. Ela é só a melhor que existe atualmente e se você não consegue abrir sua mente para qualquer coisa que não sejam suas bandas de rock, sinto muito. — finjo que estou irritada, mas logo algo surge em minha mente e um sorriso malicioso se abre em meus lábios — Você deveria mudar essa sua postura, sabe, a Mary é muito fã da Taylor e se agir desse jeito na frente dela pode acabar com todas as suas chances — ele ri fraco, mas vejo suas bochechas ganharem um pouco de cor. Eu e Regulus, que inclusive já deveria ter chegado para o ensaio, mas estava sabe lá Deus onde, éramos os únicos que sabíamos dessa pequena paixonite de Rookwood pela minha melhor amiga, eu tentava dar a maior força para que as coisas acontecessem um pouco mais rápido, mas Charles não queria pressioná-la e por isso estava há quase dois meses para chamá-la para sair.
— Como se eu tivesse qualquer chance com a sua amiga — arqueio uma sobrancelha, querendo convencê-lo que estava errado, mas Mary nunca me disse nada concreto sobre isso, ela sempre conseguia desviar muito bem do assunto — Marlene será que você pode agora focar na escolha da sua música?
— Tá bom, tá bom. — pego o celular da mão dele e começo a digitar as minhas escolhas — tudo bem, champagne problems parece uma boa, you should be sad para a gente não fugir da pegada rock que o senhor tanto gosta — brinco com Charles — e… acho que Ophelia também parece uma boa.
— Só uma música da Taylor? O que está acontecendo aqui? — a voz de Regulus surge no ambiente segundos antes dele próprio aparecer, os cabelos como sempre desgrenhados e aquela cara de quem não quer que ninguém se aproxime — Desculpem meu atraso, fui buscar meu irmão no aeroporto.
Senti meu coração disparar quando ele disse “meu irmão” e espero ter conseguido disfarçar que não fiquei afetada em saber que de fato agora Sirius estava na mesma cidade que eu, correndo o risco de me encontrar a qualquer momento.
— É, eu preciso variar um pouco — dou uma risada e devolvo o celular para Charles, que me olha com aquela mesma expressão de antes. Não lhe dei tanta atenção para que não começasse a tocar nesse assunto — Bom, acho que dá pra gente começar a ensaiar, né? Agora que o Regulus chegou. — me levanto já indo atrás do meu instrumento, que era o baixo. Rookwood se encarregou de preparar os dois tripés com microfones e pegar sua guitarra, Black foi para a bateria que era seu lugar.
Ensaiamos aquele final de tarde inteiro, até o começo da noite, o que foi um alívio, pois consegui desconectar minha mente da figura de Sirius. Isso até chegar no meu apartamento para finalmente conseguir dormir e acabar sonhando com aquele idiota, no sonho eu estava cantando no Three Broomsticks e ele aparecia por lá para assistir, uma cena perfeitamente idêntica à de la la land em que o Sebastian e a Mia se reencontram, realmente um inferno.
Sirius P.O.V.
James me mandou uma mensagem naquela noite de sábado, avisando que ele e o pessoal já estavam no bar apenas esperando por mim e Hestia. Esperei ela terminar de se arrumar e logo já estávamos seguindo para o Three Broomsticks.
O lugar estava relativamente cheio, parecia que aquele era realmente algum tipo de ponto de encontro dos alunos de Hogwarts e por isso tive um pouco de dificuldade para achar o pessoal. Foi então que avistei Remus acenando para mim de onde eles estavam todos sentados.
— Ei, Sirius! — Lupin é o primeiro a me cumprimentar com um forte abraço, eu ainda não o tinha visto e era mais uma das pessoas de quem estava sentindo saudades — Senta aí, cara. E aí, Jones? — cumprimenta a Hestia, que o recebe com um sorriso amigável antes de se sentar ao meu lado. Falei com todos os outros que estavam lá naquele momento, James, Mary, Frank e uma garota de cabelo rosa que eu não fazia ideia de quem era.
— Sirius, essa é a Tonks, irmã do Ted, lembra? — Mary nos apresenta e na mesma hora percebi as semelhanças entre ela e o noivo da minha prima Andromeda.
— Claro que lembro, caramba, não sabia que você tinha vindo para Hogwarts, Tonks, é bom te ver aqui — sorrio para ela.
— Bom te ver também, Sirius. A Andie mandou um beijo pra você, comentei com ela que viria hoje.
— Fico feliz, diga a ela que mandei outro — respondo com um sorriso.
A conversa vai se desenrolando entre nosso pequeno grupo, mas é claro que havia algo faltando. Eu sempre gostei de pensar em Marlene como a luz do dia, ela sempre iluminava todos os lugares pelos quais passava com uma facilidade impressionante, não havia ninguém que não gostasse dela se realmente a conhecessem — a exceção de Hestia, mas o caso das duas é realmente sobre os gênios fortes não se baterem.
Só não sei se deveria arriscar perguntar sobre ela para algum deles, se Marlene não estava ali é só porque não quis vir e pronto. No entanto, me pego sendo praticamente atraído para uma risada que inundou meus ouvidos de repente, não uma risada qualquer, mas a risada alta e animada da McKinnon.
Me viro no mesmo instante para a direção de onde o som vinha e então a vi, sentada na beira do palco, segurando um microfone e conversando sobre alguma coisa com Lily e Alice, as quais reconheci de longe. De todo jeito, só não importava qualquer uma das duas ali, meus olhos se prenderam em Marlene tão instantaneamente que comecei a imaginar se ela estava sentindo que a encarava e para não arriscar que sim, preferi desviar o foco e voltar a minha conversa.
Logo as duas outras garotas se reuniram a nós na mesa, me cumprimentando de forma calorosa e a Hestia de maneira menos íntima por não serem tão próximas. Ficamos conversando até novamente minha atenção ser chamada em direção ao palco, agora pela voz de Marlene.
— Boa noite a todos — ela diz com um sorriso meio tímido — sejam bem vindos a mais esta noite especial no Three Broomsticks, quero começar agradecendo a Rosmerta por nos deixar tocar aqui hoje e espero que aproveitem o show. Nós somos a Felix Felicis, meu nome é Marlene Mckinnon, estes são Charles Rookwood e Regulus Black na bateria — aponta para cada um dos integrantes do que parecia ser seu grupo musical, lembrei-me mesmo de meu irmão ter comentado sobre ter montado uma banda, ele só não mencionou em momento algum que Marlene estava fazendo parte disso.
Eles tocaram algumas músicas, a loira geralmente cantava algumas que não eram de sua autoria e sim covers, mas ainda assim foi um show e tanto. Eu nunca me esqueci de como a música era importante para a minha ex-namorada, muito embora ela nunca tenha desejado seguir esta carreira. Marlene costumava dizer que quando uma coisa que você ama se torna uma obrigação diária, a paixão se perde e então você passa a odiar aquela coisa, é por isso que ela não levava isso para a frente.
O trio anunciou uma pausa e disseram que voltariam dentro de meia hora, após a outra atração se apresentar, para atender a pedidos do público. Acompanhei com o olhar quando McKinnon, vestida como se fosse a verdadeira Victoria de Angelis — o que é tão curioso, considerando que este também é um dos sobrenomes de Marlene — deixa o palco e se mete na multidão para ir até o balcão do bar pedir por uma bebida.
— Hessie, eu já volto. Vou ao banheiro — digo a minha namorada sentada ao meu lado, que assente, mesmo que não estivesse prestando tanta atenção já que Frank e Tonks a prenderam num assunto qualquer.
A verdade é que, eu não ia ao banheiro coisa nenhuma, mas precisava de uma desculpa para me levantar daquela mesa e finalmente ir falar com aquela mulher antes que minha cabeça explodisse.
Quanto mais me aproximava, mais nervoso ficava. O que diria a ela, afinal? Eu tinha sido um completo idiota e agora volto como se nada tivesse acontecido para… não sei, elogiar seu show? Eu deveria iniciar nossa conversa assim? Interrompo minha onda de pensamentos desordenados no momento em que estamos separados apenas por um banco vazio diante do balcão. Ela não pareceu notar minha presença porque está presa a algo em seu celular.
— Foi uma excelente apresentação, de Angelis — digo, me curvando um pouco sobre o balcão. Percebo como sua expressão muda no instante em que ela escuta minha voz, sua cabeça se erguendo rapidamente da tela para a qual olhava e então a surpresa naqueles olhos verdes.
— Você… Sirius… o que está fazendo aqui? — ela pergunta num tom tão baixo que se eu não estivesse próximo, não seria capaz de ouvir.
— Os caras me chamaram para vir, sabe eu voltei pra cidade essa semana e… bem, eles queriam me ver. — dou de ombros, Marlene assente, mas não diz nada e apenas desvia seu olhar. A conhecendo bem como conheço, deve estar procurando algo para dizer — Então… como você está? já tem um tempo — eu estava praticamente na mesma situação, não sabia bem o que dizer a ela.
— Pode apostar que estou melhor do que há um ano quando você foi embora e logo apareceu com… — faz uma careta e revira os olhos, soltando um riso nasalado. Como eu disse, Marlene detestava Hestia e vice-versa, então reconheço que ter me envolvido com a ruiva provavelmente foi um erro, mas eu só não pude controlar isso.
— Lene… — eu tento dizer algo, mas paro no meio por talvez não encontrar as palavras certas.
— Você não precisa dizer nada, é a sua vida, eu pude entender quando disse que um relacionamento a distância seria insustentável e imaginei que pudesse conhecer alguém lá. Mas ela, Sirius? Tinha que ser ela? — seu tom de voz mudou, como se fosse algo se quebrando e foi ali que soube que Marlene estava prestes a chorar. No dia em que terminamos ela chorou, não muito, mas o suficiente para que eu me sentisse mal, depois soube por James que ela tinha ficado muito mal por descobrir sobre Hestia e acredito que tenha chorado novamente, e então agora, lá estava ela Marlene McKinnon quase perdendo a voz numa tentativa frustrada de conter as lágrimas. Aquilo estava acabando comigo.
— Lene, eu… eu sinto muito, sinto mesmo, mas não pude evitar, tudo aconteceu rápido demais — tento segurar sua mão, mas ela se afasta e continua me olhando decepcionada.
— Eu não quero explicações, você sabe o que ela sempre significou para mim, a forma como sempre me tratou e sabe que ela sempre quis tê-lo quando não poderia — ela desvia o olhar e respira fundo.
— Não diga que sente muito quando você nem sabe da metade das coisas que senti nesse tempo e que infelizmente ainda sinto, ou acha que fiquei alegre quando soube que estava voltando para Londres? — ela se levanta e pega o copo com sua cerveja sobre o balcão para então se afastar. Percebi que estava olhando para alguma coisa por entre as mesas e então sigo seu olhar até… Hestia? Estava olhando para a minha namorada?
— Espero que não decepcione ela como me decepcionou, Black — se vira uma última vez para mim e agora seus olhos estavam realmente brilhando por causa das lágrimas que ela queria segurar. Tive que conter o impulso de tomá-la em meus braços e deixar que Marlene chorasse, mesmo que fosse para chorar por mim — Seria burrice demais cometer o mesmo erro duas vezes. Seja bem vindo de volta, espero que aproveite a noite — a loira então se afasta e em alguns segundos a perco totalmente de vista. Balanço a cabeça em negação, meio que para mim mesmo, que merda eu tinha feito? Como pude ter machucado aquela garota que antes de tudo era minha amiga?
Marlene's P.O.V.
Eu tinha visto Sirius na plateia, é claro que tinha porque era simplesmente impossível para ele passar despercebido em qualquer lugar que fosse. No entanto, tentei ignorar, pois sabia que se me prendesse ao quanto ele parecia ao mesmo tempo tão familiar e tão diferente não conseguiria sequer terminar aquele show.
Felizmente não demorou até a última música terminar, eu tentei agradecer o mais rápido que pude e então me dirigi para o bar porque só precisava de um pouco de álcool no organismo para tentar afastar todos aqueles pensamentos. Mas é claro que a minha vida é uma enorme piada e quando menos estava esperando Sirius Black se materializou na minha frente.
Mesmo àquela distância eu podia sentir seu perfume e, céus, ainda era o mesmo de antes e ainda me causava aquele efeito meio inebriante, como odeio esse homem. Ele ter tentado falar comigo foi uma ousadia tremenda da sua parte e eu não lhe daria liberdade, não queria saber dos motivos pelos quais fez o que fez. Eu precisava esquecê-lo e não faria isso deixando que se reparasse.
Depois de nosso encontro mal acabado tive que voltar para o palco e mesmo dali não conseguia tirar meus olhos da mesa dos meus amigos, onde ele estava, com o braço ao redor dos ombros de Jones. Tive que conter um suspiro enquanto conversava com Regulus durante um dos intervalos.
— Você precisa parar de olhar, sabe? Daqui a pouco a Hestia pode começar a reparar e você sabe como ela… aumenta um pouco as coisas — Regulus disse perto do meu ouvido quando passou atrás de mim no palco, eu estava realmente alheia enquanto enrolava alguns fios. O show daquela noite tinha chegado ao fim.
— Eu… hm… tá tão na cara assim? — Fiz uma careta e ele assentiu com um pequeno sorrisinho.
— Mesmo quem não conhece vocês dois pode perceber — ele recolhe algumas outras coisas e se aproxima de mim — Vem, vamos arrumar alguma coisa para você beber enquanto me conta sobre a sua triste recaída, essa é tipo a terceira que você tem nos últimos dois meses? — aperta meu ombro de leve e vai me guiando para fora do palco, o tom brincalhão em sua voz que o leva a receber um pequeno tapa meu em seu braço. — Ei! — exclama com uma risada.
— Para você aprender a parar de dar uma de engraçadinho. — reviro os olhos.
Regulus pede pelas bebidas para a gente e ficamos conversando até que ele tenha certeza de que estou me sentindo melhor, então vamos nos reunir com nossos amigos na mesa. Ele me assegura que se as coisas ficarem realmente ruins posso lhe dizer e ele me levará embora, Regulus era um amigo bom demais.
Porém, não foi necessário irmos embora, tudo correu bem demais porque Sirius só decidiu que iria me evitar — o que confesso que não sei se foi bom ou ruim, pois foi extremamente estranho. Além disso, Hestia não fez menção de tentar me dirigir a palavra e foi melhor assim porque eu teria causado um clima enorme naquela mesa e não era o que queria. Eu poderia ter todos os meus motivos para detestar aqueles dois, mas meus amigos estavam com saudades de Black e eu não poderia estragar isso.
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