Mr. Queen
15 Capítulo 14 - Será?
Notas iniciais
O som da campainha tocando repetidas vezes foi o que me fez acordar, abri os olhos relutantes, uma dor aguda se esgueirava por minha cabeça tornando impossível eu assimilar de imediato o que estava acontecendo. . Levantei-me sem nenhuma disposição e caminhei com passos trôpegos pelo corredor até minha sala, em algum lugar da minha mente, aquele que o álcool ainda não havia danificado, eu percebi que estava com a pior ressaca da minha vida. No caminho notei que a porta do quarto de hóspede estava aberta, franzi o cenho ao notar que Thea permanecia dormindo apesar de todo o barulho, fechei a porta e apressei meus passos ao som insistente.
Pisquei ainda sonolenta enquanto parava em frente à porta e abria, tentei sorri, mas meus músculos faciais não estavam muito obedientes.
– Hey. – Murmurei suavemente, ao menos eu acho que foi quando encarei Oliver.
– Por que você não atende o celular? – Perguntou sem rodeios entrando de vez na sala. – Eu liguei enumeras vezes. Você não atendeu.
– Você poderia falar um pouquinho mais baixo? – Pedi enquanto fechava a porta.
– Você tem ideia de que horas são? – Seu tom era aborrecido, as linhas rígidas em seu rosto mostrava que seu humor não estava em um dos melhores. E infelizmente sua voz não havia diminuído – Felicity.
– Ajudaria muito eu entender o porquê de você parecer um idiota completo, se você me disser o que foi que eu fiz de errado. – Falei me jogando no sofá, eu não estava também no meu mais bom humor, eu estava com muita dor de cabeça, minha boca estava seca e Oliver estava sendo um idiota total.
– Eu não estou sendo um idiota, eu estou preocupado. – Retrucou. Abri a boca para falar, mas ele me interrompeu com as palavras seguintes. — Slade está à solta Felicity, ele está sempre um passo na minha frente, não importa o quanto eu tente eu não consigo alcança-lo, ele está sempre procurando algum meio de me atingir, ele está brincando com minha mente. – Levantei-me de imediato temendo que ele falasse algo que Thea pudesse escutar, e preocupada com a angustia que dominava seu semblante agora. – Eu não quero... — Parou tomando uma respiração. — Eu não posso correr o risco de te perder. – Segurei minha respiração com a força de suas palavras. — E quando você não atende o seu celular, eu temo que...
– Oliver. – O interrompi me aproximando e segurando seu braço. – Eu estou bem, não exatamente para ser sincera, mas o vilão dessa vez foi uma garrafa de vodca mais algumas doses de tequila que eu e sua irmã dividimos. E ela está logo ali, depois do corredor, dormindo, então, por favor, fale um pouco mais baixo. – Ele absorveu o que eu disse em silêncio e se sentou no sofá, pude observar todas as emoções que passaram em seu rosto em um rompante, medo, alívio, raiva, carinho e diversão.
– Você bebeu? – Perguntou finalmente. Soava incrédulo e indícios de divertimento brilhavam em seus olhos. Eu me aproximei mais dele com um sorriso e assenti, ele segurou minha mão me puxando mais pra si até que sentei em seu colo, senti seus braços em minha cintura me abraçando e enterrei meu rosto na curva do seu pescoço assimilando seu cheiro, sua mão deslizou para minha coxa fazendo círculos contra a minha pele, emiti um suspiro de deleite, ficamos por um bom tempo assim, apenas abraçados.
– Felicity. – Afastei meu rosto a contra gosto para encara-lo.
– Sim?
– Não atenda mais a porta assim. – Não gostei do tom imperativo, mas olhei para baixo analisando minhas roupas e entendi sua exigência, eu estava apenas com sua camisa, a mesma que havia me afeiçoado e por baixo dela uma calcinha e só.
– Anotado. – Sorri, seus olhos brilharam, seus dedos roçaram a bainha da camisa a erguendo lentamente. – Thea está aqui. — Protestei desviando meu rosto e ganhando um beijo úmido no pescoço. Ele deu uma pequena mordida antes de me encarar.
– Quando você disse que ela estava dormindo... Ela está no quarto de hóspedes ou no nosso quarto? – Pisquei surpresa com o que eu havia ouvido, pensei em provoca-lo por ter tomado propriedade do meu quarto, mas conhecia Oliver o suficiente para saber que isso o faria recuar.
– No de hóspedes. – Limitei-me a explicar. Ele levou isso como um consentimento, pois um sorriso totalmente cheio de segundas intenções dominou seu rosto. – Não Oliver. – O adverti. – Ela vai acordar a qualquer momento... – Coloquei um dedo em sua boca interrompendo sua intenção de me beijar apesar do protesto. — ... E eu não escovei os dentes.
– E? – Revirei os olhos com sua pergunta e me ergui de seu colo.
– E eu vou ao banheiro. Vou tomar um banho, escovar meus dentes, enquanto você prepara um café da manhã para eu e sua irmã. – Sorri e pisquei antes de me virar.
– Quase almoço. – Ergueu a voz para que me alcançasse enquanto eu entrava no meu/nosso quarto. Quando finalmente saí, dei uma olhada em Thea e notei que ela ainda dormia, tinha apenas mudado de posição, fechei a porta novamente e fui até a sala, eu o encontrei no sofá assistindo televisão.
– Fiz café e só. – Falou quando me aproximei não me importei com o que havia dito, sequer assimilei direito, me aproximei até estar entre suas pernas, me curvei e o beijei lentamente, puxei-o pelo cabelo enquanto aprofundava o beijo, tentei imprimir nesse beijo tudo o que eu sentia. Como eu me sentia, o quanto eu o queria, o quanto o amava, suas mãos seguravam minha cintura com força, sua língua explorou a minha cálida e suave. Ondas de desejo passou por mim, tudo o que eu queria era arrasta-lo para o quarto e terminar o que comecei, mas me afastei, sentei em seu colo novamente, o beijei brevemente e abraça-lo tal como tinha feito antes, meu rosto encontrando a curva do seu pescoço com familiaridade. – Isso quer dizer que você não quer café? – Perguntou depois de um tempo, ri com sua provocação me ajeitei sentando ao seu lado e deitei minha cabeça em seu ombro, temendo está deixando-o desconfortável.
– O que estamos assistindo? – Perguntei ao notar que estava no intervalo.
– Reprise de Friends. – Respondeu. – Você não está com dor de cabeça?
– Eu agradeceria se você tivesse perguntado antes. – O repreendi. – Mas, sim ainda tenho um pouco de dor de cabeça, mas já tomei uns comprimidos.
– Você não vai querer nada? – Soou preocupado. – Estava pensando em levar vocês duas para almoçar, duvido que Thea queira comer alguma coisa quando acordar, mas eu estou com fome.
– Já é tão tarde assim? – Perguntei surpresa.
– Que horas vocês foram dormir? – Eu encarava a tv e ainda assim podia sentir o sorriso em sua voz.
–Eu amo Joe. – Falei quando vi a cena em que Joe abraça Phoebe e dizia que sabia o quanto ela ficou triste quando o ex namorado dela foi para a Rússia.
– Eu deveria sentir ciúmes?
– De um personagem de uma série que já acabou há anos? Claro. – Brinquei. Senti sua risada mais do que ouvi.
– Oh Deus vocês são tão fofos. – Encaramos Thea que parecia ter sido atropelada por algo ou alguém. – Eu acho que vou vomitar. – Falou antes de sair correndo.
– Eu tentarei não me sentir ofendida. – Falei antes de me erguer. – Vou ver do que ela precisa. – Falei antes de me afastar, minha ação foi impedida quando ele segurou minha mão.
–Eu fico feliz por ela ter você. – Murmurou.
– Ela tem você também. – Retruquei.
– Sim. – Concordou, mas algo o incomodava.
– Ela tem sorte por ter você Oliver. – Voltei a afirmar. – Você faria qualquer coisa para mantê-la segura, o que está acontecendo?
– Nada. – Suspirou. – Não está acontecendo nada Felicity. – Repetiu quando não me dei por convencida. Com um último olhar me afastei e fui até Thea. Oliver estava certo quando disse que Thea não iria querer nada, ela tomou um rápido banho, pegou algumas de minhas roupas empestadas e foi para casa, eu fui almoçar com Oliver e em seguida fomos até a QC, por sorte não precisei lidar com Isabel hoje. Quando mais tarde Oliver trouxe Roy para conhecer nosso esconderijo e me contou que havia contado para ele que era o arqueiro na noite anterior ao rompimento de Roy e Thea cheguei à conclusão que foi ele que incentivou Roy a terminar com Thea, que era isso que ele havia escondido de mim, tivemos uma pequena discursão na hora, principalmente por que ele mandou que eu me afastasse de Roy também, que evitasse ficar muito tempo com ele, então às coisas ficaram um pouco mais sérias, tanto que voltei para casa sozinha e mais uma vez dormir sozinha.
No dia seguinte ele bateu na minha porta e pediu desculpas, e como eu não conseguia me manter afastada dele por muito tempo logo estávamos arrancando as roupas um do outro. Mas nossa paz não demorou muito tempo para ser quebrada, como eu não confiava em Moira mantive sempre um olho em qualquer coisa suspeita que ocorresse, e com sua campanha em andamento, algo suspeito aconteceu, grande movimento de dinheiro para cobrir suas falhas, e fiquei surpresa ao descobrir que uma delas era o fato de Thea não ser filha de Robert Queen, mas sim de Malcoln Merlyn. Foi um baque, algo assim iria acabar com Thea que vinha tentando lidar com seu rompimento, e Oliver que já havia se decepcionado tanto com sua mãe e ainda assim a perdoou. Esperando algum resquício de honestidade nela fui confronta-la e pedir que ela mesma contasse a seus filhos, Oliver precisava saber, mais do que ninguém Thea precisava saber, entretanto ela se negou, e deixou claro que se eu contasse a Oliver ele não odiaria apenas ela, mas também a mim. Não pude tirar suas palavras da cabeça, tudo que eu pensava era que eu podia perdê-lo, e isso me deixava tão assustada, mas ainda assim eu precisava contar, e foi o que eu fiz, eu contei a ele, e por mais que ele dissesse que eu não iria perdê-lo, eu tinha certeza que ele sempre lembraria que fui eu que destruí o seu relacionamento com sua mãe. Ele contou a Thea, ele já escondia muito de Thea para esconder isso também.
Ao contrário do que eu pensava Oliver não mudou comigo, eu ainda sentia, mesmo quando estávamos juntos as paredes que ele ergueu nos anos que passou na ilha, e mesmo depois dela. Não era fácil para ele simplesmente deixa-las de lado, o que tínhamos era uma confusão e ao nosso jeito estávamos tentando organizar, tudo que eu sabia era que o ponto mais alto dos meus dias era quando eu estava com ele.
[...]
– Você tem visto Roy? – Perguntei sem nenhum tato a Thea. Estávamos almoçando juntas, era sábado e por tanto eu não podia usar nenhuma desculpa válida para faltar qualquer compromisso com ela. – Digo, fora o fato que ele ainda trabalha para você. – Acrescentei. – Vocês têm conversado?
– Não. – Deu de ombros. – Ele passa por mim, e finge que não me viu. Ele está dando um novo significado a frase “dar um gelo”. – Suspirou, então me encarou enquanto eu remexia distraída na comida. – Você está bem? Esta pálida.
– Eu não sei, deve ser alguma virose. – Confessei. – Não tenho tido muito apetite e venho tendo esses enjoos. – Dei de ombros. — Deve ser estresse, sempre que fico estressada minha imunidade decai e eu fico suscetível a qualquer coisinha. – E estresse era tudo que eu vinha tendo desde que Slade chegou a Starling City. Seus olhos se abriram em par. – O quê? – Seu silêncio estava me incomodando. – Thea, estou começando a ficar preocupada. – Sua boca abriu e fechou novamente. – Thea?
– Lis. – Estava tão atônita que usou o apelido que geralmente Roy me chamava. – Já considerou que talvez, apenas talvez, você possa estar grávida? – Assim que ela terminou eu explodi em uma gargalhada.
– Engraçado. – Falei entre risos, parei quando notei que ela não me acompanhava e dizia “estou apenas brincando”. – Você não pode está falando sério.
– Bem duvido que meu irmão e você tenham adotado a abstinência...
– Isso é ridículo, nós nos cuidamos Thea. – Falei convicta. – Acredite em mim, seu irmão não pode estar mais preparado do que eu para ser pai. Definitivamente não podemos seguir por esse caminho.
– Muita gente não está preparada para serem pais, até que eles são. – Ela respondeu antes dá um gole em seu suco.
– Nós nos cuidamos. – Repeti. Pela primeira vez desde que ela falou eu estava preocupada, fiz as contas mentalmente e refiz novamente, então fiz novamente ao constar que eu estava atrasada. Segurei minha respiração quando comecei a temer que o que ela havia dito tivesse a possibilidade de ser real.
– Agora você está me levando a sério. – Falou ao notar meu silêncio. – Oh meu Deus Felicity você não vai desmaiar vai? Você está mais pálida.
– Eu não posso está grávida Thea. – Falei meneando a cabeça. – Isso não pode acontecer.
– Lis eu sei que vocês nunca discutiram sobre o futuro juntos, mas não seria o fim do mundo. – Ela tentou me acalmar e falhou terrivelmente, a final se fosse verdade não era só Oliver que ia ganhar um filho, mas também o vigilante. Engoli em seco ao pensar na possibilidade. – E você está ficando mais pálida. Ok. Vamos embora. – Falou antes de fazer um gesto discreto para o garçom. – Mas antes de chegarmos ao seu apartamento vamos passar em uma farmácia e tirar isso da sua mente logo. – Tudo o que fiz foi assentir. O caminho até meu apartamento foi um borrão, sequer registrei a parada na farmácia, a última coisa que registrei foi à porta do banheiro se fechando depois de Thea me passar à sacola da farmácia. Agora eu estava sentada na tampa do vaso encarando a parede e segurando o palito que após alguns minutos poderia mudar minha vida.
– Felciity. – A voz de Thea soou através da porta, encarei a porta fechada agradecendo por ela ter me dado essa privacidade. – Já deu o tempo, qual foi o resultado? – Expectativa saia de sua voz. — Deu positivo ou negativo? – Fechei os olhos brevemente e baixei a cabeça, respirei fundo antes de finalmente olhar o resultado.
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