Moça, seu namorado é gay
6 6 – O real significado da palavra "vencer"
Notas iniciais
Isso significa que ela pode conter erros ortográficos e de concordância verbal. Se achar algum, eu agradeceria muito que anotasse no bloco de notas e mandasse para mellorine189151@gmail.com ou ainda por MP.
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6
Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez. (Thomas Edison)
– Ora, ora... – Sasuke se aproximou com as mãos dentro do bolso da calça. – Mas o que temos aqui...?
– Quem é você? – Neji perguntou desconfiado.
– Acha mesmo que isso é importante agora? – Sasuke riu. – Se eu fosse você, estaria mais preocupado com a minha bunda. Isso que você está fazendo é um sequestro? Isso é crime.
Neji tinha amordaçado Haruno, que estava novamente com a fita atando sua boca e estava sob efeito de substância sonífera. Colocou-a por cima dos ombros, como lhe foi mandado, e estava seguindo rumo à sua caminhonete para dar nela um sumiço temporário. O plano era passar o resto da semana e o final de semana em uma cabana da família Hyuuga na cidade de Hokkaido. Ninguém, a não ser os proprietários, sabia da existência daquele lugar. Seria um esconderijo perfeito, se Sasuke não os tivesse descoberto. Neji estava contando com a ajuda de mais alguns homens que vigiavam as redondezas, então como...
– Saia do caminho, cara. – Neji não deu muito valor às suas palavras, nem teve medo de sua ameaça. Talvez não tivesse nem notado de que fora uma ameaça. – Se não quiser se machucar também, vai ser o melhor a fazer.
– Eu disse que é você quem deve ficar preocupado com a sua bunda...
Neji se aborreceu a assoviou para os comparsas. – Rapazes!
– Ah, você vai me machucar? – Sasuke perguntou com desafio expresso em sua voz. – Estou morrendo de medo.
– Deve mesmo, porque vai chorar feito mulherzinha. Está vendo esses caras? – Neji sorriu e apontou com a cabeça para os homens que se aproximaram dos dois. Traziam nas mãos objetos de violência como soco inglês, punhal, bastão de madeira, facas e até mesmo uma katana. – Trabalham para mim e minha família. Descendemos da Yakuza, então não se meta. Ah... Você já se meteu. – Os homens começaram a rir, assim como Neji. – Teria sido bom que você tivesse se afastando antes e protegido essa sua pele de moça. Mas sabe... – Ele chegou perto de Sasuke, que ainda sorria, mesmo com Haruno nos braços. – Se fodeu!
– Oh, sério? – Sasuke estupefou os olhos em tom de brincadeira. – Está vendo esse emblema? – Mostrou um emblema de um oficial do FBI com uma foto sua. – Eu trabalho em uma base japonesa da polícia norte-americana. Está vendo essa arma? – Ele apontou a arma na mira de Neji, que estava mais ou menos 20 centímetros de distância dela. Seus comparsas apertaram as mãos em torno de seus objetos e se posicionaram para atacar. – É pra estourar os seus miolos por justa causa se não soltar a minha colega de apartamento no chão.
– Que merda é essa? – Neji recuou dois passos e acenou com a cabeça para seus comparsas cercarem Sasuke ainda mais.
– Han, han, han – Sasuke fez que não com o dedo indicador, fazendo os comparsas pararem no tempo por instantes. – Vamos com calma, rapazes. Vocês não têm noção do perigo? Eu já acionei o meu pessoal e se me entregarem a garota podem ir embora antes que eles cheguem. Acho que a Yakuza não quer problemas com o FBI.
– Acho que é você quem não deveria procurar problemas com a Yakuza.
– Você quer morrer? – Sasuke olhou para Neji com um olhar sombrio que o fez recuar. Neji não estava armado, e mesmo que não fosse tão corajoso como o pai, que tinha ficha preta na polícia, mas que subornou a mesma, fazia o que Hinata mandava, porque era apaixonado pela prima. Nem pensava na possibilidade de entregar Haruno, mesmo que para isso arranjasse problemas com o FBI. FBI não era tão importante, mas Hinata era.
– Você é o único que quer morrer aqui...
– Estupradores, sequestradores, violentadores, máfia... São tantas as acusações que posso fazer contra vocês que até seus netos ficarão na cadeira para pagar a dívida que terão com as autoridades.
– Você não é novo demais para fazer parte da policia? Esse emblema e arma podem ser de brinquedo... – Quando Neji falou isso, os comparsas se aproximaram e o que estava com a katana encostou a lâmina afiada no pescoço de Sasuke, que mesmo assim permaneceu tranquilo. Era incrível o controle que tinha diante de situações estressantes.
– Idade não define patente, mas as habilidades, sim. Me diga, você... Acha que essa arma é de brinquedo? – Sasuke olhou para baixo e começou a brincar com a arma, fazendo-a subir e descer, pousando de novo em sua mão. Seu pescoço encostou demais na lâmina da katana, que tirou um filete de sangue. Com a outra mão, tirou do bolso um cigarro e um isqueiro, acendendo-o logo em seguida. Fumou. Era incrível o seu controle, equilíbrio e façanha.
– Eu sou menor de idade, não vai poder fazer muita coisa... – Neji estava começando a ceder.
– Não para o FBI. O FBI está pouco se fudendo se você ainda usa fraldas.
– FBI não é uma agência de investigação? Você não está nos investigando, o que pode fazer contra?
– Encaminhar para a polícia federal vai ser o de menos.
Sasuke aproveitou o momento de silêncio que se seguiu para correr os olhos nos comparsas de Neji e nas posições que ocupavam ao redor dele. Sua matemática mental mostrou que o que estava mais distante não estava mais do que dois metros longe dele, não dava para correr e sair sem levar um arranhão. Mas tampouco faria isso. Estava ali justamente por motivo contrário, e não arredaria o pé sem que levasse Haruno de volta em seus braços, sã e segura.
Olhou mais atento para a cena. Estavam nos fundos do colégio, em um estacionamento, e não havia mais ninguém. Estranho. Não tanto porque as pessoas estavam lá dentro, no ginásio, apreciando as apresentações dos grupos, mas nem sequer um vigia? Investigaria sobre isso mais tarde. Mas de toda forma, estava em desvantagens. Certo de que sua palavra valeria mais se comparada a depoimentos de um descendente da Yakuza e seus comparsas, mas queria ao menos mais outro alguém para testemunhar a seu favor. Seu plano era segurá-los ali até que chegassem os reforços que pediu, mas não sabia o que aconteceria se o homem que estava com a katana no seu pescoço rasgasse a sua garganta em duas. Na verdade, sabia. Mas queria não pensa nisso, ou fingir que não sabia, usando a sua força psíquica de extrema concentração.
– Rapazes... – Neji deixou o resto da fala subentendido, apontando com a cabeça para que cuidassem de Sasuke.
Saiu correndo com Haruno nos ombros. No momento em que o cara da katana retirou a espada de seu pescoço para voltar a empenhá-la na luta contra ele, Sasuke se aproveitou para atirar uma bala de borracha na panturrilha de Neji, que caiu no chão logo em seguida; Sasuke riu ao ver que Haruno caiu por cima dele e que seu corpo foi usado para amortecer a consequente queda de sua companheira de apartamento. Nisso, Sasuke teve tempo para lutar no corpo a corpo com seus comparsas, porque sabia que Neji ficaria um tempo no chão urrando de dor (mesmo que uma bala de borracha não tem o mesmo efeito que um projétil, ainda dói bastante. Principalmente quando atinge ossos e músculos). Quem sabe conseguisse atirar nos outros também, mas ele estava em desvantagem de número. Ele tinha que ser seis vezes mais rápido. E agora que mostrou que sua arma tinha balas de borracha, eles não tiveram mais tanto medo assim de Sasuke. Partiram pra cima.
O da katana avançou contra Sasuke, que conseguiu desviar, mas que foi, no entanto, de encontro ao soco inglês. Certeiro no estômago. Sentiu uma dor fina, mas continuou de pé. Rápido como uma raposa, atirou no pé do que trazia o bastão de madeira. Dois homens, um com punhal e outro com uma faca, avançaram de uma vez só, em lados opostos, em direção a Sasuke. Encontrou seu precipício quando o persistente dono da katana correu em direção a Neji, tentando ajudá-lo a levantar e fugir com Haruno. Sasuke arrancou do fundo a sua agilidade para desviar dos dois, agachando-se, e deixando os dois se colidirem e se ferirem com suas próprias armas. Puxou o pé dos dois em seguida e fez com que caíssem de cabeça no chão, em um forte impacto. Esquecendo o cara do soco inglês, levou uma punhalada nas costas que feriu e ardeu sua pele. Os dois se atracaram. O do bastão de madeira recuperou as forças e ficaram os três em luta corporal por três minutos.
Sasuke só pôde respirar em paz quando dois policiais vieram ajudá-lo a retirar os rapazes de cima. Viu um policial amigo de longa data correndo para ajudá-lo também. Seu pessoal estava, enfim, no local.
– Jack, ali! Siga aquela caminhonete! – Gritou. – Esses homens portam armas violentas e foram pegos em flagrante em uma tentativa de sequestro. Se eu não estiver enganado, iam violentá-la sexualmente também – disse para outro policial, que os algemava com a ajuda de outro.
– Não íamos, não! – Gritou o do soco inglês, com raiva nos olhos, cuspindo. Levou uma punhalada nas costas para que ficasse de boca calada.
– Ah, iam, sim... – Sasuke se ajoelhou para ficar na altura dos olhos dele. – Se eu estou dizendo que iam, é porque iam. – Sorriu.
– É assim que um homem da lei age? Mentindo?
– O que você entende de lei, infeliz?
Essa é a lei da vida, dos mais fortes, completou mentalmente.
O telefone celular tocou: – Sim? – Sasuke atendeu. – Conseguiram alcançá-lo? Ela está bem? Ótimo... Tragam-na agora. Tem algo que ela precisa fazer.
Minutos depois, a matéria do jornal de fim de tarde já estava sendo escrita:
Policiais da 17ª DP realizaram, nesta quarta-feira, a busca e apreensão de um grupo de meliantes nas proximidades do colégio Lohan, acusados de sequestrar uma menor do sexo feminino. Com eles foram encontrados objetos bastante violentos e importados da China. De acordo com os agentes da base japonesa da polícia norte-americana de investigação, o FBI, eles agiam em bando e cinco pessoas, fora o líder, que descendia da Yakuza e responderá por acusação especial, estavam no local do crime.
[...]
– Sasuke-kun...? – Pronunciou em um gemido, com os olhos se acostumando à claridade da luz.
Sentiu que estava colocada sobre uma superfície macia e plana; o cheiro de material hospitalar invadiu suas narinas e estranhou. Sua visão estava um pouco turva e a cabeça rodava e doía. Onde estou?, pensou. Concentrou seus olhos em um ponto qualquer no teto para por em ordem os fatos e pensamentos. Viu Sasuke olhando fixamente para si, com um ar de preocupação pairando dele. Piscou os olhos repetidas vezes e conseguiu enxergar melhor, com a consciência completamente recuperada. Parecia que estava acordando de um sono pesado.
– Nós estamos na enfermaria do colégio. Não há mais ninguém aqui, só nós dois. – Riu ameno.
Só nos dois...
Instantaneamente se passou pela sua cabeça a visão de Sasuke vestido à caráter, querendo brincar de médico. Riu se si mesma e balançou a cabeça afastando qualquer pensamento impuro e idiota que só ela mesma conseguiria ter naquele momento tão crítico. Se estava ali, algo grave tinha acontecido. E Sasuke era gay. Tinha que se lembrar disso sempre que possível para não se atracar nunca mais com seu colega de apartamento. Não se sentiria à vontade se uma mulher a beijasse, por exemplo, então sabia como ele se sentia.
– E o que estamos fazendo aqui mesmo? – Ela se levantou e se sentou na maca, observando atentamente o ambiente e as paredes brancas. Era a primeira vez na vida que tinha ido até a enfermaria. Nunca precisou, nem mesmo para acompanhar alguém.
– Não se lembra? – Ele arqueou uma sobrancelha, preocupado com a substância que ela tinha inalado. – Você estava sendo sequestrada... Mas parece que a polícia estava fazendo uma ronda no local e avistou o grupo em ação.
As lembranças vieram à tona como um choque. Ela viu a camisa de Sasuke aberta ao meio e seu peitoral envolto em ataduras.
– Corta essa... – Ela riu nervosa e preocupada. – Foi você, não foi? Você lutou com eles e você chamou seus parceiros, ou sei lá como se chama a ligação da policia com agentes de investigação.
Ele olhou para si mesmo. – É... – Riu. – Parece que eu não ia te enganar por muito tempo com essa camisa aberta. Eu devia ter fechado isso antes... – Ele começou a abotoar a camisa. Realmente ela tinha se esquecido desse detalhe.
– Neji foi preso...? – Sua perguntou não teve tempo para ser respondida, Haruno se lembrou algo muito mais importante: – Meu Deus! Sasuke! A minha apresentação! Eu tenho que correr!
Ela tentou se levantar da maca, Sasuke a segurou no lugar com os braços. – Calma... Você vai. – Ele sorriu, escabreando-a. – Eu já avisei ao coordenador do evento o que aconteceu e estão todos esperando apenas você acordar. Mas você ainda não está tonta? Sinto muito, Coração, mas eu não vou deixar você se apresentar se não estiver bem.
– Sasuke-kun, eu agradeço muito que tenha me ajudado. Mas nem você e nem ninguém vai me impedir de participar. Eu já estou ótima! – Disse com determinação. – Todo mundo sabe o que aconteceu, então? – Estava pensando que talvez os jurados lhe dessem o título por pena, pelo que aconteceu. Não aceitaria competir nessa condição. Queria o título apenas pelo merecimento e esforço que se empenhou em ter.
– Apenas as integrantes de seu grupo e o coordenador, que inventou uma desculpa qualquer.
Um sorriso brotou em Haruno. – Obrigada, Sasuke-kun! – Agradeceu e deu um abraço forte nele.
Ele cheirava tão bem! Tinha um cheiro doce e ao mesmo tempo másculo. Cheiro de perfume caro e roupa lavada.
– Não precisa me agradecer. Agora se está mesmo bem, se não se sente mais tonta, vá lá e dê o seu melhor. – Ele piscou um olho. – Mais tarde a gente comemora do nosso jeito.
Haruno corou.
[...]
Haruno correu pelos corredores em direção ao vestuário onde se encontravam as outras.
– Meninas, desculpem o atraso! – Disse ofegante quando chegou, apoiando as mãos nos joelhos para recuperar o fôlego perdido. Levantou a cabeça e sorriu. – Mas já estou de volta. Vamos arrasar!
– Sakura-chan! – Tenten a abraçou e chamou pelo seu primeiro nome, mas feliz por estar de volta, Haruno nem ligou. A bronca só viria depois. – Meu Deus! Nós soubemos o que aconteceu. Você está bem?
– A gente tava aqui preocupadas, sua cabeleira rosa dos infernos... – Ino fechou os punhos. – Como assim você foi sequestrada? Está querendo nos matar do coração? Sua louca! – Ino estava muito, muito, preocupada com Haruno. Chegou a chorar e rezar escondido das outras.
– Agora é mais do que uma simples questão de honra. Vamos dar o nosso melhor, Haruno. Vamos dar o nosso melhor e fazer todos comerem poeira! – Temari deu um soco no armário.
– Aconteceu alguma coisa? – Haruno estranhou a irritação de Temari, não era simplesmente pelo seu sequestro.
– Andaram falando por aí comentários maldosos. Alguém andou disseminando veneno por aí, espalhando pra todo mundo uma falsa fofoca. Disseram que pedimos mais tempo porque não tínhamos a nossa coreografia pronta e ensaiada.
– Mas quem—
– Quem poderia ser a não ser ela? – Ino interrompeu Haruno. – Aquela cobra!
– Mas isso é mentira! – Haruno gritou tomando ódio. – Isso não é verdade! Foi culpa dela! Gente, ela tentou me sequestrar!
– Nós sabemos... – Chisui era a que estava mais tranquila. – Aquela vadia não cansa, não é? Não pensei que estivesse envolvida em algo tão sério dessa vez. Por que é que ela tem tanta ânsia em ser do contra quando algo está relacionado a você? Não sei de onde vem tanto ódio. Por mais que eu tente encontrar uma explicação, não consigo achar, por mais que eu pense.
– Eu também não... – Ino falou.
– Mas você não pensa muito, não é, Ino? – Temari debochou. – É loira.
– Você quer morrer? – Ino pegou uma banana que estava na mesa de alimentação e ameaçou jogar em Temari. – Você é quase loira também, só tem o cabelo mais escuro um pouco.
– Chega! – Haruno perdeu a paciência. As duas se calaram.
– Gente, não é hora para brigar – Tenten deu a sua opinião. – Sakura-chan foi sequestrada, estão espalhando rumores falsos sobre a gente e estamos atrasadas. Estamos dando mais chances para falarem mal de nós, deixando caminho livre. É, mais do que nunca, o momento certo para permanecermos unidas, subir naquele palco e botar pra quebrar! Estão comigo ou não estão?
Fez-se um silêncio depois das palavras de Tenten. Ela que era considerada a mais lerda e boba do grupo calou todo mundo com sua lição de moral. Depois foi euforia. O grupo se envolveu em um abraço grupal e assovios que diziam “aê, Tenten!”. Riram.
[...]
– Depois de muita espera, aqui estão elas. Há cinco anos dançando juntas e com a mesma formação. Há três sendo as que animam o time de baseball, trazendo junto com eles vitória e prestígio para esta instituição de ensino. Deem uma salva de palmas e gritem para o grupo liderado por Sakura Haruno, as... As... As... The Cats!
A coreografia era sexy, as roupas eram sexy, a melodia era sexy, a decoração do palco e a transluminação de cores diversas sobre o grupo de garotas era sexy. Tudo era sexy para um grupo de meninas sexy.
Quando o refletor acendeu na direção do grupo, Haruno sentiu o coração bater mais forte e não pôde ver mais nada. Era ela, a confiança em suas amigas e a sua competência. O palco ficou transluminado e o palco escuro. Já era noite quando chegou a vez de elas de apresentarem. Mas Haruno olhou para a plateia e, ainda assim, viu Sasuke acenando e sorrindo para ela. Sorriu de volta e começou a se mover e dançar junto com as outras quando a música invadiu o ambiente e seus tímpanos.
A música de escolha foi Dressing Room e combinou perfeitamente com a coreografia. Uma completando a outra num processo de colaboração. Nos momentos em que as meninas rebolavam até o chão e cortavam o ar com os braços e o jogo de cintura dos quadris, a plateia ia ao delírio.
O caminhado era sedutor, a cortada no ar com as mãos eram movimentos cronometrados e agraciados, o olhar era sempre muito profissional de um jeito ameaçador. Dançar de salto 13 não era para qualquer um, rebolar na frente de muitas pessoas não era para qualquer grupo que iniciou sua carreira hoje, fazer pose e carão de acordo com a batida e letra da música era para aquelas que tivessem mesmo a certeza do que queriam e de que eram capazes de se sentir seguras e à vontade com o que estavam fazendo. O modo como batiam os pés no palco era preciso e seguro. Caminhar, rebolar, ir até o chão e cruzar os braços. Era cerca de mais ou menos 30 tentativas nos ensaios para conseguir o resultado esperado, que fora satisfatório. Cabelos que dançavam o vento e peles que brilhavam com o suor.
Nunca tiveram preconceito algum, dançavam sempre o que queriam, qualquer coisa que desse na telha. A coreografia surgia fácil quando a música era sentida no sentido real da letra e da melodia que queria passar. E aquela música tinha um sentido especial para o grupo de garotas. Foi com aquela música que prometeram ficar juntas até atingirem o topo, quer dizer, After School, mesmo depois da escola, estariam juntas. Levando alegria, sorrisos e arte para quem apreciava a dança coreografada.
Haruno poderia dizer que tinha as suas colegas de grupo como mais do que amigas, como uma família ou, até mesmo, compartilhavam a mesma alma nesse mundo de poucas possibilidades, onde desejavam uma força que as fizesse brilhar onde a música tocasse. Enquanto houvesse música, tudo estaria bem. Os problemas poderiam ser deixados de lado e, quem sabe, através da dança, encontrassem a solução. É o que vinham fazendo sempre e Haruno estava feliz por ter dado certo.
A apresentação foi um sucesso.
Foi feito um intervalo para a contagem de pontos dos jurados, e a plateia foi se deliciar nos quitutes da festa. Sempre tinha uma farra depois de coisas desse tipo. O sobrenome dos jogadores do time era “bebida e festa em qualquer ocasião, até em velório”. Haruno demorou um pouco para encontrar Sasuke no meio da multidão, mas assim que o achou, abriu um sorriso.
– O que achou? – Ela perguntou a ele entusiasmada.
– Você leva jeito para a coisa... – Ele sorriu de canto. Deus! Como era sensual o jeito como ele sorria. Haruno segurava o coração nas mãos toda vez que ela via aqueles dentes brancos enfileirados abertos em um sorriso para ela. Seu coração bateu frenético. – Eu sempre confiei no seu potencial. É o seu sonho. Quando nos empenhamos em algo que queremos muito e colocamos a nossa alma junto com o pedido, não tem como dar errado.
Haruno abriu um sorriso. – Obrigada.
– Você já ganhou, Sakura – ele disse seu nome, mas ela não se importou. – Mesmo que o resultado dos jurados não indique que você será a líder de torcida do colégio por mais um ano, por estar aqui e dar tudo de si, mesmo depois do que aconteceu, você já é vitoriosa. Você tem garra.
E o cara que perceber isso em você e não se apaixonar é um idiota, ele completou mentalmente e sorriu para si mesmo.
Haruno teve vontade de beijá-lo.
Mas só o abraçou.
Sentiu que tinha nele o seu melhor amigo. Era maravilhoso os momentos que passavam juntos e sua vida tinha ficado mais colorida desde a sua chegada. Conversar com ele até tarde da noite, jogar baralho, comer pipoca, assistir a um filme, discutir sobre quem ia levar o lixo para fora... Tudo tinha um sentido diferente e especial quando era com ele.
– Obrigada, Sasuke-kun. O que eu faria sem você, hein? – Riu, enxugou uma lágrima que caia e deu um tapinha em se braço. Ele riu de volta.
– Você faria menos bagunça, já que reclama tanto da minha.
– Agradeça a Deus por eu existir e te concertar. – Riu convencida.
– Oh, eu agradeço. Pode apostar que sim. Todos os dias. – Riu debochado. – Quer uma bebida?
– Quero – respondeu. Eles caminharam juntos. – Você não é um gay muito afeminado... – Riu observando o seu jeito másculo no meio de tantos garotos bonitos que perto dele nem parecia mais tão bonitos assim.
– Eu sou homossexual, não travesti – explicou divertido. – As pessoas é que criam falsos estereótipos. E são preconceituosas.
– Desculpe – falou sem graça. – Acho que acabei te ofendendo, não foi minha intenção.
– Que é isso, garota! Claro que não, relaxe... Vem, vamos dançar. – Ele deixou a bebida de lado e puxou Haruno para dançar com ele.
[...]
– Pedimos desculpas a todos por fazê-los esperar tanto, mas a disputa foi acirrada e tivemos, hoje, apresentações realmente muito boas. Queremos parabenizar a todos os grupos pela presença e pelas apresentações que foram maravilhosas. Não importa quem ganhe, não fiquem tristes. Todos foram ótimos! Por questões de poucos pontos é que escolhemos o grupo vencedor como mandam as normas. Mas a verdade é que a escolha foi muito difícil, com direito a empate e a jurados indecisos. Chamo ao palco a professora de dança Tsunade para a entrega do título. Uma salva de palmas, por favor.
O auditório explodiu em gritos e palmas.
– Boa noite a todos. Já são sete da noite e realmente pedimos desculpas por termos demorado tanto. Quero deixar claro que não voltei e nem influenciei em nada a escolha dos jurados, mas estou aqui por fazer parte da comissão organizadora do evento e por estar, futuramente, acompanhando o grupo vencedor de pertinho. – Ela fez uma pausa para conferir algo no papel que ela tinha na mão. – Não houve suborno ou qualquer tipo de trapaça. Eu gostaria de dizer também que todas as alunas estão de parabéns. Obrigada, meninas.
Mais aplausos.
– Mas que enrolação! Por que não falam quem ganhou essa joça logo de uma vez? – Ino resmungou impaciente.
– Calma, Ino – Tenten tentou acalmá-la. – Eles têm de agradecer pelo evento. Isso é super normal! Se não ganharmos, eu quero ir para casa com pelo menos palavras de incentivo.
– Nosso sonho é o nosso incentivo, não as palavras dessa vaca gorda... – Ino disse sobre a professora de dança.
– Calem-se! – Temati lançou um olhar mortífero para as duas. Tenten tremeu de medo e se afastou um pouco. – Nós iremos ganhar. Vocês não viram? O nosso grupo foi o melhor. Não tem como não ganharmos. Demos duro. Demos tudo o que tínhamos.
– Você tem razão... – Chisui concordou.
Haruno se lembrou das calorosas palavras de Sasuke e também quis dizer algo. – Nós já somos vencedoras só por estarmos aqui. E se não ganharmos novamente o título, tentaremos lá fora, nos palcos da vida. Sasuke me fez entender que estava sendo mesquinha. Eu tentei, e foi quando eu tentei que ganhei. Haverá outras chances e perdedor é aquele que não tenta.
– Fala sério! – Temariu riu. – Você está apaixonada pelo seu amiguinho gay, é isso.
– Quero que recebam com aplausos as vencedoras do torneio! – Tsunade fez um suspense.
– É agora, é agora... – Tenten se encolheu nervosa.
– O grupo vencedor desse ano é... – Mais uma pausa. – É... As The Dolls!
– CARALHO! – Ino socou a sua coxa. Levantou o seu olhar incrédulo. – Nós perdemos?!
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