Move on...
3 No ar...
Notas iniciais
Elena
Eu havia bebido todas, ficado tonta, dançado na mesa, hipnotizado um barman que não era meu irmão para me dar uma garrafa de whisky e depois dessa eu ainda havia entornado outra de vodka que tinha no quarto quando cheguei, vampiros não tem ressaca. Eu estava bem, e estava ligada. Deitada na cama eu podia ouvir tudo, como no primeiro dia que acordei no processo de transição, onde até o mínimo alfinete batendo no chão era razão de me virar e procurar onde. Eu ouvia tudo. Eu sentia tudo. E ao mesmo tempo não sentia nada.
Não era como quando desliguei a humanidade, ficar sem humanidade era ficar alerta para tudo, e desligado para qualquer preocupação, era querer e poder ao mesmo tempo. Isso era diferente, eu sentia tudo, sentia a dor leve da sede que logo saciaria no porão, sentia o cheiro da bebida em minhas roupas, o ar frio que entrava pela fresta de menos de um dedo que entrava pela janela, sentia que meu irmão se preocupava comigo, sentia que Caroline, Stefan, Ric, Matt e até mesmo Enzo e Tyler se sentiam responsáveis por mim, sentia uma imensa falta de poder rir e chorar com minha irmã de coração Bonnie, e acima disso junto com todos que tinham partido além dela estava ele, o que tinha alcançado o patamar de me tirar a dor e me guiar para fora dela, e eu sentia falta dele tão profundamente como de todos os outros, meus pais, tia Jenna... Tantos.
Me sentei afastando as cobertas e recolhendo as roupas do chão as arrumando num canto para ter o que fazer, havia visto todos ontem e o plano era voltar, ele não ia me querer assim, ele ia me querer em pé. Mas ele não estava aqui, então o plano era descobrir como ir até ele, ou traze-lo de volta, sabe lá para onde ele tinha ido.
Enzo
Abri os olhos e senti o cheiro doce e levemente apimentado da Bennet antes mesmo de me virar na direção dela, os cabelos negros cobriam metade do seu rosto e sua mão estava apoiada sobre o travesseiro, a respiração a tornava adorável e seu corpo esguio coberto apenas pelo lençol me fazia lembrar que a noite anterior ela havia provado mais que bem o quanto bruxas são incríveis, e o quanto Bennets podem ser ainda melhor.
–Pensei que fosse levantar e fugir de fininho – ouvi sua voz e procurei os indícios de que ela estava acordada – não se preocupe – disse ela abrindo os olhos – apenas sei bem como fingir sono pesado, dormiu bem? – Um sorriso travesso cresceu em seus lábios cheios e não me contive em sorrir igual.
–Sabe que dormi como a muito não dormia? – a pergunta retorica foi respondida com um sorriso largo dela que ao em vez de se aproximar de mim fez o contrário, se levantando e jogando o lençol sobre mim, andando nua até o banheiro e me dando a visão completa do que tive por uma noite.
– Sabe Enzo –disse ela de la de dentro entrando na agua – também tive uma noite relaxante – ela riu mais um pouco e não pude deixar de imaginar o que se passaria pela mente dela, ali comum vampiro e agindo como se não estivesse exposta a perigo nenhum.
Seu banho não levou muito tempo e o meu menos tempo ainda, tentei adivinhar suas intenções mas falhei, até que ela me surpreendeu estendendo a mão antes de vestir as luvas – morde – sua ordem me assustou – vamos, não uso verbena e você sabe disso, ao menos não no sangue, pode provar, sei que você quer – suas palavras entraram em minha mente e quando dei por mim estava como um cachorro que obedece sua dona, sorvendo de seu pulso um liquido doce e poderoso, e que tão logo começou senti parar quando ela me afastou, murmurando um feitiço e vestindo as luvas.
–O que foi isso? – ela me olhou como quem não entende e sorriu – como me obrigou a isso? – seu sorriso só crescia e agora quando o medo crescia algo diferente veio e o engoliu, como se uma sensação viesse de fora para dentro e me dominasse, varrendo as perguntas e apenas deixando sua voz doce no lugar.
–Você e eu tivemos uma ótima noite, e é tudo que dirá aos seus amigos, os detalhes são só nossos, e seus medos só meus – apesar de querer protestar algo inundou minha mente, e suas palavras eram tudo ali, então concordei em silencio e antes mesmo de dar por mim que estava sozinho, eu sabia que o que ela disse seria exatamente o que eu faria.
Caroline
Se tem algo que estava errado ali: Pode apostar que era tudo.
Voltei a correr enquanto colocava meus pensamentos no lugar, já era a 25 volta no quarteirão e esse habito de correr em velocidade humana para clarear os pensamentos, somado aos exercícios com Stefan não ajudavam. Essa manha sai de casa antes de todos acordarem e larguei uma Elena bêbada em um quarto, um Stefan preocupado no outro, Ric perdido com tudo e nem querendo imaginar onde aquele Enzo havia se metido.
O ar pesado só indicava o que eu já sabia, tinha algo vindo por ai. Acelerei um pouco, não o suficiente para chamar a atenção e cheguei na varanda da casa ouvindo os sons, Stefan na cozinha fazia um café da manhã, ele insistia nisso. Ric corrigia algo, ou escrevia e então veio o som que menos esperei, Elena estava acordada. E estava limpando o quarto...
– O que ta acontecendo – entrei na velocidade vampírica e um Stefan nada surpreso e todo sorridente jogou uma omelete no ar sorrindo.
–Estou cozinhando, você já correu, Ric está trabalhando e Elena – ele franziu o cenho e entendeu o que perguntei – acho... que ela está limpando o quarto.
–Ontem ela mal levantou da cama, hoje ela está de pé limpando o quarto – ele notou meus olhos arregalados e sorriu – tem algo ai!
Sai dali e fui até o quarto, da entrada ouvia ela cantarolar e la dentro ela vestia shorts e camiseta, cabelo no alto e arrumava como se fosse uma adolescente humana o quarto na maior lentidão, e ao mesmo tempo com cuidado para cada peça. Fiquei observando ela pegar uma foto do Damon com ela numa festa e pregar num mural ao lado da cama e tudo que pensei foi que não havia visto tudo, e eu estava certa, porque a foto era só mais uma em milhares que já tomavam conta.
– Hey Car – ela se virou sorrindo – você está malhando? – ela se referia as minhas roupas e tudo que eu via era os corações, as fotos... Como ela fez isso tudo em menos de 2 horas? – Caroline Forbes, o que há de errado?
–Porque tudo isso? – ela olhou o mural inocentemente e sorriu como uma criança
– Simples, porque vou trazer ele de volta. – seus olhos tinham um brilho maníaco e algo ali me assustava, porque principalmente ela, sabia que não tinha mais volta.
Fale com o autor