Move on...
1 Mudanças
Notas iniciais
Elena...
Acordei mais um dia. O sol entrava pela janela errada, este quarto era errado. E faziam já quatro meses e 3 dias que estávamos aqui. Esta era Danver, onde pessoas corriam de manhã, passeavam com o cachorro, levavam crianças na escola e viviam. Mas ele não vivia mais. Damon não estava aqui.
Passos subiam as escadas, a porta se abriu sem que se dissesse uma palavra. Em silêncio o visitante depositou a bolsa de sangue no criado mudo, recolheu o lixo. Saiu. Esse era Stefan, sem uma palavra ele respeitava meu espaço e partia em silêncio. Sempre.
Eu queria ajudar ele também, afinal essa dor era tão dele quanto minha, afinal era o irmão dele. Só que eu não conseguia. Eles se revezavam, ao ponto que eu já sabia quem era pelo passo na escada.
Algo mudou, alguém ligou a torneira no andar de baixo — não queria que eu ouvisse — o que funciona porque eu também não quero ouvir. E então passos apressados e pesados — Caroline — empurra a porta que bate forte.
Ela começa a gritar coisas que para mim não fazem o menor sentido, Stefan entra e ouço pedir calma, Alaric entra e para ao meu lado da cama. Diz algo que também não ouço, até que um soluço escapa da minha boca e digo algo que em minha mente é o que me acorda todas as manhas.
– Damon...Eu preciso dele de volta- não sei em que ponto as lágrimas vieram, mas eu chorava de novo.
Eu ainda não sabia mas algo mudou.
***Damon
Damon. Damon. Damon
Era a voz de Elena, e se soubesse de onde vinha já teria corrido até ela, abraçado seu corpo esguio e jamais soltaria de novo. Jamais sairia de seus braços.
Exceto que não fazia ideia de onde estava, nem quanto tempo se passou. Bonnie estava ao meu lado. Sentia. Sabia. Mas após o colapso não via nem ouvia ela. E também não se ouvia, só silêncio.
Exceto que algo forte se movia, algo tentava chegar até eles. Seria algo bom?
Jeremy
Quatro meses hoje, desci a caixa no estoque e caminhei de volta para o caminhão pegar as outras, Matt estava do outro lado arrumando as cadeiras e as mesas, era hora do almoço e logo pessoas chegariam para o chá ou simplesmente afogar as magoas num copo de whisky, como as vezes Ric e Stefan faziam. Ha 3 dias não ia na casa, cansei de vê-la naquele torpor. Perdida como se não houvesse razão pra viver, por um lado entendia o que ela sentia, muitas horas quis fazer o mesmo. Mas não podia, tinha que ajudar eles e se ficasse parado tudo ia por água abaixo. Matt estava mais forte, demorou um mês e saiu de Mistyc falls para morar conosco. A cidade não era a mesma e ele não aguentava aquilo mais, não era um lar. Então ele passou a morar comigo e com Tyler em um Ap, enquanto Caroline, Stefan, Alaric e uma Elena que não lembrava em nada minha irmã ocupavam um casarão.
Terminei de descarregar as caixas e voltei para o bar onde era meu posto, este café não era como o Mistyc Grill, o lugar era maior e as pessoas muito normais. Estranho porque depois de anos vivendo com vampiros, namorando bruxas, tendo a irmã transformada em vampira e a tia morta por um original impiedoso sem contar a quantidade de coisas estranhas, o normal se torna estranho.
Estava limpando o balcão quando uma moto parou na entrada, e era uma moça alta de cabelos pretos, sua pele cor de chocolate lembrava a de Bonnie, ela ao abrir a jaqueta notei um pendulo estava no pescoço, mas meus sentidos não avançaram, ela não era uma ameaça. Quando chegou ao bar pediu um chá gelado e perguntou coisas simples da cidade em poucos meses descobri que em cidades diferentes de Mistyc falls as pessoas perguntam coisas da cidade e não são algum tipo monstro nem de bruxo ou feiticeiro.
Mas ela era diferente, senti seu olhar na direção de Matt que ainda lavava alguns copos e depois voltou seu olhar para mim, um sorriso cresceu nos seus lábios e ela se levantou indo em direção a ele levando o chá. O caminhar dela era ferino como se fosse dar um bote e algo se agitou em mim.
– Então você finalmente saiu da preciosa Mistyc Falls e trouxe o pequeno Gilbert a tira colo? — Matt levantou os olhos e a princípio não disse nada, até que algo o fez reconhecer seja la quem ela fosse e pulasse o balcão para abraçá-la. Quando viu meu olhar ele se virou sorridente e disse quem era ela.
– Acho que você não lembra dela Jer- ainda sorrindo ele me apresentou a estranha – essa é Janne Bennet, ela é prima da Bon que foi enviada para New York.
– Enviada não! — ela fingia uma ofensa e eu começava a ligar os pontos — fui obrigada a ir pra la! – o sorriso fácil, o olhar perigoso, definitivamente ela tinha algo de bruxa em si, Bonnie havia mencionado uma única vez parentes na Georgia, mas só, nenhum mais ou além.
– Você morava na Georgia? — ela sorriu e disse um sim tomando um pouco do chá. Definitivamente tinha algo ali, algo silencioso, talvez até perigoso para a calma que estavamos experimentando.
–Na verdade meninos eu vim justamente de Mistyc Falls – ela deixou o copo vazio no balcão e se sentou em frente a nós mexendo num anel azul no dedo – a mãe de Caroline que me indicou para procurar vocês por aqui, e ela me contou sobre Bonnie e meu tio.
–Não só eles, muitos outros também se foram e nós decidimos recomeçar — ela abaixou o olhar, creio que entendeu, mesmo querendo mais explicações sobre a morte da prima e do tio. O que não dava para contar é que Bonnie morreu num feitiço pra me trazer a vida e que um viajante bruxo e louco resolveu matar o pai dela só por vontade própria.
– Eu vou ficar uns dias por aqui – ela deixou o dinheiro no balcão recolocando a jaqueta – depois sigo para o French Quarter onde tenho umas amigas para ver – deu um abraço em Matt e depois se virou para mim, algo em seu olhar me fez crer que não era só isso – Caroline e Elena vem aqui alguma noite? Gostaria de vê-las.
– Acho que Caroline vem essa noite, Elena não anda muito bem – na verdade nenhum de nós estava, e mesmo assim ninguém chegava ao nível dela – o namorado dela morreu no acidente e ela não tem lidado muito bem com isso.
–Entendo – ela pegou o capacete e notei o bracelete com um pendulo azul- vejo vocês mais tarde, chamem Caroline quero falar com ela!
Enquanto ela saía eu e Matt trocamos um olhar preocupado, não sei o quanto ele desconfiava, mesmo assim notei que ele também sabia que tinha algo estranho aqui. A visita de uma bruxa e não qualquer uma, mas parente de Bonnie tinha que significar algo, e me peguei misteriosamente torcendo por ser algo bom.
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