Nunca me dei bem com perdas, desde a morte de minha mãe eu não sabia como agir exatamente quando alguém querido morresse. Não que acontecesse toda hora, obviamente. Porém, a morte da Alisson havia mexido muito comigo e com todos do grupo. E essa culpa idiota que eu tinha dentro de mim, parecia não passar nunca. Porém Malia, que não era uma velha conhecida, havia me ajudado muito nesse período e me ajuda até agora se querem saber. Isso com certeza nos aproximou de uma forma que nem sei explicar ao certo.

Mas alguns meses já tinham passado desde o ocorrido. E nossa amizade, ou o que quer que fosse, permanecia forte e apesar de ambos quererem evoluir esse sentimento, eu sabia que isso não seria nada sadio pra mim, pois ela era uma Hale, e pior, filha do Peter, cujo todo meu envolvimento com ele no passado ainda mexa comigo de alguma forma. Por mas que eu tentasse seguir em frente e me deixasse apaixonar por outro alguém, ele sempre ia estar em algum lugar da minha mente, martelando e martelando.

Todos pareciam ter seguido em frente de alguma forma, Scott estava quase namorando a Kira, Lydia hora ou outra se pegava com o Parrish como se ninguém soubesse, enquanto Derek e Isaac se concentravam apenas no bando, até onde eu sabia. Minha indecisão talvez tinha sido a causa do meu fim de relacionamento com o Peter, eu nunca sabia o que eu queria e tinha minhas dúvidas de um relacionamento com outro homem. Ele por outro lado, era bem centrado e decidido, apesar de ser quase sempre incompreendido por quase todos. Peter sabia exatamente o que queria e quando queria, o que me passava certa confiança entre o que tínhamos. Mas isso agora é passado, hoje eu tento tomar outro rumo com uma outra pessoa, mesmo que essa pessoa fosse Malia.

Levantei-me então de minha cama, depois de um surto de pensamentos e desci até a sala de estar, onde pude ver meu pai conversando algo com o Parrish sobre algumas coisas de trabalho. Cumprimentei o mesmo enquanto pegava a chave do jipe e caminhava em direção a porta, não demorando muito para batê-la atrás de mim. Dirigi então até a casa do Scott, como fazia quase sempre para matar o tédio. Não demorou muito até que eu chegasse a casa dele, sentado na poltrona do seu quarto enquanto conversávamos coisas aleatórias só para passar o tempo. Passado alguns bons minutos de conversa, eis que Isaac resolve aparecer no quarto, coisa que eu já estava estranhando por não ter acontecido, levando em consideração que ele agora morava naquela casa também.

— Vocês não vão? — Foi tudo o que ele disse ao entrar no quarto e antes que eu pudesse perguntar para onde, Scott atravessou na minha frente e fez a pergunta.

— Vão dizer que vocês não receberam o sms da Lydia? Festa de início de semestre na casa dela, vocês pretendem ficar aqui mesmo? — Scott e eu checamos nossos celulares e realmente tinha um sms da mesma, porém com tanta bobagem que conversávamos nem tínhamos dado atenção a celular.

— Tá brincando, festa da Lydia e você ainda pergunta se eu vou? Quem é que faz as melhores festas mesmo? — Findou Scott enquanto já saia do quarto, fui logo atrás dele.

Todos então entraram no meu jipe e fomos em direção à casa de Lydia. Por incrível que pareça, tinha mais gente do que eu pudesse imaginar, Lydia com certeza tinha se tornado uma pessoa bem melhor do que era, tanto é que havíamos nos tornados amigos, mas às vezes eu completamente esquecia o quão popular ela era. Tentei então passar pela aglomeração de pessoas que havia em frente a porta da casa e adentrei a mesma. Por minha surpresa, Malia havia aparecido em minha frente, me abraçando e puxando minha mão para irmos onde nossos amigos se encontravam. Eu tinha que me acostumar com a ideia de que agora, Malia era uma novata na escola e que eu encontraria com ela sempre em meio aos corredores, o que não era ruim. Estávamos todos próximos e a música tomava conta do lugar, peguei então na cintura da Malia, que estava em minha frente, enquanto ela envolvia seus braços em torno do meu pescoço. Dançamos então no ritmo viciante da música eletrônica, enquanto atraíamos alguns olhares, principalmente de Scott que me olhava hora ou outra como se fosse zoar de mim mais tarde.