Motivos para não se apaixonar
1 Dias comuns se aproximam do fim...
Notas iniciais
Sou uma estudante abaixo da média, tampouco me importo com isso,afinal, há várias histórias de pessoas que vieram a abandonar os estudos e hoje conseguem levar uma vida confortável, e , não acho que eu precise de notas altas em meus boletins para ser alguém, poucos se importam comigo, e vou logo dizendo que, nem eu mesma me importo. Aliás, meu nome é Julie Stlein e tenho dezessete anos.
Em mais um longo e tedioso dia nessa porcaria infernal que você pode reconhecer pelo nome "escola", muitos conversam e riem alto em pequenos grupos, em um deles estava Rie, minha melhor amiga mas a considero uma puta analfabeta. Rie é extrovertida, faz e desfaz amizades e namoros com uma facilidade de se invejar, está sempre atualizada em notícias do mundo das celebridades e aparenta amar a vida que leva, sempre tentando me fazer comparecer em festinhas e grupos junto à ela com mais garotas e garotos que todas consideram bonitos, e, eu realmente odeio isso tudo, ver ela a cada dia com uma pessoa diferente me dá nos nervos. Ela vive me dizendo coisas como "Julie,eu não aguento mais! Você deve se enturmar, fica feio para mim andar com uma garota como você" e eu sempre uso a mesma resposta "Vá se fuder com a sua amada garrafa de Vodka, ela te torna popular.". E são diálogos como esses que tenho com a única pessoa que se importa comigo, mesmo sendo por motivos próprios. Acho que ela sente dó de mim e acha que está me ajudando quando faz coisas como essas.
Nos intervalos, não há professores me pedindo de cinco em cinco minutos para guardar meu celular- não posso fazer nada se as suas aulas são extremamente chatas e entediantes ao meu ver, e realmente estão longe de meu grado-, sempre nos intervalos fecho meus olhos e relaxo, mas hoje por algum motivo, isso foi diferente, avistei um garoto e comecei a ficar pensativa. Havia um garoto que eu nunca vi nessa escola antes, era um tanto bonito, aparentando medir 1,80 de altura, cabelos escuros com penteado moderno,não consegui ver muito bem o seu rosto, estávamos realmente distantes. O que me impressionou foi o fato que nem Rie e nem nenhuma outra garota estavam dando em cima dele. Porém fui interrompida quando ouvi a voz agitada de Victor Mansini gritar algo como "Julie Stlein está interessada em parceiros para casos amorosos!!", confesso que se eu não estivesse com uma puta canseira nas minhas pernas, eu iria acabar com aquele rosto bonito que Victor carrega e exibe, mas não, não vale a pena, então apenas coloquei meus fones novamente e deixei eles fofocarem entre si, fingindo que não me importava, quando minha vontade de fato, era saber de todas as palavras que diziam ao meu respeito.
O intervalo chega ao fim, e o sinal de que isso aconteceu se dispara fazendo um som semelhante à um sino, porém mais alto e estridente, indicando que, acabam meus dezessete minutos de liberdade, a aula agora é matemática, se existe uma coisa que não sou a única que odeia nesse mundo é matemática, sempre acabo escutando pessoas falarem mal dessa matéria e vejo muitos reprovando nela, e, eu também odiaria o professor que tenho, mas ele não permite que isso aconteça, para mim, aqueles olhos me encantam, mas ninguém além de mim necessita saber disso.
A aula realmente estava demorando muito a iniciar-se, e logo entendi o por quê...O garoto que avistei antes realmente não estudava ali, e agora fora transferido para a minha turma, o professor da aula atual estava a debater algumas questões fora de sala com ele.
Quando ambos voltam, o professor convoca a manifestar-me, pois o garoto transferido se sentaria no lugar que está em meu lado direito, é lógico que ele pode ter escutado o aviso escandaloso e desnecessário de Mansini mais cedo, estou torcendo para que ele não tenha descoberto que a Julie de antes é a Julie que está aqui agora, e para não demonstrar nenhuma possibilidade de amizade entre nós dois, eu apenas suspirei profundamente levantando minha mão esquerda como se fosse morrer e lancei-na novamente na carteira. Vendo qual seria se novo lugar,ele vinha caminhando em direção e se aproximando cada vez mais de mim, com aquele olhar confiante que estampava um dilema óbvio de "eu amo o mundo e a humanidade", tenho certeza que para todas as outras pessoas isso foi rápido e cotidiano, mas para mim, ter a visão daquele garoto caminhando lentamente para perto de mim, foi como o lançamento de uma nova música de um cantor para um fã. Quando finalmente chegou, aproximou seu rosto ao meu lentamente e disse-me essas palavras:
–Soube mais cedo que se chama Julie, és muito linda; eu Eu me chamo Fernando Martin.- Disse calmo.
Agora minha vontade de espancar Mansini até morrer era certa, apenas fui idiota por corar, porém, não o deixei ter apenas o gosto de me ver com a face avermelhada e sair. Quem ele pensa que é?Que forma mais estranha de se apresentar a uma garota, me pergunto se um dia essa pessoa conseguirá uma namorada com esse jeito invasivo, uma tremedeira nas pernas me atingiu, e só depois de cerca de cinco segundos consegui uma resposta:
–Talvez, eu não seja quem você pensa que sou, e, se um dia eu fizer como hoje tirando apenas um de meus fones para responder um comentário inútil como tal, sinta-se importante.-Respondi lentamente em voz baixa para que não fosse percebido o meu nervosismo.
Que pessoa mais esquisita, mas tenho de vir a admitir, a aparência deste é muito atraente, apenas sinto muito em saber que possibilidade desse tal de Fernando ser diferente das pessoas que já conheci também pode ser zero. Eu não deveria estar pensando nisso porém, não me sinto incomodada em ter pensamentos como tais no momento, afinal, sei que sempre os banirei de minha mente e ocuparei com outra parte da música.
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