Motivos
1 Razão
Notas iniciais
Uma one-shot brisada minha por fora da PaperMoon (Aprovada pela Sharon e pela Diana ^^b).
É para ver como eu presto atenção na apresentação do meu curso técnico -.-
Em breve sairam mais one-shots individuais o/ (uma da Diana a caminho).
Bom, espero que curtam este singelo yaoi e que curtam nossas próximas histórias o/
Fechou os olhos apreciando a leve brisa que acariciava-lhe o rosto, fazendo os finos fios loiros dançarem. Voltou a abrir os olhos e virou-se fechando as portas de vidro da sacada e observando a figura ruiva deitada no sofá, lendo um livro, provavelmente de poesia de algum escritor francês. Deixou a testa franzir em uma clara demonstração de irritação, as orbes azuis ainda fixas nos olhos avermelhados do outro, que não abandonava as páginas do livro.
Milo cruzou os braços diante a distração do outro que nem ao menos se mexera desde que o loiro chegara aquela tarde para visitá-lo. “A porta está aberta”, “estou bem” e “hum” foi tudo o que o francês pronunciara desde que o grego chegara.
“O que é isso afinal? Estou levando um gelo?” pesou Milo irônico e confuso. Ele estava ficando cansado do jeito frio com que era tratado por Camus, já se conheciam a tanto tempo e o aquariano parecia tentar-lhe como se o cumprimentasse apenas por obrigação. Só o loiro o considerava um amigo intimo? Só Milo se importava com a relação dos dois?
Suspirou sentando-se na poltrona de frente para o sofá ainda olhando o ruivo, só que agora, o cansaço parecia tomar-lhe o rosto, e Milo deixou os olhos encararem o chão, refletindo.
Camus, pela primeira vez no dia, fechou o livro e sentou-se olhando para o loiro, aparentemente frustrado e distraído com algo. Ele levantou-se e foi até a cozinha sendo acompanhado pelo olhar do escorpiano, a testa deste franzindo-se novamente.
Camus preparou a chaleira distraído com a imagem das árvores balançando através da janela de sua casa de férias. O ruivo voltou a sala com uma bandeja em mãos e direcionou-se para a sacada onde o loiro se encontrava, observando o pôr-do-sol. Colocou a bandeja sobre o cercado de granito e ofereceu uma xícara de chá a Milo.
-Obrigado. –Falou segurando a xícara e encarando hora o céu, hora o chão.
Camus olhou a insegurança e a inquietação do loiro e fechou os olhos avermelhados bebendo um gole de seu chá.
-Diga o que quer me perguntar, Milo. –Falou sério, admirando a vista.
-Eu não quero perguntar nada... –Murmurou Milo.
-Eu o conheço o bastante para saber que alguma duvida está te perturbando. –Respondeu Camus olhando de relance o cavaleiro de escorpião.
Milo suspirou engolindo em seco e virou-se decidido para o ruivo.
-O que eu sou para você, Camus? –Indagou a voz dolorida e exigente, exasperado.
A frieza habitual foi quebrada e o aquariano encarou Milo surpreso.
-Milo, você... –Começou a falar, sendo interrompido pelo loiro.
-Eu realmente não sei o que pensar. –Disse, desespero e confusão tormando seu rosto esculpido. –Nos conhecemos a tanto tempo, eu o considero tanto, e mesmo assim você me trata apenas como um conhecido...
-Milo... –Falou Camus tentando chamar a atenção do loiro.
-Porque você é tão frio? Eu não suporto quando você simplesmente parece ignorar minha existência... Eu não sou nem ao menos suportável? Quero dizer, você está sempre lendo, e eu queria conversar com você.
-Milo...! –Falou um pouco mais alto.
-Você nunca me conta nada e sabe tanto da minha vida... Afinal, porque você continua me recebendo Camus? Seria menos doloroso, ou no mínimo mais fácil, se você me dissesse quando não me quer por perto... Provavelmente eu ficaria magoado ou bravo, mas eu ficaria feliz se você me falasse, pelo menos demonstrasse, o que está sentindo. Isso facilitaria tudo, e...
-Milo! –Gritou Camus o assustando.
O ruivo suspirou e olhou sério para o loiro.
-Não leve a mal, Milo. –Disse ele e o loiro sentiu-se triste com o que interpretou da frase. –Eu não sei bem como demonstrar o que estou sentindo, mas lhe considero muito também, mais do que você poderia pensar. –O escorpiano olhou surpreso. –E você não é irritante ou nada do tipo, só é difícil ficar perto de você quando eu o amo tanto, então é mais fácil para mim fazer outras coisas quando você está por perto. Além disso...
-O que você disse? –Perguntou Milo incrédulo, interrompendo o ruivo novamente.
-Que eu prefiro me distrair quando você...
-Não. Antes. Você disse que é difícil ficar perto de mim... –Mumurou ainda surpreso.
-...Quando eu o amo tanto. –Afirmou Camus bebendo um gole de seu chá e depositando a xícara sobre a bandeja.
Um silencio repentino se arrastou entre os cavaleiros de ouro enquanto Camus olhava as primeiras estrelas aparecerem no céu.
-Camus... –Chamou Milo.
O ruivo virou-se em sua direção e seus lábios foram selados pelos do loiro em um beijo calmo, nem quente como era a atitude e personalidade de Milo, nem frio como eram as ações de Camus. Foi algo intermediário, entre o frio e o quente, entre Milo e Camus, algo morno vindo de um amor a muito tempo oculto.
Separaram-se numa espécie de reconciliação pela dor inconsciente que um causara ao outro.
Milo sorriu e segurou a mão do ruivo.
-Eu também o amo muito. –Murmurou em seu ouvido, fazendo Camus sorrir.
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