Motivo De Viver

1 Capítulo 1 - Morte, Respostas e Vega


Notas iniciais
A história é dramática e meu drama não é tão bom, mas espero que gostem. Levei alguns dias para escrever (escrevia de pouquinho em pouquinho) e ele acabou ficando grande. Hum.
Para o primeiro não tem uma música exata, mas do segundo em diante já tem. Hã... Aproveitem...? '-'

Até o/


Vida. Palavra simples, mas com um significado muito complexo. Viver é complicado, viver significa enfrentar mudanças a cada segundo, viver significa sofrer ações e reações, significa cruzar caminhos de uns, deixar caminhos de outros, traçar seu próprio destino, significa acumular lembranças e, quando finalmente "o dia final" chegar, torcer para algo ter valido a pena.



Estava na escola, assim como todos os outros dias do ano, o professor de física explicava uma matéria que eu não tinha entendido muito bem, mas que possivelmente entenderia se estudasse mais tarde. Um dia comum, solitário como todos os outros, vazio talvez. Sempre achei que viver era algo que eu podia classificar como "tanto faz", o mundo tem 7 bilhões de pessoas e, creio eu, se moresse hoje provavelmente não faria falta. É um pensamento depressivo, admito, mas quantas as pessoas que fazem algo incrível para a humanidade enquanto vivem? Não são todos que descobrem a cura para doenças raras ou que descobrem teorias que explicam o surgimento do universo, simplificando, pessoas importantes são essas que fazem algo de bom na vida, e eu, sou apenas uma garota que mal consegue entender física.


— Ayu Sakai é desta sala? — perguntou uma mulher de óculos que estava na porta da sala de aula.


Todos olhavam para mim, e logo percebi que a mulher estava falando comigo. Ela estava séria e parecia um pouco inquieta, todos na sala estavam curiosos, inclusive eu. Levantei a mão e respondi:


— Sim, sou eu...


— Me acompanhe até a diretoria, por favor.


A mulher de óculos não havia me deixado terminar a frase e logo estava no corredor a caminho da diretoria, acompanhei seus passos apressados, ela não dizia nada. Chegando na diretoria, avistei um homem baixinho e gordo, o diretor, e do lado dele havia um homem de 1,80 metro, que parecia ter por volta dos 30 anos, ombros largos, cabelos pretos, pele clara, terno e gravata, expressão séria e olhos pretos, profundos. Eu conhecia ele.


— Sho...


— O senhor Kojima veio lhe informar sobre algo importante senhorita Sakai — disse o diretor — eu vou lhes deixar a sós.


O diretor saiu e eu e Sho ficamos na mesma sala, o clima estava tenso e silencioso. Ele tinha o dobro da minha idade, eu tenho dezessete anos, e Sho, trinta e quatro. O conheço desde que tinha sete anos, ele havia se mudado para a minha casa com quatorze anos, quando os pais dele morreram em um acidente de carro, mas assim que fez dezoito procurou se virar sozinho. Hoje, é um empresário bem sucedido com carro, mansão, iPhone, dinheiro... Porém é uma pessoa fria.


— Sho o que você está fazendo aqui? — perguntei.


— Serei direto Ayu — disse enquanto encarrava a janela da diretoria — Sua mãe morreu essa manhã no hospital, ela já estava internada a algumas semanas, acho que, de certa forma, você sabia que isso iria acontecer.


— Minha mãe... — de repente lágrimas se formaram em meu rosto — O que aconteceu...


— Ayu, ela tinha AIDS, você mesma sabia da situação — falou Sho — As pessoas morrem, apenas aceite isso.


Sho sempre foi frio, mas mesmo assim, sua reação diante da morte da mulher que o abrigou quando ele não tinha ninguém era incrível. Minha mãe tinha AIDS devido as drogas que injetava em suas veias, e quando descobriu que tinha tal doença parou assim que pôde, mas já não havia tanta solução. A três semanas atrás ela foi internada, estava com febre e muita tontura, mas ainda sim, eu achava que ela iria se recuperar, pois sempre foi uma guerreira, uma heroína, que mesmo com as dificuldades da vida conseguiu me criar.


Eu estava parada sem saber o que fazer, não sabia se chorava, se gritava, se perguntava para Sho como havia acontecido tal coisa, ou se apenas ficava parada, como eu estava. A vida não fazia sentido. Pessoas que não deveriam morrer, morrem, e as que classificam a vida como "tanto faz", vivem. Pensamentos deploráveis começaram a invadir minha mente, a raiva e o medo me consumiam, pois sabia que não tinha mais ninguém, estava sozinha no mundo. Eu era uma anti-social sem amigos na escola, não tinha namorado, não tinha mais parentes. E é como dizem: "você nasce e morre sozinho". E eu, provavelmente, morreria sozinha.


— Sho, me tira daqui, me leva aonde minha mãe está — pedi em tom de súplica.


— Já falei com seu diretor, só vá até sua sala e pegue seus pertences. Te esperarei no á estacionamento.


Sai da sala da diretoria e corri para a sala de aula, eu havia pedido para Sho me levar até minha mãe, mas... Eu não queria. Não queria vê-la e perceber que realmente aconteceu, perceber que ela morreu, que ela não vai voltar. Mas eu precisava.


Entrei na sala, falei com o professor e peguei minhas coisas, sai as pressas em direção ao estacionamento. Chegando lá, Sho já estava na Lamborghini dele, entrei no carro e como costume, me olhei no retrovisor. Meu rosto estava inchado de tanto chorar, isso fez com que minha pele pálida ficasse avermelhada, meus cabelos pretos e lisos pareciam armados, nada parecia bem, tudo estava fora do lugar.


Nem perguntei a Sho onde nós iamos, não sabia se estavamos a caminho do hospital ou de algum cemitério, mas para ser sincera, não queria saber.


Sho entrou no estacionamento do cemitério e deixou seu carro em uma vaga perto da entrada do lugar. Fazia sol, o que era hilário, pois sempre achei que em dias como esse deveria chover, cair o mundo, trovejar e ter tempestades, mas era apenas mais um dia de sol e as nuvens se recusavam a aparecer no céu.


O cemitério tinha uma loja especializada em flores, entrei no lugar e comprei lavandas. O clima mórbido do lugar me deixava nauseada, mesmo rodeada de flores, debaixo dos meus pés haviam pessoas mortas e eu sabia disso. Sho comprou algumas rosas brancas, não sei se havia algum significado para ele, ou se ele apenas comprava por comprar. Saimos da pequena loja e Sho começou a me guiar até o túmulo da minha mãe, andamos por um caminho cheio de terra seca, cruzando com várias lápides, era inevitável não ler os nomes das pessoas e ver as dedicações. Sho parou de andar e eu parei também, ele olhou para mim e disse apontando para uma das lápides:


— É essa. Ela foi enterrada quando você não estava aqui, achei melhor assim.


— Você achou melhor assim?! — questionei furiosa — Ela é a minha mãe, não a sua, Sho! Ela só tinha a mim, você não tinha o direito de...


Antes que percebesse, lágrimas de tristeza e raiva percorriam o meu rosto. Coloquei as mãos no rosto para tentar controlar as e tentar me esconder, tentar esconder minha fraqueza.


— Me desculpe — disse enquanto colocava as rosas brancas em cima da lápide — eu vou andar um pouco por aí, me ligue assim que quiser ir embora.


Havia sido um pouco grossa, me sentia culpada, mas ainda sim, era verdade. Estava tão cansada, cansada de mim, da vida, de tudo. E pra variar, estava sozinha. Olhei a lavanda, coloquei na lápide e falei:


— Por que você tinha que me deixar aqui sozinha, hein? O que eu faço agora? Como eu vou me virar nesse mundo? O que eu faço? — suspirei.


Queria sair daquele lugar. Estava brava com o mundo, mas não queria descontar minha fúria em ninguém, se eu estava brava ou não, o problema era meu, as pessoas não precisavam me aguentar. Aliás, nem eu queria me aguentar, queria me jogar de alguma ponte, desaparecer, morrer. O pôr-do-sol se aproximava. Tinha vontade de ir em um lugar, precisava colocar os pensamentos em ordem e decidir o que seria da minha vida...


De repente, comecei a ouvir "Take Off" tocar, era o toque do meu celular. Pensei que era o Sho me ligando, porém quando vi a tela dele, era a médica da minha mãe, a música chegou no refrão e eu atendi:


— Alô?


— Ayu Sakai? — perguntou a voz fina do outro lado da linha — Aqui quem fala é a doutora Yoshiko.


— Oi doutora, é... Hum... Eu poderia ajudar em alguma coisa?


— Na verdade sim, precisavamos que um parente viesse buscar os pertences da sua mãe, e bom, a senhorita é a pessoa mais apropriada.


— Ah sim, claro...


— Sinto muito lhe importunar nesse momento...


— Não, tudo bem — forcei um sorriso, mesmo a médica não podendo ver — Eu posso buscar agora?


— Sim, claro, seria de grande ajuda.


— Ok, daqui a alguns minutos estou aí. Tchau.


— Tchau.


Mandei uma mensagem para Sho assim que minha conversa com a doutora Yoshiko acabou. Olhei para a lápide de minha mãe e me despedi. Andei até o estacionamento, Sho já estava a minha espera, disse a ele que precisava passar no hospital e ele concordou em me levar. O caminho estava silencioso, mas Sho parecia inquieto, como se quisesse falar algo, e quando menos esperava ele disse:


— Você vai morar comigo.


— Hã?!


— Você ainda é menor de idade, mesmo tendo dezessete, não posso te largar por aí.


— Mas eu já tenho uma casa, não preciso de outra.


— Ayu, não se faça de desentendida, você é menor de idade e sem renda fixa. Serei seu tutor até o momento em que você tiver idade suficiente para se virar...


— Ou seja, assim como você fez quando completou dezoito? — interrompi em um tom de voz irônico — Quando você largou a casa que você tinha, por que não gostava da gente?


— Ayu, cala a boca! Você não sabe o que fala, para de agir como uma criança! — gritou — As coisas não são do jeito que você pensa.


Me calei, não queria discutir, na verdade não deveria ter discutido. Tinha falado para mim mesma que não descontaria minha raiva em ninguém, mas todas as minhas ações foram contrárias aos meus dizeres. Eu era tão idiota, digna de pena até.


Chegamos no hospital, apenas eu entrei no lugar. Fui direto ao encontro da doutora Yoshiko, conversamos sobre a situação atual, falamos da minha mãe, peguei todos os pertences dela e por fim, me despedi. Não queria voltar para o carro ainda, queria passar na sala em que minha mãe ficou hospitalizada. Andei um pouco, peguei o elevador e fui para o quarto andar, era o último quarto no final do corredor, entrei no pequeno cômodo e fiquei parada. Era uma sala bem simples, porém a vista da janela era linda, era bem na frente dos prédios, estava de noite e dava para ver as poucas estrelas brilhando.


— Será que ela viu essa paisagem antes de morrer...? — perguntei para mim mesma em um sussuro — Será que é esse tipo de coisa que faz a vida valer a pena? O que faz a vida valer a pena? Eu vou morrer sem saber o que faz a vida valer a pena? Será que o mundo é apenas um lugar onde as pessoas estão destinadas a sofrer? O que vale a pena...? O que faz as pessoas não se arrependerem de viver...?


— Você gostaria de descobrir?


Olhei para trás, um garoto que aparetava ser um pouco mais velho estava encostado perto da porta. Ele tinha cabelos castanho escuro, sua voz era rouca, mas era suave e angelical, sua pele parecia fria como gelo, seus olhos eram castanho também e lembrava mel, seu perfume era uma mistura de ervas, como erva doce e cidreira...? Talvez.


Ele me encarrava, não o conhecia , mas ainda sim, parecia familiar. Eu não sabia o que falar ou responder, ele havia surgido do nada e esse andar era extremamente vazio, não tinha ninguém do lado de fora quando eu entrei. Ao pensar nisso um arrepio correu pelo meu corpo.


— Quem é você...?


— Alguém disposto a te ajudar — respondeu com um sorriso um tanto misterioso.


— Me ajudar em quê? — perguntei em tom sarcastico.


— A descobrir o motivo de viver. É e por causa desse motivo que você tem mil perguntas, mas que nenhuma respostas.


— E por que eu deveria aceitar essa sua "ajuda"? Não, melhor, como você poderia me ajudar? — perguntei séria — se é que pode.


— Eu não sou humano, quero dizer, minha aparencia é, mas eu não sou humano... Não totalmente.


— Ok... Então se você não é humano, prove.


Ele olhou para mim e para o quarto, estava quieto e pensativo. Segundos depois olhou para a porta, estava um pouco inqueito, mas logo se acalmou e... E atravessou a porta de madeira! Depois, a atravessou de novo e voltou a me encarrar. Céus, ele havia atravessado a porta!


— Você ainda quer que eu prove mais alguma coisa? — perguntou com um sorriso no rosto.


— O que você é? Me conte exatamente o que você é.


— Eu sou... Hum... Isso que você vê é mais algo como... Uma alma...? — dizia, mas era como se falasse com si mesmo — Eu sou meio humano, tenho um corpo humano, mas o que realmente prevalece aqui é a minha alma.


— Ok... Isso é estranho e me deixa assustada. Isso significa que você é algum tipo de... Espírito? Aí, céus, você é um fantasma! Você vai me matar e sugar minha alma e aí vai pegar o restinho dela e vender em algum mercado clandestino e...


— Você é louca? — perguntou rindo — Acho que não existe nenhum "mercado clandestino de almas".


— Céus! Agora que eu dei a ideia você vai usa-la e começar a vender almas! Preciso sair daqui! Nem ouse se aproximar futuro clandestino de almas, eu tenho spray de pimenta na bolsa — disse apontando para a bolsa — e acredite em mim, isso arde muito. Muito mesmo.


Ele apenas olhou para mim e riu. A situação era confusa, ele parecia muito... "Bonzinho" para alguém que "não era humano". Relaxei um pouco e também ri, era a primeira vez que dava risada depois de um bom tempo chorando. Após alguns segundos rindo, voltamos ao normal, eu o encarrava. Percebendo a situação ele perguntou:


— O que foi?


— Você parece tão humano, eu ainda não entendo...


— Eu morri — disse ele com um olhar sombrio — as pessoas morrem, você sabe, mas todas tem algo chamado "missão", elas devem completa-la antes de morrer, porém...


— Você não completou a sua?


— É. As vezes certos incidentes acontecem e as pessoas morrem antes de conseguir fazer o que devem.


— Mas... Onde eu me encaixo nisso?


— Eu preciso da sua ajuda, você precisa da minha, eu posso te mostrar as razões de viver e você pode me ajudar a fazer o que eu não terminei.


— Posso fazer uma pergunta?


— Claro, faça.


— Você saiu de algum filme tipo "Ghost*" ou "Just Like a Heaven*"? — perguntei em um tom brincalhão — porque parece, sabe...


— Não — respondeu sério — qual é o seu problema, hein? Ah, deixa pra lá e vamos ao que interessa, você vai me ajudar?


— Sim, mas primeiro eu preciso saber seu nome.


— Eu... Não lembro do meu nome.


— Mas o quê?! Como assim? — perguntei indignada — Ah... Tanto faz, vamos pensar em um nome então.


Olhei para a janela, o céu estava estrelado e a lua brilhava. De noite eu gostava de admirar as estrelas, eram intocáveis e ao mesmo tempo tão belas. Alguns minutos se passaram, era difícil escolher um nome, ainda mais para um garoto. Continuei a olhar para o céu, eu sabia o nome daquelas estrelas de cór e salteado, Deneb, Altair e...


— Vega! Seu nome vai ser Vega!


— Hã?! O que é isso? É de comer por acaso?


— Não, lógico que não! É o nome de uma estrela, a 5ª mais brilhante do céu noturno — disse com orgulho — e é 30 vezes mais brilhante que o sol.


— Para mim, parece nome de garota. "Vega", é estranho...


— Seu nome vai ser Vega e pronto! Se não fosse Vega, seu nome seria Deneb ou Altair**.


— Vega parece melhor.


— Agora que decidimos um nome, você pode me explicar como é que eu vou te ajudar?


— Sim. Como eu já disse, eu tenho uma missão que não completei, e antes que você pergunte a resposta é não, eu não posso falar qual é essa missão. Mas isso envolve pessoas que você conhece e outras que não conhece, por algum motivo que eu não lembro, estou ligada a elas e você também — Vega fez uma pausa — são três casos, resolvendo os três eu consigo resolver o quarto e você vai ter as respostas que procura.


— Hum. Quanto tempo isso vai levar?


— Eu tenho um mês, exatamente um mês.


Um mês. Um mês é o tempo que eu preciso para ter todas as minhas respostas, de acordo com Vega. Não tenho nada a perder, tudo o que tinha para perder eu já perdi, minha vida é vazia. Não tenho amigos, não tenho família, não tenho nada, apenas um vacúo dentro de mim, um vacúo cheio de perguntas que quer obter respostas. Nada mais me prende, nada mais pode me deter. Essa é a oportunidade para fazer minha vida valer a pena, é única e eu, eu preciso agarra-la.


— Ok, Vega. Um mês não é nada quando se já viveu dezessete anos, me leve aonde quiser, eu lhe ajudarei.


Vega sorriu e começou a falar do primeiro caso que precisavamos resolver. Eu iria ajuda-lo, nem que essa fosse a última coisa que fizesse em minha vida. Eu o ajudaria.


Notas finais
*"Ghost, do outro lado da vida" e "Just like a heaven" ("E se fosse verdade?") são filmes de comédia romantica onde os protagonistas ajudam "fanstamas" a passarem para uma pós-vida.

**Essas três estrelas (Altair, Deneb e Vega) fazem referencia ao "Summer Triangle", que é chamado assim no hemisfério norte. Fazem parte das constelações de Aquila, Cygnus e Lyra.

Notas finais: Hã... Oi você aí que leu essa fic brisada, agradeço pela paciência e... Não sei o que escrever, nyahaha. Espero que tenha gostado do primeiro capítulo e espero que continue porque isso é só o começo. "Sério Miyuki?". Sim, enfim... Até o próximo capítulo. /o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.