Mortíferos

8 Capítulo VII – Controlando


Chegado o dia em que finalmente Sophie iria começar o treinamento de seus poderes mortíferos, a mesma se encontrava bastante ansiosa. Saiu de casa aquela madrugada mais cedo que de costume, às 00h25min.

Assim que chegou, foi recebida por James e Alec, que conversavam sobre algum assunto do qual Sophie não fazia ideia do que se tratava. Andou em direção ao jardim da casa, e quando lá chegou se surpreendeu ao ver Thalia reunida a Sally e Lizzie.

— Não precisa fazer essa cara de espanto, florzinha. Sally me chamou para te ajudar em seu treinamento. — Disse Thalia tirando sarro de Sophie.

— Não dê ouvidos a ela, Sophie. Vamos logo começar o treinamento. — Disse Lizzie empolgada.

— Claro. Por qual outro motivo além de treinamento chamaríamos a estraga prazeres da Thalia para cá?! — Declarou Sally com um tom de deboche.

— Olha aqui, bambu! Eu estou aqui bondosamente te fazendo um favor e ao invés de me agradecer, você vem debochar de mim? Faça-me o favor! — Revidou Thalia.

— Ok, vamos parar com isso e começar o treinamento, o que acham? — Sugeriu Sophie.

— O quanto antes sair daqui melhor! — Exclamou Thalia.

— Não poderia ter dito algo melhor! — Concordou Sally.

— Parem com isso vocês duas! Vamos começar logo. — Lizzie tentou parar a discussão.

— Certo. Você já teve esse tipo de treinamento, Sophie? — Sally a perguntou gentilmente.

— Na verdade, não.

— Então, vamos começar do básico. — Disse Thalia sentando-se sobre uma pedra regulamente grande.

— Você deve ver a situação ao inverso. Se tentar tocar em algo vivo com o medo de mata-lo, certamente o mesmo irá morrer. Você deve pensar em mantê-lo vivo. Deve-se pensar em coisas que te deixam contente. Deve-se pensar no contrário da morte, que é a vida, ou melhor: o amor, pois sem ele não vivemos, simplesmente existimos. — Declarou Sally enquanto Sophie e Lizzie escutavam atentamente suas palavras e Thalia resmungava. — Deve-se fechar sua mente e abrir seu coração. Pensamentos muitas vezes atrapalham os sentimentos. — Continuou Sally enquanto acariciava os pelos de um gato que apareceu do nada. Nada aconteceu ao gato.

— Nossa! Então é mesmo possível. — Exclamou Sophie admirada. — E a propósito, onde conseguiram o gato? — Continuou.

— Eu trouxe comigo quando fugi de casa. Já vinha pra cá antes, então sabia para onde ir. Só não acabei matando ele porque a Sally me ensinou a controlar meus poderes. — Disse Lizzie tristemente.

— Acho melhor você treinar com as flores primeiramente, Sophie. Não queremos nenhum felino morto aqui hoje. — Declarou Sally.

— Compreendo. — Concordou Sophie.

Como o recomendado, Sophie tentou esvaziar sua mente e deixar os sentimentos fluírem. Tocou nas flores, mas não obteve o resultado esperado.

— Tente pensar em algo que te deixe feliz. — Aconselhou Lizzie.

E então, Sophie pensou em sua querida tia, Jasmim e no momento em que chegou naquela casa. Pensou até mesmo em seus pais e sua irmã, que mesmo tendo a desprezado, a fazia feliz. E assim repetiu o ato, contudo, dessa vez obteve o resultado esperado. As flores não haviam morrido. Pareciam mais vivas do que nunca. E aquilo foi fantástico para Sophie.

— Parabéns, você conseguiu! Vamos treinar mais vezes depois. Um pouco a cada dia. — Parabenizou Sally.

— Mandou bem, florzinha. Pelo visto, nem precisava eu ter vindo. — Thalia também parabenizou.

— Você foi bem, mas vai ter que treinar durante meses pra poder tocar no meu gato! — Advertiu Lizzie.

Todas as garotas naquele jardim riram da garotinha ruiva, de sete anos, pelo cuidado excessivo com seu gato. Afinal, era tanto um amigo, quanto uma lembrança para a pequena Lizzie.