Acordei, isso não era como um dia comum, não para mim. Chuva, tempestade, melancolia e dor. Acredito que seja isso, pelo menos para mim.

Logo, minha madrasta entrou aos tropeços pelo meu quarto naquele perfeito penteado da época dos dinossauros e nas suas roupas engomadas e perfeitamente arrumadas. Logo atrás minha irmã, de cara fechada, maquiagem perfeita e cabelo sem um fio fora do lugar. Que bela família eu tenho!

- Vamos logo, Briar! Acorde, sua inútil! — gritaram a plenos pulmões. Que merda, não se pode mais dormir em paz nesse inferno?!

Me levantei, adeus cama. Minhas roupas estavam separas, rosa, vermelho, azul, amarelo... Acabei rodando, rodando e vestindo uma calça jeans com uma blusa azul marinho de mangas e um casaco preto. Calcei minha bota e voei escada a baixo, puxando as chaves, minha mochila e de quebra, um sanduíche de bacon e salsichas que estava em cima da mesa.

- Adios! — gritei ao passar pela porta.

Logo entrei no carro, senti-o deslizando pelas ruas horríveis do meu bairro, Olhei as pessoas, pobres pessoas, almas perdidas, mentes destruídas, sonhos derretidos, expectativas esmagadas. Lugares cheios de pessoas vazias.

Parei na entrada do novo colégio, portão de ferro em um vermelho desbotado, carros de diferentes marcas e alunos do mesmo jeito. "Felizes", arrumados e exibindo seus acessórios caros. Esse não seria um bom ano.

Saí do carro e joguei a mochila por cima do ombro, escondi as marcas em meus pulsos com a manga do casaco e lá vamos nós. Esse não vai ser um dos meus melhores anos, mas passei desessete anos sobrevivendo a hipocrisia e idiotice, por que não suportaria mais um?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.