Morte em livros
1 único
Sempre achei dura a forma como a morte é descrita em livros. É muito seco e requer uma interpretação por não usar exatamente a frase “ele morreu”.
Tive esse desconforto e a dúvida de que o protagonista havia morrido ou não quando li “A Metamorfose”, e mais tarde teria isso de novo com “O Processo” do mesmo autor. Talvez meu senso crítico na época não era muito bom, eu era uma adolescente que não entendia nada de nada. Mas, ainda assim, senti empatia por Gregor, aquele que não se preocupava com sua transformação, e sim por estar atrasado para o trabalho. Eu pensava que o jeito que ele fora isolado pela família, aquela que tanto se esforçava para sustentar, algo muito doloroso. Sua morte sendo anunciada em poucas linhas não correspondia a dor que Gregor sofreu por toda a história.
Isso me lembra de Macabeia, que também senti empatia, mas dessa vez eu me via nela. No entanto, eu me sentiria mal se algum dos meus colegas de classe começassem a me chamar de Macabeia, pois ela viveu triste até o final, sem saber que era triste. É cruel e seco.
E a primeira morte que eu li envolvendo um sentimento tão molhado quanto o amor, não foi em Romeu e Julieta, mas foi em Ai e Estraven. Foi tão abrupto que os dois não tiveram tempo de dizer para o outro que o amava.
Pelo menos na morte de Nakata em “Kafka à Beira-Mar", o autor usou na frase “ele morreu”, embora ter escrito a passagem somente em uma linha. Sabe, ele poderia descrever a dor e um flashback da vida de Nakata passasse na sua mente.
Hoje eu me deparo com minhas fanfics e percebo que elas são muito diferentes das demais, que descrevem tão bem os sentimentos e com muita clareza, se torna meloso. Já eu sinto que minha escrita é seca e que deixo para o leitor interpretar o que ele desejar, às vezes sinto que fica seco demais e não entendo por que nas fanfics se exige tanto sentimentalismo. Eu, mais uma vez, me lembro de outra morte... o final de “A Morte em Veneza”, que é descrito toda a tensão do protagonista, mas se não fosse a palavra “morte” no título — e que não apareceu em nenhum momento no parágrafo —, talvez pensaria que a história terminou em aberto. Do jeito que sou burra, é capaz.
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