Morte e Vida

2 Double Shot part2


Notas iniciais
Ficou uma merda, mas que se ferre... Se preparem para ler 14.055 palavras... Yeah, é triste... Mas fazer o que?

Droga! Era a quinta vez que eu sonhava com aquilo. E era a milésima que eu acordava chorando.

Novamente, eram 6h00min. DROGA! Não se pode mais dormir em paz? Levantei-me cansada, peguei minha toalha, a camisa uniforme e segui para o banheiro.

Tomei um banho rápido e me sequei, colocando a camisa de uniforme (Uma camisa branca de botões com manga longa e a insígnia da escola no lado esquerdo) arrumei o cabelo em um rabo de cavalo alto e escovei os dentes enquanto saia do banheiro em direção ao meu guarda-roupa. Só faltava eu colocar minha típica calça.

A calça larga de marca sempre me dava um ar masculino e meio rebelde, eu adorava isso. Pus meus All-Stars negros com cadarços vermelho-sangue de cano alto. Definitivamente, eu tinha um gosto estranho.

Voltei para o banheiro e enxaguei minha boca e lavei o rosto depois de um gargarejo. Ouvi gritarem meu nome do andar debaixo no exato momento em que secava o rosto.

- Já vai! – Gritei de volta.

Dei uma passada rápida pelo meu quarto pegando uma munhquera, meu colar, a gravata vermelha com branca do uniforme e meu relógio preto de pulso.

Desci correndo enquanto colocava meu relógio e a munhequer. O colar e a gravata por último.

- Prontinho. – Eu disse ajustando a camisa branca.

- Novamente com a camisa masculina? – Ela perguntou e eu sorri fracamente.

Esqueci de contar esses dois fatos: A camisa longa que eu estava usando era masculina e gravata era obrigatória apenas para meninos.

- Eu a acho mais bonita. – Eu comentei.

Julie rolou os olhos.

- Vamos Julie! Temos aula hoje! – Eu gritei para ela enquanto saia em direção ao carro parado na frente de casa.

Pouco tempo depois Julie estava dentro do carro dando partida enquanto eu colocava o sinto do passageiro da frente.

Julie era loura de olhos verdes, era minha colega de aluguel e tinha um estilo rebelde.

Tinha cortado o cabelo curto repicado com as pontas vermelhas que combinavam coincidentemente com o All-Star vermelho com retalhos brancos dela. Hoje estava usando uma saia curta jeans que ficava pouco abaixo do meio da coxa, a típica camisa branca feminina com insígnia vermelho-azul e uma meia ¾ com listras vermelhas e pretas.

Eu adorava o estilo dela.

- Pronto, Akeni – Ela disse me chamando.

- Opa! – Eu finalmente vi, realmente, a escola a nossa frente. – Diabos. – Eu resmunguei.

- Hee-hee – Ela riu da minha desgraça.

- Vá a merda, Julie! – Eu reclamei. – Não... Me mate antes disso. – Eu pedi sinceramente.

Ela só riu e estacionou o carro na frente da escola.

- Não podia ter me matado? – Eu perguntei saindo do carro e atravessando a rua.

- Ia sujar meu lindo e magavilhoso carro. – Ela disse com um meio sorriso.

Ôh! Vontade de mostrar o dedo do meio pra ela!

Virei-me de costas pra ela e entrei na escola. A grama verde da entrada ainda não estava lotada de alunos, o que me era um alívio, odiava lugares cheios, mesmo se tratando da minha própria escola.

Vi a grande mão bronzeada acenando de perto do gramado, no que seria apenas um mini-chalé aberto.

- Yoy, Keni! – ele me chamou pelo apelido... Eu pessoalmente nunca me importei, mas fazia a Julie ficar com uma aura assassina do demônio.

- Fale Hughes! – Eu disse me aproximando e batendo na sua mão.

- Não cansa dessa camisa? – Ele perguntou e eu só dei de ombros olhando pra irmã dele.

Cumprimentamo-nos com acenos de mão.

- Ei! Mais interatividade! Um aperto de mal não mata ninguém! – Hughes disse. Eu encarei ele dizendo em olhares: "Quer ver que mata?"

- Oi, Grazi. – Eu disse e novamente acenei.

- Akeni. – Ela disse... Era uma das únicas que não me chamava pelo apelido.

Olhei para ela e para Hughes, embora ambos fossem irmãos ela e ele só se pareciam no bronzeado que todo mundo quer, mas nem em câmera de bronzeamento consegue fabricar.

Hughes tinha olhos azuis e cabelos loiros, estava usando uma calça caqui que combinava com a camisa social branca. Grazi era outra história. Camisa social preta, que também fazia parte do uniforme, era opcional, saia jeans do mesmo cumprimento da saia da Julie. Ela tinha cabelos longos até metade da cintura, completamente negros e olhos verdes-mar.

Linda e lindo, mas completamente diferentes.

- Oi, more. – Disse Julie abraçando Hughes e lhe tascando beijo. Seria tudo normal se Hughes não começasse a passar a mão por debaixo da saia e eu e Grazi percebêssemos.

- ARRUMEM UM QUARTO! – Nós gritamos para eles ao mesmo tempo. Imediatamente se separaram.

- Ei, Keni... Devia me ajudar, você, como colega de aluguel dela, sabe que ela me ama e por isso deve dar uma forcinha segurando my sister. – Ele disse, eu lancei um olhar "Tá falando sério?"

- Nem que eu beije o anjo Miguel, Hug.- Eu disse brincando com o nome dele.

Grazi pegou a brincadeira e riu até cair para trás. Hughes tinha um enorme ponto de interrogação na testa.

- Ôh tapado! Hug é abraço em inglês. – eu disse para ele. – Agora eu entendi por que você reprovou em inglês.

Ele bufou e Julie o beijou, acalmando-lhe os nervos. Eu fiz minha típica careta de nojo.

- Nos vemos mais tarde. – Comuniquei saindo andando.

Tudo que eu menos queria, depois de ter sonhado aquilo na manhã era ver cenas românticas. Segui calmamente pelo gramado, passando por alguns conhecidos e dando alguns acenos.

Quando vi estava dentro do ginásio, meu lugar predileto naquela escola. Sentei na arquibancada e afoguei meu rosto nas mãos. Droga de vida. Droga de sonho. Droga de Vênus.

- Droga! – Eu gritei socando a arquibancada.

Ouvi um passo assustado e segui o som. Uma garota acabará de entrar no ginásio e estava tremendo de medo da cabeça aos pés. Eu olhei para ela por alguns segundos e desviei os olhos depois de suspirar pesadamente. Eu era apenas uma garota assustadora. Como o garoto que eu era no meu sonho tinha sido.

Bufei irritada e encarei o chão. Ouvi a garota caminhar para dentro do ginásio. Bem... Talvez ela não estivesse TÃO assustada. Ouvi ela se sentar ao meu lado e quando olhei para conferir senti meu queixo cair.

- Oi. – Ela disse. E eu lembrei que ela estava a mais ou menos um metro de distancia de mim e eu estava com a boca aberta. Fechei a boca engolindo em seco.

- Oi. – Minha voz saiu rouca e falhada.

- O que houve? – Sua voz era tão musical que eu não sabia se apreciava a voz dela, seu rosto, ou se respondia. Optei por responder.

- Problemas – eu disse idiotamente.

Ela riu. É claro que eram problemas... Eu não ia ter gritado "DROGA" sem razão.

- Problemas pessoais. – Corrigi corada.

Ela assentiu com um sorriso sapeca no rosto. Que foi?

- Entendo... – Acho que ela entendeu que eu não queria falar do assunto... E eu realmente não queria.

- Desculpe por fazer você perder seu tempo. – Eu disse sorrindo levemente. – Sou Akeni. – Eu estendi minha mão para ela.

- Felicity. – Ela disse simplesmente enquanto apertava minha mão.

- Lissy. – Eu dei um apelido logo de cara, adorava essa minha qualidade.

Ela riu e assentiu. Parece que não fui a primeira pessoa que deu esse apelido para ela.

- De onde? – Perguntei.

- Ravena, Itália. E você?

- Kanto, Japão – Eu disse.

- Isso explica seu nome.

- Eu que o escolhe... – Eu disse corando.

- Como?

- Na verdade nasce na Itália e morei lá até os 10 anos e depois comecei a viajar pelo mundo... – Eu disse corando ainda mais. – A cada lugar que eu ia mudava meu nome e entrava em uma nova vida.

- Nova vida?

- Sou uma espécie de Nômade. – Eu disse com um sorriso.

Ela riu alto e eu sorri ouvindo aquela 'música' ecoar pelo ginásio. Sempre que ria os olhos azul-cinza dela se fechavam e ela jogava a cabeça para trás fazendo os cabelos ruivos levemente ondulados caíssem para trás.

Eu me levantei e estendi a mão para ela depois de olhar as horas.

- Vamos acabar nos atrasando. – Eu avisei e assim que nós estávamos saindo do ginásio a realidade veio como uma bala.

Eu havia esquecido o sonho. Só porque eu estava com ela. Quem diabos era aquela garota capaz de me fazer esquecer o sonho Shed e Vênus?

Quando olhei novamente para ela sua pele pálida brilhava levemente em contato com as luzes do sol. Linda.

Me virei para frente antes que ela percebesse que eu a fitava. Aquilo seria constrangedor.

O sinal tocou e eu olhei novamente para ela, nesse exato momento ela tinha se virado para mim. Notei que ela era um pouco menor que eu, e que ela tinha olhos expressivos e sedutores, novamente engoli em seco. Não era hora de pensar nisso.

- Vou indo. – Eu disse dando um aceno.

- Nos vemos por ai. – Ela disse baixo, eu sorri e assenti enquanto me virava em direção a escola. Mal cheguei na minha sala, um pequeno vulto pulou em cima de mim.

- KIN! – Ela gritou e eu não resisti em fazer uma careta.

- Oi. – Eu disse lentamente.

- Vamos burlar aula? – Ela perguntou inocentemente.

Essa garota não tem jeito. Me soltei dela e baguncei seu cabelo mediano moreno. Ela era uma espécie de adolescente-infantil. Kyle era bem parecida comigo em estilo. Sempre de calça jeans, nunca bermuda ou saia, embora ela usasse a camisa feminina branca também usava uma gravata preta.

- Não posso Kyle... Tenho muita aula pra assistir.

Ela emburrou. Ela odiava quando eu negava um pedido.

- Vem. – Eu disse puxando a mão dela. Kyle corou imediatamente.

- E-Ei onde-Espera! – Ela gritou enquanto eu a puxava pelo corredor.

Passamos por várias salas que já estavam se enchendo. Fui direto para a direita no final do corredor e (Há!) estávamos no corredor da diretoria.

- K-Kin... Por que me trouxe aqui? – Ela odiava aquele corredor por causa dos rumores dele ser assustado.

Eu ri do medo dela e virei para esquerda. Passamos pela secretária, diretoria, dispensa, até chegar no final do corredor que tinha duas portas. Uma pra direita e outra pra esquerda.

A da direita era sala dos professores e a esquerda era a sala dos monitores. Abri a porta da esquerda e entrei num tiro fechando-a em seguida e rumo a saída de emergência da sala.

- Para uma ex-monitora você tem ótima memória. – A voz rouca era impecavelmente irritante.

- Oi para você também. – Eu disse me virando com completo desdém.

- Akeni. – Ele disse ralho.

- Luiz. – Pura aspereza.

- Olá pequena Kyle. – Ele disse sorridente e eu imediatamente joguei o corpo da Kyle para trás de mim.

- Tire os olhos dela. – Eu disse firme e raivosa.

- Ui, ui, ui. – Ele balançou as mãos no ar, brincando.

Luiz era a típica pessoa que você odeia e todos amam. Bem... Se você for inteligente e ver a mentira de cara você vai odiar ele, caso contrário, vai amá-lo mais que a própria vida.

Ele era um mauricinho de cabelos dourados super bem cuidados e olhos lindamente azuis. E, falemos a verdade, tinha um corpo divino. Porém seu corpo não justificava sua alma.

Luiz era um mentiroso safado de carteirinha. Ele era o líder dos monitores, um exemplo de pessoa e tudo talz. Mas eu sabia a verdade, e não era a única. Mas era a única na escola.

- Se me der licença Luiz. Tenho mais do que fazer do que olhar tua cara de merda. – Eu disse puxando Kyle para a porta de saída.

- Ah! Me espera Kin. – Ele disse rouco. Odiava quando ele me chamava pelo apelido.

Eu olhei por cima do ombro e percebi que ele estava a meio metro de distância de mim. Tive de conter a respiração.

- Não vá tão rápido.

- Dê mais um passo e vai ter um roxo muito feio nessa tua fuça. – Eu avisei.

Ele levantou fez o que eu mais temia, deu um passo a frente. BATE NELE, minha voz interior gritou, ESPANQUE-O. Mas eu não batia. Odiava bater. ESSA É UMA EXCEÇÃO BEM GRANDE, ela retrucou. O que não era mentira. Luiz tinha pouco mais de 1,80 de altura. Exceção bem grande.

Esquece isso e bate nele! Minha voz interior gritou de novo.

NÃO DÁ TÁ LEGAL? Rebate mentalmente.

- Você é justamente o que eu achava que é, Kin... – Ele disse. -... Uma covarde.

Agora ele passou dos limites.

- Só sabe blefar. – Ele vai se arrepender. – Nunca vai ousar encostar-se em mim.

A mão da Kyle, graças a Deus, escapou da minha enquanto eu fechava os punhos eu a mão dela ia ser pasta de pele nesse exato momento.

- É melhor calar a merda da sua boca. – Eu avisei.

- Ou o que Srta. Blefe? – Ele disse com falso medo impregnado na voz.

Eu tremi. Agora Sr. Desgraçado. Você tá ferrado!

Puxei minha mão e dei um belo soco no meio da fuça dele.

EH! Minha voz interior gritou animado.

- Suma da minha vida, sacou? – Eu disse. – Ou vai levar vários desses muito mais fortes.

- Essa é toda sua força, Kin? = Ele perguntou se sentando no chão.

Eu o encarei furiosamente e soltei um "Tá avisado" saindo em seguida puxando Kyle pelo braço. Tive de arrastá-la até o outro lado da escola. Um segundo gramado, no qual havia várias árvores como o carvalho, a sakura, uma árvore que eu conhecia do Brasil como "Barriguda" e várias outras, em maioria com mais de um metro e meio de altura e muito boas para escalar.

- Espera. – Eu juro, se eu não tivesse perto da Kyle nem ia ter percebido que ela me pediu para esperar.

- Acordou do transe foi? – Perguntei sarcástica.

- Por que bateu nele? – Ele me perguntou sem rodeios.

Eu a encarei e assenti várias vezes. Kyle também gosta dele.

- Nada em especial. – Eu disse e soltei sua mão enquanto enfiava meus dois braços nos bolsos fundos da minha calça.

- Você nunca bate em alguém por "Nada em especial". – Ela disse. – Eu te conheço.

- Não o suficiente para saber o motivo, não é? – Eu retruquei irônica e irritada, ela arregalou os olhos. Eram raras as vezes em que eu alterava minha voz para uma pessoa, principalmente quando essa pessoa era uma das minhas melhores amigas. – Desculpe. – Eu disse miseravelmente.

- O que te aconteceu Kin? – Ela perguntou dando um passo para trás.

Segunda vez em menos de meia hora! Novo recorde mundial em assustar garotas. Parabéns Akeni

- Desculpa... Eu não to num dia legal. – Eu dei uma desculpa qualquer.

Desviei o olhar do rosto dela e encarei o carvalho do meu lado. Carvalhos eram bonitos... Principalmente os mais altos, e os mais velhos.

- Akeni. Não minta para mim! – Kyle disse imitando uma voz irritada.

- Você é horrível em fingir que está irritada Kyle. – Kyle era o tipo de pessoa que não, nunca, de jeito ou maneira, se irritava, ela ficava emburrada ou de cara amarrada, mas ela nunca ficava irritada com você por tempo o suficiente para ela formular uma frase.

- Eu te odeio! – Ela disse e eu sabia que ela tinha cruzado os braços.

- Por que? Pelo minha infantilidade? Desculpa por isso. Não te contar a verdade? Sinto muito, mas não é uma coisa que eu goste de falar. Por te conhecer? Desculpa, mas não fui eu que disse "Oi! Eu sou a Kyle e espero que sejamos grandes amigas"! – Eu disse irritada me virando para ela. Eu odiava quando alguém proferia aquela frase e isso fez meu sangue subir a cabeça.

Ela, novamente, arregalou os olhos para mim.

- Dessa vez não vou me desculpar tá legal? Se realmente me odeia não vai querer que eu diga "me desculpe". Você não sabe o que é odiar alguém! – Exclamei irritada. Eu pude ver as lágrimas se formarem em seus olhos e a raiva no meu peito simplesmente desapareceu.

IDIOTA! Aquela voz de novo.

Eu sei! Retruquei irritada.

Eu realmente, realmente não iria me desculpar, mesmo que eu quisesse, não parecia algo legal para se dizer naquele momento.

Sem ter o que fazer suspirei levemente e abaixei a cabeça sentindo meus olhos arderem. Eu era exatamente o que haviam me taxado na China "monstro", o mais terrível dos monstros.

Me virei novamente de costas para ela e sai andando em direção as roseiras que nasciam perto do muro. Adorava rosas, quase tanto quanto sakuras.

Passei pelas roseiras com a mão enfiada entre os espinhos. Queria sentir a dor, o sangue saindo das feridas que os espinhos causavam. Mas naquele dia parecia que o destino não queria me agradar. Os espinhos das rosas fincavam na minha pele, mas eu não sentia nada além da minha própria raiva por mim mesma, a dor não vinha. E isso só me deixava mais irritada.

Continuei andando até que dei de cara com um muro. Fiquei furiosa pelo fato do muro estar impossibilitando a minha passagem. Bufei irritada e me virei para continuar andando quando, pelo meu campo de visão, a encontrei de novo.

Claro ela não notou que eu estava lá *Alívio*.

Ela estava sentada debaixo de um carvalho, o caderno apoiado nas pernas e um lápis na mão, enquanto mordiscava a ponta do lápis onde ficava borracha. Parecia concentrada e os olhos azuis estavam tampados pelos óculos de grau com armação simples e moderna.

Cheguei mais perto, silenciosamente e percebi que ela escrevia algo, um texto. Uma narrativa. A caligrafia era completamente... Impecável. Admirando o texto e lendo-o, em uma língua que parecia ser derivada do romano. Talvez espanhol ou italiano, e menos provável ainda, português.

A narrativa se estendia por toda folha e era uma narrativa magnífica. Sempre fui horrível com palavras, embora fosse ninja nas línguas, odiava textos complexos, narrativas, poemas. Minha área era, com certeza, a história, a ciência e a matemática. Embora o campo que misturava ciência e matemática fosse horrivelmente detestável.

- Quem é a narradora? – Perguntei e ela logo pulou assustada fazendo os cabelos ruivos esvoaçarem no vento para que depois ela me olhasse completamente assustada com a mão sobre o peito.

- Caspita! – Ela exclamou. Italiano. Como pude me esquecer que a bela dama era da Itália?

- Quem é a narradora? – Perguntei de novo. – Você, jovem Lissy?

- Como se você fosse muito mais velha. – Ela resmungou e eu ri alto.

Era bom rir. Muito bom.

- Certo. Mas então, italianinha... Quem é a narradora? – Perguntei de novo.

- Não sei. – Ela respondeu corando.

Arquei uma das sobrancelhas e olhei nos seus olhos azul-cinza. Como alguém cria um narrador sem saber o nome? [N/A: Essa eu sei responder]

- Estranho. – Eu disse simplesmente.

Ela assentiu.

- Posso ler? – Eu perguntei. Eu sabia, apenas por olhar a primeira linha que havia algo antes daquela parte que eu li da narrativa.

- E-E – Ela tava gaguejando, que lindo. Eu sorri abertamente para ela e estendi a mão.

- Si prega di¹? – Perguntei com um belo falso sotaque. Ela olhou para minha mão, pro caderno, mão, caderno, caderno, mão e... Ela finalmente colocou o caderno na minha mão. Não evitei sorrir.

Passei a página sem me importar em conferir o texto e a sinopse.

Comecei a ler. Uma garota, aparentemente guerreira da época da Antiga Grécia (Que por acaso era a minha matéria predileta) com pouco mais de 15 anos que nascerá no interior de um pequeno vilarejo grego. A garota atraia olhares por, de acordo com ela, os garotos a acharem bonita, enquanto ela nem se importava com beleza e sim com as batalhas que os homens travavam.

"Por que tenho de aprender isso? Eu quero uma espada! Eu quero lutar contra Keros, um homem que quer dominar o segredo das 'pedras' através da crueldade.

Eu quero a minha própria pedra da vida!"

Depois disso as coisas tomavam outro rumo, uma pedra, de cor prateada havia caído do céu e ela encravou-a em uma linda tiara que ganhara do pai, depois dele voltar de uma guerra.

O pai morreu poucos dias depois da pedra cair e um exército se formou no vilarejo.

"Os garotos pensam que podem combater Keros. Eles estão comandados pelo "garoto prodígio". Não me lembro bem o nome do rapaz, mas aparentemente era um arrogante metido a herói que acha que pode derrotar Keros, o assassino de meu pai."

Essa parte estava fazendo eu querer mais, e mais, e mais.

"Eu reuni, graças aos deuses, várias garotas como eu, independentes, fortes, e inteligentes que querem mostrar que podem ser tão, ou mais, fortes que os homens. Estamos formando nosso próprio exército e então iremos derrotar o exército dos garotos da vila e depois derrotaremos Keros."

"Eu e o garoto prodígio lutamos por três dias consecutivos e estávamos eternamente cansados, mas ambos éramos teimosos demais para admitir a derrota. Eu não queria admitir que era pior que um garoto, havia lutado por toda minha vida para ser melhor que eles. E ele, ainda achando que eu era um garoto, queria se mostrar invencível.

- Faremos trégua? – Eu perguntei levantando minha espada de uma mão ele fez o mesmo e também levantou seu escudo.

- Mais uma vez! – Ele comandou atacando.

Essas foram as poucas coisas que eu me lembro do final da batalha. Pouco depois estávamos os dois, caídos no chão, exaustos e proclamando que havia sido um empate.

Depois disso eu e meu exército nos unimos ao exército de S___."

Olhei novamente curiosa para a Lissy, e eu acho que ela sabia ao que eu queria me referir.

- Não sei o nome que ela quer dizer, mas ele aparece muitas vezes depois. Veja. – Ela pediu e eu continuei lendo o texto mentalmente.

"Hoje enfrentamos a nossa terceira batalha. Graças a Ares vencemos essa também. Estávamos ficando experientes, e nosso companheirismo tinha crescido. Mas eu estou curiosa... E quando eles descobrirem que somos garotas? A amizade vai continuar? Eu comentei isso com a minha parceira, Rae. Ela diz que eu devo contar a verdade a S___ se eu realmente o amo..."

"Por que ele me protegeu? Eu sei me defender. Na luta contra o General de Keros, Ilhior, ele quase perdeu o braço se não fosse pela minha pedra que graças a Aclépsio tinha o poder da cura..."

"Que reação é essa? Eu acabo de contar-lhe que sou uma garota, tiro a venda de batalha e ele... Ele... Ele me beija? E por que... Por que eu estou retribuindo?"

A coisa estava ficando interessante. Passei a página e me assustei. Havia um pedaço em branco. Bem... Um pedaço não, duas páginas. Encarei Lissy curiosamente. Não precisei falar nada, ela simplesmente me explicou totalmente corada:

- Eu... Não consigo criar essa parte. Mas sei que duas páginas é o suficiente para escrevê-la depois. – Eu a entendia. Assenti e passei novamente de página, eram três linhas em branco e voltava.

"Hoje... Ele e eu teremos nossa última batalha. Ele me prometeu. Depois de destruirmos Keros Kiddo..."

Tudo sumiu da minha mente e eu arregalei os olhos. "Kiddo"... O nome do meu sonho. O nome do cara que matou Vênus.

S___. Peguei um lápis que eu sempre tinha no bolso e voltei páginas desesperadamente até o primeiro S___. Completei. Coube perfeitamente. SHED.

Meu braço tremeu. Era... Ele mesmo. Shed.

Soltei meu lápis e encarei o nome. Esse Shed me perseguia aonde eu fosse. Mas por quê? Por quê? Desde que eu assumi o nome Akeni, Shed me persegue. Antes como Juliet era o tal de Peles de Roma. Mas... Eu tive um vislumbre de alguma coisa e voltei para a primeira página. Para o título e a sinopse que ela escreveu.

"Não há tempo que me fará esquecê-lo"

"Sinopse: Promessa é dívida, era assim que falava e agora, cumprirei minha dívida com você. Não há tempo que me fará esquecer-me de você... Meu doce amante. Anos se passaram o destino cruelmente nos separou e bondosamente nos uniu depois...

Depois da batalha das pedras, quando os topázios em sua espada e em seu ombro pararam de brilhar e o diamante em minha tiara virou simples diamante, renascemos, em vidas diferentes e as pedras ganham brilho e força novamente, quando nossas almas ganham corpos e nossos corpos ganham almas.

Por que te esquecer, faça o tempo que faça, é proibido."

Soltei o caderno assustada. Aquele título. Aquelas palavras. Lembravam-me todas do meu sonho. "Não há tempo que me fará esquecê-lo"... O nome...

- Vênus... – Eu murmurei. Essa era a narradora. Vênus!

- O que foi minha história é tão ruim assim? – Ela perguntou pegando o caderno na grama e me olhando com um sorrisinho nervoso.

Balancei a cabeça nervosamente.

- Nem um pouco ruim, Lissy. Apenas... – Comecei a apertar minha mão como se tivesse aquelas bolinhas de fisioterapia dentro delas. -... Apenas... Parece real demais... Como se a narradora, não fosse fictícia,mas sim uma amazona grega que se tornou uma heroína, que viveu a mais de 2.500 anos.

Ela riu.

- Esta falando que eu sou tão boa assim em escrever histórias?

- Assustadoramente boa eu diria. – Bota assustadoramente nisso.

Ela riu mais e eu acabei relaxando, sua risada era tão suava, tão musical e abençoada.

- De onde tirou essa história? – Perguntei parecendo casual.

- Não sei. – Ela respondeu dando de ombros. – De um sonho que tive a alguns meses. Quando ainda estava na Itália.

- Quanto... Tempo exatamente? – Perguntei curiosa.

- Desde o começo do ano.

- Tem outras histórias? – Perguntei já sabendo a resposta:

- Sim. – Ela disse nervosa.

- De quem?

- Também não sei. Uma garota que vai para Roma em pleno 400 anos antes Cristo. – Assenti. Com certeza, isso era assustador. – Ela conheceu um químico, mas não cheguei a terminar aquela história e eu comecei a ter sonhos com essa garota grega.

- Antes disso... Mas outras histórias? – Eu estava realmente curiosa.

- Outras sim... Um garoto no Egito que se apaixona por uma espécie de faraó mulher. E antes disso uma princesa que se apaixona por outra mulher na Pérsia antiga. São mais de cinco ou seis histórias.

Assenti sem prestar muita atenção. Eu tivera sonhos parecidos, mas ao mesmo tempo diferentes. Girgin do Egito. Bia da Pérsia. Várias civilizações antigas, de acordo com a vida que eu escolhia, com o nome que eu mudava.

- Dentre elas... Qual a sua predileta? – Eu perguntei, agora com real curiosidade.

- Hm... Não sei dizer. Todas as histórias são trágicas, mas envolvem amores de certa forma impossíveis ou implacáveis. Mas... Talvez... A história do Império Edo do Japão.

- Hm... Não ouvi sobre essa.

- Ah, sim... É sobre uma garota que se apaixona por uma imperadora. Nada muito estranho. Mas foi a minha primeira história. – Ela disse com um sorriso.

Sim... Havia sido meu segundo sonho que me fez chorar. Akeni do Japão.

- Akeni e a estrangeira Yuu Lee. – Eu deixei escapar, baixo de mais para que ela entendesse, mas o suficiente para que ela ouvisse.

- Hm? – Ela perguntou curiosa

- Nada. – Eu forcei um sorriso.

Todas as histórias... Ela não sabia os nomes, mas eu sabia. Ela não descrevia os amantes, mas eu sabia dizer cada detalhe dos meus dois principais em todos os sonhos. Como 'Akeni' eu havia vivido muito, precisava mudar de nome logo, ou os sonhos de todos viriam. Os sonhos de Juliet na Espanha, Carla no Brasil, Kellen na Inglaterra, Valkyrie na China. Todos os sonhos voltariam para viver em Akeni e eu não conseguiria mudar meu nome.

- Eu vou mudar meu nome hoje a tarde. Quer me acompanhar? – Eu perguntei olhando para ela melancolicamente.

- Por que vai mudar seu nome? Ele é tão bonito. – Ela comentou com um sorriso.

Eu assenti.

- Realmente. Mas não gosto de ter de usá-lo. Me trás más recordações. – Isso não é uma real mentira.

- Hum... – Ela murmurou. – Certo!

Sorri fracamente, agradecia que ela viesse comigo, talvez ela tivesse alguma ideia de nome para mim. Olhei para o céu e depois pra ela.

Ela estava perto. Perto de mais. Minha respiração acelerou. Ela estava sentada do meu lado, encarava o caderno como se eu não estivesse ali. Ela estava usando algum perfume, eu reconhecia aquele cheiro. O cheiro parecia tão natural, e tão fresco na minha mente...

- Que perfume você está usando Lissy? – A curiosidade venceu meu silêncio.

- Nenhum... Esse cheiro é das flores. – Ela comentou olhando para o lado, indicando as flores.

- Não. Eu já senti esse cheiro antes. E não foi daqui. – Eu comentei. – Se não eu saberia de onde ele vem.

- Orgulhosa. – Ela acusou.

- Só tenho boa memória.

Me aproximei dela farejando o ar. Era realmente um cheiro floral, mas vinha dela. Depois de ficar alguns quase minutos farejando o ar me sentei novamente, dessa vez eu estava mais perto dela.

- Lembrei de onde reconheço esse cheiro. – O que não era mentira, mas me deixava muito irritada só de pensar.

- De quê? – Eu não ia falar, que o simples cheiro floral dela era de um sonho. Mas eu sabia aonde eu estava no sonho.

- Grécia. – Respondi entre dentes. Odiava aquele país.

- Parece que não gosta muito da Grécia. – Ela comentou fitando meu rosto enquanto eu encarava um ponto fixo na parede 30 metros de mim.

- Yeah – Eu respondi. – Lá- Corta! Você prometeu bico fechado.

- Lá? – Ela perguntou.

- Estive lá quando era mais nova, não foi uma experiência legal. – Yeah! Quando eu era bem mais nova.

Sorri fracamente e ela pareceu entender que não era meu assunto predileto.

- Ei! – Eu disse quando ela começava a guardar o caderno. – Eu não terminei de ler! – Eu afirmei tomando o caderno da mão dela.

"Separamo-nos. Joshua e Yuro ficaram com ele. Ele prometeu a Rae e a Juliet que cuidaria deles. Mas eu sei... Ele não vai conseguir"

E realmente não consegui Vênus.

"... A batalha se seguia. Eu estava assistindo-a escondida com um arco e flecha na mão, para ajudá-los. Minhas flechas acabaram a poucos minutos e Kiddo está prestes a perfurar o tórax de S_, não posso permitir"

A história acabava em letras, mas eu sabia como continuava em acontecimentos. Peguei meu lápis de novo e continuei a história.

"EU pulei na frente da espada e defendi meu amado. Meu doce amante.

Ele está e olhos fechados. Por quê? Não faço a mínima ideia, mas antes de morrer quero ver seus olhos, seus lindos olhos.

Toquei seu rosto com a minha mão molhada de sangue. Ele abriu os olhos imediatamente e os arregalou ao me ver.

- V-Vênus! – Ele gritou.

- Oi Shed... – Eu disse fracamente

Ele me olhava pasmo. Sabia o que ele pensava. Esse garoto arrogantemente orgulhoso "Eu sei me cuidar!" esse garoto egoísta. "Eu morreria, mas ela estaria viva!" idiota!

- VÊNUS! – Ele gritou segurando-me enquanto tombava para frente sem equilíbrio.

Eu não evitei sorrir da cara daquele idiota. A dor vinha, mas a vontade de curtir com a cara dele era tanta que eu aguentei, tive de sorrir.

- Minha amada. – Ele me chamou e eu vi lágrimas se acumulando em seus olhos.

"Não chore" eu queria falar, mas sabia que ele ia brigar comigo.

Eu sorri e pude sentir a pedra prateada perdendo o brilho... Enfraquecendo gradativamente.

- Fique Vênus! Fique comigo! – Ele implorou.

Quis rir dele naquele momento. Ele parecia tão frágil. Mas também queria falar "Vou ficar." Mas sabia que não conseguiria falar.

Tentei respirar, viver mais um pouco. Mas... Eu não era imortal, e eu podia vê-la. A morte.

Naquela batalha ele perderá tudo, só espero que não perca a vida dele.

- AH! – Ele gritou furioso, eu pude sentir o brilho dos seus topázios mais fortes.

Ele se levantou e avançou, sabia que a espada dele estava preso nas mãos dele. O som da espada perfurando a armadura. Uma flecha sendo lançada. O som da flecha rasgando o couro da sua armadura.

Ele veio até mim cambaleante e se jogou no chão. Pude ver a flecha em seu peito.

- Acho... Que é um adeus. – Ele disse deixando as lágrimas rolarem pelo seu rosto.

- Você foi imprudente Shed. – Eu disse.

- Que se dane. – Ele bufou... Sempre assim. Ele odiava quando eu parecia uma mãe, cuidando do meu filho.

Ri e acabei arfando sem ar. Maldita morte.

- Vênus! – Ele me chamou se arrastando mais perto.

Encarei a morte friamente e ela sorriu para mim, e assentiu. Ela me concederia esse desejo.

- É... Vermo-nos mais tarde... Em vidas, no futuro. – Eu encarava a Morte admirada pela sua bondade.

Em certo momento ele sussurrou:

- Eu te amo.

Arregalei os olhos. "Eu te amo" era uma coisa rara dele se dizer.

- Te amo e te amarei eternamente. – Ele disse.

Isso fez meu coração querer explodir. Sorri e assenti.

- Eu também te amo... Meu doce amante. – Acabei por beijar-lhes os lábios.

Ele retribuiu o beijo levemente, parecia querer aproveitar aquele momento tanto quanto eu

Palavras surgiram em minha mente quando nos separamos e eu as proferi

- Não há tempo que me fará esquercer-me de você... Porque te amo – Sussurrei e me aninhei no seu peito enquanto arfava e sentia a morte levar, lentamente, a minha alma.

Lissy me encarava surpresa com os olhos arregalados.

- Me... Me... Desculpa. – Eu pedi ao perceber que havia encaixado o meu sonho naquela história.

- V-Você... – Ela gaguejou e eu olhei para o lado enquanto ela lia o texto depois de pegá-lo da minha mão. – F-Ficou...

- Horrível, eu sei. – Eu completei para ela.

- PERFEITO! – Ela exclamou e eu olhei para ela na hora com a cara tipo: "Pirou?" – Era isso que faltava!

- Como? – Com certeza ela tem uns cinco parafusos a menos.

- Eu sentia que agora ia ser o fim da história, mas não sabia como acabar e você fez isso por mim! Com um enredo incrível! – Ela disse e beijou minha bochecha com um beijo estalado.

Eu corei instantaneamente e olhei para meu relógio. Faltavam dez minutos para acabar a primeira aula.

- Lissy. – Eu chamei.

- Oi? – Ela perguntou alegre enquanto se sentava do meu lado guardando o caderno.

- Por que faltou ao primeiro horário?

Ela deu de ombros e sorriu.

- Eu sabia que deveria ficar aqui. – Ela disse simplesmente.

Eu sorri e senti algo tomar conta do meu coração. Levantei a minha mão e passei levemente meus dedos pela sua face.

Minha mão era tão fria contra o seu rosto. Eu arfava só de pensar em meus dedos traçando seu rosto e quando ela se inclinou para o meu toque o ar me faltou mais ainda. Merda.

Passei uma mecha ruiva que estava em seu rosto para trás de sua orelha. Sua pele era tão branca, tão bonita. Não parecia nem um pouco italiana, mas o que eu tinha a ver com isso?

Não faço a mínima ideia e estava pouco me lixando.

Tocar seu rosto me fazia ficar tão... Feliz. Fazia um sentimento tão puro nascer no meu peito...

Me aproximei dela quase tocando nossas testas quando ouvi passos me afastei de uma vez e segui a origem do som. Kyle.

Ela estava a alguns metros de distancia, no rumo da Lissy. Seus olhos arregalados e a boca em um perfeito "o" eu a encarei por vários minutos e Lissy seguiu meu olhar e também arregalou os olhos.

Eu continuava com a mesma expressão de indiferença.

Eu vi lágrimas nos olhos de Kyle e estreitei meus próprios olhos. As lágrimas escorreram pelo seu rosto enquanto ela corria na direção contrária.

- Merda! – Eu gritei me levantando de uma vez. – Nos vemos mais tarde Felicity! – Eu disse correndo de costas, para poder observá-la retribuir o aceno.

Me virei para frente e depois para a direita. Lá estava Kyle, ela era baixinha e não corria muito mais que eu, tive vontade de rir só de lembrar disso, mas não era momento para rir. Ela corria para longe e eu estava alcançando-a.

- EI! Kyle! Espera! – Eu pedi acelerando ainda mais a minha corrida. Ela não parou, não deu nenhum sinal que havia me ouvido.

Eu bufei e peguei seu braço com força. Ponto para meus braços e pernas longas!

- Merda Kyle! Para! – Eu disse furiosa olhando para os lados. Luiz nunca perderia essa chance, então garantindo.

- O que foi? Ahn? Por que não volta para a- Eu a parei tampando a boca dela de uma vez com a minha mão.

- Shhhhh! – Eu pedi silêncio quando vi a câmera e eu sabia muito bem que aquelas câmeras tinham áudio. Puxei Kyle para longe do alcance das câmeras e soltei sua boca.

- O que foi? Qual é a dessa? – Ela perguntava enquanto eu ainda encarava a câmera que não mais podia nos ver nem gravar nosso áudio. – Kin! Eu estou falando com você! – Ela bateu no meu ombro e eu me virei para ela. O mesmo olhar de indiferença de sempre nos meus olhos.

- Eu sei que está falando comigo. – Eu disse fitando-a nos olhos. – E "O que foi?" pergunto eu. – Eu disse calmamente, porém estreitando as sobrancelhas.

- Nada! Só vi a minha melhor amiga se agarrando com a novata vadia.

- Kyle! – Seu nome saiu furioso entre meus dentes. – Tenha mais cuidado com as suas palavras. Ou vai acabar como- Eu calei minha boca. – Como alguém que eu conheço e odeio muito.

- Então me odeie! Você é capaz de me odiar? – Ela perguntou se aproximando, abaixando a voz na pergunta.

- Nunca tentei. Mas serei capaz se não regular suas palavras ao falar de Lissy e de mim. – Eu disse dando prioridade a Lissy.

- Você não conseguirá me odiar. Assim como eu não consigo odiá-la. – Ela disse desviando o olhar para o muro.

- Se acalme Kyle. Pense melhor. – Eu disse passando a minha mão livre pela sua bochecha. – Não faça coisas precipitadas, pense antes de ajir.

- Eu já pensei de mais Kin. – Ela disse e se livrou da minha mão. – Não me siga mais, entendeu?

Eu a encarei tristemente, o que... O que tinha acontecido com ela..

- Kyle- Ela me cortou.

- Entendeu? – Ela perguntou e eu engoli em seco assentindo em seguida.

Ela saiu correndo para longe.

É Shed eu te invejo muito agora. Você sempre amou Vênus. Não precisou desses problemas.

Eu me escorei no carvalho ao meu lado e relaxei. Droga. O que estava acontecendo?

Acho melhor dormir. Talvez eu esqueça essas coisas.

"- Ei! Vênus! Espera! – Eu a puxei pelo braço e os cabelos dourados voaram contra o meu rosto. – Para Vênus! – Eu pedi

- Para o que? Para você me dar uma desculpa esfarrapada e eu acreditar? Não Shed! Eu não quero mais ser a trouxa.

- Droga Vênus! Me ouvi! – Eu pedi. – Eu não a amo. Eu amo você! Eu não a beijei! Ela me beijou! Eu te amo Vênus. DROGA! – Eu disse irritado.

- Não Shed. Se me amasse na- Eu não agüentei ouvi-la, não agüentei ver as lágrimas rolarem pelo seu rosto. Eu a beijei, com todo meu amor.

Ela não retribuiu, na verdade, ela me bateu, deu belos socos contra mim. Eu segurei sua cintura e a trouxe para mais perto enquanto segurava seus punhos.

Aos poucos ela amoleceu e eu senti a força em seus braços sumir. Soltei suas mãos e puxei-a pela nuca enquanto ela começava a retribuir e colocava seus braços nos meus ombros, os dedos se enrolando nos meus cabelos.

O beijo que começou quase apelativo se transformou em um beijo apaixonado e cheio de luxúria. Eu queria continuar, mas eu sabia que não devia, nos separamos. O ar faltava em nossos organismos.

Eu queria mais, queria muito mais dela. Mas uma coisa que eu sabia sobre as mulheres é que se elas não continuam você não continua.

Ela me beijou. Luxúria e volúpia eram as palavras que descreviam aquele beijo. Eu retribui e senti suas unhas arranharem as minhas costas por debaixo da minha camisa. Depois meu peito. A pressionei contra a arvore mais próxima os meus instintos tomando conta.

Me separei dela completamente ofegante. Comecei a beijar-lhe o queixo, a mandíbula inferior, o pescoço. Comecei a distribuir chupões e lambidas pela extensão do pescoço. Ela ofegava e gemia a cada chupão, deixando-me mais excitado.

Comecei a beijar seu colo e percebi que estava passando dos limites. Afastei-me dela completamente ofegante e excitado.

- É melhor não exagerarmos Vênus. – Eu disse completamente sem ar.

- Por que? – Ela perguntou roucamente no meu ouvido.

Eu tive de respirar fundo para não roubar-lhe outro beijo.

- Estamos passando dos limites Vênus. – Eu disse.

- Se você não continua... Eu continuou para você. – Sua voz não era nada inocente e completamente rouca.

Ela começou a beijar meu pescoço distribuindo lambidas e chupões. Ela rasgou a minha camisa e começou a beijar meu tórax. Arranhando-o em seguida."

Acordei de uma vez ofegando pra pacas. O sinal tocava ao fundo. Meu coração estava batendo desesperado contra meu peito. QUE MERDA DE SONHO FOI AQUELE?

Passei a mão pelo meu rosto. Eles de novo. Mas dessa vez, embora fosse com os dois, as coisas estavam diferentes, em outro tempo, outro lugar, outro contexto.

E se eu fosse pegar a história da Lissy, eles com certeza estavam falando de Afrodite, a irmã mais nova de Vênus que era apaixonada por Shed. Passei novamente a mão sobre meu rosto.

Levantei-me. Aula! Isso! A aula me faria esquecer os dois. Se não me engano o segundo horário era Matemática. E como estou estudando Probabilidades eu poderia me afogar nessa matéria, embora ela fosse fácil. Meu cérebro ia esquecê-los nem que eu tivesse de arrancar cada massa cinzenta da minha cabeça.

Entrei novamente na escola correndo até meu armário. Destranquei-o e peguei meu fichário e o livro de matemática.. Fui até minha sala e entrei no exato momento em que o sinal tocou. Vi Kyle correndo para uma cadeira, imediatamente percebi que não era uma boa ideia sentar perto dela.

Sentei do outro lado da sala. Julie se sentou do meu lado sem perguntar nada. Ela tinha ficado de dependência em matemática e tinha de fazer aula com a gente e de tarde pegar a matéria da prova da sua série com o Hughes ou com o professor. Ela sempre escolhia o Hughes (E da para imaginar o porquê.)

A aula estava começando quando eu ouvi a voz angelical. MERDA!

- Com licença professora. – Ela falou levemente corada. Ela ficava tão linda corada.

- Sim? – A professora Rudolf perguntou.

Lissy caminhou até a professora. Eu podia sentir a Kyle olhando para ela mortalmente. Rudolf assinou qualquer coisa e indicou a cadeira ao meu lado. Oh Merda.

Quando ela me viu logo sorriu e assentiu freneticamente. To ferrada.

Passei a mão pelo meu rosto nervosamente enquanto meus olhos ficavam fixos no andar dela.

Vi ela tropeçar pertinho da cadeira. Segurei-a por pouco.

- Cuidado... – Eu disse percebendo que estávamos um pouco perto. – Lissy. – Completei.

Ela assentiu nervosamente enquanto corava, sentou do meu lado e olhou para o outro lado. Parei de olhar para ela e me fixei em prestar atenção na aula. Matemática era bom a ova! Com elas aqui era impossível, de forma alguma, matemática ser boa. Eu acho que vou aceitar pegar a aula de Matemática avançada.

Afundei meu rosto nas mãos e senti algo voar e bater na minha cabeça quando eu vi era um bilhetinho e eu conhecia muito bem aquela letra.

O que houve que você ta assim Kin?

Nada... Só pensando no meu novo nome. Eu devolvi o papel.

Fingi que é verdade e eu finjo que acredito. ;D Ela retrucou.

Qualé Julie! Me deixa tá legal? Joguei o papel para ela olhando-a furiosa.

Você vai me contar o que é em casa.Ela me mandou o bilhete.

Eu assenti e joguei o papel na lata de lixo como eu era ninja em fazer.

Voltei minha atenção para a aula, mas nada entrava na minha cabeça, sempre olhava de rabo de olho ou para Kyle ou para Lissy.

DROGA! Não tinha outra aula melhor para eu fazer com a Lissy?

Olhei para os lados, cadê o buraco estilo desenhos animados para eu me enfiar e sair lá no outro lado do mundo? DROGA!

Ouvi o sinal e isso me alegrou bastante. Suspirei alto e me afundei na cadeira. Sorte que essa aula passou voando. Agora seria... Química. A aula que eu posso fazer os vidrinhos explodirem. Adoro explodir coisas. Como Peles, o cientista nada renomado de Roma. Eu lembrei lamentavelmente.

Eu me levantei feliz por ser uma aula em que ninguém da turminha estava. Fui até meu armário guardei o fichário e peguei apenas uma folha, meu caderno de desenho e um livro. Fui direto para a sala. Nada de atrasos. Já basta ter faltado na aula de Redação (Eh!)

Sentei na cadeira de sempre e comecei a desenhar no meu caderno. Estava desenhando quando percebi o que aquelas linhas tinham se transformado.

Vênus.

Soltei meu lápis. DROGA! PARE DE ME PERSEGUIR! Afundei novamente meu rosto nas mãos e ouvi o sinal tocar. Peguei a folha do meu caderno e estava pronta para arrancá-la quando ouvi uma voz.

- Posso me sentar com você? – Ela perguntou. Eu parei e olhei de relance para o lado engolindo em seco. Assenti levemente e fechei meu caderno.

Você deu sorte Vênus, você vai ser arrancada do meu caderno mais tarde. Pensamento severamente errado.

- Você desenha bem. – Ela comentou. Olhei para o lado e encontrei seus olhos azul-cinza.

- Não tão bem quanto você escreve. – Eu comentei jogando meu caderno para debaixo da mesa.

- Posso ver seus desenhos para ter a minha própria opinião? – Ela perguntou estendendo a mão.

O sentimento de Dëja vú veio num tiro. Era igual quando eu pedi para ler a história dela. Suspirei e assenti levemente.

Entreguei o caderno para ela. Ela começou a folheá-lo enquanto eu trabalhava no que o professor pedia. Ele estava falando de formulas quando eu lembrei de uma outra formula.

Fiz o que me lembrava com Peles. Misturei vários vidrinhos coloridos que eu nem si quer lembrei o nome mais sabia que eram eles.

Terminei a 'poção' e vi que tinha uma coloração engraçada, lembrava um topázio. Era engraçado.

Tive vontade de rir, mas me contentei com um simples sorriso. Qual era o nome daquela poção mesmo? Peles a havia nomeado... "Pedra Topázio, a pedra que clareia a visão e retira o véu entre os dois mundos"

E rapidamente uma dor de cabeça veio seguida de fortes imagens. Me inclinei para frente e apertei a minha cabeça fortemente. Droga!

"– Prazer. Sou Peles. – Eu disse para a jovem ruivinha irritadiça.

Ela me olhou curiosamente.

- Francis – Ela disse me apertando minha mão. Sorri para ela.

Ela era tão pequenina, e lembrava um garoto. Estava bastante suja e roubando coisas assim...

- Vem. – Eu a chamei gentilmente. Ela me encarou desconfiada e eu sorri estendendo a mão. Ela pegou a minha mão e eu a guiei até em casa, mostrei-lhe o banheiro. – Tome um banho, vou pegar uma roupa para você.

Ela me olhou desconfiada pela terceira vez. Eu sorri e levantei as mãos enquanto me virava e saia até meu quarto. Eu tinha umas roupas um pouco antigas, mas que serviram nela. As roupas do meu irmãozinho que me substituiu na guerra.

Separei as roupas e desci. Bati na porta do banheiro e gritei para que ouvisse:

- Eu vou comprar comida, as roupas estão no quarto.

Sai calmamente e comprei várias coisas para o almoço, quando voltei, mais tarde, para casa. Francis estava toda animada andando por toda a casa brincando com um dos protótipos que eu havia feito para meu irmão brincar.

Sorri sentindo meus olhos arderem"

"- Ei me solta! – Eu gritei para os guardas. Eu era uma ótima atriz, é a única coisa que tinha a dizer.

- Vai perder uma mão sua ladrinha. – Eu sorri quando ele mostrou a faca.

- Vou mesmo? – Perguntei num sussurro soltando as minhas mãos das cordas e pegando sua adaga e pressionado-a contra seu pescoço.

Logo lanças e espadas se apontaram para mim, eu estava sorrindo.

- Não vão conseguir me matar antes de eu matá-lo. – Uma coisa que eu sabia sobre a Pérsia.

Eles abaixaram as armas. Eles valorizam demais seus 'irmãos'.

Ouvi cavalos cavalgando até mim e quando olhei para cima vi a deusa em pessoa. A adaga escorregou de minha mão e me ajoelhei imediatamente perante ela. Não importa quem fosse, as minhas visões nunca estavam erradas.

Uma dama contra o sol, montada em um cavalo negro, usando uma túnica branca. Com certeza. Aquela era a deusa.

O punho sobre meu peito em forma de respeito e a cabeça abaixada, exatamente como havia visto. Ao seu lado o rei da Pérsia. Senti um pé levantar meu rosto, olhei atravessado para o rei que levantava meu rosto. Rosnei para ele.

Peguei seu pé e o puxei rodando-o para que caísse no chão. Rosnei de novo.

A deusa ria, sua voz era tão linda, tão musical. Olhei para ela novamente, meus olhos completamente humildes e inofensivos. Ajoelhei-me novamente perante ela.

- Quem é você? – A deusa perguntou levemente.

- Apenas uma ladra vossa majestade. – Respondeu um guerreiro se aproximando.

Ela bateu no seu rosto

- Eu perguntei para ela. – Ela sibilou e eu ri baixo. – Do que ri?

Eu olhei em seus olhos.

- És exatamente como vi, vossa divindade. – Eu disse com um sorriso maroto. – Exatamente como em minhas profecias. – Eu disse aumentando o sorriso. – Jovem Pérsia. – Seu nome era uma boa homenagem.

- Como sabes o meu nome? – Ela perguntou ferozmente.

- Sonho com vos há muito tempo minha deusa. – Eu disse.

Ela me encarou friamente.

- Quem é você?

- Sou apenas uma humilde serva para seu novo reinado Pérsia. Sou Bia, minha deusa. – Eu respondi me curvando novamente.

- Monte. – Ela comandou indicando o cavalo ao lado aonde estava seu guarda-costas.

- Senh- Ele começou a protestar mas recebeu uma bela bofetada.

- Saia do cavalo e deixe a garota montá-lo. Vamos para o palácio. – Ela avisou enquanto ele descia do cavalo e eu o montava. – Sabe andar em cavalos?

- Sempre minha deusa.

- E correr com eles Bia? – Ela perguntou sugestivamente. Estreitei meus olhos e ela logo comandou o cavalo para que ele corresse a frente.

O cavalo começou a correr e eu logo comandei o meu para correr também. Com certeza. Ela seria a minha deusa. A deusa da rebeldia."

Ouvi vozes ao fundo, e pelo modo como ecoavam e também pelo cheiro poderia jurar que estava na enfermaria da escola. Eu gemi só de lembrar a dor de cabeça, porém ela tinha sumido.

- Ela ta acordando. – Aquela voz...

Eu bocejei, dormi demais.

- Ju? – Eu perguntei.

- Opa. E ai Kin? Num faz isso de novo não. Achei que você tivesse tido um derrame. – Ela disse.

- Se ela não tivesse chorando enquanto dormia eu podia jurar que tava morta. – Disse a Kyle na sua maior gentilidade.

- Vá te catar Kyle! – eu reclamei. E depois respirei fundo, irritada. Senti um cheiro floral que eu conhecia muito bem, sorri de canto. – A Lissy ta ai? – Perguntei com um meio sorriso.

A risada musical confirmou minhas suspeitas. Abri os olhos e olhei pro lado. Ela estava sentada na outra maca.

- Oi. – Ela disse infantilmente. Eu ri alto e assenti.

- Olá. – Minha voz saiu uma merda comparada com a dela. Pigarreei. – Parece que eu dormi por três dias inteiros.

- Não só três aulas mesmo. – Kyle disse seca.

Encarei-a, ela ainda estava de mal comigo.

- Poderiam me dar licença um segundinho? – Eu disse enquanto me levantava e puxava a Kyle pelo braço pro outro lado da enfermaria.

Ela se deixou ser arrastada enquanto bufava empurrei ela contra a parede e fechei a cortina.

- Da pra parar? – Eu perguntei entre os dentes.

- Com o que? – Ele perguntou baixo.

- Essa mania sua de ficar seca só de estar no mesmo ambiente com a Lissy.

- Ela me deixa enjoada é só isso. – Ela disse olhando para o outro lado.

- Qualé Kyle! Você não é assim. – Eu disse passando uma mecha do seu cabelo moreno para trás da orelha. – Você adora conhecer pessoas novas. Sei por experiências própria.

- Não fui com a cara dela. – Ela disse inflando as bochechas. Eu ri baixo dessa mania dela.

Peguei seu rosto com as mãos levemente e ela imediatamente ficou mais leve, descruzou os braços e soltou o ar das bochechas.

- Por favor. Pare com isso. – Eu pedi.

- Eu não aguento ta legal? Custei a conseguir a sua amizade e chega ela e te conquista assim. – Ela estralou os dedos. – Como? Por quê?

Eu dei um meio sorriso típico soltei o rosto dela e virei de costas dando de ombros.

- Vai saber. – Eu disse. – Apenas... Pare com isso. – Eu disse olhando para ela de canto de olho.

Abri a cortina e voltei para a minha cama.

- O que houve com as irmãs? – Julie perguntou sínica.

Fuzilei-a com o olhar.

- Nada que deva saber, Julie. – Eu respondi friamente.

Ela encolheu e eu olhei para a porta que se abria. Ele entrava calmamente como se fosse um monitor normal.

- Saia. – Eu comandei me sentando na maca pronta para me levantar e espancá-lo.

- Nope. – Ele disse e eu cerrei os dentes.

- Saia ou eu não respondo por mim, Luiz. – Eu disse entre dentes.

Ele olhou para mim com um sorriso tão, tão... Um sorriso tão desafiador que eu me levantei e fui até ele pronto para bater nele.

- Eu falei para sumir da minha vida, filhote de Hades. – Eu disse.

Ele riu. Ele gostava quando o chamava de "filhote de Hades" lembrava os velhos tempos em que morávamos na Grécia.

- Saia daqui. Agora Luiz! – Eu comandei tremendo.

- Não estamos mais na Grécia, Duda. – Ele disse.

Ao ouvir o meu nome eu dei um belo de um soco na fuça dele.

- Eu não tenho mais esse nome Luiz! – Eu praticamente gritei apontando para ele. – Se voltar a falar da Grécia prometo... Pela alma de meu pai que eu arranco a sua língua fora.

Meus punhos se fecharam enquanto ele ria.

- Engraçado que foi você que começou não? – Ele perguntou.

- Não- Eu olhei para trás me lembrando que estávamos sozinhos.

- O que? Não contou a elas? – Ele estalou a língua balançando a cabeça. – Que péssimo Eduarda. Sua mãe não ia gostar disso.

- Agora você passou dos limites! – Eu gritei e dei um gancho no seu queixo, ele grunhiu e tentou me acertar, mas eu desviei e dei uma rasteira nele. – Tem sorte de eu não estar na aula de esgrima agora Luiz. Ou eu ia decapitá-lo com o maior prazer. – Eu grunhi e cuspi no chão ao seu lado saindo em seguida e batendo a porta com toda a minha força.

Desci as escadas da entrada e chamei um táxi. Mandei que ele fosse direto para casa. Chegando lá dei uma nota qualquer para ele e depois desci do carro indo até a porta.

Peguei a chave escondida debaixo do tapete e abri a porta. Fechei-a, trancando em seguida. Subi as escadas correndo e pulei na minha cama assim que a vi. Chorei mais que nunca, gritei abafando meus gritos com o travesseiro.

Não sei em que momento, mas sei que desmaiei ainda chorando. Ficaria feliz por sonhar apenas com o vazio. Com o nada. Mas o destino nunca aceita meus pedidos.

"Estava na Grécia em casa. Minha mãe cozinhava uma bela sopa para aquela noite fria, parecia até que ia nevar. Meu pai estava chegando. Podia ouvi-lo subir as escadas até em casa e logo a porta foi aberta e ele correu até mim me abraçando com toda sua força. Não entendi, mas retribui.

- O que houve Papa? – Perguntei.

- Nada, minha filha. Nada. – Ele disse melancólico.

Olhei para ele sem entender, ele me soltou e passou as mãos pelo meu rosto enquanto chorava levemente.

- Por que tá chorano papa? – Eu perguntei,

- Nada não minha filha. – Ele disse limpando as próprias lágrimas.

- Não chora papa! Se papa chorar, eu também choro. – Eu disse inocentemente enquanto as lágrimas vinham.

- Não chore... Não é nada. – Ele limpou minhas lágrimas.

- Papa! Tive outro sonho. – Eu comentei enquanto sentindo as lágrimas pararem e um sorriso se formar no meu rosto. – Eu era um tal de Shed! Ele queria matar o assassino da sua família. Ele tinha perdido uma irmãzinha, o pai e a mãe numa guerra contra um tal de Keros! – Eu era tão inocente.

Ele chorou mais e me abraçou.

- O que foi papa? Não quer que eu sonhe com Shed? Eu não vou sonhar com Shed então. – Eu disse convicta.

- Não é isso minha filha.

- Então o que foi papa?

- Se... Se eu morrer minha filha. – Ele começou e eu me assustei. – Se eu morrer, cuide de sua mama, certo? – Ele pediu e eu assenti assustada.

A imagem do sonho mudou e a casa estava queimando.

- PAPA! PAPA! – Eu gritava enquanto mama me segurava. – PAPA! – As lágrimas caiam descontroladas dos meus olhos até o chão.

- Shhhh. – Mama me abraçou e afagou meus longos cabelos.

- Ma... Mama... Por que o papa não vem? Papa disse que eu devia te proteger. Mas como? Eu não posso cuidar da mama se papa não cuidar de mim. – Eu disse.

O sonho ficou escuro, um buraco negro."

- Kin! Kin! – A voz me acordou e eu senti um alívio completo quando me levantei num tiro.

Eu respirava fundo e pela primeira vez em anos, não chorava. Passei a mão pelo meu rosto. Por que agora Luiz? Por que aqui? Eu pensei furiosa. Ainda não!

- Kin o que houve? – Julie perguntou. Olhei para ela de relance e pensei no que dizer. Nada. Era isso que eu tinha de dizer para ela... Nada.

- Não posso... Contar Ju. – Eu disse melancolicamente. – Espero que entenda.

- Entender? – Julie se exaltou. Olhei para ela indiferente. – Eu já tentei entender. Já tentei fingir que não via. Mas depois que você socou o monitor-chefe ficou difícil.

- Hm... Entendo. – Eu disse assentindo. – Vou embora hoje. – Eu disse olhando de canto de olho para ela. – Luiz não pode saber disso. – Eu avisei mortalmente.

- Como assim vai embora? E o que o Luiz tem a ver com isso? – Ela perguntou.

- É por causa do pai dele que eu to aqui. E por causa dele eu vou embora. – Eu disse simplesmente.

Peguei minha mochila e coloquei algumas coisas básicas como os presentes de aniversário que havia ganhado. Presente do "Dia do Amigo". Tudo que me fizesse lembrar deles.

- Adeus. – Eu disse levemente descendo as escadas com uma camisa preta e uma calça jeans, dentro do bolso um cartão de crédito que ia cobrir minhas despesas na nova cidade.

Peguei o celular e liguei pro Jack.

- Jack! Aeroporto de Los Angeles! É melhor me dar um nome bom para os Estados Unidos. – Eu avisei e ouvi resmungos sonolentos do outro lado da linha. – Estou saindo do Brasil é bom você e estar em Los Angeles com os 'negócios' quando eu chegar. – Eu avisei irritada.

Ouvi mais uns resmungos e desliguei o celular.

Chamei um táxi e estava entrando quando Julie entrou também.

- Pro aeroporto. – Ela comandou e eu olhei para ela incrédula.

- O que você tá fazendo Julie? – Eu perguntei.

- Eu quero me despedir de verdade de você. – Ela disse sorrindo.

Eu a encarei furiosa e bufei. Esqueci disso e procurei na caixinha de lembranças escrita "Caixinha da Akeni" que a Julie havia me dado até achar o fundo falso que eu havia colocado. Peguei a passagem e o passaporte falso.

Julie me olhava espantada enquanto eu colocava tudo dentro do bolso. Peguei também um isqueiro e pedi pro táxi parar. Estávamos perto o suficiente para ir a pé.

Ele concordou e eu entreguei uma nota qualquer. Com certeza mais do que ele merecia, ou mais do que eu devia dar, mas tava bom.

- Eu nunca entrei nesse táxi. – Eu falei.

- Nunca te vi. – O taxista disse guardando o dinheiro.

Assenti e sai do táxi. Ele saiu em disparada. Peguei um litro de gasolina e despejei sobre a mochila olhando para os lados. Joguei a mochila longe e acendi o isqueiro.

- Adeus Akeni. – Joguei o isqueiro na mochila. – Ola, Luiza. – Eu disse enquanto a mochila queimava na minha frente. Era provavelmente a décima vez que eu fazia isso.

Sai em direção ao aeroporto. Mostrei o passaporte e falei qualquer merda que a minha passagem foi comprada antes da hora e eu não tive tempo de avisar. Não me lembro direito, só sei que ela deixou eu entrar no avião de Los Angeles.

Comprei uma coca-cola lata. E a estava tomando na maior calma quando eu ouço o som de passos que eu conhecia muito bem. Aquela seqüência de passadas... Ela chegou e parou pegando fôlego. Tomei um longo gole.

- Kyle. – Eu disse sem olhar para ela.

- Não vá embora Kin. – Ela pediu.

- Pem! – Eu fiz o som de uma daquelas campainhas de "error". – Sinto, mas não conheço nenhuma Kin. – Mostrei meu passaporte. – Eu sou Luiza. – Eu disse secamente.

- Por favor. – Aquela voz. Não era Kyle.

Olhei para o lado assustada e dei de cara com quem não queria ver.

- Lissy. – Eu disse rudemente. – Você também não deveria estar aqui.

- Fique. – Ela pediu dando um passo para frente.

Pisquei lentamente e quando abri os olhos dei de cara com Hug e Grazi abraçados com olhares pidões.

- Qualé cunhadinha! Fica ai. – Hug pediu.

Eu ri. Ele gostava de me chamar de cunhada.

- Não. – Eu disse com um mínimo sorriso.

- Poxa, até eu to aqui só pra impedir que você vá e você faz um negócio desses? – Grazi disse com um sorriso cúmplice.

- Sabe como é... – Eu olhei para o portão de embarque. -... Kin morreu. Não pode ressuscitar os mortos. – A última parte foi um sussurro, uma lamentação.

- Ela não morreu. – Kyle disse. – Porque eu estou vendo ela aqui, na minha frente. E sinto ela aqui. – Eu me virei e vi ela colocar a mão sobre o coração.

- Kyle... Não insista em ressuscitar os mortos. – Eu disse. – Isso não dá certo. – Eu soltei a última parte me lembrando novamente...

Lissy apenas me encarava com os olhos estreitos. Ela deu mais um passo e estávamos a apenas alguns centímetros uma da outra. Notei que ela era um pouco mais baixa que eu. Só dois ou três centímetros.

- Não parta de novo... Shed – A última palavra saiu tão baixo que só eu ouvi. Arregalei os olhos e a encarei assustada.

Balancei a cabeça. Abracei-a.

- Não vai mais sonhar com eles. Agora sonhará com outro casal. Por que é sempre assim... A cada vida, sonho com uma outra vida... E você segue a minha linha, então... Esqueça Shed e Vênus e comece a se preparar para outro casal. – Eu disse apenas para ela em um sussurro.

Ela assentiu e eu me separei dela assentindo em seguida.

"Passageiros do Voo para Los Angeles. Embarcar no Portão 3" Sorri ao ouvir a minha chamada.

- É a minha chamada. Tenho de ir. – Eu disse me virando de costas para eles e acenando levemente com a mão.

- Espera. – Kyle gritou depois de eu ter dado um dez passos. Me virei para ver o que ela queria.

Ela estava perto e se jogou nos meus braços.

- Eu te amo. – Ela sussurrou. Arregalei os olhos.

Ela se separou apenas o suficiente para eu poder encará-la sem entender nada. Ela me beijou. Não beijinho estalado na bochecha como era normal. Um beijo. Tipo Shed e Afrodite. Ou melhor ainda. Bia e Pérsia. Acabei por corresponder e eu tive lembranças.

"- Eu te amo. – Afrodite disse para mim pouco antes de me roubar o beijo eu retribui. Afinal... Vênus havia dito que me odiava, nunca havia me amado. Mas ali estava Afrodite. Ela me faria esquecer Vênus."

"- Peles. Você tem de se casar. – Eu assentia enquanto minha mãe falava o de sempre, mas hoje ela mudou algo no seu sermão. – E por isso eu trouxe Shaki, aqui. – Ela deu espaço para que eu pudesse ver a linda dama que era digna da beleza de uma deusa, mas não se igualaria nunca com Francis.

Olhei para o lado de Francis olhava de mim para Shaki. Ela assentiu com os olhos marejados e partiu correndo para fora da casa.

- Francis! – Eu chamei. Mas era tarde. Ela me odiaria para sempre"

"O rei havia me chamado, provavelmente para falar do tal reino ao sul, não estava me importando muito. Eu iria para aquela pronta para morrer. Pois sabia que Pérsia não me esperaria. Minha doce deusa nunca mais me amaria.

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Bati na porta de metal e madeira e ele pediu que eu entrasse. Entrei.

Ele estava deitado, cansado, doente.

- O que houve meu rei? – Eu perguntei, havia aprendido a respeitá-lo, mas eu era fiel a minha deusa não ao rei.

- Feche a porta e se senti aqui, ao meu lado doce princesa. – Ele tinha pegado essa mania de me chamar de princesa, de filha.

Fechei a porta como pedira e depois me sentei ao seu lado pegando sua mão em seguida.

- A muito sei que você e minha filha tem uma espécie de caso. – Ele falou e eu engoli em seco, assustada, encarei-o com os olhos arregalados, ele riu e pediu que eu me acalmasse. – Eu quero pedir que cuide de minha filha, jovem Bia. Não vive-

- Sinto muito senhor. Mas não poderei o fazer. Deves arranjar um nobre para se casar com Pérsia... Eu já sei qual é meu destino. – Eu disse.

- E qual seria doce Bia? – Ele perguntou curioso.

- Nessa guerra... Nessa batalha... Eu tomarei a frente. – Ergui a cabeça. – Eu serei a primeira a cair nessa batalha e deixei o coração de Pérsia livre para o melhor cavaleiro que vós encontrar. Mas procure alguém rebelde, um indomável, pois ela é a deusa da rebeldia meu rei. – Eu avisei soltando sua mão.

- Queres... Morrer na batalha que está por vir? – Ele perguntou. Eu me levantei e me virei para a janela.

- Sim senhor, meu rei. – Eu disse. – Prometi servir a deusa. Mas... Ela plantou espinhos em meu coração meu senhor... Isso me deixou triste... E agora só me resta a morte para esquecê-la.

-Se assim deseja Bia... Lhe concederei isso. Mas convença sua deusa a aceitar um rapaz como companheiro.

Eu assenti e fui para a porta.

- Me desculpe pela minha filha Bia. Desculpe-a por fazê-la sofrer. – As lágrimas rolavam soltas quando assenti e respondi:

- Me desculpe por fazer a sua filha sofrer... Por ser uma serva tão infiel. – Eu disse saindo porta a fora."

Eu a trai... Tantas vezes. De formas tão diferentes. Separei-me de Kyle. Não. Ela não era Vênus. Ela era Afrodite da Grécia. Shaki de Roma. O príncipe invejoso... Loki, se não me engano, na Pérsia.

- Não Kyle. Não é você. – Eu disse afagando seu rosto com a minha mão. – E você sabe não sabe, Afrodite? – Eu perguntei e ela sorriu, assentindo deixando as lágrimas rolarem pelo seu rosto. Beijei sua testa. – Me desculpe. Tenho que correr de novo atrás da sua irmã.

Ela riu.

- Ela não é minha irmã dessa vez.

- Mesmo assim. – Eu dei de ombros e olhei para o lado.

Hug e Grazi encaravam nós duas espantados e Julie me encarava indiferentes. Procurei por Lissy, mas nada. Olhei ao redor e nada. Fechei os olhos e deixei meu coração me guiar.

Sai correndo. Pulei cadeiras. Corrimãos. Nada me impediria de vê-la. De me desculpar.

Corri como nunca na vida. Passei entre as pessoas sem tocá-las apenas entre elas. Vi uma ruivinha correndo. Era ela. Corri. Acelerei a corrida. Essa baixinha sabia correr. Estava quase a alcançando quando via ela atravessar a rua com o sinal verde.

Não. Não... NÃO! As lágrimas brotaram e eu me joguei abraçando-a. O carro me pegou de uma vez e eu senti minha cicatriz se abrir. Ferida maldita.

Cuspi sangue.

- Essa foi por pouco... Vênus... – Eu murmurei no seu ouvido. Senti o cheiro floral. É... Eu não estava errada, era ela mesma.

- A-Akeni. – Ela se virou para mim e seus olhos estavam marejados.

- Yoy. – Eu disse levantando levemente a mão me esquecendo que havia abandonado Akeni a meia hora atrás. – Deve ser a milésima vez que você briga comigo por causa da sua irmã.

- Kyle... É Afrodite?

- É o que parece. – Eu disse. Cuspi sangue de novo. Oh vida triste, não poderia, novamente, desfrutar do amor da minha doce Vênus. – Isso de você ter feito um trato com a morte é verdade?

- Yeah. – Ela disse.

- Podia ter feito um trato melhorzinho... – Eu comentei sentindo o sangue voltar para a minha boca.

Ela bufou. E deu um leve soco no meu ombro.

- Acho... Que vou fazer um trato com a Morte também... – Eu disse.

- Vo-Você está vendo ela? – Eu assenti. Vestida de preto ao lado de Lissy com um sorriso travesso no rosto e sem nenhuma foice ou caveira.

Vênus chorou.

- Mas não se preocupe... Vai ser um bom trato. – Eu disse para Lissy.

"Diga" Ela pediu na minha mente.

Eu deixei as lágrimas caírem.

"Você vai me odiar por pedir isso, mas... Depois de te ver tantas vezes... Acho que deve ter pelo menos um pouco de pena de mim." Eu pensei para ela.

Ela riu alto e gostosamente.

"Diga, então e verei o que posso fazer." Ela retrucou, sua voz ecoando na minha mente.

Suspirei.

"Me deixe viver. Viver mais essa vez. Eu quero poder aproveitar minha vida ao lado dela... Quero poder aproveitar essa vida com ela... Vivi sete vidas sem ela. Me deixe viver essa com ela... Me deixe viver essa vida até a velhice ao lado dela."

A morte me encarou com os olhos arregalados e eu fechei os olhos esperando ser zombada. Ela gargalhou.

"CERTO!" Ela exclamou rindo. "A meia hora atrás eu iria tomar sua oitava vida sem o amor dela. Mas deixarei que viva essa oitava vida com ela... Com ela até aonde eu quiser... Então... Torça para eu esquecer vocês duas, ou buscá-las-ei logo." A morte disse e eu sorri.

"Obrigada" Eu agradeci.

"Não Akeni. Eu lhe agradeço, por me permitir ver tanto amor tantas vezes. Você deve saber... A Morte não é capaz de amar, mas o modo como vocês se amaram tantas vezes em vida foi o suficiente para saber como é amar." Ela disse. "Ver minha irmã amar é o suficiente para mim."

Eu arregalei os olhos "Irmã?"

- A Vida, jovem Akeni, a Vida. – A morte disse, movendo pela primeira vez os lábios. – Agora... Sobrevivam, ambas. Porque não quero ceifar suas almas agora. – Ela disse desaparecendo em névoa.

Eu ri alto ainda em choque. Quem diria... A Vida e a Morte são irmãs. Ri alto. Muito alto.

- Quem diria. – Eu disse abaixando a voz.

- O que houve, Akeni? – Lissy perguntou. – O que pediu para a Morte?

- Eu pedi... Que ela me deixasse com sua irmã mais um pouco.

- A irmã da Morte? – Ela perguntou tão chocada quanto eu tinha ficado.

- A Vida, minha doce amada... A Vida. – Eu disse com um típico sorriso de canto.

Notas finais
Dicionário: Si prega di¹ - Por favor -#- Talvez... Em um futuro não muito distante eu faça histórias completas sobre Bia da Pérsia. Peles da Roma. Girgin do Egito. Vai depender da minha disposição e força de vontade (Que anda no zero) Aviso: Já tó começando a história de Bia (A deusa Pérsia e a serva Bia) dêem uma passadinha lá.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!