Morte do Para Sempre
7 Antes: Meredith T.
Notas iniciais
29 de julho
Querido diário,
Já faz uma semana que não escrevo e faltam apenas quatro dias para o baile. Tive uma notícia excelente hoje.
Encontrei-me com alguém que talvez possa me ajudar, não somente à não ir ao tal baile, mas também sair deste lugar que ao qual nunca pertenci. O seu nome é . Entrei nos lugares mais estranhos, obviamente disfarçada até que encontrei o sobrado no qual ela mora. Não me pergunte como sabia que ela era a certa, apenas senti. Entrei numa viela escura, úmida e malcheirosa e subi as escadas, sem saber onde dariam.
Na porta uma plaqueta de metal: Meredith T. Muito empoeirada, pensei que ela deveria limpar o lugar de vez em quando caso quisesse atrair mais clientes, porém, depois percebi que ela não precisa atraí-los, ela faz tudo tão bem que os clientes chegam até ela.
Eu bati na porta, mas não esperei que me atendessem e já entrei no ambiente, iluminado por velas. Meredith logo entrou no cômodo, era uma mulher de pele pálida, olhos extremamente negros e um cabelos emaranhado negro acastanhado, muito bagunçado. As suas vestes eram belas, porém antigas, a cor foi difícil definir por causa da pouco iluminação.
Preciso registrar precisamente essa visita e esse diálogo antes que ele se perca nas minhas memórias.
Meredith – Este lugar esta repleto de memórias, sabe? Aqui eu me sinto bem, mas não posso dizer o mesmo lá de fora. As pessoas são estranhas...
Eu – Bem... Eu concordo que as pessoas não são boas.
Meredith – Está enganada querida. As pessoas não são boas ou más, tem apenas tendências, mais para um lado que para o outro, mas não posso negar que a maior parte delas está inclinada às trevas. Diga-me... O que te traz aqui?
Eu — Preciso de sua ajuda para algumas coisas, sendo que a primeira delas seria me tirar daqui...
Meredith – Está sendo muito ampla... Aqui, aqui pode ser qualquer lugar. Se quiser que te tire daqui é só passar pela porta...
Eu – Sabe muito bem do que eu estou falando. Tirar-me deste mundo controlado pelo narrador.
A expressão de Meredith mudou, ficou um pouco mais sombria. Ela me disse que podia me ajudar, me colocaria do “outro lado do espelho”, como ela mesma disse, me tiraria do campo de influência do narrador e me explicaria depois o que eu teria que fazer para permanecer lá. Qualquer coisa vale a pena. Estudaria em seus livros e com os espíritos o que precisava ser feito. Ela me pediu para voltar depois de amanha.
O único problema foi que ela me disse que não pode fazer isso antes do baile, é necessário que a lua esteja cheia para que Meredith consiga tirar energia desta e a magia seja bem sucedida.
Boa noite
♐♐♐
30 de julho
Querido diário,
Contei à Tata e Jack sobre Meredith T. Eles como sempre ficaram apavorados e me proibiram de voltar desacompanhada àquele beco. Eu não estava assustada, estava mais anciosa na verdade. Tantas vezes, sofri aqui que nem acredito ser possível finalmente viver uma vida diferente. Será difícil me apaixonar, porém, nada será impossível, pois eu nem ao menos posso imaginar como é um resquício desse mundo. Como as pessoas se vestem? Que língua falam? O que comem? Como se divertem?
Tantas perguntas atormentam minha cabeça que fica difícil (não que antes fosse fácil) trabalhar na mansão. Tenho medo, mas vou contar sobre Meredith para Frederich e Camille, dois funcionários da mansão que tenho como meus amigos (humanos) mais próximos. Frederich é o cocheiro, alto e magricela de dentes tortos e olhos grandes e gentis, o tipo de pessoa que você confia à primeira vista. Camille é muito mal-humorada e bonita, cabelos castanhos e crespos cheios por trás do lenço, mãos pequenas hábeis na cozinha, olhos pequenos e desafiadores.
Contarei amanha, porque hoje estou muito cansada...
Boa noite!
P.S.: Os vestidos de Drizella e Anastácia chegaram, são horríveis e muito adornados, Louise disse que eu não terei vestido algum e caso queira ir no baile devo fazer eu mesma. Aquela bruxa!
♐♐♐
Fale com o autor