Morte do Para Sempre
3 Antes: Como Um Passáro
Notas iniciais
15 de jullho
Querido diário,
Noite passada eu não dormi, mas já estou acostumada com isso, principalmente quando o trabalho se acumula na mansão. Organizei uma pequena mala e rapidamente pagamos a carruagem que nos levaria à casa de veraneio de meu pai. Durante a viagem mantive a cortina aberta mesmo minha madrasta insistindo que o sol fazia mal à sua pele. As paisagens que se passaram eram bem conhecidas para mim, as árvores ressecadas, o musgo cobrindo as rochas, as montanhas baixas, me lembram de uma época feliz da minha vida.
Depois de varrer a casa, quando chegamos, e dar uma arrumada básica no lugar, fui ao meu quarto e desarrumei a mala, meu armário ainda está com aquele cheiro de madeira que eu adoro. Não vou falar onde escondo meu arco, sempre existe o risco de lerem meu diário, então não posso arriscar, mas me troquei, peguei o arco e a alijava e saí pelos fundos depois que elas saíram para fazer compras na vila mais próxima.
Lembrei-me de como eu amo atirar e percebi que estava realmente um pouco destreinada. Descontei toda a minha raiva acumulada nos meses de inverno na minha atividade favorita e me senti mais leve, quase como se pudesse voar. Depois de cansar, sentei nas raízes de uma árvore e olhei para o céu. Observando os pássaros voando livremente pelo céu, pensei em como seria se eu pudesse ser livre. Nunca tinha me sentido tão reprimida, talvez fosse o meu limite e pela primeira vez pensei sobre isso, diário.
Tenho uma mente confusa e sempre soube disso e ela viajou por diversos lugares e imaginei como seriam as colônias no novo mundo, como seriam os restaurantes em outros lugares do mundo, como era o mundo fora da história, meu círculo fechado. Estão no mesmo século que eu? Ou será que estão mais avançados, ou até mesmo minha história pode ser futurista para eles. Quero tanto descobrir isso!
Quando minhas irmãs voltaram, nós jantamos como uma “família”. Sabe que o maior problema é que temos que fazer tudo que é narrado, aposto que não sou só eu que faz as coisas por obrigação. Mas as vezes me ponho à pensar se o narrador realmente é o culpado, não posso culpar alguém que jamais encontrei e é tão fácil culpar Louis, ela é tão desagradável! A única coisa que tenho certeza é que preciso treinar. Se eu precisar lutar, eu vou lutar, eu não posso mais ficar presa aqui! Vou descobrir um jeito de me livrar. Não vou poder escrever durante os próximos dias estarei muito ocupada treinando.
Escrevo daqui uns dias.
Boa noite!
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