Naquela noite toda a história passava em minha cabeça, foi como se tivesse voltado ao tempo, lembro-me de tudo como se fosse ontem:

Linnet Ridgeway era muito conhecida, não demorou muito pra chegar até aqui a noticia de que ela havia comprado Wode Hall, foi aí que vi a oportunidade perfeita de empregar meu noivo, Simon Doyle, que tinha sido demitido a pouco tempo. Minha amiga, claro, não nos decepcionou. Depois de um tempo trabalhando lá, comecei a perceber que minha amiga estava lutando com todas as armas para conquistá-lo,sugeri que ele rompesse comigo e casasse com ela, ele que sempre sonhou com o dinheiro,mas nunca o teve. Mesmo casado, Simon e eu continuamos nos encontrando, e vez ou outra, ele repetia que seria conveniente ficar viúvo. Quando o casamento foi oficializado, eles seguiram viagem por diversos países, e eu os perseguia, o que para Linnet, Doyle ficava furioso, e amedrontado. Numa tentativa falida, fugindo da minha presença foram para um cruzeiro no rio Nilo. Foi lá que vi a oportunidade perfeita; foi tudo minuciosamente combinado com Simon, só não contávamos com um detalhe: Hercule Poirot, detetive famoso por solucionar crimes. Cansada da perseguição, Linnet procurou Hercule, na esperança de que ele acabasse com o problema, o que de nada adiantou, já que eu estava decidida do que iria fazer, me abri, contei a ele “tudo” que havia acontecido, contei a ele que eu planejava matar a senhora Ridgeway, com um tiro único na cabeça, enquanto conversava com ele, tive a sensação de alguém nos observando, mais ele me acalmou, conversamos por algumas horas, ele me fez desistir de tudo por um tempo, reconheci que estava indo longe demais. Quando o navio parou, para conhecermos um lugar, preferi ficar em meu camarote, me parecia muito mais interessante, mais, quando finalmente saí, me deparei com Linnet, desesperada, ao lado de seu marido e do detetive, soube que enquanto ela descansava em uma sombra, uma pedra milenar rolou ao seu redor, por pouco não matando-a. A principio eu era a principal suspeita, mais como logo todos ficaram sabendo, eu havia passado a manhã toda no navio. Tirando isso, tudo corria bem. Na noite seguinte, estávamos eu, Cornelia Ruth Robson, Simon Doyle, James Lechdale Fanthorp,eu me embriaguei e num momento impulsivo, pedi mais bebida para Simon, que discutiu comigo, e dominada por uma fúria, tirei uma arma da bolsa, determinada a atirar, quando ele me segurou pelo braço, lutamos por uns instantes ate que aparentemente, acertei um tiro na perna dele, não vou mentir, fiquei bastante assustada, nunca tinha feito isso antes, eu gritava e me debatia para todos os lados, chutei a arma para debaixo de uma das mesas, foi quando Cornelia e o senhor Fanthorp me levaram para meu quarto, o senhor Fanthorp foi chamar o medico e Cornelia dormiu comigo, me deu uma dose de algum calmante, já que eu estava muito agitada. No dia seguinte, quando acordei, o navio estava todo alvoroçado, só se ouvia a noticia de que Linnet Ridgeway tinha sido assassinada durante a noite por um tiro na cabeça, todas as suspeitas recaiam sobre mim, mas por esse crime, eu não pagaria. Logo fui chamada por Hecule Poirot e Johnny Race, que me fizeram uma serie de perguntas, e de acordo com o que eu vivenciei naquela noite, respondi todas. Era um caso difícil de ser solucionado, já que todos naquele navio tinham um motivo para matá-la. Todos do navio foram chamados para depor, porém, o depoimento, que mais chamou a atenção, foi o de Luise Bourget, criada de Linnet, algo nela parecia suspeito, fiquei sabendo disso, quando fui ver como Simon estava, alguns depoimentos foram coletados no quarto que ele estava, já que com a perna fraturada não podia andar. Sabendo disso, tive que eliminar Luise, já que ela de fato sabia quem matou a patroa. Não foi uma tarefa difícil, peguei uma das facas que encontrei no quarto do Doutor Bessner, já que estive la por um bom tempo conversando com Simon, ofereci dinheiro a Luise, que me pareceu bastante contente, enquanto ela contava as notas, peguei minha arma e a matei, para disfarçar, coloquei-a embaixo da cama e peguei meu dinheiro novamente. Tudo ia bem, ate que ao sair, encontrei Salomé Otterboune, uma velha, que vivia embriagada pelos corredores do navio. Ela que não era nada boba, ao saber da morte da jovem, ligou os fatos, e foi correndo contar para o detetive, eu não tive muito tempo, peguei uma arma de um dos tripulantes do navio, aproveitei que a porta estava aberta, e rapidamente atirei, antes que ela falasse meu nome, corri para o meu quarto que ficava logo ao lado. Tudo ia perfeitamente bem, ate que encontraram a pistola utilizada para matar Linnet jogada no rio, envolvida por uma estola de veludo, perfurada por um tiro, o detetive concluiu então, que naquela noite foram três tiros, e não dois como imaginado: um na perna de Simon, um na cabeça de Linnet, e um terceiro, que o som foi abafado pelo pano. Rapidamente o detetive juntou os fatos, não restava outra opção, a não ser abrir o jogo: eu e meu ex noivo nunca tínhamos brigado realmente, o tiro que dei nele foi de raspão, precisava deixá-lo sozinho, exagerei num ataque de culpa, enquanto me levavam para meu camarote, Sinom se levantou, pegou a arma, foi ate o quarto de sua esposa e deu um tiro a sangue frio, saiu do quarto, pegou um lenço, e atirou na própria perna, abafando o barulho com o lenço, jogando a arma no rio, e ficou no salão a espera de que alguém chegasse para salva-lo, foi uma tarefa muito difícil, fazer tudo isso em poucos minutos. Não me arrependo do que fiz, sou uma boa perdedora. Só sinto que agora, perdi Simon, já que ele será preso amanhã quando o navio ancorar, e eu? Não posso admitir que isso aconteça comigo, não quero que todos saibam que Jacqueline de Bellefort foi presa. Minha única alternativa agora, é o rio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.