Notas iniciais
A história foi criada depois que eu encontrei a capa XD'Espero que gostem. Darkfic é minha paixão *-*'

O cheiro de café invadia o desarrumado quarto de hotel em que eu me hospedara, sentado á mesa em um canto qualquer daquele aposento minúsculo, tomava a xícara da negra bebida enquanto revistava o jornal á procura de alguma novidade interessante.

Os dias estavam ficando cada vez mais monótonos, será que os bandidos haviam tirado uma folga daquela cidade? Há semanas nenhuma revista documentava nada além das fofocas inúteis de famosos em suas férias prolongadas.

Sem nenhum crime para solucionar, eu ficava cada dia mais entediado, tentando achar algum hobby para me ocupar sendo que nada me animava.

Mergulhado nesses pensamentos deprimentes, só percebi o som do telefone ecoando pelo quarto em seu terceiro ou quarto toque.

- Algum assassinato finalmente? — perguntei, sabendo quem responderia do outro lado da linha.

- Sim, e esse, devo dizer, parece complicado até mesmo para você — disse meu chefe, dizendo a melhor notícia (pelo menos para mim) daqueles últimos meses.

- Ok, — disse, segurando uma risada — manda.

- Os pais de uma menina ligaram aqui desesperados á procura de um detetive para investigar a morte dela. Pelo que eles nos disseram, é um caso que se encaixa perfeitamente pra você.

- Desembucha tudo o que souber — eu disse, já interessado pelo novo trabalho.

- Ela foi encontrada deitada na cama de seu quarto, expressão de horror, sem nenhum vestígio de luta ou ferimento.

- E ela não pode ter simplismente sofrido um ataque cardíaco?

- Só se antes de ter o ataque ela tivesse escrito "A verdade foi paga" na porta do quarto, sendo qua a menina ainda não havia aprendido á escrever. — disse ele, satisfeito por presenciar um erro meu.

- Com o que isso foi escrito? — perguntei, anotando a frase em um guardanapo em cima da mesa.

- Ainda não sabem, mas acham que é sangue — disse meu chefe, sua voz ficando sombria por um momento.

Parei minhas anotações no momento em que ouvi a nova informação.

- E acham que é... — insinuei.

- Da menina. — ele completou — Mesmo que não fora encontrado um mínimo machucado em seu corpo.

- P*ta que pariu.

- Boa sorte — ele murmurou, me dando o endereço do lugar e desligando o telefone.

Fiquei escutando o irritante sinal do telefone depois de desligado, enquanto começava a mergulhar em uma série de perguntas que deveria fazer áquela família incompleta, olhei para o relógio que estava no meu pulso e coloquei o telefone no gancho finalmente, estava na hora de fazer alguns interrogatórios.

Peguei o casaco jogado na cama, me preparando para o dia frio que o cenário á minha janela avisava, sai do apartamento com o endereço que recebera por telefone na mão.

Depois de minutos enfrentando o vento cortante que o céu cercado de nuvens trazia, cheguei ao gramado da casa, observando-o, percebi que parecia não ter recebido nenhum tipo de tratamento há semanas, já que a folhagem alta se esgueirava pelos degraus de pedra e pela porta escura que levavam para dentro da casa.

Andei devagar por aquelas estranhas folhas e bati na porta algumas vezes, o som ecoando para pelos outro aposentos de um modo agonizante. Depois de instantes esperando diante daquela cena, finalmente uma mulher atendera a porta, seu cabelo loiro estava preso em um forte coque, e suas vestes eram pretas e deprimente, assim como ua expressão. Não tinha dúvidas de que estava no lugar certo.

- Você deve ser o detetive, Sr. Cooper, certo? — ela disse, sua voz rouca trazendo sua tristesa para a conversa.

- Sim, — disse, tentando ser profissional — eu sei que é dificíl, mas pode me contar o que houve?

A mulher abaixou a cabeça por um instante, tentando inutilmente esconder a vontade de chorar, quando voltou a me emncarar tinha os olhos marejados de lágrimas.

- Claro — respondeu, com um fio de voz que o choro contido havia deixado escapar.

Ela voltou para dentro da casa, fazendo um sinal para que eu a seguisse. Em todo o caminho ela olhou para frente, em alguns instantes eu podia ouvir seus suspiros escapando pelos lábios entreabertos, parecendo um grito diante do silêncio de nossos passos.

Chegamos á aconchegante sala de estar, tentei perceber qualquer indício de que algo incomum, mas tudo parecia estar em seu devido lugar. Olhando para o grande sofá no centro da sala, avistei um homem sentado, o cabelo castanho contrastava com a cor branca que sua pela havia ficado depois de todo aquele sofrimento.

Ele levantou a cabeça quando ouvi nossos passos se aproximando, e, sem dizer uma palavra, se levantou e andou em direção ao corredor que levava aos vários quartos da casa.

- Ele vai te mostrar onde... aconteceu — disse a mulher atrás de mim, esforçando-se para não engasgar com as palavras amargas.

Andei pelo caminho que seu marido havia feito, e este me levou ao último quarto do longo corredor. Ao entrar, percebi a decoração infantil de ursinhos colados nas paredes rosas, uma cama no canto ao lado da janela, um pequeno armário e algumas estantes com brinquedos era o que o ocupava, além de um baú branco que, deduzi, ficavam mais brinquedos da menina.

- Seu... corpo estava aqui. — disse o homem, apontando para a cama desarrumada.

- E como a encontraram? — perguntei, tentando ser objetivo.

- Ela disse que iria brincar — disse a mulher, que chegara no quarto instantes depois de mim e me observava ao lado da porta — E veio para o quarto. Não ouvimos nenhum barulho, nada que anunciasse que ela havia sido atacada ou que alguém entrara aqui. Á noite, estranhando o sumiço dela, viemos aqui no quarto e a encontramos morta.

Ela recomeçava a chorar ás lembranças que eu a fizera retornar, enquanto minha mente vagava para todas as entradas possíveis daquele quarto, a janela não fora arrombada, e de acordo com meu chefe, estava fechada durante todo o dia, a porta estava intácta, nenhuma passagem secreta se encontrava ali, por onde aquele filho da p*ta havia entrado?

- Poderiam me deixar aqui por alguns minutos? — perguntei, ainda olhando para as paredes inocentes do quarto.

- Claro — disse a mulher, esntão ouvi os passos apressados do casal, aliviados por poderem sair daquele local de tortura.

Comecei vasculhando todos os cantos do frágil armário encostado na parede, atrás de vestidos floridos e de bolinhas a única coisa que se via era a madeira pintada do fundo do guarda roupa, verifiquei e descartei a hipótese de que algo importante estivesse ali.

Andei até o bau perto da cama, ao abrí-lo fui recebido por vários bichinhos de pelúcia de sorrisos falsos, e algumas bonecas surradas, tirei todos os brinquedos de dentro, percebendo uma pilha de papéis no final, juntos com alguns giz de cera usados.

Peguei as folhas e percebi que estavam todas desenhadas, rabiscos infastis mostravam sempre uma menina de cabelhos loiros despontados á frente, e ao fundo uma mancha marrom, que em outros desenhos tomava forma de um lobo, urso, ou algum outro tipo de animal que sempre assustavam as crianças.

Atrás das folhas, havia sempre o desenho apenas do "bicho" de forma mais clara, não sei descrever o que era, talvez a junção de alguns montros de velhas histórias de terror, com uma pedra escarlate na mão, como oferecendo-a á quem via o desenho.

Estranhei aqueles desenhos e assim sai do quarto levando-os para mostrar aos pais e interrogá-los.

Chegando á sala, os dois se levantaram do sofá de um salto, suas expressões denuciavam a ansiedade que sentiam afim de saber quem tinha feito aquele ato contra sua filha, vendo que iria descepicioná-los, olhei para o chão e balancei a cabeça negativamente, para depois me aproximar lentamente do casal e sentar na estreita poltrona de frente com o sofá em que eles estavam.

- Queria que vocês me dissessem o que sabem sobre isso. — disse, indicando os desenhos amontoados em minha mão.

A mulher pegou um deles e o analisou, para depois seu rosto se encher de compreensão.

- Não é nada. — ela disse. — Ela ficou impressionada com uma história que lhe fora contada e desde então insistia em que o monstro a seguia.

- Ela dizia ver o monstro? — perguntei.

- Sim, — disse o homem desta vez — mas sempre achamos que era apenas imaginação dela.

- Entendo — disse, me levantando. — Por hoje é só. Aviso vocês quando tiver novas informações.

- Como? — a mulher perguntou, se levantando um pouco aflita — Mas achamos que o senhor acharia o culpado logo...

- Um crime não se resolve em um dia só senhora — respondi — Sinto muito.

Depois das despedidas formais, saí da casa melancólica á procura de ar puro, a atmosféra naquele lugar parecia mais pesada do que em qualquer outra, e aquilo parecia oprimir quem tentasse ficar ali por muito tempo.

Voltei para o hotel pensando nos desenhos, nunca havia visto uma criança tão obcecada por monstros perseguindo-a a ponto de desenhá-los, algo parecia errado naquela história, e eu tinha que descobrir o que era.

Andei de um lado para o outro, na rapidez que aquele pequeno e irritante aposento permitia, tentando provar para mim mesmo que aqueles papéis que havia achado por acidente eram puras fantasias de uma criança inocente, porém pareciam que os fatos estavam contra minha insistência.

Passei a noite em claro pensando naquilo, até que a fraca luz do quarto me trouxe uma dor de cabeça tão forte que o som do relógio pequeno parecia uma sirene ligada, percebi que não aguentaria ficar de pé no dia seguinte se não fosse dormir, então fui vencido pelo cansaço.

O dia amanheceu claro refletido pela janela de fernte para a cama, forçando-me a acordar dos pertubados sonhos que tinha, levantei e liguei para meu chefe, perguntando o endereço da escola em que a menina estudara, já tinha meu próximo interrogatório em mente.

Esperei o horário que havia combiando para ir ao lugar, olhando pela janela para a cidade abaixo que corria em sua rotina apressada e distraida, ninguém percebendo que um assassinato sem causa havia acontecido a tão pouco tempo, ás vezes a frieza da sociedade me assombra.

Cheguei em frente á modesta escola depois de minutos dirigindo na trânsito caótico, fui recebido pela diretora da escola, seus olhos escuros mostravam nervosismo diante da situação em que se encontrava.

- Olá — disse ela de um modo apressado, enquanto se sentava em frente á sua mesa na diretoria.

- Oi — disse, tentando sorrir para acalmá-la, acredito que aquilo não funcionou. — Queria saber sobre o comportamento de Luiza na sala de aula.

- Ah, ela... sempre foi uma menina muito comportada, e tinha muitos amigos também... — disse a diretora, surpresa com a pergunta tão direta.

- E ela comentava algo fora do comum?

- Não — disse ela, parando por um instante, parecendo lembrar de um detalhe esquecido — bom, ela começou a falar repetidamente sobre "coisas" perseguindo-a de umas semana pra cá.

- E o que vocês faziam? — perguntei, chegando ao ponto que queria.

- Nós tentávamos acalmá-la, quase todo o dia ela vinha aqui para conversar comigo sobre isso.

- Ela ficava muito nervosa quando contava?

- Bem, ela sempre estava um pouco amedrontada, mas nunca demos muita atenção á isso. Sabe como são as crianças, têm medo até da própria sombra. — ela disse, um sorriso amarelo despontando no canto de seus lábios.

- Descreva o que e como ela lhe falava. — disse, nbão deixando o assnto por acabado.

- Ela... Flava em sussurros, sempre dizendo que tinha emdo da coisa ouvir, olhava sempre para os lados, procurando-a em todos os cantos. Era dificíl manter a atenção dela em algo quando isso acontecia.

- O que ela dizia? — insisti.

- Que a coisa a queria, que ela devia partir com ele e deixar o que devia ser deixado para trás. Ela dizia que ouvia ele murmurando isso em seus pensamentos — disse a mulher, uma expressão desagradável atravessando seu rosto ao se lembrar da cena.

- Mas alguma coisa? — perguntei.

- Bem, ela também dizia que ouvia-o sussurrando que se ninguém fizesse nada tudo ia acontecer mais rápido que o previsto, o que deveria ser deixado estaria debaixo de seus sonhos. Não lembro de mais nada.

Fiquei olhando para o vazio por um tempo enquanto ela falava, tentando capturar algum fio que as palavras deixavam, até que um quebra-cabeças solucionado passou pela minha mente, tudo se encaixando perfeitamente.

- Obrigado, você foi de muita ajuda. — disse, já em levantando e saido.

Deixei a diretora atordoada em sua sala perfumada e segui para o carro, pronto para fazer uma segunda e última visita aos pais da menina.

Corri até a porta e bati impaciente na porta, em instantes a mulher que me recebera daquela vez aparecia na porta assustrada com as fortes batiudas que ecoavam pela casa.

- Me deixe ver o qaurto de sua filha,por favor — disse, mau contendo a ansiedade.

- Claro — ela disse, não entendendo a importância daquilo.

Seguimos para o quarto já conhecido por mim, fui para debaixo da cama sem hesitar, já sabendo o que encontraria ali: o amuleto que a menina tantas vezes desenhara junto ao monstro.

- Mas isso não é dela! — a mulher exvlamou, assim que viu o chamativo objeto azul em minha mão.

- Não era. — disse, pegando um dos desenhos que levava comigo e entregando-o á ela — É dele.

Assim que viu a imagem e o objeto novamente, a mulher empalideceu como um velho pedaço de papel, ao perceber que a filha estava certa o tempo todo.

- A verdade foi paga.

Notas finais
Reviews me fazem feliz :D'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!