Morte

1 A mulher de cabelos Negros e Foice


Notas iniciais
Álcool como aviso. Mas nada demais. Um pouco de alcool nao faz mal a ninguem...

Olhei-me novamente no espelho quebrado, com as bordas antes reluzentes. Peguei o batom vermelho vivo como o sangue e passei em meus lábios. Troquei de roupa novamente, substituindo o terno preto por um vestido também negro de gala. Sua cauda descia por minhas pernas e tocava o chão

levemente. Sentei em uma cova qualquer e vesti meu sapato de salto alto, enquanto prendia meu cabelo em um coque. Pronta, comecei a caminhar para fora do antigo e macabro cemitério. Hesitei. Por que eu tinha que fazer aquilo? Por que eu era a encarregada de aprisionar a alma das pessoas? Por que eu era a morte?

Abri minha bolsa e de lá tire um pergaminho: o pergaminho dos mortos. Olhei no topo de minha lista, e um nome estava escrito em uma tinta negra como meu vestido. Harry. Harry Redbird. Esse era o nome do empresário no qual era meu dever matar.

Sai pelo portão enferrujado do local e andei pela rua até parar para chamar um táxi.

-Mansão Redbird, por favor. –pedi ao motorista enquanto acomodava-me no banco traseiro do carro.

-Como quiser madame- respondeu dando a partida no mesmo e pondo-se a caminho.

Apoiei meu rosto em minha mão enluvada, observando a vista pela janela. As luzes, as pessoas, a movimentação, a vida... Tudo isso me fascinava. O tédio apossou-se de mim rapidamente, mais do que eu esperava. Comecei a conversar como motorista então. Tinha um bom papo para meu gosto, devia estar por volta dos 40 anos e vestia uma camisa e um colete xadrez. A conversa entre eu e ele se prolongou até o carro parar. Havia chegado ao meu destino.

-Seu nome?- perguntei sem pressa enquanto tirava de minha bolsa um talão de cheque e começava a preenchê-lo.

-Alonso McCarty — respondeu fazendo-me parar. Perplexa, terminei o cheque e despedi-me do senhor.

-Até em breve

-Quem sabe nos veremos de novo — acenou

-Acredite... Mais cedo do que pensa... – sussurrei. Tirei rapidamente o pergaminho de minha bolsa para uma rápida verificação. No topo, Harry Redbird. Em segundo, Alonso McCarty. O remorso recaiu sobre mim. Era um senhor tão simpático...

-Mas é o destino... – pensei guardando o documento. Caminhei até a entrada da mansão passando direto pelo segurança. Este, não me barrou, pois já havia sido instruído para não fazê-lo. Entrei no vasto saguão. Muitas pessoas conversavam e bebiam. A bebida. Era uma ótima aliada nos dias cheios de, ahn... Clientes. Logo localizei o meu. Estava no centro do salão com uma moça, que aparentava ser bem mais nova. Ele trajava um terno preto bem básico, mas culto, e ela, usava um vestido vermelho, combinando com a maquiagem e o sapato, realçando o cabelo loiro e cacheado que pendia sob seu ombro.

-Senhor Redbird? É um prazer conhecê-lo! –saudei estendendo minha mão. Ele, a beijou, sem hesitar, e tive que encarar o olhar enfurecido da loira.

-Poderia conversar a sós com o senhor? – disse em um sorriso um tanto malicioso. Não me agradava seduzir homens apenas para matá-los. Suspirei por dentro.

-Como quiser madame. – e me seguiu até um quarto qualquer. Entramos e ele trancou a porta enquanto começava a beijar-me.

-Senhor Redbird? – suspirei em uma falsidade quase impossível de perceber.

-Harry por favor – pediu beijando meu pescoço.

-Harry, chegou a sua hora. – e afastei-me dele enquanto fitava-o. Correntes saíram da parede e prenderam-no enquanto o silenciava. Estendi meu braço direito e abrindo minha mão, uma vasta fumaça negra surgiu nela fazendo aparecer uma majestosa foice. Mesmo no pequeno aposento, comecei a gira-la e como um atirador de elite, ceifei o homem em um movimento: direto e preciso. A lâmina cortou seu pescoço e sua alma saiu dela sendo puxada pelas correntes até minha foice.

-Você foi um traidor. Um corrupto. Um pecador. Vai queimar no inferno, mas não se preocupe... Por enquanto... – sussurrei a minha foice convicta de que ele ouvia.

Sai atravessando a parede. Cheguei na rua, mas ninguém me via. Invisível. De meu dorso, grandes e negras asas brotaram e levantei vôo. Rapidamente localizei o taxista no qual eu deveria matar. Como eu havia dito, as vezes o álcool me ajuda com certos serviços, e ele atuara perfeitamente, fazendo o homem cair de uma rodovia. O homem sobreviveu a queda, mas não a explosão que seguiu. Voei até lá. Seu corpo estava banhado de sangue. Mesmo eu sendo a morte, senti-me culpada, e com minha arma, recolhi sua alma. Não fora um homem mau, e por isso, teria uma vida pós morte tranqüila. Diferente do primeiro.

Na noite que ainda sucedia-se, eu tinha apenas mais uma pessoa na lista. Tirei a de minha bolsa e observei os dois primeiros nomes sumirem em uma pequena fumaça formada pela tinta que desgrudara do papel e li: Julia Night. Eu iria matar uma garota de apenas 12 anos... Li seu perfil. Estudiosa, cabelo preto e liso, estatura media... Seria uma pena matá-la, mas é o meu trabalho não?

Fui até a casa da garota. Ela estava em sua cama, com as costas para cima, apoiando em seus cotovelos. Ela focava apenas o olhar no livro aberto, até eu chegar perto e pousar minha mão em suas costas. Eu esperava, como todas as pessoas, que ela se assustasse. Temesse. Temesse a morte.

-Chegou a hora. – sussurrei enquanto abaixava-me para encará-la. Esta, apenas olhou-me sem mostrar reação nenhuma. Nenhum sentimento. Nem um pouco de vida. Suspirou.

-Vai doer? – perguntou de um jeito inocente, fechando seu livro e sentando-se na beirada da cama. Desamassou sua roupa amarrotada e ajeitou o cabelo.

-Só se você quiser... – respondi, mesmo estando convicta que iria negar

-Não, não quero. – afirmou correspondendo minhas expectativas.

Levantei-me e invoquei minha foice e em um singelo movimento, mesmo para a tamanha arma no qual emanava a tristeza, a solidão, a morte, ceifei sua alma. O recém cadáver caiu da beirada da cama. Peguei o corpo sem vida e ajeitei-o na cama.

-Descanse em paz – suspirei, pondo-me a voar de volta ao cemitério.

Notas finais
Ok, minha neura de mata as pessoinhas nas fics volto
HASUASHUASHU'
Brinks Juuh, eu te matei na minha fic, como pedido Contenti? "
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!