Morte.
1 Morte.
Às vezes eu penso na morte
Em como será esse drama
Penso se terei essa sorte
De morrer velhinha na cama
Os cabelos brancos, tão brancos
Quanto o macio travesseiro
Ao lado de um marido franco
Que tenha sido um cavalheiro
.
Mas talvez eu possa morrer
Em um desastre natural
A Terra mostrando o poder
De ser linda e de ser fatal
Talvez arrastada na lama
Da cidade de Mariana
Mas a natureza reclama
É culpa da preguiça humana!
.
Mas talvez eu acabe por ser
Uma vítima do terror
Uma vela a se acender
Em frente ao palco da dor
Tem gente que mata quem quer
Tem gente que não quer morrer
Que morre por não ser fiel
Ao que não pôde conhecer
.
Ou talvez eu morra afogado
Tentando fugir de uma guerra
Apenas um refugiado
Querendo ser parte da Terra
A Terra tão boa e com paz
Como hoje não mais se faz
E se eu fosse uma criança
Nadando atrás da esperança?
.
Tem gente sofrendo aqui dentro
Tem gente sofrendo lá fora
Mas quero saber de vocês
O que estão fazendo agora?
Quem briga por coisa pouquinha
Não aprendeu o que é sofrer
Por causa de uma briguinha
Já quer fazer acontecer
.
Alguns reclamando da vida
Com casa, comida e telhado
Não sabem da vida sofrida
De alguém que é refugiado
Dê as mãos aos seus inimigos
E tente sempre fazer mais
Pois logo, pode vir a morte
E aí, vai ser tarde demais
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