Mortal Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Deixem uma Review com criticas construtivas, isso ajuda muito a melhorar a qualidade das histórias! Aproveite a trama!
As ruas de Nova York estavam ensopadas com a chuva forte que caía naquela noite e as pessoas procuravam abrigos nos restaurantes e lojas mais próximas. O bairro de West Village é conhecido por ter um estilo europeu além de abrigar diversas celebridades e ser bem pacato, ninguém ali imaginaria que uma mulher estaria correndo perigo de vida e, muito menos, sendo perseguida por um grupo de daemons.
Andando sempre a passos largos, a mulher atravessa a rua e, ao olhar para trás, localiza seus perseguidores: seis cacodaemons, criaturas do submundo com a não tão incrível capacidade de mudar de forma com o propósito de causar o mal entre os seres vivos. Em sua forma natural, um cacodaemon se parece com o peixe conhecido como "diabo negro do mar" porém é feito de fumaça e possui cinco olhos e a pele escamosa de um vermelho escarlate além de ter dentes são afiados e venenosos. Sabendo que não poderia passar mais um segundo ali antes que os olhos amarelados dos demônios a encontrassem, a jovem virou a direita e entrou na primeira esquina. Carregava a mochila vermelha sobre o ombro esquerdo enquanto mantinha uma aljava de flechas negras no direito. O arco era seu colar, um cordão de elástico preto que prendia uma caveira prateada, bastava um puxão para que se transformasse em uma arma. Como todo arqueiro, ela mantinha uma adaga de ouro imperial no coldre de couro preso a perna direita por precaução. Antes de dobrar a esquina seus olhos voltam para trás e vêem os cacodaemons se transformarem em pessoas. A esse ponto, a chuva havia engrossado um pouco mais e isso dificultava sua visão e ela tinha pouco tempo para se esconder já que as criaturas iriam virar a esquina a qualquer segundo. Á sua frente, alguns adolescentes saem de um prédio, atrás deles há um restaurante mexicano e um pub, chamado Palace Bar, tocando Love Will Tear Us Apart, do Joy Division. Ambos os estabelecimentos parecem lotados ,além de serem ótimos lugares para uma semideusa desaparecer entre a multidão, mas em qual deles entrar? Sua dúvida foi esclarecida pela sombra que a guiava, um espírito enviado por seu pai para ajudar a jovem a alcançar o objetivo de sua missão. Ele apontava para a porta do pub, na qual um segurança muito mais alto que ela se encontrava sobre a proteção do telhado. Nesse instante, o grupo de adolescentes passa por ela e seu corpo se move para a porta, o segurança fica relutante em deixá-la entrar, mas deixoi o cansaço (e a preguiça de verificar mais uma vez a identidade de alguém) vencerem, afinal, já eram duas e quarenta da madrugada. Ela entra e, ainda tensa, anda entre a multidão procurando um ponto onde não possa ser atacada de surpresa e decide que o balcão onde são vendidas as bebidas é o local quase perfeito, haviam bancos individuais, alguns ocupados por jovens que pareciam ter saído de algum filme dos anos 80. A música havia mudado também, agora o som tocava Let's Dance, sabia disso porque sua mãe adorava as músicas de David Bowie. Andando calmamente entre as pessoas que dançavam na pista com luzes coloridas, ela encontra um banco vazio perto do atendente e, sem pensar duas vezes, vai até lá e se senta. Com a mochila sobre o balcão, procura por seus denários, tinha certeza que não havia gastado todos em sua última visita ao Starbucks. Enquanto procurava percebeu o quanto estava suja: suas mãos estavam com alguma coisa preta que parecia ser carvão, talvez derivados da explosão do galpão dois dias atrás; seus braços estavam arranhados, principalmente no braço direito, quase alcançavam as letras SPQR da tatuagem romana; sua jaqueta preta ajudou a esconder a sujeira e evitar olhares desconfiados, mesmo usando uma calça jeans azul muito suja de carvão ainda estava na temática do evento. Nunca agradeceu aos tanto aos deuses pelos punks e hippies por tornarem o estilo bagunçado socialmente aceito. Assim que encontrou seus denários, 15 moedas, pediu uma água. Mesmo se sentindo mais segura ela se certificara de que ninguém a encarava mais do que o necessário ou se, por acaso, havia algum peixe voador vermelho de cinco olhos flutuando sobre a festa. Ela ficou ali, parada, por uns 10 minutos, com os cotovelos sobre o balcão e os olhos na multidão que dançava. Eles pareciam tão felizes e tão... livres! Havia toda essa liberdade em Nova Roma, um lugar onde os semideuses podem ser normais, constituir uma família, fazer uma faculdade, seguir uma profissão... Mas para isso precisam ter 10 anos de legião e, para ela, ainda faltavam três anos. Mesmo não querendo se aposentar da legião era inevitável não contar os anos restantes. A música agora era Pet Semetary, do Ramones. Na beirada da pista de dança, uma mulher de cabelo rosa que dançava acabou escorregando na barra do próprio vestido e caiu; no lado esquerdo dela havia um homem alto de uns 30 anos ostentava um moicano amarelado com as pontas vermelhas e, só depois de forçar muito sua visão, ela percebe que o homem na verdade é um ciclope. Perdida na música e reparando em cada criatura ali presente, ela não percebe a aproximação de um homem. Ele encosta o cotovelo no balcão e, com a mão esquerda no bolso diz:
— Com licença, moça, posso te perguntar uma coisa? Assustada, ela leva sua mão direita a adaga na perna mas não a puxa. Ele cheirava a álcool e cigarros mas com um leve cheiro de perfume masculino. Seus olhos o analisaram de cima a baixo. Ele usava uma jaqueta de couro preta, aberta, exibindo a camiseta com o prisma do Pink Floyd; sua calça jeans estava dobrada nas pontas e seu AllStar estava desamarrado em um dos pés. — Você já me fez uma pergunta -responde ela, desconfiada, com seis cacodaemons andando pela região era impossível confiar em qualquer um.— Posso te fazer três perguntas então? Ele sorri.— Três?— Sim, eu já havia feito uma. Depois eu fiz mais uma mas a que eu quero fazer é a terceira — ao dizer isso, ele sorri novamente e aquele era, com muita certeza, o sorriso mais bonito que ela já havia visto, por isso sabia que se tratava de algum deus tentando enganá-la, mas já que estava num jogo então iria jogar.— Diga- ela responde de forma áspera e sem sorrisos.— Eu gostaria de saber se, apenas se, posso te beijar. Atônita, ela se levanta e percebe que ele era alto. Mas o que lhe chamou atenção foi a cor dos olhos do rapaz: eram de um azul tão claro que, por alguns segundos, 3 ou 4, ela ficou sem saber o que falar. Mas não iria cair nesse joguinho dos deuses, ela precisava sair dali e chegar segura ao ponto de encontro com os itens. O rapaz tinha um leve sorriso no rosto a este ponto como se soubesse que a conquista era sua. Voltando a si, ela pega a mochila vermelha no balcão e a coloca sobre o ombro esquerdo.— Vou ser obrigada a dizer "não" para a sua pergunta. Boa noite. De repente, o sorriso dele desaparece e sua expressão é de completa dúvida, como se aquilo não tivesse que acontecer. — Não precisa sair, eu mesmo me retiro. Tenha uma ótima noite. -diz ele se virando para a saída. Tudo aconteceu em segundos. O espírito-guia apareceu e a empurrou na direção do rapaz. Seus dedos encostaram o braço dele, agarrando-o com força e o puxando para trás. Nessa situação, ela não sabia o que fazer ou dizer, apenas se deixou guiar pelo espírito. O rapaz a encara, assustado, por mais que sua expressão não transpasse tal sentimento, ela sentia. — Qua..Qual seu nome?- pergunta ela, por impulso, talvez mais assustada que ele. — Sou Sam. E... você?— Anne... Me chamo Anne.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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