Morsmordre - Dramione

1 Capítulo 1 - As gotas de orvalho


Uma chuva torrencial era tudo que havia na floresta recoberta pelo manto negro da noite. Ela havia expulsado a vivida luz solar a horas e mais nada entrava ou saia naquele breu. Essa chuva cortante batia conta o rosto do garoto loiro que corria pela floresta negra. Os pés se moviam numa velocidade que ele nunca pensou que poderia chegar. Era a adrenalina passando por suas veias e percorrendo cada centímetro do seu corpo, injetando ansiedade e pânico. Era só isso que Draco temia, a morte. As pernas ameaçavam falhar, mas ele não podia ceder, sentia estar próximo da saída.

O chão se acumulava em lama e as folhas das árvores faziam ninhos estranhos de animais que ele não saberia reconhecer, talvez se prestasse mais atenção em trato das criaturas mágicas ele notaria que os rastros o levariam para fora daquela floresta. O tempo parecia estar parado e os animais estavam em silêncio temendo a coisa que perseguia Malfoy. Draco cometeu o erro de memorizar a rota fuga durante o dia. As árvores se moviam e trocavam de lugar cansadas e os animais se recolhiam, ele nunca sairia dali se dependesse de seus instintos. Os olhos arregalados, o corpo molhado e as feições mais pálidas do que o normal. Era uma noite deprimente, mas ele iria superar isso.

Parou e olhou para cima tentando se recordar do que via. A respiração descompassada e o suor que se mesclava a chuva, nada o deixava raciocinar. Ouviu o uivo a poucos metros e voltou a correr sentindo o ar faltar dessa vez. Passou por um tronco marcado e desacelerou os passos virando para olhar o caminho e quase sorriu por um segundo pensando que conseguiria sair vivo no fim das contas, pobre Draco.

Estava no fim do seu folego quando sentiu as garras acertarem suas costas.

Com todos os monstros com quais ele convivia o pior deles estava atrás de si agora. Greyback havia ganho a tarefa de punição de Draco Malfoy, por se recusar a concertar o armário sumidouro. Tarefa que Voldemort ainda iria incumbir Draco de realizar. Não importa o que você faça. Uma vez comensal, sempre comensal.

O sangue quente começou a marcar a blusa branca e os olhos arderam demais para ele continuar acordado, ouviu apenas um último rugido horripilante de GreyBack soar em seus ouvidos.

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O menino que sobreviveu estava sentado no salão comunal da grifinória olhando para os melhores amigos sentados à sua frente. Eles se sentavam no chão e Harry estava com as costas encostadas na poltrona de mogno com almofadas vermelhas, a lareira queimava ao lado deles e podia se ouvir o barulho da chuva tamborilando ao bater gotas no vidro.

Estavam ali depois de duas semanas chegadas a Hogwarts, o primeiro momento de paz até então. Hermione tinha um livro de trato das criaturas ao seu lado assim como Harry e seu livro de poções, o ruivo estava com um saco de doces. Haviam acabado de chegar do Jantar e de um dia cheio de aulas, mesmo assim a discussão estava um pouco calorosa, Ron estava franzindo a testa para as perguntas estranhas de Harry.

“Hermione, o pai dele é um comensal da morte tem tudo a ver” – As feições da garota de olhos claros pareceram entender onde o amigo queria chegar e logo ela bufou rendida ao assunto. Harry estava a mais de uma semana em Hogwarts falando sobre o assunto. Ron colocou mais alguns doces na boca querendo se recusar a falar disso – “O que era aquela gente toda? Parecia uma iniciação.”

“O que você sabe quem ia querer com um imprestável?” — Ron falou com a boca cheia e tomou um tapa no ombro de Hermione. — “Desculpa” – outro tapa. Estavam em uma guerra para Ron não falar de boca cheia, se quisesse comer que comesse educadamente. O ruivo ultimamente estava sempre com a boca cheia, frustrado com a ideia de que logo teria as eliminatórias para entrar no time de quadribol e ele estava treinando muito pouco. Os N.I.E.M.S estavam deixando os amigos loucos de tanto estudar, ele nem tinha mais tanta a atenção de Harry, que estava encucado com a cena que viram nas férias.

“A questão é por que o Malfoy parecia tão incomodado?” — foi a vez de Hermione retrucar com a voz do bom senso. Harry, se deu o esforço de entortar a boca, o que ela já sabia que significava. O rapaz tirou os óculos e os colocou ao seu lado. – “Eu não tenho certeza do que eu vi.”

“Aconteceu, ele é um deles.” — A garota bufou novamente e colocou o livro em seu colo, como quem ameaça se levantar — “A cara do Malfoy é sempre aquela, Hermione.” — Um clarão fez ela se sentar novamente, agora estava a mercê da tempestade e odiou-se não poder fugir daquele papo. Pareceu que Harry esqueceu-se até seu nome quando as portas da sala comunal se abriram e a garota ruiva e sardenta passou por eles conversando com outro grifinório. Ron nem se quer notou a presença da irmã, cansado do assunto resolveu engajar um novo, um que lhe importava no momento.

“Harry, nós precisamos treinar, as eliminatórias estão chegando e eu preciso entrar no time” — Esse era um assunto ao qual Hermione não gostava muito ela revirou os olhos e abriu o livro que estava em seu colo, como quem diz que se recusa a falar. Harry sorriu amarelo para Ron

“Nós podemos ir amanhã até a cabana do Hagrid e treinar lá por perto” — os olhos de Hermione saíram do livro e foram direto ao encontro dos de Harry, eles agora pareciam cansados e perdidos na ruiva sentada na mesa a esquerda falando claramente que adorava conversar com Thomas. O ventre do rapaz se contraia de ver a cena e ele cerrou os punhos. Ron concordou se levantando.

“Vamos dormir o dia vai estar...” — um uivo horripilante e alto cortou o barulho da chuva, da lareira e sessou todas as conversas. Era a coisa mais forte que eles já ouviram desde do dia que presenciaram a transformação do professor Lupin. O livro de Hermione foi ao chão e ela se levantou bruscamente, assim como Harry. “Ouviram isso?”

“Não é lua cheia” — Hermione retrucou na hora. Mostrando que não poderia ser o que eles estavam imaginando, a ruiva e o rapaz se aproximaram do trio para olhar pela janela, verificando se havia algo lá fora. Mas estava tudo como o conforme, chuva durante a noite era normal.

“Deve ter sido alguém de brincadeira” — Harry se pronunciou mirando chegar no quarto e conferir no mapa do maroto se Lupin não estava no castelo. Hermione entendeu o recado quando estava recolhendo o livro no chão, certamente ela tinha que ir na biblioteca conferir se não havia nada sobre isso. Ron passou a empurrar Thomas pelas escadas para ficar longe da sua irmã e ir dormir também, no fim das contas a noite já havia caído não havia nada que podiam fazer mais.

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Hermione não conseguia pregar os olhos por conta do uivo, nada tirava de sua mente que algo errado estava acontecendo e não era apenas paranoia como as de Harry. Voltou a pensar em Malfoy e os fatos não ajudavam em defesa do rapaz, as coisas pareciam estar mesmo mudando para ele, parecia cada vez mais amedrontado e incoerente já que esbarrava nos lufanos e pedia desculpas, coisa que Malfoy jamais faria. Deveria ser apenas com eles que Malfoy ainda implicava, mas esses eram velhos hábitos que provavelmente ainda seriam difíceis de mudar. Talvez ele estivesse crescendo.

Revirou-se na cama mais uma vez e fechou as cortinas para tentar não ver os clarões de luz que os raios proporcionavam. Olhou para o malão ao seu lado antes de fechar completamente a cortina vermelha, mordendo os lábios ela se sentou na cama, preocupando-se que alguém notasse, verificou que todas ao redor estavam dormindo em um sono pesado. Puxou um frasco de um compartimento aparentemente secreto e o olhou mais uma vez, nele haviam fios de cabelo uma folha de mandrágora mastigada, faltavam apenas a gota de orvalho e a parte mais nojenta, uma secreção de mariposa. A gota podia conseguir pela manhã, mas apanhar a mariposa seria a pior parte. Colocou o frasco no lugar e retirou o livro de trato das criaturas mágicas, deitou-se e passou a ler sobre o processo de retirada da secreção, teria que fazer isso naquela manhã, estava com medo já que a lua cheia seria em 3 dias.

Ela logo poderia passear livremente pelo castelo, a hora que bem entendesse. Mesmo que se sentisse uma criminosa, ela estava empolgada com a ideia.

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“Ainda acho que é muito desnecessário que nós acordemos essa hora apenas para treinar” — Ron choramingava enquanto caminhavam para a cabana de Hagrid. O dia havia acabado de nascer e o tempo estava como na maioria dos dias em Hogwarts, nublado. Os rapazes traziam consigo duas vassouras e Ron estava de capacete, Harry trazia apenas uma bola debaixo do braço e estava vestido com as vestes, planejava ir direto para as aulas depois daquilo, ainda teria que ver Dumbledore naquele dia. Hermione por sua vez vinha ao lado dos rapazes com suas vestes e um livro nas mãos.

“Hermione tem razão sobre acordar cedo, faz bem para a pele e você está mais disposto quando a luz” — Harry tentou argumentar com Ron. Pela primeira vez na semana o garoto não estava reclamando de fome ou algo parecido, mas claro ele sempre tinha algo para reclamar. — “Seria legal se Ginny tivesse vindo conosco” — disse disperso. Um riso baixo saiu dos lábios de Hermione e Ron os olhou sem entender — “Ela faria companhia a Mione” — concertou assim que notara.

“Com certeza Ginny ficaria jogando com vocês, da próxima nós a chamamos mesmo assim.” — disse antes que Ron tentasse ligar os pontos, mas era de manhã, obviamente ele não entenderia. Hermione se perguntou quando foi que Harry começou a se interessar tanto por Ginny, mas estava assim desde as férias. Harry falando coisas sem nexo sobre Ginny e Hermione tentado dispersar, o rapaz parecia que não entendia bem o quanto Ron tinha ciúmes da irmã, mas quando passou a entender estava sempre se corrigindo ou se policiando.

“Aqui já está bom, duvido que Hagrid se incomode conosco fazendo barulho aqui” — Hermione nem se quer ouviu o Ron disse ela já estava caminhando em direção a floresta olhando as árvores e se perguntando se conseguiria uma boa gota de orvalho. No livro nada dizia que tinha que ser de alguma arvore especifica ou algo parecido, olhou para trás e viu Harry e Ron já no ar rindo e falando algo que ela não conseguia entender. Decidiu se aventurar um pouco mais e entrou na floresta em busca da gota, já que estava fazendo uma coisa errada, fazer duas não era mais um problema.

Puxou o frasco das vestes e algo enrolado em um pano embolorado e sujo que ela havia roubado de um elfo quando ele se distraiu, ela passou a se aproximar mais e mais de uma árvore baixa quando conseguiu ver a formação da gota. Foi simplesmente maravilhoso olhar aquilo, era tocante ver a natureza ao seu redor fluindo sem magia, mesmo se tivesse crescido em escola trouxa ela ainda ia achar um pouco de mágica para se alegrar. Com esse pensamento ela tirou do pano uma colher e largou o frasco aberto ao seu lado, ela estava agachada tirando gentilmente a gota de orvalho com a colher e foi rápida em transpassar para o frasco antes que evaporasse. Sorriu contente, não achava que ia conseguir de primeira. Olhou novamente o frasco e o balançou feliz.

“tem alguém aí?” — a voz parecia rouca e cansada e ela não reconheceu de primeira. Guardou o frasco rápido e quis sair depressa da floresta, levantou desajeitada e segurou a varinha dentro da veste. Andou em passos cuidadosos até sentir algo segurar a sua perna. Soltou um grito cortante de puro pavor ao ver que todo sujo de lama e sangue se encontrava uma pessoa. “Tinha que ser você, podia ser qualquer um” o rapaz não conseguia se levantar. Hermione se aproximou mais e viu ele virado de bruços a camisa branca estava enlameada e tinha algo preto como sangue coalhado em meio a aquelas folhas, ele parecia ter se arrastado. Então a cabeleira clara e o nariz arrebitado fizera Hermione prender a respiração

“Ma-mal-malfoy?” tentou reconhecer a cabeleira loira e se agachou tentando colocar o rapaz em seus braços ele se encolheu quando tocou em seus ombros “O que está acontecendo?” tentou entender o porquê de Malfoy estar sujo na floresta.

“Hermione” — ouviu os gritos dos rapazes e quase se levantou, mas sentiu a mão puxar seu pulso. Ela olhou novamente e ele pareceu desesperado, como se estivesse tendo uma crise, Malfoy tremia e se debatia fraco querendo se levantar. Sem saber o que fazer, ela tentou limpar a lama do rosto para ter certeza. “Hermione” ouviu mais uma vez o chamado de Ron.

“Eu estou aqui” — gritou de volta tentando ser encontrada. Teve a certeza que era Draco quando deixou o rosto um pouco mais limpo. Ele mal conseguia manter os olhos abertos e estava quente como quem está febril. Os passos da correria aumentaram gradativamente e ela gritou de novo “Harry, Ron venham logo” era um estranho sentimento de compaixão que habitava o interior de Hermione, ela queria poder se lembrar de algum feitiço, entretanto sua mente estava turbulenta e em crise.

“Não me deixe morrer” — foi quando notou que estava mesmo fazendo aquilo, estava salvando Malfoy. Mas a pergunta era: Do que?

Notas finais
Hey? Okay, eu vou começar falando que o Draco Lobisomem não é uma ideia nova. Todo mundo obviamente já deve ter lido algo parecido, mas eu gostaria que vocês não se prendessem nesse quesito. Essa fanfic não é só uma Dramione ela é sobre o trio de ouro tentando salvar o Draco, com um romance Dramione. Então nem todos os caps vão girar em torno do romance Eu estou escrevendo essa fic a 5 anos e queria muito que tivesse alguém pra ler ela ;-; estou me sentindo segura apenas agora para postar e eu espero q não floop ;-; então se você está lendo isso por favor comente, vai me ajudar :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.