Morsmordre

1 The Snakes Start to sing


Notas iniciais
Andromeda Black é comensal da morte e apoia as crenças da família. Nem tudo é o que parece e nem todos são o que dizem ser.

A marca negra estava no céu aquela noite, trazendo a sensação excruciante de desespero. Sua pele coçava e ardia ao atender o chamado de seu mestre, seus longos cabelos castanhos esvoaçavam e um sádico sorriso estampava seu rosto bonito. Enganava-se aquele que pensava ser Bellatrix a mais terrível das irmãs Black, provavelmente o pobre tolo não conhecia a verdadeira face de Andromeda.

Havia cumprido mais uma tarefa e estava orgulhosa do resultado, Alice e Frank Longbottom não tiveram ao menos a chance de revidar seus ataques. Agonizaram como duas crianças indefesas, perdendo a consciência logo em seguida. Aquilo a havia deixado satisfeita, mas apesar de tudo, Black sabia que aquela noite seria extremamente longa e um tanto divertida, a mulher só precisava ir de encontro ao seu último alvo. Ou melhor, seu brinquedo favorito.

Já era madrugada quando Andy retornou até a mansão dos Malfoy junto de Rodolphus e Rabastan Lestrange, companheiros na tortura do casal Longbottom. Lucius recepcionou os outros comensais, avisando que o mestre esperava no salão principal. Era óbvio para todos que a favorita de Voldemort era Andromeda e por isso ninguém ousava desrespeita-la, sequer olhar torto para ela.

Sua irmã Bellatrix sentia certa inveja pelos privilégios que ela recebia mas nunca deixaria isso cair nos ouvidos da mais nova. Sabia que sua vida se tornaria um inferno caso acontecesse.

O clima, como de costume, estava pesado e o odor forte de morte estava impregnado nas paredes da grande casa, tornando tudo ainda mais assustador para a mulher que estava sendo torturada quando Andromeda entrou no salão. Narcissa, sua irmã mais nova, parecia deslocada e assustada e este fato chamou a atenção da Black do meio, que fez uma nota mental para interrogar a loira depois. O grito agudo de dor que a pobre mulher emitiu foi o que a despertou novamente, causando um arrepio gostoso em sua coluna.

— Vejo que começaram a festa sem mim — foi tudo que Andromeda disse, recebendo olhares dos presentes, incluindo Voldemort. O homem sorriu quando avistou as vestes sujas de sangue que a morena carregava consigo, ela nunca falhava.

— Minha querida estávamos apenas aquecendo. Venha, diga-me como foi com os traidores de sangue — Voldemort falou, com a voz carregada de orgulho — Ao que parece tudo ocorreu bem, estou feliz por uma de vocês ser realmente útil.

— Milorde, sempre faço meu trabalho — sorriu, atirando um olhar sujo para Bellatrix, que adotou uma expressão tempestuosa no rosto magro — Ao contrário de minhas irmãs, obviamente, já que são fracas e ainda possuem compaixão por aqueles vermes. Tolas.

Narcissa apenas respirou fundo, sentindo as mãos de Lucius pesarem em seus ombros desnudos.

— Muito bem, muito bem. Ouçam todos, hoje será um grande dia para a história do mundo bruxo! Nós, sangue-puros, iremos fazer o que já deveria ter sido feito há muito tempo. Iremos acabar com os traidores. Aqueles que acreditam no poder do sangue, assim como nós acreditamos, terão um lugar lado a lado conosco. Quanto aos outros... matem todos. Não podemos deixar que eles continuem a poluir nossas linhagens, com esses nascidos trouxas... Hoje a noite. Essa data será lembrada por nossos descendentes e será louvada. Todos sabem seus deveres para esta ocasião, mas você, minha doce Andromeda, deverá acabar com o que começou em Hogwarts, espero que seja agradável — declarou Lord Voldemort — Não ficarei parado aqui, se é o que estão pensando...

— Onde irá, Milorde? — questionou Lucius, torcendo para que Draco não chorasse naquele momento. O homem iria deixar Dobby encarregado de cuidar do pequeno bebê.

— Meu caro Lucius, irei fazer uma visita aos Potter.

Aqueles eram tempos sombrios e não havia como negar.

[...]

Dizem que as pessoas conseguem pressentir o perigo quando ele está próximo, que existe uma espécie de sentido especial capaz de detectar as ameaças futuras. Que existe proteção. Era bobagem, claramente. Ou pelo menos era o que passava pela mente de Edward Tonks naquele momento. Era difícil acreditar que uma das pessoas cujo mais confiava, estava ali, em sua frente. Com sangue nas mãos e um sorriso sarcástico no rosto.

— Sentiu minha falta, querido? — indagou Andromeda, limpando as mãos ensanguentadas no vestido preto que usava — Espero que não se importe mas fiz uma visita aos seus pais antes de chegar aqui.

— Andy, o que está acontecendo? — perguntou assustado, procurando algum sinal da mulher que conhecia. Ela parecia outra, tudo parecia fora do lugar.

Talvez fosse Bellatrix, não é? Elas eram extremamente parecidas... não, não poderia ser. Enganar a si mesmo não iria ajudar, não naquele momento.

Ted chacoalhou a cabeça, tentando espantar aquela alucinação. Abriu os olhos e se deparou com o belo rosto de Andromeda, a mulher parecia estar se divertindo.

— Dromeda, isso não tem graça! O que está acontecendo? — a voz trêmula de Tonks parecia agradar a morena, que alargou ainda mais o sorriso — Amor...

Andromeda riu com escárnio, aproximando-se do homem como uma serpente se aproxima de sua presa. Calma, decidida, cuidadosa. Inspirou profundamente quando ficou cara-a-cara com ele, levando o nariz até o pescoço de Edward, que ainda estava sem reação.

— Seus pais estão mortos querido, você está sozinho agora — murmurou, deixando um beijo na bochecha dele — Eu sinto o cheiro do seu medo, Edward. Você não vai escapar de mim outra vez, não tem seu amiguinho pra te ajudar. Sabe o porque? O matei também.. assim como vou fazer com você agora. Sabe querido, as coisas são tão fáceis com você, facilitou muito o meu trabalho.

— Andromeda por favor não, amor não... isso está errado, nós nos amamos e vamos casar, ter nossa casa e filhos. Andy, o que fizeram com você? O que... — as palavras do homem foram cortadas quando a mão delicada de Black chocou-se contra seu rosto. O som parecendo retumbar pelo silêncio.

Os olhos dele se fecharam por um momento e os dela também, por um único segundo parecia que sua noiva havia voltado. Mas então, ela riu outra vez.

— Tsc tsc — murmurou a mulher — Como eu disse, você facilitou as coisas para mim Ted. Desde o começo, desde os primeiros anos naquela maldita escola. Fazer todos acreditarem que eu era a irmã rebelde que não aceitava as crenças da família... foi tão fácil! Sabe, Sirius e eu fomos ótimos nisso. Ah, acho que você não sabia.

— Sirius ele... como ele pôde, como você pôde... — Edward parecia estar em uma espécie de transe, murmurando coisas desconexas enquanto olhava a morena nos olhos — James e Lily, Alice e Frank... eles... Remus...

— Alice e Frank também foram alvos fáceis, se você quer saber. Ganhar a confiança das pessoas e depois traí-las é minha especialidade — brincou, levando uma das mãos até os cabelos de Tonks, agarrando-os com força — O segredo dos Potter foi algo fácil de conseguir também, Sirius é competente. Enquanto a você, seu verme inútil, deveria aprender a ouvir seus amigos. Aquela garota Smythe, sua colega de casa, ela sempre te alertou não foi? Lembro-me bem.. por fim, ela tinha razão, realmente não sou o que pensavam.

Black apertou ainda mais os cabelos de Edward, fazendo com que ele se curvasse de dor. Caminhou até a parede mais próxima, batendo a cabeça do homem lá. Ted caiu, sentindo a dor passar por todo seu corpo. Emocional e física, ele estava sendo destruído aos poucos.

— Nós nunca seríamos compatíveis Ted, nossas famílias são muito diferentes e acredite em mim, se pudesse manteria você como um brinquedinho pessoal. Você foi meu favorito por um longo tempo, querido. Mas os tempos estão mudando, nós estamos mudando e não existe lugar para alguém como você no meu mundo — disse Black, abaixando-se até estar na altura dos olhos do ex-noivo — Tudo que falei esses anos foram mentiras, nunca sequer pensei em realmente casar com você, ter filhos seus. Ser tolo é de sua natureza, não é Ted? Me livrar de você será mais rápido do que me livrar de Regulus, aquele fedelho intrometido.

A mulher chutou-lhe as costelas com força, se divertindo quando um ofego foi ouvido. Sacou a varinha e apontou diretamente para o rosto destroçado do homem.

— Realmente achou que poderia ter algo de mim, Tonks? A única coisa que você receberá é o desprezo — murmurou, lambendo o sangue que se encontrava na bochecha dele. Aparentemente a pancada na parede havia sido forte demais e causou um corte — A dor que está sentindo agora não é nada comparada com a que sentiria se outro comensal estivesse aqui, teve sorte de Voldemort me enviar.

Edward juntou as forças restantes e agarrou a mão da mulher, piscando lentamente para tentar manter o foco. Sentia sua alma saindo de seu corpo lentamente, com uma dor lancinante.

— Acabe logo com isso, Dromeda — sussurrou o homem, a voz fraca e quebradiça mal saindo de seus lábios finos e secos — Por favor, acabe logo...

— AVADA KEDAVRA! — gritou, sentindo o fluxo da magia passar por seu corpo até chegar ao corpo de Edward, que permaneceu imóvel após o estouro de luz verde que se espalhou pelo cômodo. Aquelas palavras saíam com naturalidade dos lábios vermelhos de Black, aquela era a sua favorita dentre todas as maldições imperdoáveis. Ela gostava de ver quando o brilho dos olhos de alguém se extinguia, levando consigo os últimos suspiros de vida.

A mulher se abaixou novamente, observando o corpo que estava jogado a seus pés.

— Você realmente achou que podia me consertar? — disse Andromeda, afastando os fios de cabelo que estavam na testa do homem — Perdão decepcionar você, querido.

[...]

A casa dos Potter estava silenciosa quando a loira chegou, tudo parecia calmo e frio. Narcissa sentiu um arrepio percorrer sua pele quando encontrou o corpo morto de James Potter no andar de baixo, perto das escadas. A mulher sabia que não deveria estar ali mas seu instinto falou mais alto.

Apontou a varinha para a escadaria e se pôs a subir, procurando Lily pelos cômodos vazios. Não demorou para que um choro baixo de bebê soasse pelo ambiente, o que a guiou diretamente para um berço pequeno e aconchegante.

Harry Potter estava lá, chorando enquanto olhava o corpo imóvel da mãe.

— Está tudo bem querido, está tudo bem — murmurou Narcissa, pegando o pequeno bebê no colo — Vou leva-lo embora, sim?

Um barulho a fez se sobressaltar, buscando em suas vestes pela varinha para defender a si mesma e ao menino que agora levava consigo. Acabou encontrando um par de olhos escuros vidrados em si. Era a última pessoa que pensava encontrar.

— Narcissa? O que faz aqui?

— Severus? — perguntou assustada, apertando Harry em seus braços.

To be continued.

Or not.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!