Notas iniciais
Finalmente, o personagem que eu planejava desde o início vai aparecer! Eu estou me sentindo uma daquelas pessoas com surpresas planejadas e que fica louca pra contar de uma vez, hahahaha. Vou tentar postar o próximo capítulo dentro de três semanas, no máximo! Espero que vocês gostem deste capítulo! ♥

Extremamente ciente da minha roupa minúscula, continuei meu caminho para dentro do bar da forma mais confiante que os saltos sob meus pés permitiam. Ocupando o cargo de minha estilista esta tarde, Linda havia escolhido um vestido de couro preto que revelava muito das minhas costas por entre tiras finas.

Eu estava longe do estilo que eu utilizava para atrair os homens.

Meu vestido ainda era menos ousado que o de Linda, que tinha enormes faixas diagonais transparentes no tecido azul-claro que evitavam as áreas íntimas, mas revelavam a ausência de um sutiã e não cobria mais que a metade de suas coxas. Mas ela parecia muito mais natural que eu nisso, apesar do rosto de criança.

—Acho que sei do que você estava falando. —Linda sussurrou enquanto escolhíamos uma mesa. —O cara de preto tem um alvo gigante no traseiro.

—Não acha que Thayer está atrasado? —olhei ao nosso redor, sem encontrá-lo.

—Não se preocupe com isso. O garoto deve ter uma vida além de toda nossa esquisitice. —Linda revirou os olhos.

Sim, ela tem razão. Thayer tem um emprego, afinal. Um hospital para cuidar.

Usando o profissionalismo adquirido em anos, joguei meu cabelo de forma despreocupada, olhando em direção ao bar para inspecionar o cara-de-preto.

Seus cabelos eram de um castanho profundo e sua pele era muito clara, como se ele não tomasse banhos de sol há muito tempo. Sua roupa também parecia inapropriada para Miami, botas, calça apertada, camiseta e casaco pesado, tudo em preto. Em meio a minha vistoria, enxerguei o brilho de um piercing em seu lábio inferior antes de perceber que ele estava olhando em minha direção.

Sorrindo para mim, ele exibiu um conjunto perfeito de dentes brancos.

Ele era sombriamente belo, como um predador, e sua energia ficava cada vez mais negra e dominava até as sombras do estabelecimento.

—Cat. —Linda chamou, escondendo seus lábios da vista da minha promissora presa. —Essa aura dele está começando a me dar arrepios, e avança a cada segundo. Antes de começar com ele, se certifique que pode aguentar seu nível.

—Fui infligida a muitos níveis durante a iniciação e eles não encontraram meu limite. Eu sei que consigo lidar com esse aí. —pisquei um olho para ela.

Uma garçonete estava em seu caminho para nos atender quando foi parada pelo homem de preto, que lhe entregou uma nota de dinheiro e sussurrou algo em seu ouvido. A moça pareceu hipnotizada ao olhar em seus olhos, e assentiu, apressando-se até o barman e se abanando quando pensou que ninguém olhava.

—Ele continua nos checando, não é? —Linda lutou contra um tremor.

Assenti, sorrindo para camuflar minha própria inquietação.

No instante que a garçonete nos alcançou, eu pensei que já estaria acostumada com a sensação, mas cada vez que o pecaminoso cara-de-preto nos olhava, fosse no meio de um gole de seu copo de whisky, ou enquanto ele mordiscava a argola prata em seu lábio cheio, eu ainda queria estremecer.

—O homem daquela mesa pagou uma bebida para vocês. —a ainda encantada garçonete informou, entregando nossas bebidas. —Gostariam de mais alguma coisa?

—Ainda não, obrigado. —Linda respondeu, sorrindo docemente. Com certeza ela não teria sido tão agradável com um funcionário do sexo masculino.

Pensei em como abordá-lo após isso, quando dois homens aproximaram-se.

—Como vocês estão, belezuras? —um deles perguntou.

Considerei que não responder seria mal-educado de minha parte, e eu não poderia ligar menos. Eu nunca havia visto nenhum dos dois rapazes vestidos como mauricinhos, com camisas bem passadas e calças cáqui.

Linda revirou os olhos, obviamente sem paciência para flertes.

Mesmo após o silêncio depois disso, o outro tentou falar conosco. —Vocês são tão lindas juntas que mal posso parar de olhar. Se importam se sentarmos com vocês?

Sem esperar uma resposta real, ele estava puxando uma cadeira quando uma mão elegante com um anel de caveira o interceptou.

—Elas não parecem querer vocês aqui. —o cara-de-preto disse, um sorriso debochado esticando seus lábios enquanto seus olhos acinzentados brilhavam em desafio. Aquele era o tipo de desafio que pessoas inteligentes recusariam.

—E quem é você, babaca? —o primeiro homem perguntou em desdém.

—Babaca? Faz um tempo que ninguém é idiota o suficiente para me chamar assim. —a confiança que cada movimento dele exalava foi o segundo sinal de aviso dado aos dois rapazes. Ele era alto, talvez da mesma altura que Thayer, suas pernas revestidas de couro tinham uma bela forma musculosa, seus quadris eram estreitos e seu peito largo, como um modelo masculino deveria parecer.

Um dos engomadinhos parecia pronto para dar o fora, provando que tinha um pouco mais de noção que o outro, que fechou as mãos em punho.

—Vá se foder, seu gótico de merda. —o mauricinho mais irritado grunhiu.

—Brigas de bar nunca são atitudes de um puro. —Linda soprou no meu ouvido.

Neste momento, já éramos a atração mais quente do bar, e alguns funcionários estavam vindo em nossa direção, com a intenção de acalmar os ânimos.

—Cara, são apenas duas gostosas. —disse o engomadinho que já havia entendido os sinais de aviso. Ele aplaudiu o ombro do amigo enquanto olhava para minhas pernas nuas. —Podemos encontrar algumas mais disponíveis em outro lugar.

Antes até de escutar o sermão dos funcionários, os dois amigos se afastaram, deixando o bar. Pela maneira que o mais esquentadinho não relaxou os punhos, eu sabia que ele não estava satisfeito. Já o cara-de-preto podia muito bem estar lendo um jornal pela forma como parecia desinteressado.

—Não era esta a maneira que eu planejava me aproximar. —ele lamentou.

—Ainda bem. —Linda brincou. —Não precisamos de mais maníacos por perto.

Na verdade, nós precisamos, sim.

—Minhas chances estão arruinadas? —ele perguntou, olhando diretamente para mim, e eu notei que ainda não tinha dito uma palavra.

—Ahn… Claro que não. —sorri suavemente, jogando com o meu cabelo.

—Sente-se conosco. Companhia é o mínimo que podemos fazer depois de toda esta confusão. —Linda indicou docemente uma cadeira vaga no espaço entre nós duas e me deu um olhar questionador enquanto ele se sentava.

Afastei meu cabelo do pescoço, de repente muito desconfortável.

Esta era uma daquelas ocasiões embaraçosas que voltam à sua lembrança para revelar os incontáveis erros que você cometeu, as coisas que deveria ter dito ou feito diferente a fim de evitar parecer uma boba. Eu sabia que Linda não seria amigável com o cara-de-preto para sempre. E eu deveria ser a caçadora hoje.

—Meu nome é complicado, mas vocês podem me chamar de Daimon. —o cara-de-preto disse em usando um tom de voz sedoso que não combinava com sua energia.

—Com pais hippies, eu devia agradecer por meu nome ser Linda. E essa é-…

Estendi minha mão para ele antes que Linda concluísse a minha apresentação. —Cat. Meu nome não é complicado, mas prefiro que me chamem assim.

—Cat. —ele ecoou, testando como soava, e aceitou a minha mão, levando-a até seus lábios ao invés de apenas a apertar. Seus olhos pareciam com prata líquida e trancaram os meus quando ele sorriu. —Combina com você.

Vendo aquilo como uma chance de escapar, Linda começou a se erguer.

—Minha bebida acabou. Eu vou até o bar, pegar mais. —ela se explicou chacoalhando seu copo de vidro como desculpa.

—Então, Cat. Me conte mais sobre você. —o cara-de-preto se inclinou sobre a mesa, seus olhos ainda focados em mim como se tudo ao nosso redor fosse irrelevante. Durante a iniciação haviam me dito para usar o nome da presa o mínimo possível, com o objetivo de evitar vínculos de qualquer natureza. A presa na minha frente parecia diferente de todos os que eu já havia visto.

O último homem diferente que eu havia encontrado era Thayer. E mesmo o meu péssimo instinto proferia que o cara-de-preto era problema certo.

Com o passar do tempo, o bar foi lotando e Linda desapareceu na multidão.

—Sabe, eu admiro pessoas como você. —Daimon disse, sacudindo seu segundo copo de whisky. Enquanto ele até revelara um pouco sobre seus muitos irmãos, eu tinha sido bem menos pessoal, citando o mínimo a meu respeito.

—Pessoas como eu? —ergui minhas sobrancelhas, curiosa.

Um sorriso enigmático esticou seus lábios cheios. —Pessoas especiais.

Torci meus lábios em desgosto, enrugando meu nariz sem pensar mais em ser graciosa. —Ser especial é superestimado. Não é algo que eu busque, na verdade.

—E o que você busca, Cat? —foi a vez de Daimon parecer curioso.

—Justiça. —falei sem pensar, deixando meus olhos vagarem para longe dele.

Meu breve desvio de atenção me fez perceber quão hipnotizada eu havia estado. Já estávamos conversando há um bom tempo e a energia de Daimon podia ser aconchegante… ainda que com grande carga sombria. Perceber esta contradição foi menos surpreendente do que olhar ao meu redor e não ver sinais de Thayer.

—Procurando sua amiga? —Daimon perguntou.

—Estávamos esperando outra pessoa. —contei. Logo depois que as palavras saíram de minha boca eu congelei, apertando meus lábios em uma linha firme. Por que diabos eu havia sido tão honesta com ele?

Sua voz suave soou em seguida. —E se ele não chegar, Cat?

—Eu nunca disse que era um “ele”. —estreitei meus olhos.

—Apenas uma suposição. —Daimon deu os ombros, tomando um longo gole de sua bebida. —A demora ou quem sabe ausência desta pessoa que vocês esperam atrapalharia o meu desejo de ir até um lugar mais reservado com você?

—Não. —respondi. E aquela era a verdade. Eu precisava me alimentar, e precisava fazer isso logo, só assim eu estaria livre para procurar Thayer.

—Então… —atingindo um perigoso nível de sensualidade, Daimon tornou sua cabeça para trás, bebendo todo o whisky de seu copo e em seguida lambendo os seus lábios. —Podemos ficar a sós agora mesmo?

Com um sorriso, estendi minha mão para ele por sobre a mesa. —Claro.

A dificuldade de encontrar um local deserto era mínima. Esta não era uma das áreas movimentadas da cidade, e apesar do sol ainda iluminar as ruas da forma impiedosa tão característica de Miami, a parte traseira do bar continuava sendo escondida o suficiente para Daimon, assim como para mim.

Os dedos de Daimon se enrolaram em uma mecha de meu cabelo ruivo enquanto ele lançava o seu já característico sorriso misterioso.

—Depois de tudo… Como você pode ser tão bela? —ele murmurou.

Tentei sorrir da forma mais provocante que podia, camuflando minha confusão com divertimento. —Você fala como se já me conhecesse antes.

—Talvez eu conheça. —ele encostou seu alto corpo numa parede, deslizando seus dedos pelo luxurioso cabelo escuro. —Qualquer imbecil notaria que eu era o lado mais entusiasmado de nossa conversa. Eu teria dado muita coisa para conhecer você antes dele. Nós teríamos um tempo incrível. Isso é realmente uma pena.

Assumi uma postura cautelosa. —Do que você está falando?

—Em meio ao seu desinteresse, você se esqueceu de me perguntar o que eu fazia da vida. —ele começou, deslizando graciosamente até me ter a um braço de distância. —Para alguns, eu diria que sou um Vice-Presidente de uma grande empresa. Para você, minha doce Cat, eu posso ser mais específico. Posso dizer que serei o próximo chefe do lugar que você luta tão duramente para despovoar. O lugar que todos chamam de Inferno.

—Você é um demônio? —eu não soei tão surpresa quanto me sentia, meu tom revelando apenas a decepção de perder uma presa. Trabalhando para a morte, eu conhecia a existência de demônios. Já havia até visto alguns de classe baixa durante minha iniciação. Porém Daimon não parecia um demônio comum.

—Desapontada? —ele deixou sua energia se desenrolar tenebrosamente.

—Eu esperava que você pudesse ser uma presa.

Sua expressão divertida mostrava que ele já havia sabia disso. —Tive acesso a informações interessantes sobre você antes de vir para o andar de cima. Você foi catalogada como uma das raríssimas Ceifadoras que não apresentou limites de energia a ser suportada, então, por que não posso ser sua presa?

—Minha estupidez tem limites. —respondi com humor ácido. —Não seria inteligente de minha parte tentar matar meu chefe. Ou melhor, chefe da minha chefa.

Ele arrebentou numa gargalhada. —Sua falta de submissão é adorável.

Ainda que ele parecesse se divertir com minha aspereza, eu sabia que deveria ser mais cautelosa com meu superior, afinal, demônios não são reconhecidos por sua placidez e bondade. Busquei ficar mais calma e engoli o meu sarcasmo. —O que traz um demônio como você até aqui?

—Você vem chamando muita atenção do mundo inferior.

—E isso não é nada bom. —completei com suas palavras não articuladas.

—Não, não é. Demônios não dão promoções, eles apenas demitem. E demitir, em nosso mundo, significa aniquilar no literal. O seu maior problema é também sua maior beleza: a peculiaridade. —seu olhar passeou pelo meu corpo de forma invasiva, como se pudesse ver através de minha roupa. —Você é como uma joia… Uma belíssima joia lapidada em meio à brutalidade. E o inferno está cheio de colecionadores.

O rumo da conversa não me pareceu favorável. —Colecionadores como você?

Uma faísca acendeu em seus olhos. —Exato.

Daimon continuava próximo de mim, quase invadindo meu espaço pessoal, mas havia algo em sua linguagem corporal que parecia me desafiar, eu só não sabia se ele esperava que eu tremesse como uma garotinha assustada, ou reagisse a sua pressão com alguns xingamentos acalorados.

—Então você veio aqui para me domesticar? —minha pergunta soou como uma declaração. Me orgulhei da calma em minha voz e respiração.

—Domesticar é um ato muito pejorativo para alguém como você. —pela primeira vez o seu sorriso debochado parecia distante das belas feições do demônio. Sua seriedade podia ser uma camuflagem, mas sua energia crepitante fazia as sombras dos fundos do bar parecerem ainda mais escuras. —Por hora, eu posso dizer que você despertou minha profunda curiosidade, e eu vim conhecê-la.

Isso provavelmente significava que eu não estava encrencada.

—Então, isso é tudo? —movi meus cabelos, demonstrando leveza. —Eu ainda espero encontrar uma presa. Você deve saber por quê.

—Você está me dispensando? —ele manteve sua voz e seu rosto impassíveis.

—Veja como quiser. —e que se dane! Se eu estou prestes a ser sequestrada por um demônio, que seja rápido. A estranha conexão entre eu e Thayer ainda não denunciava sua proximidade e eu sentia a necessidade de procurá-lo, ou de pedir para Linda fazer isso, mas ela não me procuraria por enquanto.

Daimon se curvou em uma risada que durou quase um minuto. A raiva subia por mim enquanto ele enxugava uma lágrima no canto do olho.

—Não vá tão depressa. Eu ainda estou esperando alguém. —ele disse.

Suspirei. —Você está falando sério?

A cor de seus olhos assemelhavam-se ao céu em meio à uma tempestade enquanto ele olhava para a única saída do beco atrás do bar. Eu sabia que não podia ir contra sua decisão, então, caminhei silenciosamente até a parede onde ele havia se recostado e imitei sua pose de antes.

—Demônios adoram almas puras. Eu diria que é um fetiche. —Daimon quebrou o silêncio, mas ele ainda não olhava para mim. Era confortável estar longe de seu olhar intimidante. —É uma pena que Ceifadores se percam em meio à imundice.

—Não fale como se não tivesse uma parcela da culpa. —resmunguei.

—Se dependesse apenas de mim, eu acomodaria todas as almas no Inferno. Mas, você sabe, toda essa porcaria de equilíbrio serve apenas para aborrecimentos.

Como eu bem sei, Ceifadores trabalham com esse equilíbrio, regulando a quantidade de almas que terão seu passaporte carimbado em vermelho, ou seja lá o que acontece quando os sortudos são encaminhados ao Inferno.

—Não aceitei o título de colecionador sem motivos. Tudo era maravilhoso até os humanos começarem a se reproduzir como coelhos e a Morte ser obrigada a contratar mais. —ele soltou um suspiro melancólico. —Eu imagino como sua aura pareceria antes que a morte lhe alcançasse.

—Já eu imaginava que demônios da sua classe eram mais ocupados.

—Senhor. Me perdoe a demora. —disse uma familiar voz feminina.

Murtie estava em sua pele de garota, seus cabelos platinados estavam soltos e cobriam seus ombros e parte do rosto enquanto ela permanecia com um joelho no chão. A blusa de mangas longas era estrategicamente maior que seu corpo magro, e ainda assim eu via o tremor em seus ombros.

—Murtie…? —perguntei, dando um passo em sua direção.

—Senhor, peço perdão pelo comportamento de minha subordinada. Sinto muito, ela não foi treinada de forma apropriada, Senhor. —pela primeira vez ela ergueu os olhos negros como a noite que se aproximava. Todo seu receio estava estampado neles. —Cat, se ajoelhe perante seu superior.

Fiz uma careta. Eu sei quem ele é, mas eu realmente preciso me ajoelhar?

—Adorável, Morte. Você se apegou a esta Ceifadora, huh? —com a ponta do dedo indicador, Daimon desenhou uma linha na pele nua das minhas costas. Seu poder transbordava, serpenteando friamente onde ele me tocava. —Não precisa forçá-la a fazer nada por mim. E pode se levantar. As formalidades são incríveis para o meu ego, mas eu já tive o bastante disso nos últimos dias.

—Velhos hábitos, Senhor. —Murtie amenizando seu tom de voz ao se erguer, mas permanecendo com a postura rígida demais. Imagino quão velhos estes hábitos eram ao ponto de reduzir a Morte a uma garotinha amedrontada. —Vim assim que recebi seu chamado. O que posso fazer pelo Senhor?

O comportamento de Murtie me parecia excessivo. Ela chamou Daimon de Senhor mais vezes do que tomou fôlego para falar.

—O que você está escondendo de mim? —ele questionou tranquilamente.

—Eu não posso esconder nada do Senhor. —Murtie começou, mantendo a polidez profissional que contrastava com sua figura de garotinha de treze anos, magra e pálida. —Como meu superior, você deve ter conhecimento de cada decisão minha, mesmo que qualquer faceta desta esta esteja fora de seu alcance.

Aquilo foi o mais próximo de uma afronta que sua amenidade permitiria.

Daimon não poderia parecer menos tocado. —Apenas diga de uma vez. Poupará nosso tempo. Eu poderia estar fazendo coisas bem melhores agora mesmo.

—Tenho plena noção disto, Senhor. Se for seu desejo, eu posso relatar-…

A calma exterior de Daimon não foi o suficiente para camuflar suas reais emoções. Sua energia tremulou ameaçadoramente, demonstrando que ele não apreciava rodeios. Até mesmo eu, que estava fora do alcance de seu olhar, temi sua proximidade. O peso de sua palma cálida me fazia estremecer como se fosse gelo. Ele parecia me reivindicar ao interromper Murtie.

—Diga-me o que ela tem de tão especial, caso contrário, minha nova aquisição terá cabelos ruivos.

Notas finais
Sei que "Daimon - o demônio" é muito clichê, mas eu adoro essas coisas (caso vocês não tenham notado com o "Murtie - a morte", hahahaha). Na minha cabeça, isso dá a oportunidade de vocês anteciparem o que o personagem é, só pelo nome. Ah, e alguém notou a ausência do Thayer? O que vocês pensam que ele tá fazendo por aí?